Foto de capa: Aceite Olivos Milenares Territorio Sénia
Antes de entrar no assunto da publicação, sugerimos uma espiada na publicação anterior: Como medir a idade de uma árvore? Dendrocronologia | OLIVAPEDIA, e nos ajude a descobrir quais são as “Oliveira mais velhas do mundo!!!”
Velhas, mas… quanto?
Para dar uma visão sobre essa questão, montamos uma linha do tempo que ajudará entender o quanto essas olivieras já viveram.
Esclarecimento necessário
É uma tarefa inglória tentar listar todas as oliveiras mais antigas do mundo. Além da questão da imprecisão da medida, explicada abaixo, são inúmeras as oliveiras milenares. De Portugal ao Irã são várias as oportunidades de conhecer a “oliveira mais antiga do mundo”.
A Olivapedia fica sempre aberta a contribuições e críticas ao material publicado. Na verdade, mais a contribuições do que a críticas 😊.
Precisão na medida
As medições são tão certas quanto maior o número de dados a serem analisados, ou ainda, simplesmente, poder contar o número de anéis do tronco serrada a uma determinada altura. Ainda que algum louco esteja disposto a serrar uma oliveira milenar, ainda assim encontrará uma alta taxa de imprecisão,
As medições são tão certas quanto maior o número de dados a serem analisados, ou ainda, simplesmente, poder contar o número de anéis do tronco serrada a uma determinada altura. Ainda que algum louco esteja disposto a serrar uma oliveira milenar, ainda assim encontrará uma alta taxa de imprecisão, considerando a falta de regularidade como uma oliveira cresce.
Qual a idade então?
Todas as idades são estimadas, pois sempre haverá incertezas acumuladas. Salvo ter ocorrido o registro de plantio de uma oliveira, e a mesma ter sido acompanhada ao passar dos séculos, não é possível determinar, por exemplo, que uma oliveira tenha “1.324” anos. Quem sabe daqui alguns séculos tenhamos alguns espécimes registrados e acompanhados.
Assim sendo consideraremos sempre as idades estimadas publicadas. Certamente não estão muito erradas, pois é só comparar a aparência de uma oliveira milenar com uma de “meros” 150 anos, no meio da imagem abaixo.
Método mais aceito: Contagem dos anéis do tronco cortado
Como contar anéis de um tronco lindo e complexo como o abaixo? Pior: não serviria para coisa alguma…
Contudo é claro que neste caso se trata de uma oliveira com muito mais de 1.000 anos, comparando o padrão de crescimento da espécie. Mas quanto mais de 1.000 anos?
Divisão por país
Não vamos “ranquear” por idade, pois, além das incertezas, não se trata de uma disputa.
Albânia
A Albânia, que fica logo “acima” da Grécia, teve a introdução da olivicultura em tempos muito antigos. Talvez tanto quanto a Grécia. Logo é natural esperar que tenha um patrimônio em espécies antigas muito alto. E isso de fato acontece:
“A maioria das árvores tem mais de 500 anos e 10% do total de 1,7 milhões de árvores com idade entre 1.000 e 3.000 anos.” (Oliveiras pelo Mundo: ALBÂNIA | OLIVAPEDIA). Essa informação está na nossa publicação sobre oliveiras no país, e já na foto de capa vê-se uma oliveira, no mínimo, de vários séculos.
Então seriam muitas oliveiras a publicar… Damos destaque a uma das mais antigas, a “Palikështi Olive”, ou “Olik i Palikështit”.
Suas dimensões contam com um diâmetro do tronco de 7m. Circunferência do tronco de 21m, mais de 21 metros de circunferência e uma altura de 13 metros. O diâmetro de sua copa ultrapassa os 22 metros.
Sua idade é controversa, como de todas oliveiras muito antigas. Alguns estimam 1.000 anos, o que não é compatível com o volume de seu tronco. Outras estimativas falam de 2.000 anos.
