Com essa publicação terminamos a série “44 países que produzem azeite e que talvez você não saiba!” os 9 países abaixo.

Certamente existem mais países que produzem, ao menos artesanalmente seu azeite, contudo a ideia era dar uma visão global de como uma atividade milenar se espalhou por 6 continentes dada sua importância para a saúde e culinária. Isso sem falar nas ações de contenção de áreas desertificadas, substituição de culturas nocivas, etc..

Mais a frente vamos lançando o 45º, 46º… Assim como uma revisão dos países abordados…

  1. Paquistão
  2. Peru – Em edição.
  3. Em edição
  4. Em edição
  5. Em edição
  6. Em edição
  7. Em edição
  8. Em edição
  9. Em edição

36 – Paquistão (باكستان)

Pakistan Flag
Bandeira do Paquistão

O  Paquistão, oficialmente República Islâmica do Paquistão,na língua oficial o urdu: جمہوریۂ پاكستان. Transliterado: Pākistān com a pronúncia: [ɪslɑːmiː d͡ʒʊmɦuːriəɪh pɑːkɪst̪ɑːn]). O significado do seu nome é considerado como a “Terra dos Puros”, pois em persa pāk significa “Sagrado, Puro”, e stân no idioma hindi – atual falado na Índia, significa “Lugar cheio de”, logo o topônio.

Território

É um país no sul do continente asiático com aproximadamente 796.095 km², ou 881.640km², considerando sua área de controle dentro da Cachemira. Seu território equivale a área da França mais Reino Unido – Europa, ou ainda às áreas de Minas Gerais mais Rio Grande do Sul – Brasil.

Está localizado entre as latitudes aproximadas de 24º47’ e 36º55” Norte. Lembrando: Faixa de latitude clássica para olivicultura é entre 30º e 45º, tanto Norte quanto Sul.

Pakistan localitation
Localização do Paquistão

Os mapas abaixo, onde o relevo é do país é destacado, demonstram a característica montanhosa e inóspita da maior parte do país.

Pakistani relief
Relevo do Paquistão

É um país com altitude do terreno elevada, mais de 50% está acima de 2.000 metros. A cadeia montanhas do Hindu Kush parece unir as cadeias de montanha Karakorum e Himalaia. Nessa cadeia de montanhas encontram-se o pico mais elevado do Paquistão, o Monte Nowshak, com seus 7.485 metros de altitude.

O país apresenta uma enorme diversidade de climas e biomas, que vão desde praias arenosas até picos gelados das montanhas, passando por lagunas e manguezais, na costa meridional. Ainda são encontradas florestas temperadas. Abaixo uma visão do mosaico do clima resultante desse mosaico.

Pakistan climate
Clima do Paquistão

População

Observação: Todos os dados desta seção são oriundos do site https://www.populationpyramid.net/

A população do Paquistão atingirá 225.199.929 habitantes em 2021. O crescimento deve estabilizar-se somente em 2.090 com 404.000.000 de pessoas. Hoje já é quinto país mais populo do mundo. São mais de 255 pessoas por Km², mas considerando as grandes áreas vazias, esse valor nas áreas habitadas supera facilmente 500 pessoas por Km².

World Population - Highlight for Pakistan
População Mundo – Destaque para o Paquistão

História Recente – Independência

É impossível falar da história do Paquistão, principalmente sobre a criação do estado sem mencionar o movimento de Independência da Índia, pois anterior a 15 de agosto de 1947, havia apenas um único país dominado pela Inglaterra.

Com a independência movimentos internos entre as etnias dominantes: Hindu e Mulçumana, resultaram na separação do território, ficando os Mulçumanos a parte noroeste, onde já havia a maior concentração da etnia. Sem maiores detalhes históricos, a independência e os movimentos de divisão Hindu-Mulçumana custaram muito sangue, onde outros grupos religiosos também forma envolvidos. Posteriormente novos divisões territoriais ocorreram, com a criação do Ceilão e Birmânia no ano de 1948, e o Paquistão Oriental (Bangladesh) em 1971.

