Malta é um pequeno arquipélago “muito bem perdido” no meio do mar Mediterrâneo. Suas maiores cidades são Valletta, Sliema e St. Julian’s.

Até 1964 Malta fazia parte do Reino Unido, obtendo sua autonomia neste ano. Em 1974 tornou-se uma república, rompendo os laços finais com o Reino Unido em 31 de março de 1979 – Dia da Liberdade. Em 2004 foi aceita na União Européia, inclusive adotando o Euro.

Tanto na arquitetura, gastronomia, idioma e pessoas, observa-se um mosaico de culturas. Isso se deve a sua longa história e posição geográfica estratégia. Os principais traços são de culturas que tradicionalmente já valorizavam a olivicultura há muitos séculos, como fenícios, gregos, árabes, romanos (italianos na época do Império Romano), e franceses. Por último a última civilização conquistadora, a inglesa, de quem manteve o idioma, junto como maltes e italiano, normas de direção, etc..

Registros arqueológicos datam os primeiros povos no arquipélago ainda na pré-história: Desde cerca de 5.200 a.C., durante o Neolítico (Entre o fim das Glaciações e desenvolvimento da escrita na Suméria). Mais “recentemente”, em torno de 1.000 a.C. os Fenícios desembarcaram e a batizaram de Malat (refúgio seguro). Pouco antes da era Cristã os Gregos andaram por lá, assim como cartaginenses e romanos. Dentre os mais ilustres romanos, S. Paulo (Saulo antes da conversão ao cristianismo) também esteve em Malta. Sua chegada no arquipélago no ano 60 (d.C.), devido a um naufrágio, foi a responsável pela conversão dos habitantes ao Cristianismo. Hoje 95% da população se denomina cristã.

Ilha de São Paulo em Malta

Os árabes chegaram ao arquipélago no século IX, e tentaram implantar o Islamismo sem muito sucesso, mas ficaram as influências na cultura. Então foi a vez do Reino da Sicília dominar o território no século X, reorientando a fé ao Cristianismo. Seis séculos depois vieram os combatentes em nome da Cruz: os Cavaleiros da Ordem Hospitalar de São João, que dominaram no período de 1530 a 1798.

Os templários foram expulsos por Napoleão – o imperador que se dizia cônsul. Com a crescente combate as tropas de Napoleão que havia dominado quase toda Europa Ocidental. A Inglaterra assumiu o controle em 1814. O resto já foi falado.

LOCALIZAÇÃO

Como mencionamos, Malta está maravilhosamente “perdida” no meio do Mar Mediterrâneo. A apenas 93 quilômetros da Sicília na Itália.

Seu território de 312 Km² está entre os paralelos 35о8’N e 36о06’N, ou seja: Totalmente dentro da faixa considerada ideal para plantio de oliveiras (30о e 45о, tanto Norte quanto Sul).

Localização Malta no Mediterrâneo

OCUPAÇÃO DA ILHA E SURGIMENTO DAS OLIVEIRAS

Os primeiros registros de ocupação humana em Malta datam do Neolítico (12.000 a 3.000 a.C.). Nesse período temos os seguintes registros:

  • -Indícios de cultivo de oliveiras na Ásia Menor (Irã e Palestina) e primeiros indícios de extração do azeite em 4.000 a.C.;
  • Registro das primeiras extrações de azeite no Egito por meios mecânicos, e utilização do azeite para iluminação de templos. Essa informação é contestada, pois nessa época as oliveiras talvez ainda não tivessem chegado ao Egito: 3.000 a.C..
  • Extração de azeite  no Líbano, Chipre e Creta. Em torno de 1.700 a.C ocorreu uma evolução na técnica de extração. As primeiras “prensas” de árvores apareceram em Ugarit (atualmente Ras Shamra, na Síria).

Sabemos que os Fenícios disseminaram a cultura por diversos países, por onde se fixavam ou simplesmente realizavam comércio. A civilização Fenícia teve seu início por volta do ano 2.300 a.C., e em 1.000 a.C. ocupou o arquipélago de Malta, logo provavelmente vem daí o início da olivicultura no arquipélago. Outra hipótese seria a partir da ocupação grega que se iniciou em 736 a.C.

Malta possui uma longa tradição ligada ao cultivo da oliveira. Isso está integrado a cultura local dando nome a lugar e coisas, como por exemplo a vila de Birzebbugia, que significa “a boa azeitona”.

