O compasso é a definição da distância entre as árvores em uma fileira e a distância entre essas fileiras.

Por exemplo: Plantando-se uma árvore em linha a cada 5 metros, e mantendo-se o afastamento entre as linhas (fileiras) de 6 metros o compasso seria de 5 X 6. Ou seja: Cada árvore ocuparia 30 m² de área, sendo possível plantar-se 333 árvores em um hectare (Ha) = 10.000 m².

A vantagem da plantação em um baixo compasso refere-se otimizar o uso do terreno e os recursos de plantio, cuidados, poda e colheita. Mas gera custos relacionados a fertilização e, dependendo da região, necessidade de irrigação.

O porte das árvores

Dependendo dos cultivares selecionados, não é viável manter  as árvores com uma altura muito baixa. Tanto é que as plantações intensivas e superintensivas, em “sebe”, têm optado por cultivares de baixo vigor, e até mesmo criado novas variedades de baixo porte, mas com alta produtividade. É o caso de Skitita.

Árvores com maior vigor, como normalmente são as com produção destinada a azeitona de mesa, não se adaptam a uma plantação em sebe, como por exemplo: Arauco, Ascolana Tenera, Azapa, Cordovil de Castelo Branco.

As plantações de compasso baixo, quando não voltadas a produção intensiva, apresentam diversos problemas, pois são árvores que vão receber menos sol, ficam menos areadas e mais susceptíveis a doenças. Sem falar nos galhos que ficam entrelaçados prejudicando a floração e colheita.

Profundidade do solo X Enraizamento

Alguns solos, principalmente em regiões montanhosas, possuem uma estreita camada de terra, muitas vezes já com rochas, e mais profundamente um leito de rochas que acompanham o perfil do terreno.

Consideremos, por exemplo algumas árvores do cultivar Ciliegino que possui um enraizamento muito alto. As mesmas plantadas em um terreno “raso” e em um baixo compasso, facilmente terão suas raízes “entrelaçadas”. Apesar de não chegar a ser um problema, uma maior atenção quanto a disponibilização de nutrientes será necessária, bem como irrigação em regimes de sequia prolongados.

Um visão geral quanto aos métodos

Olival Tradicional: As árvores são plantadas com espaçamento de 7m x 7m. Em alguns em espaçamento até maior (8m x 8m, 7m x 9m).

Há relatos de olivais com 12 m x 12 m, por exemplo cultivar Galega Vulgar em Portugal.

No compasso de 7m x 7m a quantidade de árvores por hectare (10.000 m²) fica no máximo em 204 árvores. Quanto maior o espaçamento menor a quantidade de árvores. No caso do espaçamento de 12m x 12m o máximo será de 69 árvores por hectare.

São plantações que podem ser mantidas em sequeiro ou regadio (com ou sem irrigação). Em áreas de baixo volume de chuvas a irrigação pode significar quase 50% a mais de colheita.

Esse sistema ainda trás a vantagem de maior volume por árvore e longevidade de produção de cada árvore.

Hoje no Brasil muitos agricultores estão remanejando suas árvores para compassos maiores que os eram difundidos como bons no início os anos 2.000. O aprendizado trouxe que para colheitas manuais, ou mesmo semi-mecanizadas com derriçadeiras, não compensa “economizar” terreno.

Olival Intensivo – Diversas configurações de compasso podem fazer com que a densidade por hectare seja de 300 a 600 árvores. Por exemplo, de 8 m X 4m a 5m X 3m.

A irrigação é um fator de preocupação dependendo da região da plantação.

A produção por indivíduo é menor que do método tradicional, mas no total por área é maior.

Essa configuração pode impactar na isolação de cada árvore, que é indicada de 2.500 horas por ano, pois como as copas podem se “cruzar”, essa isolação ficaria prejudicada. Também dificulta a colheita, principalmente se executada de forma manual.

– Olival Superintensivo – Árvores plantadas em sebe, com no mínimo 900 árvores por hectare, e em casos extremos mais de 2.000 árvores.

Podem ser fortemente afetadas pela falta de água, geram baixa produção individual. Normalmente menos de 10Kg por árvore, mas é muito viável no cultivo massivo quando a intensão é a produção industrial de azeite.

Não faz sentido se tratamento do olival (poda, adubação e colheita) não for totalmente mecaniza.

Relata-se que as árvores plantadas nesse sistema mantêm-se produtivas até os 20 anos de idade. Depois devem substituídas, ou gravemente podadas, o que não é econômico devido ao tempo de recuperação. A fertilização é um fator crítico nesse tipo de cultura.


Produtividade nas plantações em SEBE

Os números abaixo referem-se a resultados obtidos pela empresa TODOLIVO (http://www.todolivo.com) até a safra de 2017.

Os dados são médias de plantações na Espanha, França, Marrocos, Portugal e Tunísia. Logo a importância da irrigação.

Os recordes obtidos por hectare até então são:

  • Azeitonas: 21.580 Kg
  • Azeite extra virgem: 3.534 Kg
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