Outras oliveiras de 2.000 aproximadamente:

Através do método de utilização de trado, descrito na publicação “Como medir a idade de uma árvore…” (Como medir a idade de uma árvore? Dendrocronologia | OLIVAPEDIA) algumas oliveiras tiveram seus troncos perfurados para análise de suas idades. Como já explicado, é um método falho, devido a irregularidade dos troncos das oliveiras em conjunto com a quase impossibilidade de se localizar o cerne do tronco. Mas em 2015, nas localidades de “Ulqinit” e “Tivarit” foram feitas algumas análises, que resultou nos seguintes números oriundos de amostra de 50 troncos::
- 2 oliveiras com mais de 2.000 anos,
- 6 oliveiras entre 1000-2000 anos,
- 20 oliveiras de 500-1000 anos,
- Demais com menos de 500 anos.
Outra análise em 25 oliveiras de “Ulcinj” obtiveram os seguintes resultados:
- Em Valdanos foi encontrada uma oliveira com 1.892 anos
- Kruca 1.713 anos na propriedade da família F. Nilovic
- Em Bashbylyk na propriedade da família Buzuku, 1.314 anos
- Em Kruçë, 1.291 anos na propriedade da família H. Dragovoja.
- Demais 21 oliveiras com menos de 1.000 anos.
Chipre
Para saber mais sobre a olivicultura no Chipre, clique: Oliveiras pelo mundo: CHIPRE | OLIVAPEDIA
No Chipre existem três memoráveis oliveiras. As três com idade estimada de 800 anos. Aparentemente a idade dessas árvores parece ser maior… Principalmente se considerarmos uma das métricas adotadas por pesquisadores que diz: se a oliviera tem mais de 10 metros de perímetro, então sua idade é no mínimo de 1.000 anos.
Estão nas vilas de Anglisides – Larnaka, Kalkanli – cidade de Morphou e Xyliatos – distrito de Nicósia.

Na verdade o que encontramos em Kalkanli é um olival antigo com espécimes fantásticos.
Cogita-se que as árvores mais antigas do olival tenha sido igas originaram-se de plantações durante o reinado de Guido de Lusinhão, no século XII, e que muitas outras árvores tenham sido plantadas pelos venezianos posteriormente.
Em Angliside além da oliviera centenária, mais de 800 anos, encontra-se um museu do azeite.
A oliveira de Angliside é mantida pelo Departamento de Florestas de Chipre, possui 6 metros de altura com um tronco de mais de 11 metros de perímetro, o que leva a entender que tenha mais de 1.000 anos.
A oliveira de Xyliatos é indicada como a maior e mais antiga (?) do Chipre. Com uma altura de 6 metros e circunferência de 13 metros, também é mantida pelo Departamento de Florestas. Seu tronco é oco, cabendo váias pessoas dentro.
Croácia
Mais um país vizinho da Ásia Menor, e com longa tradição na olivicultura. Vide Oliveiras pelo Mundo: CROÁCIA | OLIVAPEDIA.
Como prova de que as oliveiras são quase indestrutíveis, na Croácia existe um exemplar que mesmo com 1.200 anos sobreviveu a queda de um raio.
Ainda sobre a Croácia e já publicado na Olivapedia – História
Segundo “thewineandmore.com”, em uma ilha da Croácia estão as oliveiras mais antigas do mundo: a ilha de Pag.Em especial ao norte na aldeia de Lu. São mais de 80 mil oliveiras de todas idades em um área de 86 hectares. Várias com mais de 1.000 anos e uma que alguns alegam ser a mais antiga do mundo, datada com 1.600 anos.
Compete com a oliveira da ilha de Pag outra árvore na ilha de Brijuni, plantada por romanos na época do domínio do império, que também data com 1.600 anos, contudo essa que no ano de 1986 foi dividida por um raio. Após muita atenção e tratamento VIP, ou VIO (Very Important Olive Tree), a árvore voltou a produzir uma média de 30 Kg de azeitonas que rende um pouco mais de 4,5 litros de azeite por ano.
Espanha
A Espanha é um caso único no mundo da olivicultura, não apenas pelos números de produção, já colocados em algumas publicações: Oliveiras Pelo Mundo: ESPANHA | OLIVAPEDIA, Ocupação da olivicultura pelo mundo | OLIVAPEDIA e outras, mas também pela continuidade da evolução da cultura e como o povo a absorveu. Resultado: 2,5 milhões de hectares de oliveiras
Por resultado, dentro do tema desta publicação, são muitas árvores com mais de 2.000 anos e inúmeras com mais de 1.000 anos, mesmo com o corte de várias para produzir lenha até alguns anos atrás, e o comércio para dentro e fora da Espanha. Alguns espécies chegaram a 60.000 euros!!!
