As oliveiras caminham com a humanidade há mais de 6.000 anos. Da Ásia Menor até a Europa ocidental, passando pelo norte da África, esteve envolvida em vários episódios da história. Hoje chega a territórios impensáveis até pouco tempo atrás, como por exemplo China e Canadá.

Guarda em sua estrutura a fórmula que tem o poder de melhorar saúde do ser humano de diversas formas. As vezes até curando algumas doenças.

Cada vez mais países se interessam pela cultura, só pode significar uma coisa… É o melhor óleo que o ser humano pode consumir e seus frutos – a azeitona – preparados de diversas formas, são sempre deliciosos.

Mitologia da Oliveira

Conta-se que Zeus (deus dos deuses gregos) definiu que o patrocínio de uma grande cidade seria dado a quem ofertasse o melhor presente a ser escolhido pelos próprios habitantes dessa cidade.

Foram chamados Poseidon (deus dos mares) e Athena (deusa da sabedoria, da guerra, das artes, da estratégia e da justiça).

Poseidon com o seu tridente criou um mar, muito salgado para ser bebido. Algumas fontes dizem que e deu como presente o sal.

Athena plantou a primeira semente de oliveira. Dela se retiraria a azeitona, azeite, óleo para iluminação e madeira para aquecimento e construção.

Barbada! O presente de Athena foi escolhido pelos habitantes e em sua honra a cidade passou a ser chamada de Atenas.

No local da competição, atual Acrópole, ainda existe uma oliveira ao lado do templo em homenagem a deusa. Muitos alegam que a árvore é uma descendente das raízes da árvore original que disseminou por todo o mundo as oliveiras que conhecemos hoje.

Fora mitologia

Ter certeza quanto a origem das oliveiras e seu cultivo não é das tarefas mais simples.

Resta-nos confiar nos registros arqueológicos, mapeamento genético e por fim o que os escritos relatam sobre essa cultura que apoiou e foi uma das principais personagens da história da civilização ocidental.

O berço dissiminador da cultura foi o Mediterrâneo onde o clima não foi o único motivo do sucesso observado. Fatores históricos ligados a conquistas, desenvolvimento econômico, esportes e saúde foram apenas alguns motivos complementares do sucesso da cultura que ajudaram na evolução e expansão dos povos que lá habitavam.

Oliveiras datadas entre 5 e 6 mil anos: “As oliveiras irmãs”, ou: “Irmãs de Noé”


Na Itália, fósseis de folhas foram datadas como sendo do período Plioceno. No Norte da África, diversos outros registros de fósseis remetem a origem da cultura da oliveira ao período Paleolítico. Na Espanha foram encontrados pedaços de madeira de oliveiras, datando da idade do bronze (3.300 a 1.200 anos a.C).

Entretanto, a espécie em si, data de pelo menos de 2 milhões de anos. Alguns indícios demonstram que seu cultivo começou na Ásia Menor, Síria e Palestina, há pelo menos 6.000 anos.

Segundo o historiador grego Tucídides:

“Os povos do Mediterrâneo começaram a sair da Barbárie quando aprenderam a cultivar a oliveira e a vinha”.

 Tucídides (460-395 a. C.)

PRIMEIROS REGISTROS DA DISSEMINAÇÃO DAS OLIVEIRAS

Segundo relatos do botânico Candolle, em 1883, a partir da Síria as oliveiras teriam se espalhado para a Grécia, através da Anatólia. Todavia, alguns pesquisadores contestam essa versão. Eles afirmam que a oliveira é uma espécie nativa de toda bacia do Mediterrâneo e de outras regiões, desde o sul do Cáucaso até a antiga Pérsia, além das costas da Síria a Palestina.

Originária ou não apenas da Ásia Menor, Síria e Palestina, seu cultivo ramificou-se em direção as ilhas de Chipre e Creta, chegando até o Egito.

No século XVI a.C., os Fenícios, com sua conhecida vocação para o comércio marítimo, foram os grandes responsáveis pela disseminação. Isso incluiu as demais ilhas Gregas e, dois séculos mais tarde, o continente. Fato que propiciou um exponencial aumento da cultura a partir do século IV a.C. Contudo, seis séculos a.C., as oliveiras já haviam conquistado Trípoli – terra natal do Fenícios – Tunis e Sicília. Daí para frente invadiu a Europa.

A CHEGADA DAS OLIVEIRAS NA EUROPA

Na Itália, segundo Presto, chegou 1.500 anos a.C., antes da queda de Tróia. Já segundo Penestrello, a oliveira foi introduzida na Itália apenas entre os séculos VI e VII a.C., durante o reinado de Lucius Tarquinius Priscus.

Na Espanha, atualmente a maior produtora, a oliveira chegou graças ao domínio do comércio marítimo dos Fenícios, no século XI a.C., porém ganhou força apenas entre os séculos III e I a.C.

Na França, chegou aproximadamente no século 6 a.C.

A CHEGADA DAS OLIVEIRAS NAS AMÉRICAS

Nas Américas, as oliveiras surgiram logo após a chegada de Colombo na América Central. Em 1560 já haviam olivais no México e na Califórnia. Posteriormente, no Peru e Chile.

No Brasil

Já no Brasil, existem relatos de imigrantes que, a partir do século XVI, começaram a trazer mudas oliveiras para iniciar um cultivo local. Contudo, a coroa portuguesa ordenou o corte das árvores em diversas cidades, a fim de evitar a concorrência com Portugal.

Mas talvez o pior tenha ocorrido depois: Durante muito tempo acreditou-se que o Brasil não possuía condições propícias para a cultivo de oliveiras. Entretanto nada mais era que um boato criado por importadores “espertos”, que infelizmente perdurou por muitos anos, e ainda alguns acreditam.

AS OLIVEIRAS NO MUNDO

A disseminação pelo resto do mundo e a multiplicação das variedades – atualmente são mais de 700 cultivadas, contudo são mais de 2.000 catalogadas – ocorre até hoje forma natural. Mercados produtores antigos continuam crescendo, tal como Itália, Tunísia, Espanha e outros.

Quase todos países possuem algum tio de registro de introdução da cultura, como por exemplo no norte da África com a chegada dos romanos através de enxerto de pés selvagens pelo povo Berebere.

O consumo do azeite extra virgem é uma questão cultural e devido a falta de conhecimento as vezes é colocado em pé de igualdade em qualidade com outras gorduras mais baratas, logo preterido.

Ainda para os que conhecem suas qualidades e lhe dão preferência, a oferta de produtos falsificados, principalmente do extra-virgem, então isso é um grande problema. A falsificação não valoriza o trabalho do produtor do produto puro e não trás os benefícios esperados.

Moeda no passado

A oliveira foi utilizada como moeda de paz junto aos povos que os romanos conquistavam e hoje é fruto de pesquisas em diversas áreas e já aplicado saúde e cosmética, além, é óbvio da culinária.

Madeira da oliveira

Sua madeira é impressionantemente bonita. A tendência do tronco se torcer e crescer de forma irregular, produz veios incomuns.

No Brasil a madeira da oliveira ainda é pouco utilizada para criação de artefatos, mas muito valorizada pela sua beleza. Bem… Para uma oliveira estar no “ponto de corte” serão décadas de espera e crescimento livre. Só se justiçaria em uma necessidade de manejo, pois ela viva vale muito mais.

Poucas espécies cultivadas pelo homem tem a garantia de perenidade e crescimento das oliveiras. Talvez principalmente por não haver nada que a desabone em qualquer campo e todos os seus benefícios ainda não serem amplamente conhecidos.

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