O líder do movimento pela criação do Paquistão foi Muhammad Ali Jinnah, mas a separação inicialmente contestada por Ghandi, gerou ainda mais insatisfação com a divisão da forma realizada. Forma 4 guerras entre 1947 e 1999, dentre vários outros conflitos e situações de tensão que levam a eventos isolados de agressão.

Em uma destas guerras, a de 1971, que nesse caso não envolveu o território da Caxemira, mas os mulçumanos a oeste do território Indiano, a Índia apesar de ter derrotado as tropas paquistanesas, acabou cedendo mais uma parte do seu território da a criação de outro estado mulçumano, o Paquistão do Oriente, ou ainda: Bangadlesh.

Apenas entre 1947 – 1948 (ano do assassinato de Mahatma Ghandi) foram, mas de 15 milhões de deslocamentos internos para separação do povo Hindu de um lado e Mulçumanos de outro. Os conflitos continuaram e ainda hoje a uma forte tensão entre os países na região da Caxemira.

Exodus of Muslims to Northwest Subcontinent
Êxodo de mulçumanos ao noroeste do subcontinente

Divisão territorial, política e economia

O Paquistão é divido em 4 territórios federais e outras 4 províncias que são governadas centralmente por um parlamento.

Territories of Pakistan
Territórios do Paquistão

Províncias e capitais:

  1. Baluchistão – Quetta
  2. Khyber Pakhtunkhwa – Peshawar
  3. Punjab – Lahore
  4. Sind – Karachi

Territórios e Capitais

  1. Território da Capital Islamabad – Islamabad
  2. Território federal das Áreas Tribais – Peshawar

Territórios administrados pelo Paquistão e Capitais

  1. Caxemira Livre (Azad Kashmir) – Muzaffarabad
  2. Gilgit-Baltistão- Gilgit

Promessa futura

O Paquistão é considerado pela ONU com um dos “Próximos Onze” a integrar o BRICS – grupo de cooperação econômico formado hoje por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

A economia do Paquistão é semi-industrializada e possui uma agricultura bem desenvolvida. Contudo alguns pontos são consequência e entrave para seu desenvolvimento: Analfabetismo, Pobreza, Terrorismo e Corrupção Política.

Agricultura e uso do Solo

A área disponível para agricultura no Paquistão é escassa devido a seu relevo.

Pakistani Land Use
Uso do solo do Paquistão

Culturas principais

Segundo a FAO (ONU) a área total de colheita em 2019 foi de 21.156.985 hectares, superior ao ano de 2018, mais inferior ao ano de 2017.

A média da área utilizada por cada cultura no período de 2017 e 2019 está representada não gráfico abaixo.

Area planted by crop
Área plantada por cultura

Entrando mais na Olivicultura

Introdução das oliveiras no Paquistão

A oliveira “olea european sativa”, espécie e variedade mais cultivada de azeitonas, foi introduzida no país em 1986 pela PARC (Pakistan Agricultural Research Council – Conselho de Pesquisa para Agricultura do Paquistão), no âmbito de um projeto financiado pelo governo italiano conhecido como “Projeto de frutas, vegetais e azeitonas”.

Após este projeto, foi realizado um levantamento em todo território paquistanês a fim de estimar o número de espécies de oliveiras selvagens naturais, em especial da variedade Cuspidata. Para saber mais sobre as variedades de oliveiras, acesse Variedade ou cultivar? Quando aplicar o nome corretamente? – OLIVAPEDIA

O levantamento identificou mais de 80 milhões de oliveiras Cuspidatas, consideradas selvagens, em diferentes distritos do Paquistão.

Outro projeto do governo federal foi responsável pela enxertia de 5 milhões e 500 mil árvores, contudo menos de 1% sobreviveu.

Olive plantation
Olivais no Paquistão

Status atual do projeto

Os principais objetivos do projeto, alinhado com o entendimento religioso do azeite amplamente citado nas escrituras, são:

  • Expandir o cultivo de azeitonas em áreas selecionadas / identificadas através de novas plantações no Baluchistão, Khyber Pakhtunkhwa, FATA e Potohar.
  • Promover a produção do azeite e sua utilização considerando os efeitos benéficos a saúde;
  • Implantar 4 lagares (unidade de produção de azeite) completos;
  • Promover o conhecimento, treinamento e formação de profissionais para suporte de pomares (olivais) futuros e moinhos futuros;
  • Prestar assistência técnica aos agricultores.