As oliveiras mais antigas da Espanha encontram-se no município de Ulldecona, em Tarragona. Neste município foram contabilizadas 1.391 oliveiras com mais de 1.000 anos. A maioria plantada no século IV. Destes 53 foram definidos como bem Cultural de Interesse Local.
Vamos mostrar algumas…
Começando com uma oliveira que é considerada a maior da Espanha e dentro do mundo de incerteza das idades dessas árvores, é uma exceção. Conhecida como La Farga de Arion, foi plantada em 314 durante o reinado de Constantino (306-337 d.C). Ou seja: Em 2021 faz 1.707 anos.
Possui 10,2 metros de circunferência e recebe cuidados contínuos para evitar que o mato ao redor (erva daninha) a sufoque.
Em Maestrat de Castellón – Valência, encontramos uma oliveira de 2.000 estimados, nas fotos de José Verge da Oleomile
Mais uma valenciana do município de La Jana:
Uma cidade em torno de uma oliveira
Literalmente a cidade de Daimiel cresceu em torno de uma oliveira que hoje ocupam a praça no centro da cidade.
Em 1991 a população da cidade era de 16 habitantes (segundo o wikipedia), mas nessa época a oliveira já tinha mais de 1.000 anos. A primeira vez que o nome da cidade foi citado foi no início do século XIII. Mas a oliveira já estava lá também.
Obs.: Já havia ocupação na região há muito mais tempo. Da idade do bronze foi encontrado um sítio arqueológico de Motilla del Azuer (2200-1500 aC), mas quando falamos no crescimento em torno da oliveira nos referimos a cidade moderna.
Algumas com mais de 1.000 anos:
Conheça mais sobre as regiões de antigos olivais e circuitos na Espanha clicando na imagem abaixo.
Em 2020 uma antiga oliveira localizada no município Fornalutx de Palma de Maiorca, do cultivar autóctone Empeltre Mallorquina, foi eleita pelo júri da Associação Espanhola de Municípios da Oliveira (AEMO) como a Melhor Oliveira Monumental de Espanha.
Essa oliveira possui um perímetro de quase 7 metros, e possui formas espetaculares em seu tronco único.
Segundo especialistas, a oliviera deve ter sido plantada durante a ocupação mulçumana no século IX. Ela se localiza na Serra de Tramuntana que foi recentemente declarada Património Mundial pela UNESCO na sua categoria de Paisagem Cultural. Próxima a oliveira premiada, outras de tamanho semelhante a fazem companhia.
França
Apesar de não disputar um dos primeiros lugares na olivicultura, como Espanha, Itália, Grécia, Tunísia… A cultura é quase tão antiga no país como nos países citados. Logo encontramos oliveiras com mais de 1.000 anos, contudo nenhuma disputando ser a mais antiga do mundo.
Beausoleil
Em Beausoleil, nobre endereço na região da Provença-Alpes-Côte d’Azur, encontra-se uma oliveira de 1.200 anos estimados.
Apesar de ser uma “jovem” no mundo das oliveiras mais antigas, é contemporânea da coroação de Carlos Magno.
Seu proprietário, Sr. Bérard, a poda todos invernos, mas no verão a mesma já se encontra totalmente verde mais uma vez.
Seu tronco possui 11 metros de circunferência no tronco com uma altura de 8 metros, sem contar a folhagem.
Roquebrune-Cap-Martin
Ainda na Provença-Alpes-Côte d’Azur, na vila de Roquebrune-Cap-Martin, encontra-se uma oliveira com idade estimada entre 2.000 e 2.800 anos, um pouco antes da chegada dos gregos a Marselha (600 a.C).
É considerada a árvore mais antiga da França.
A idade das oliveiras na França fica limitada por registros de chegada da espécie no Mar Mediterrâneo Ocidental. Mas é só uma das teorias sobre a expansão das oliveiras, que se desprezada, poderia levar a idade da oliveira de Roquebrune a 4.000 anos, considerando suas características físicas.
A oliveira cresceu em se apropriando das pedras da parede onde ela cresce. Já chegou a 23,5 m de diâmetro e 15m de altura.
