O Chipre localiza-se em uma situação estratégica de onde assistiu, e muitas vezes foi palco, dos movimentos que desenharam a evolução da civilização. Também fica próximo do que é considerando o berço da humanidade e o aparecimento das oliveiras. Tão cobiçada a ilha, que sofreu várias invasões em sua história, somente em 1960 obteve o reconhecimento de país autônomo. Junto com o reconhecimento de sua independência, entrou para a para a CEE (Comunidade Econômica Européia) e em 2004 foi aceito como membro do IOC (International Olive Council).

Curiosidade: Os chipriotas falam grego e turco.

Introdução da Olivicultura no Chipre

A ocupação humana no Chipre começou entre 8.200 e 3.800 a.C. . Pesquisas mostram que dentro desse período, entre 7.000 e 3.000 a.C. (período neolítico), as oliveiras foram introduzidas. Contudo, somente no final de 1.600 – 1.100 a.C. (era do Bronze) o cultivo das oliveiras começou a ser mais disseminado pela Ilha.

Relação dos cipriotas com as oliveiras

A relação dos cipriotas com o azeite é tão grande que foi instituído um dia para ser comemorado como o dia da Azeitona. Dia 08 de outubro comemorado com “pompa e circustância”.

Existe um provérbio na Ilha de Chipre que diz que os cipriotas sobrevivem de pão e azeite.

Mas onde fica o Chipre?

Uma pergunta meio estranha para quem conhece bem a cartografia do mundo ou mora na região. Contudo dando uma chance para nós outros pobres mortais…

O País-ilha fica a 60 km ao sul da Turquia e 100 km a oeste da Síria. Está entre os países ricos em história da civilização ocidental, tal como Itália, Mesopotâmia, Grécia, e assim vai. Também está próxima ao oriente médio cuja história foi tão importante para a humanidade quanto ao Mediterrâneo.

Para completar sua localização privilegiada, o país está próximo do berço das oliveiras, assim, ladeado pela presente e o passado dos principais centros de desenvolvimento da olivicultura.

Chipre está dentro da faixa de latitude considerada ideal para plantio de oliveiras

Mapeamento da vegetação em Chipre

A ilha possui apenas 9.251 Km², entre o tamanho do Líbano e Porto Rico, ou ainda 1/3 do tamanho do estado brasileiro do Sergipe. Mas com quase metade do seu território dedicado a agricultura, dentre outros produtos, produz quase todo o azeite que consome: quase 6 mil toneladas por ano – trinta e três vezes mais do que a previsão do Brasil para 2019. De quebra ainda produzem mais de 3 mil toneladas de azeitonas.

Cultivares surgidos em Chipre

Variedades Gregas em Chipre

A fora as variedades locais, Chipre mantém em seu mercado azeites e azeitonas para mesa em sua maioria esmagadora gregas:

Konservolea (Konservolia – Conservolea) – Grega. Tanto utilizada na produção de azeite quanto como azeitona de mesa. São redondas e colhidas verde para mesa. Para mesa são conservadas em salmoura fraca de sal marinho e vinagre balsâmico. A Konservolea é um ótimo lanche e apresentada durante as muitas refeições tradicionais.

Kalamon ou Kalamata – São as mais famosas azeitonas mesa gregas, mas também servem muito bem para azeite. Na Grécia são normalmente achadas em ao sul de Peloponeso, mais especificamente em “Kalamata”. É uma azeitona de pele fina e polpa suculenta quando colhida mais escura. Já totalmente negra-roxa. Para mesa são conservadas em salmoura com azeite de oliva e vinagre de vinho tinto, o que lhes dá um aroma delicado e sabor agradável.

Megaritiki (Megareitiki) – Mais uma azeitona de duplo propósito: Mesa e azeite. É cultivada solos secos. Amadurece em período médio-cedo na época da colheita (novembro-dezembro). As azeitonas desta classe são chamadas tsakistes (colhidas verdes e esmagadas para facilitar o processo de cura). Elas geralmente são salgados ou desencaroçadas, e encontradas a granel no Chipre. Azeitonas desta variedade são um excelente lanche para bebidas espirituosas, como Zivania.

Kolovi – Mais encontrada na ilha de Lesbos. Ótima para produção de azeite e não apenas pelo alto rendimento graxo. Seu azeite é considerado um dos mais saborosos. Ela amadurece bastante tarde dentro do período de colheita (hemisfério norte: fevereiro-março), mas às vezes começa a ser colhida em novembro e dezembro mais verde. Curiosidade: Devido suas características botânicas, cresce em terrenos montanhosos de difícil acesso, normalmente seu azeite tem muito pouco ou é ausente de defensivos agrícolas.

Kotreiki (Kothreiki – Glicomanaco) – Muito usada para azeitona de mesa. Suas árvores tem alta resistência à seca, ventos fortes e frio. Na Grécia podem sobreviver nas montanhas a uma altitude de 800 metros acima do nível do mar. Sua azeitona para mesa são colhidas escuras e possuem um tamanho entre médio e grande. Possuem um  sabor pronunciado e um aroma agradável.

Trumbolia (Thrubolea – Throumbolia). Produz uma azeitona cujo consumo principal se dá em conserva, para “mesa”. Essa é a única variedade de azeitona cujo sabor no pé tem o amargor atenuado pela ação de bactérias ao longo do processo de maturação. Desta forma poderíamos dizer que é a única “suportável” de se comer em natura. Tradicionalmente são azeitonas colhidas no solo, lavadas e armazenadas em salmoura.

Consumo e Produção de Azeite e Azeitonas

O consumo de azeite por habitante por ano no Chipre é significativo, contudo distante dos líderes nesse critério.

Como já comentado, o Chipre é praticamente autossuficiente na produção de azeite:

Os dados de produção de azeitonas não são claros, mas sabemos que em 2014 ocorreu a maior importação de todos os anos com 300 mil quilos, seguido por 200 mil quilos em 2010. Fora esses anos as importações anuais não passaram de 100 mil quilos nos anos de 2006-9-11-12-13. Abaixo passamos uma visão do consumo total e por habitante, que corresponde praticamente a produção nacional.

Assim como outros países milenares produtores de azeitona e azeite, por exemplo Grécia e Síria, o consumo vem caindo em função da sucessão de crises econômicas, pressão dos preços de outros óleos menos saudáveis e evasão do trabalho no campo. Esse drama também foi contado em Azeitona – Vida e Saga de um Nobre Fruto (Mort Rosenblun).

Uma luz de esperança tênue surge com o retorno de jovens ao campo. Trata-se de um movimento tímido que ainda não se reflete em aumento de produção e consumo nesses países que tem como base a agricultura menos mecanizada. Essa leve tendência observada no último ano (2018) foi mais evidente na Grécia devido a falta de emprego nas cidades. Quem sabe somando-se a esse movimento a valorização de produtos orgânicos e biodinâmicos, novos espaços podem surgir. Nesses mercados a indústria mecanizada dificilmente conseguirá se posicionar.

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