Em junho de 2021 os números eram os seguintes:

  • Plantação de 81.815 plantas em Punjab
  • Plantio de 81.099 usinas em Khyber Pakhtunkhwa.
  • Plantação de 42.500 plantas na FATA.
  • Plantação de 74.590 plantas no Baluchistão

Essas árvores foram plantadas em uma área de 1.133 hectares.

São mais de 800 agricultores participantes do projeto já receberam oliveiras “crescidas” e que já começaram a frutificar.

O que se iniciou em 1986 chama-se “Promoção da Olivicultura para o Desenvolvimento Econômico e Alívio da Pobreza”, implementado pelo governo italiano, foi concedido ao governo do Paquistão, A coordenação PARC (Pakistan Agricultural Research Council) nas províncias de Khyber Pukhtunkhwa, Baluchistan, FATA e Punjab.

Oliveira Paquistanesa

Além das oliveiras silvestres, o Paquistão já possui um cultiva registrado. Trata-se do SHATAWI, utilizado prioritariamente para produção de azeite, mas possui dentro do próprio pais pouca relevância econômica: 3 em uma escala de 1 a 4.

Seu nome significa “centenário” em hindi. O único dado complementar disponível é de que possui baixa capacidade de enraizamento.

Propagação de Plantas Nativas

Dois métodos de propagação estão sendo adotados para o desenvolvimento das árvores autóctones: Mudas e Alporquia (Alporque).

Até junho de 2021 forma registrados a disseminação com 236.903 estacas e 109.200 alporquias de cultivares “populares” As mudas foram tratadas em estufas do tipo “túnel” para maior controle da germinação.

  • 157.548 mudas em Punjab
  • 10.000 cortes e 109.200 camadas de ar em Khyber Pakhtunkhwa
  • 2555 mudas em FATA
  • 66.800 mudas no Baluchistão

Do total acima, estima-se que 20% se tornaram mudas viáveis em 2 anos.

Produção de azeite

A produção de azeite no Paquistão ainda é modesta, logo disponibilidade de azeitonas ou azeite nos mercados locais é rara. Normalmente são produtos produzidos por pequenas empresas privadas, ou de forma familiar com muito pouco tecnologia.

Mas há previsão de crescimento rápido, dada a prioridade do governo no tema. Tanto pela qualidade do produto, como uma visão de dividendos vindo da exportação.

Com a safra 2019/20, a capacidade estimada de produção de azeite no Paquistão chegará a aproximadamente 1,400 toneladas. Até o ano de 2027, a produção deve chegar a 16,000 toneladas.

Muhammad Tariq, diretor da Pak Olive*

*Observação: A Pak Olive é um projeto para promoção do cultivo da azeitona em escala comercial no Conselho de Pesquisa Agrícola do Paquistão.

Observação: O Paquistão não está no radar do COI (CONSEIL  OLEICOLE  INTERNATIONAL) nem há registros quanto a produção de azeitonas feito pela FAO – ONU.

Trechos da entrevista concedida ao xinhuanet.com – página de notícias chinesa-  em 26 de abril de 2021

Muhammad Abbas – Olivicultor paquistanês de 40 anos: …No momento, tenho cerca de 6.000 oliveiras e cada árvore está me dando um rendimento médio de 20-25 kg, o que é muito considerando a natureza da minha terra que não é adequada para a produção de outras produções…

Enquanto expressava o desejo de plantar mais árvores ano que vem, Abbas disse que como a safra é mais tolerante a condições adversas como a seca e precisa comparativamente menos investimento, está dando mais alto retorno que outras safras.

O país tem uma meta ambiciosa de plantar 50 milhões de oliveiras nos próximos anos sob a égide do programa 10 bilhões de árvores “Tsunami” (?) do governo para a expansão e restauração das florestas fragmentadas em todo o país e abordar as questões de mudança climática.