Seu cultivar é Pichoulina (Picholine du Languedoc, Collias, Coyas, Olive de Nîmes, Picholine du Gard ou Piquette), e ainda produz pequenas azeitonas.
Ainda na França
Mais dois exemplares que devemos mostrar, apesar das informações sobre eles serem poucas.

Grécia
A Grécia foi um dos primeiros países que receberam a “nova espécie – variedade” advinda da Ásia Menor, vide: A Origem Da Cultura das Oliveiras | OLIVAPEDIA. Além disso não ocorreu uma “interrupção” na preferência no consumo do azeite por outro produto, a exemplo do que ocorreu na Itália com a invasão dos “bárbaros”, fato relatado em Oliveiras pelo Mundo: ITÁLIA (Italy) | OLIVAPEDIA. Logo é de se esperar muitas oliveiras antigas, com mais de 2.000 anos.
Vouves
Na ilha existem exemplares MUITO antigos, vejamos dois começando pela que está em Vouves, no município de Kolymvari, na região de Chania, e que em várias fontes é indicada como a oliviera mais “antiga do mundo”.
Seu tronco possui uma estrutura espiral, incomum para outras árvores, denominada “estrifolia”, que significa “oliveira torcida”.
A oliveira de Vouves tem a idade estimada entre 3.000 e 5.000 anos, encontra-se a 272 m de altitude no sítio “Pano Vuves”. Sua localização geográfica: 35.487139º N e 23.786989º L.
Em 1997 foi reconhecida como monumento natural, e nos anos de 2004 (Atenas), 2008 (Pequim) e 2012 (Londres) seus ramos forma utilizados para confecção das coroas Olímpicas.
Até 2018 era visitada por 20.000 pessoas por ano. É atribuído ao azeite desta árvore o início do epíteto “ouro líquido”.
Quem sabe se coroas de jogos antigos na Grécia não foram feitos com ramos desta árvore?
Esta oliveira é do cultivar “Mastoeidis” (sinônimos: Mastoides, Athinolia, Mastoides Micra, Mastoidis Comune, Mastoides Comune, Tsounati ou Tsunati) é autóctone da Grécia. Mesmo com toda idade, ainda produz 150 Kg de azeitonas por ano, em média.
Kavousi
Mais a leste, em Kavousi, encontra-se uma das oliveiras que é designada como a mais “velha do mundo”. Estima-se que tenha sido plantada em 1350-1100 BC, logo: em 2021 estaria com a idade entre 3371 e 3121.
Especula-se que a oliveira de Vouves tenha sua idade superestimada, logo a oliveira de Kavusi passaria a ser a mais antiga da Grécia e talvez do mundo.
É uma árvore enorme e produtiva. Seu tronco varia entre 4,7 e 7 metros de diâmetro, com a altura atingindo 7 metros. Sua copa possui um diâmetro maior que 10 metros.
Próximo a árvore é possível ter uma bela vista da cidade de Kavusi, bem como da baía de Mirabella. A árvore está localizada ao lado da estrada que vai de Kavusi a Azoria.
Em 1984, a primeira mulher a vencer a maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, foi cercada por um pedaço de uma raiz selvagem desta árvore.
Mostramos as duas oliveiras antigas de maior destque na Grécia, mas existem muito outras, como por exemplo essas de Pelion, região montanhosa da Grécia:

Mais um lindo exemplar, também de Pelion:
Que tal essa em Paraspori, Lasithi – Creta?
Principais oliveiras antigas da Grécia
Israel
Israel é uma exceção em um mundo com uma visão preservacionista das antigas oliveiras. Sem julgar o mérito (demérito), muitas oliveiras das terras, que deveriam ser a Palestina, foram derrubadas para construção de assentamentos e instalações judáicas. Muitas centenárias, pelo menos.
Fica como exceção a preservação do jardim de Getsêmani (“prensa de azeite” – hebraico), que se localiza no sopé do Monte das Olivieras, em Jerusalem, atualmente Israel.
Curiosidade: Na noite anterior a crucificação, Jesus pediu para que os discípulos que o seguiam (Pedro, Tiago, filho de Zebedeu, e João) orassem com ele em preparaçao ao martírio que sabia que viria. De acordo com o Evangelho segundo Lucas, a angústia de Jesus no Getsêmani foi tão profunda que “seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão.”