De forma extensa os olivais em Malta existem desde o tempo do Império Romano. Sendo que esses olivais durante a ocupação britânica foram utilizado para produção de madeira para exportação. Um tremendo absurdo.

Cultivares

Cultivares autóctones, ou seja: nativos, são apenas 2 os registrados:

  • San Blas – Azeite. Não são encontrados registros dessa variedade. Principal uso: Azeite.
  • Maltija – É provavelmente o cultivar mais popular em Malta. Pode oferecer alta produtividade. Principal uso: Azeitona de Mesa.
  • Bidni – Mesa e azeite: Também conhecida como “Bitni”. O fruto é pequeno com uma “cor violeta” ao final da maturação. Seu azeite é conhecido pela excelente qualidade com baixo grau de acidez, se bem processado. Atribui-se a qualidade ao solo “pobre” e alcalino Ilhas Maltesas.

Um pouco mais sobre a Bidni

Esse cultivar evoluiu um longo tempo de forma isolada, o que lhe conferiu um DNA “único”, sendo considerado o cultivar mais antigo do arquipélago. Foi declarado como “monumentos nacional”, pois possui “importância antiquária”. Esse status raramente é obtido por uma espécie vegetal.

Maltese Islands

Mesmo com o reconhecimento, ainda assim há pouca sobre ela. A principal referência vem do ano de 1922 em uma publicação do Governo de Malta, elaborado pelo professor de história natural, superintendente de agricultura e fundador da fazenda experimental do governo em Għammieri, John Borg. O memso é encontrado em mídia física e eletrônica.

Quanto a Bidni, ele descreve:

A árvore é um cultivador vigoroso e de forte constituição. As folhas são largas e bastante curtas, de uma cor verde brilhante na superfície superior. A fruta é muito pequena, quase elíptica, com uma pedra comparativamente muito pequena, e se transforma em uma bela violeta escura brilhante na maturidade, que ocorre no final de outubro ou no início de novembro. É muito rico em óleo de excelente qualidade, mas a fruta, embora muito pequena, é muitas vezes em conserva ou salgada e tem um sabor rico e sem amargura. A fruta é produzida em cachos, e a produção às vezes é surpreendente, a árvore ficando literalmente preta de frutas. A árvore e seus frutos são muito resistentes a doenças, os frutos também apresentam a vantagem de nunca serem atacados pela mosca da oliveira (Dacus Oleaee), portanto, sempre é permitido amadurecer na árvore. Essa é uma variedade que parece ser mais adequada para grandes plantações, com vistas à produção de petróleo.

J. Borg

Picante, Aromático e Frutado

A oliveira é muito resistente e imponente, suas folhas são grandes, curtas e verdes brilhantes. A azeitona é pequena e elíptica, rica em óleo muito apreciado e com baixa acidez. O amargor é pouco percebido.

De acordo com o “Dicionário Maltês-Inglês”, a palavra “Bidni” é derivada de “badan”, que significa “corpulento”, “robusto”, “para se tornar robusto”. Bidni (“żebbuġ”, azeitona), é uma “oliveira grande que produz azeitonas muito pequenas”. Portanto, a árvore é chamada Bidni porque é “corpulenta”. Isso contradiz algumas fontes que afirmam que a palavra Bidni se originou da aldeia rural de Bidnija, ou que a palavra significa “corcunda” na língua maltesa. Quem está certo?

Exemplares de Bdini foram datados via carbono 14, e o resultado foi que remontam ao século primeiro da era Cristã. Essas árvores são protegidas por lei desde 1933 e listadas no Banco de Patrimônio da Humanidade na UNESCO. São 20 árvores variando entre 5 e 8 metros de altura e que AINDA PRODUZEM AZEITONAS

Como resultado pela datação por carbono 14, vários exemplares de Bidni foram identificados como remontando ao século primeiro da era Cristã.

Essas árvores são protegidas por lei desde 1933 e listadas no Banco de Patrimônio da Humanidade na UNESCO. São 20 árvores variando entre 5 e 8 metros de altura e que AINDA PRODUZEM AZEITONAS.

Outras variedades cultivadas em Malta

Uma delas é muito conhecida pela Europa: Leucocarpa, nativa da Itália, seu nome vem do Grego leukos(branca) e karpos(polpa). Foi introduzida pelos romanos entre os séculos XIV e XV.