Imran Khan – Primeiro ministro do Paquistão (em lançamento de campanha para plantação em Nowshera): …O cultivo da azeitona em grande escala provaria ser um dos melhores investimentos futuros para o país, que pode ajudar a enfrentar os principais desafios encarados pelo Paquistão, incluindo segurança alimentar, declínio das reservas cambiais, mudança climática e criação de empregos…

Para reduzir a dependência do óleo comestível estrangeiro e aumentar as exportações, o governo do Paquistão tomou recentemente medidas excepcionais, dando subsídios aos agricultores locais, ministrando treinamentos técnicos e fornecendo uma grande quantidade de mudas de oliveira gratuitas.

O Paquistão gasta bilhões de dólares todos os anos na importação de óleo comestível para atender às necessidades crescentes da população. De acordo com funcionários do governo, a produção local de óleo comestível é apenas 32 por cento da necessidade total do país.

Muhammad Tariq – diretor da Pak Olive:  …o projeto de plantação de azeitonas do governo ajudará e muito a melhorar a economia rural do Paquistão… …Isso não só vai reduzir a conta de importação de óleo comestível do país, mas também fornecerá uma renda regular para os agricultores que possuem pequenas terras…

Ainda Tariq: …o projeto criará oportunidades de emprego para os moradores locais, especialmente para jovens e mulheres, envolvendo-os no processo de agregação de valor das azeitonas…. …o Paquistão tem um imenso potencial no cultivo de azeitonas devido à sua topografia e clima desejáveis de norte a sul, e o governo tem se assegurado de fornecer facilidades adicionais aos olivicultores nesse sentido. Novas variedades de safras de alto valor, incluindo azeitonas, estão sendo introduzidas por cientistas agrícolas para aumentar a produção de alta qualidade. Assistência técnica, incluindo manejo de pomares, processamento e produção de viveiros estão sendo repassados aos agricultores”.

Asad Rehman Gillani – Secretário do Departamento de agricultura da província de Punjab: …O setor privado também está sendo facilitado pelo governo em termos de embalagem, marca e marketing para promover a exportação de azeite local… O cultivo da azeitona não requer muita terra fértil e pode ser cultivado em terreno normal. Se manejadas adequadamente, as árvores podem dar frutos por até 100 anos, tornando-se a safra mais lucrativa entre outras…

Atualmente, as azeitonas foram cultivadas em mais de 27.000 hectares de terra e, nos próximos anos, as mudas de oliveira serão plantadas em mais de 70.000 hectares de terra em todo o país sob o projeto de 50 milhões de oliveiras, disse Gilani.

Uma vez totalmente implementado, o país que gasta mais de 3 bilhões de dólares americanos na importação de óleo comestível por ano, vai produzir excedente para ganhar valiosas moedas estrangeiras”, disse ele.

Planos audaciosos

Chamar o plano para olivicultura do Paquistão de audacioso é ser conservador.

A teoria é de que o Paquistão possui maior área disponível para olivicultura do que a Espanha, logo é só plantar as oliveiras e se tronar o maior produtor mundial em poucos anos…

O embasamento encontra-se nos números apontados no comparativo abaixo:

Comparison of Pakistan's area of territory and production with leading producers
Comparação área do território e produção do Paquistão com principais produtores

Considerações olhando apenas para os números da Espanha

Em 2019 a área de colheita de azeitonas na Espanha foi de 2.601.900 Ha, o que equivale a 6.429.434 Acres. O Gráfico paquistanês aponta para uma área de 5.000.000 de Acres, ao passo que seu próprio número para olivicultura seria o dobro: 10.000.000 de acres, ou ainda 4.046.856 hectares.

A média de produção de azeite da Espanha entre os anos de 2017 – 2020 (estimativa) foi de 1.367 toneladas de azeite, ou seja: Aproximadamente superior em mais de 150.000 toneladas que o informado pelo governo do Paquistão.

Mas para atingir a audaciosa meta será plantar e cuidar da quantidade colossal de oliveiras, aprender com na prática que o manejo da cultura em alta escala é diferente da teoria.

Outro ponto importante é de que enquanto ao modelo de plantio cada vez mais comum principalmente na Europa, Oriente Médio e Norte da África: plantações intensivas e superintensivas, onde o rendimento em Ton de azeitonas por hectare consideravelmente superior. Isso também é mais uma barreira para plano paquistanês, pois não só exige um número maior de mudas, como também maquinário, tecnologia e custo com adubação e defensivos agrícolas.