Passados quase 2.000 anos após a condenaçao de Jesus pelo Sinédrio judeu, o jardim continua de pé, graças a sua importância histórica e possívelmente econômica.
A maioria das oliveiras lá plantadas são descendentes das que testemunharam o início da Paixão de Cristo, pois em média a maioria tem 900 anos. Existem oliveiras mais antigas, considerando o perímetro do tronco, mas ao certo ninguém afirma terem 2.000 anos.
Jordânia
A Jordânia é mais um dos países que participaram do “Crescente Fértil”, ou seja: local onde iniciou a fixação do homem a terra com a agricultura e desenvolvimento das civilizações, e vizinha da “Ásia Menor”, local onde se atribui o início da “domesticação” das oliveiras.
Logo, apesar de não haver um estudo nem mapeamento sobre as árvores mais antigas, certamente algumas muito antigas se encontram nesse país. São dezenas de árvores centenárias na Jordânia e prevavelmente algumas milenares.
Os principais olivais da Jordânia estão na região norte do país, e por onde as oliveiras mais antigas também se espalham.
Abaixo algumas das centenárias oliveiras da Jordânia:
Itália
A maior concentração de oliveiras antigas na Itália encontra-se em em S’Ortu Mannu, um bosque de oliveiras muito antigas. Situa-se na comuna de Villamassargia, na ilha de Sardenha.

Dentre todas as oliveiras do parque de agro turismo, destaque-se uma oliveira com idade estimada de 900 anos, conhecida como “Regina” (Rainha).
Contudo, ainda na Sardenha, desta vez no extremo norte, na região conhecida como Luras (sub-região de Gallura), existe uma oliveira considerada a mais antiga da Itália. Trata-se da Olivastri di San Baltolu. Uma oliveira de 4.000 anos. Localmente é conhecida como S’Ozzastru ou Patriarca.
Trata-se de uma oliveira da variedade Silvestre ou “Brava” (Olea oleaster ou Olea europaea var.sylvestris), que diverge da grande maioria dos cultivares utilizados na olivicultura para produção de azeite e azeitona de mesa, que é a Olea europaea L. ssp. Europaea = Olea europaea L. ssp. Sativa, vide Variedade ou cultivar? Quando aplicar o nome corretamente? | OLIVAPEDIA.
Essa oliveira possui proporções “jurássicas”. Com 4.000 anos, segundo estimativa da Universidade de Sassari, cresceu 14 metros de altura, o que é MUITO para uma oliveira Silvestre. Sua circunferência na base chega a quase 19 metros.
Desde 1991 foi declarado monumento natural e possui vizinhas oliveiras com idades variando entre 500 e 2.000 anos.
Mas não só na Sardenha é que temos “antigas senhoras”
Na Puglia encontram-se vários individuos antigos e com uma particularidade: inclinadas ao longo dos séculos pelos ventos.
A oliveira abaixo poderia representar a resistência das oliveiras.
Líbano
No Norte do Líbano encontram-se um bosque com 16 oliveiras conhecidas como as “As Irmãs”, ou ainda “As Oliveiras Irmãs de Noé”. Talvez seja o monumento em forma viva mais impressionante que exista.
As 16 árvores forma plantadas (provavelmente) na mesma época na aldeia de Bechealeh há pelo menos 5.000 anos, podendo chegar a 6.000 anos!!!
Reza a lenda que teria sido dessas oliveiras o ramo de oliveira trazido pela pomba a Noé na narração do “Dilúvio”.
Essas oliveiras ainda produzem azeitonas, cujo o resultado da extração do azeite resulta em um produto de qualidade extraordinária. Graças ao cuidadoso processo de prensagem, obtém-se um abaixa acidez (0,18 a 0,24%) e alto percentual de polifenóis – que auxilia a saúde de quem consome e são responsáveis por algumas características organolépticas, como por exemplo desse azeite notas de amêndoa, pimenta e ervas.
A maior das “irmãs” possui uma altura de tronco de 28 metros.
