A seleção das variedades a serem plantadas faz parte do planejamento, que pode começar antes do descrito nas publicações PLANTIO – PARTE I e PLANTIO – PARTE II.

A escolha não é definitiva, mas todo ciclo das oliveiras é muito lento.

No melhor dos cenários a primeira florada ocorrerá três anos após o plantio, e ápice a partir de dez anos.

PONTOS A FOCAR

  • PROPÓSITO
  • TAMANHO – VIGOR E COPA/COMPASSO
  • POLINIZAÇÃO
  • CULTIVARES DISPONÍVEIS

PROPÓSITO

As possibilidades não exclusivas, são:

  • DECORATIVA
  • PRODUÇÃO DE AZEITE
  • PRODUÇÃO DE AZEITONA DE MESA

Observação: Não vamos considerar uso da madeira, pois nunca vimos ou lemos sobre alguém que plante olivieras para usar a madeira. É uma consequência por ela ser muito bonita e oriunda de árvores bastante antigas. Demais usos, como cosméticos, remédios, etc. são derivados da obtenção do azeite.

Para se tornar decorativa, as oliveiras demoram vários anos para ganharem corpo e porte que causam admiração mais pela forma do que pelo tamanho. Os formatos podem ser de “Verticalizada”, “Aberta” e o “Pendular” – semelhante a chorão. Nesse ponto também há de se considerar o tamanho a se atingir mesmo que após muitos anos. Para o crescimento da potencialidade total da árvore, o solo deverá ter boa drenagem e sem limitação de profundidade, dentre outros critérios.

Poucas árvores conseguem ser tão ornamentais

Uma forma de se “encurtar” o tempo de espera para que a árvore se torne ornamental é adquirir um indivíduo já adulto. É uma opção que pode ser muito dispendiosa não só pela aquisição, mas também considerando o transporte no caso de árvores maiores.

Quanto as caracterísitcas do azeite a ser obtido, vale uma pesquisa, onde, por exemplo, observaremos que a Koroneiki possui mais polifenois e é mais picante. Por outro lado a Arbequina que é muito produtiva, produz um azeite mais “plano” e menos durável. Os azeites monovarietais estão ganhando mais espaço no mercado, mas os que são resultado de blends ainda dominam e permitem aproximar-se do sabor desejado.

TAMANHO – VIGOR E COPA/COMPASSO

As oliveiras quando deixadas crescer livremente podem variar de 2 metros a 20 metros de altura. Quando se busca a produção de azeitonas (mesa ou azeite) acaba sendo inevitável a realização de podas a fim de minimizar o trabalho na colheita. Caso contrário, mesmo com derriçadeiras, a colheita será bastante difícil. Para colheita mecanizada o tamanho não chega a 2 metros de altura.

Arbequinas
Foto: Viveros Sophia

O tamanho também define o espaçamento entre as árvores. Com copas muito abertas aumenta o risco de entrelaçamento dos galhos, prejudicando a insolação das árvores, a areação (polinização) e pode causar danos as mesmas.

Sem levar em consideração o declive do terreno, considere um maior espaçamento no sentido norte – sul, pois ao longo do ano a variação de altura do sol (do solstício de verão ao de inverno) impactará menos na insolação das árvores.

No hemisfério sul as melhores áreas para plantio tem sua inclinação voltada ao norte. No hemisfério norte, para o sul.

Exemplo que mesmo com um espaçamento grande, as árvores maiores criam muita sobra no começo e final do dia, reduzindo muito a insolação sobre as que estiverem na sombra

Quanto ao compasso, em plantações tradicionais (não intensivas ou superintensivas) é razoável se considerar 5 x 5 metros para variedades menores (400 árvores por Há), e 8 x 8 metros para maiores (155 árvores por Há). As variações no mix da cultura, tipo de terreno e plano de poda e adução são infinitas. NA publicação PLANTIO PARTE II: QUASE PLANTANDO falamos um pouco mais sobre isso.

As características de enraizamento das oliveiras poderá ser um problema caso o terreno tenha pouca profundidade. Não há problema no entrelaçamento das raízes, mas a falta de profundidade fará uma oliveira disputar com a outra por nutrientes.

Por fim: Se a intenção é fazer a colheita manualmente, sem escadas, ou ainda com uso de derriçadeiras, não faz sentido plantar uma gigante. Contudo se objetivo é ornamental para as gerações futuras e existe espaço disponível, por que não?