Leucocarpa

Conhecida em outros países com outros nomes: Eneditta, Bianca di Grecia, Bianca di Spagna, Canolina, Chionocarpa, Leucocarpa Margherita, Leucocarpa Rende, Oliva della Regina, Oliva Margherita, Poduro, Signurina. Ainda é confundida com outras variedades: Bianca, Oliva a Confetti, Cannellina.

Uma história e uma personagem interessante ligados a esse cultivar

História: O número da Leucocarpas, antigas, em Malta havia caído para três quando Cremona as viu pela primeira vez uma em 2010. “Era em um convento, em um jardim que pertenceu aos cavaleiros”, disse Cremona. A princípio, ele pensou que as azeitonas brancas surpreendentemente poderiam estar doentes ou fossem aberrações albinas. No entanto, depois de levar alguns para uma conferência de azeitonas na Espanha, ele descobriu que Malta possuía um tesouro raro… As Leucocarpas haviam sido extintas da Espanha, e lá eram conhecidas como azeitonas Maltesas. Em 2018 já eram 70 árvores no meio a 12.000 outras árvores de variedades diversas.

Existe outra Leucocarpa, a LEUCOCARPA PATTI, também italiana, não presente em Malta e mais restrita também no resto do mundo.

Quem é Cremona?

Sam Cremona era um ex-gemologista que virou um estudioso das variedades de azeitona. Atualmente atua como um sommelier de azeite! Cremona encabeça um projeto para cultivar e trazer azeitonas nativas de volta a Malta e colocá-las no mapa mundial do azeite.

Uma das árvores mais antigas do arquipélago é uma Leucocarpa
Demais principais variedades

Frantoio, Leccino, Carolea e Coratina italianas, e a Chelali tunisiana.

ONDE ESTÃO AS OLIVEIRAS DE MALTA?

Praticamente em todo Arquipélago e em especial nas duas maiores Ilhas: Malta e Gozo.

Divisão de distritos e principais pontos relacionados a olivicultura e consumo de produtos da oliveira no Arquipélago

Existem programas para aumento da área plantada e produção de azeitonas, tendo com maior foco o azeite.

Em 2014 haviam 9 lagares registrados no arquipélago.

Produção e Consumo de Azeite e Azeitonas

A produção de azeite e azeitona de mesa é mal reportada. O que localizamos foram relatórios da FAO sendo os resultados demonstrados abaixo:

Fonte: FAO

Malta ainda não atingiu a auto suficiência na produção de azeite e azeitona de mesa e azeite, logo depende significativamente da importação, normalmente da Itália. Isso não significa que o azeite ou azeitona sejam italianos.

Fonte: FAO e Banco Mundial
Fonte: FAO e Banco Mundial

Observação: Não preparamos a um gráfico considerando as exportações de azeite e azeitonas, pois as quantidades exportadas por Malta são muito pequenas.

Segundo o Banco mundial:

ALGUMAS CONSIDERAÇÃOES IMPORTANTES:

– Como Malta faz parte da União Européia, as importações e exportações não são contabilizadas pelo COI (Conselho Oleícola Internacional) – IOC, contudo conseguimos os dados parciais, até 2.016, através do Banco Mundial.

– Nos anos de 2007 (azeitona e azeite) e 2017 (azeitona) forma anos reportados pelo IOC como de consumos muito fora da média dos demais anos. De 4 a 16 vezes superior. Localizamos algumas possíveis causas, como por exemplo o festival Eurovisão da Canção ocorrida nesses anos. Para os gráficos acima ajustamos os desvios nesses anos para melhor retratar a curva de consumo.

Conclusão

Apesar do consumo de azeite reportado por pessoa em Malta seu muito abaixo de países como Itália, Espanha e Grécia, o mesmo tem um lugar importante na culinária Maltesa. Mais até que o azeite, a azeitona, em especial a “Leucocarpa” (azeitona branca), figura em diversos pratos e tira gostos.

Há de se considerar também a retomada da atenção as oliveiras ocorridas apenas nas últimas décadas e principalmente após a saída do controle britânico sobre a Ilha.

CONCURSOS

O azeite de maior destaque internacional de Malta é o Ramla Valley Extra Virgin Olive, um blend de 75% coratina, 15% frantoio e 10% pendolino. Apesar de não ter participado de nenhuma edição do NYOOC – concurso que utilizamos como referência em nossas publicações- em 2016 o mesmo ganhou medalha de prata do IOOC, em 2018 bronze no London IOOC e ouro no mesmo ano pelo IOOC.