Um atributo questionável é o fato de serem as oliveiras plantadas em maior altitude: 1.300 metros. Está correto se considerarmos apenas as oliveiras próximas ao mar Mediterrâneo, ou ainda oliveiras muito antigas. O questionamento se deve ao plantio cada vez mais frequente em locais com mesoclima adequado, normalmente maiores altitudes, vide Plantio – Parte I: Requisitos do Local | OLIVAPEDIA, para produção de azeitonas fora da zona ideal (30 a 45 graus de latitude norte ou sul). Exemplo: As oliveiras da nossa Vila Oliva estão aproximadamente a 1.500 metros de altitude.
Malta
Malta, uma ilha no meio do mar mediterrâneo, também tem suas oliveiras antigas. A história pode ser conferida em “Oliveiras pelo mundo: Malta”.
O destaque vai para uma oliveira em Bidni. Bidnija, um aldeia rural na região norte de Malta.
Em Bidni Bidnija são encontradas várias oliveiras com mais de 2.000 anos, e são protegidas desde 1933. Constam da lista no Banco de Dados de Leis do Patrimônio Nacional da UNESCO.
As oliveiras de região continuam a produzir azeitonas e os seus frutos são conhecidos por serem resistentes às doenças e ao ataque da mosca da azeitona.
Como dito em “Oliveiras pelo mundo: Malta“, imagina-se que as oliveiras foram trazidas a Malta pelos comerciantes e posteriormente a cultura foi fortalecida pelo romanos.
Marrocos
Apontado com 6º ou 7º maior produtor de azeite do mundo, dependendo do ano, o Marrocos preserva o passado contado por suas velhas oliveiras.
Existe um ditado que diz que “O Mar Mediterrâneo termina onde as olivieras param de crescer”. Apesar de ser uma visão poética, nesse caso específico é a mais pura verdade.
Ou seja: tanto os países do litoral norte – Europa – e do litoral Sul – Norte da África – receberam dos mesmo povos dissiminadores (Fenícios, Gregos, Romanos e Árabes) as oliveiras que se multiplicaram e as mais antigas que hoje são monumento milenares.
No Marrocos não é diferente, inclusive o ponto mais próximo do território do Marrocos fica a meros 13 Km da primeira ilha costeira da Espanha (Cires), no Estreito de Gibraltar.
Existem muitos olivais centenários no Marrocos, veja em Oliveiras pelo mundo: MARROCOS | OLIVAPEDIA.
Abaixo uma oliveira que nasceu sobre ruinas romanas no Marrocos. Esse “bonsai” natural fica com a idade impossível se definir: do ano de saída do império romano (Bizantino) do Marrocos no século V a 50 anos atrás, qualquer idade é válida.

Montenegro
Stara Maslina é uma velha oliveira que se dizem ter mais de 2.245 anos. Esta árvore está localizada em Stari Bar, Montenegro. A região produz um azeite muito fino denominado “rendimento amarelo” devido à sua cor dourada que apresenta um equilíbrio requintado entre o frutado e o picante.
Mas Montenegro, tão próximo do berço das oliveiras cultivadas, tem muitos outros exemplares:

As mais conhecidas são a Stara Maslina – Velha Oliviera (A: Ao fundo na foto) e a Grande Oliveira (B). A primeira com 2.245 anos e a segunda com 2.000 anos.
Palestina
Em um país em franco desaparecimento, vide nossa publicação Oliveiras pelo mundo: Palestina (فلسطين) | OLIVAPEDIA %Azeite, e onde um dos conflitos desiguais mais duradores da humanidade resultam na derrubada de milhares de oliveiras para assentamento israelense, resiste uma oliveira que disputa ser a mais velha, e, apesar, de não ser possível comprovar, em 2010 duas equipes, uma da Itália e outra do Japão chegaram à conclusão de que a árvore está entre 3.000 e 5.500 anos de idade.
O nome dessa oliveira é Al-Badawi, que segundo a lenda é uma homenagem a um homem santo, Sheik Ahmad al-Badawi, que teria passado a maior parte da vida sob a copa da árvore.
A Al-Badawi está localizada na vila de Al-Walaja, no distrito de Belém, ao sul de Jerusalém. O Ministério da Agricutura da Palestina adota 4.000 anos como sendo a idade da árvore que tem 12 metros de altura e um perímetro do tronco de 25 metros.