POLINIZAÇÃO

Não considerando a escolha apenas para ornamentação, esse é um ponto muito importante para quem pretende ter uma boa produção. A maioria das oliveiras são auto-férteis, isso quer dizer que o pólen (elementos reprodutores masculinos) liberado por uma árvore fecunda os óvulos da mesma árvore. Contudo ainda assim, a fim de aumentar a produtividade, aconselha-se a plantação de variedades auto compatíveis próximas. A compatibilidade ocorre não apenas na época do florescimento, mas também geneticamente. A polinização ocorrerá pelo vento, e em menor escala através das abelhas. Logo além de serem compatíveis, seria interessante que o início da produção ocorresse de forma concomitante.

CULTIVARES DISPONÍVEIS

Assim como no Brasil, outros países onde a cultura é recente, menos de 600 anos, as variedades disponíveis são bem menores que as quase 2.000 catalogadas. Na Itália são em torno de 633, Espanha 416, França 129…

A disponibilidade se dá não apenas por fatores históricos, mas principalmente pelas barreiras fitossanitárias que impedem a entrada de árvores doentes nos país de destino.

Colheitas inteiras já foram comprometidas pela mosca da oliveira, praga ainda não existente, por exemplo, no Brasil. Logo por mais tentador que seja pensar em comprar um cultivar de alta produção e exótico, o preço que a olivicultura e outras culturas podem pagar é muito alto.

Na publicação PRINCIPAIS OLIVEIRAS NO BRASIL fazemos um rápido comparativo entre as variedades, inclusive a questão relacionada a compatibilidade para polinização. Em publicações separadas falamos um pouco mais sobre cada uma. Abaixo um resumo quanto ao tamanho, enraizamento e compatibilidade para polinização.

Estamos preparando vários infográficos onde consideraremos mais de 1.800 cultivares. Cada informação com as principais representantes de cada critério ou cruzamento entre eles. Por exemplo: maior produção e mais regular. Por enquanto uma visão de cultivares disponíveis no Brasil e suas características ligadas a produção:

CULTIVAR VIGOR COPA ENRAIZAMENTO INDICAÇÕES PARA POLINIZAÇÃO O cultivar polinizado nem sempre é o polinizador da variedade polinizadora. Sem sugestão e indicação de "autoincompatível, considerar a própria.
ARAUCOAlto Aberta Bom Parcialmente alto compatível. Manzanilla, Arbequina, Pendolino, Morchiaio e "Ascolana"
ARBEQUINABaixo Aberta Bom Autopolinizante. Muito utilizada para polinizar outras variedades, mas sugerido: Bouteillan , Verdale de l'Hérault, Amygdalolia, Manzanilla, Pendolino, Cailletier, Frantoïo, Grappolo e Cayet roux
ARBOSANABaixo Aberta Bom Arbequina, Koroneiki
ASCOLANA TERENAAlto Verticalizada Bom Santa Caterina, Itrana, Rosciola, Morchiaio, Giarraffa, Pendolino, Leccino, Frantoio, Pendolino, Arbequina, Picholine, Cayet roux, Grossane, Belgentier, Cayon, Corniale
CORATINAMédio Aberta Bom Tendência a ser autoestéril. Sugerido Leccino, Manzanilla e Cellina
CORDOVIL DE SERPABaixo Aberta Médio Grappolo, Arbequina
FRANTOIOMédio Pendular Bom Verdale de l'Hérauult, Bouteillan, Moncita, Arbequina, Picholine, Cayet blanc, Pendolino, Leccino, Morchiaio e Moraiolo
GALEGA Médio Verticalizada Baixo Grappolo, Arbequina, Cordovil de Serpa, Alto D'Ouro, Ropades e Santa Catalina
GRAPPOLOAlto Pendular Muito baixo Autoincompatível. Alto D’Ouro, Arbequina, Negroa, Cordovil de Serpa e Ropades 392
HOJIBLANCAMédio Verticalizada Bom
KORONEIKIMédio Aberta Médio
MARIA DA FÉMédio Verticalizada Baixo Sem referência. Podemos considerr identica a Galega
MANZANILLA DE SEVILLABaixo Aberta Médio Parcialmente alto compatível. A ascolano e mission (missão) são incompatíveis.
PICUALMédio Aberta Bom Bouteillan, Grossane, Verdale de l'Hérault, Leccino, Cayon e Corniale
VERDIAL DE HUEVARMédio Verticalizada Baixo

Para saber mais sobre rendimento de azeite por cultivar, acesse: PRODUÇÃO DE AZEITE EXTRA VIRGEM POR CULTIVAR. QUAL O RENDIMENTO?

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