Além de ser um monumento visitado por estrangeiros, a árvore possui um histórico de peregrinação para o povo Sufis.
Localizada em Al Walaja a árvore agora é um símbolo de resistência para os moradores, cuja maioria teve de sair de suas terras devido a ocupação israelense.
Sob condições normais de irrigação, a oliveira produz uma média de 600 Kg de azeitonas, grande, por ano que são utilizadas para produção de um azeite peculiar.
Na região da Galiléia ainda são encontradas 7 oliveiras, cuja a idade estimada passa de 3.000 anos. Todas ainda produzem azeitonas.
Arraba
Em arraba, mais uma região controlada pelos israelenses, encontamos uma oliveira de 1.500 anos
Deir Hanna
Mais um território também ocupado pelos israelenses encontram-se sete olivieras milenares:

A importância das oliveiras antigas chegou ao ponto de haver contrabando de oliveiras antigas existente nos territórios palestinos.

Portugal
Como já contado algumas vezes por aqui, vide Oliveiras pelo mundo: PORTUGAL | OLIVAPEDIA e “Estudo de caso: Espanha – Parte I“, Portugal herdou o fascínio do azeite e azeitona de mesa dos povos que ocuparam a península Ibérica, transformando a olivicultura em uma fonte de renda, mas acima de tudo uma forma de viver.
Existem pelo menos 6 oliveiras com cerca de 2.000 anos, contudo existe uma na região do Algarve que é considerada a mais antiga, Sativa (Olea europaea L. ssp. Europaea), ou seja: Oliveira surgida há mais de 6.000 anos pelo cultivo na Ásia Menor.
Em 1984 foi tombada como de “interesse público”, logo está protegida para viver ainda por muito tempo.
A mais antiga
Com 3.250 ano, datação realizada pela Universidade de Trás dos Montes, está oliveira é anterior a chegada dos romanos a península Ibérica, que começou em 212 a.C. Logo pode ter sido trazida pelos Fenícios (1.500 300 a.C.), mas o mais provável é que seja autóctone da região, pois é um “Zambujeiro” (oliveira-da-rocha), ou seja: uma Oliveira SILVESTRE (selvagem). Também surge em outros lugares, como por exemplo na Ilha da Madeira, onde normalmente não passam de 2,5 metros de altura.
Localiza-se no povoado de Carvalhos, Mouriscas no distrito de Abrantes e é contemporânea do faraó Ramsés II o Moisés no ano de 1.250 a.C..
Outra “Selvagem”
Esta encontra-se no Foros de Vale de Figueira, Montemor.
Chega a 10 metros de altura e um perímetro de 21,2 metros. Com certeza tem mais de 1.000 anos, mas sem uma melhor estimativa.
Síria
Provavelmente a oliveira mais antiga do mundo esteja em Palmira, uma região onde a estupidez da guerra, trazida pelo Estado Islâmico, já destruiu vários monumentos arqueológicos.
Reza a lenda que essa árvore teria mais de 5.000 anos. Se ainda não foi derrubada…
Infelizmente não conseguimos boas fotos que pudessem ser publicadas. A mesma estaria na vila de Bamara, distrito de Safita
Abaixo fotos não muito elucidativas do Sr. Ibrahim Mansour.

Tunísia
Já mencionamos uma oliveira tunisiana nesse Blog, a mesma encontra-se em Echraf, Tunísia. Trata-se de uma do cultivar Chemlali.
A família “Lakarit” é a atual cuidadora dessa árvore que alega tem 2.500 anos. Seria a “mais antiga de todo Mediterrâneo”.
As informações locais são de que a árvore tem 16 metros de circunferência na base do tronco, e que já forneceu, em um ano, azeitona o suficiente para produção de 2.500 litros de azeite, SOZINHA!
A Tunísia tem uma longa história na olivicultura e hoje desponta como um dos principais paises produtores de azeitona de mesa e azeite.
PAÍSES QUE POSSUEM OLIVEIRAS MUITO ANTIGAS, QUE SERÃO ACRESCIDAS EM BREVE: LÍBIA, MACEDÔNIA, TURQUIA.







































































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