Para saber mais sobre compasso, acesse: Compasso – OLIVAPEDIA

Traditional crop in Palistan
Plantação tradicional no Paquistão

Por fim: mesmo superando todas as dificuldades e atingindo o mesmo plantel de oliveiras que a Espanha, terão de aguardar a maturidade das árvores para que o rendimento máximo fosse atingido.

Nos basta olhar e torcer pelo país e seu povo!

PARA LER A PUBLICAÇÃO COMPLETA SOBRE O PAQUISTÃO, ACESSE: Olivicultora pelo mundo: Paquistão (باكستان) – OLIVAPEDIA

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37 – Peru (Perú)

Peru Flag
Bandeira nacional do Peru

A bandeira do Peru, adotada em 25-02-1825 foi baseada em desenhos realizados por San Martín, “libertador das Américas”, e Torre Tagle, segundo presidente do Peru.

A escolha das cores pode ter sido uma inspiração nas corres dos flamingos com asas vermelhas e peito branco da região de Pisco, no litoral sul do Peru. Outra vertente indica que o branco teria sido retirado da bandeira da Argentina e o vermelho da bandeira do Chile, ambos países também libertos por San Martin, e cujos homens compuseram o exército de libertação do Peru.

Peru government flag

 

Bandeira do governo peruano

Ainda há a bandeira adotada pelos órgãos governamentais, muitas vezes confundida com a bandeira nacional.

O Peru está ao noroeste da América do Sul. Abriga parte da Floresta Amazônica, bem como diversos sítios arqueológicos, dentre eles o Machu Picchu: uma antiga cidade Inca na cordilheira dos Andes, conhecida mundialmente.

Machu Picchu

 

Machu Picchu (em quíchua: “velha montanha”) fica no Vale Sagrado dos Incas a 2.400 m de altitude. Próximo está a cidade colonial de Cusco e o Camino Inca.

Curiosidades “dos Perus”

– O nome deste país parece ser anterior à chegada dos espanhóis. Para o Dicionário Oxford o nome vem de Birú ou Perú, que em guarani significa “rio”. Para o historiador Raúl Porras Barrenechea, Birú era, na verdade, o nome de um cacique do sul do Panamá e todas estas terras recebiam o nome dele. Outras teorias afirmam que a origem da palavra Peru é Viru, que é uma palavra no idioma quechua – Fonte: https://www.bbc.com/

– O nome da ave peru tem a sua origem provavelmente no topônimo Peru, apesar de ser originário da américa do Norte. No século XVI acreditava-se que as aves (peru) que chegavam ao continente europeu.

Onde fica o Peru

Peru localization

Ao Norte faz fronteira com o Equador e com a Colômbia. A leste com o Brasil e ao sudeste com a Bolívia e sul com o Chile. A oeste está o oceano Pacífico.

Características do País

É o 3º maior país da América do Sul e 20º do mundo com 1.285.220 Km².

Todo território ao longo da costa é dominado pela Cordilheira dos Andes. Essa influência chega a ser de 400Km da costa, mas na maioria do território fica limitado a 190Km, na média.

Topografia

Topographic of Peru

 

Como observado acima o Peru sofre a influência de toda sua costa da Cordilheira dos Andes.

É quase um forte natural com enormes montanhas que chegam a 6.786 metros de altitude. O ponto mais alto é chamado de Nevado Huascarán, simplesmente Huascarán, na Cordilheira Blanca. Seu nome foi dado sendo o nome de um líder inca, chamado Huáscar, do século XVI.

Origem das oliveiras no Peru

Vamos transcrever o texto publicado em Oliveiras Pelo Mundo: CHILE – OLIVAPEDIA, pois tanto na lenda quando na provável versão real, os dois países dividem a mesma história.

Os relatos do El Inca

Inca Garcilaso de la Vega, ou El Inca, em seu livro Comentarios Reales de los Incas relata uma história sobre como as oliveiras foram levadas ao Perú e, de lá, para o Chile.

O relato diz que em 1560, Don Antônio de Riveira, oriundo de Sevilha, veio para a América do Sul, mais especificamente para a cidade dos Reis, como era conhecida Lima. Dentre várias espécies de plantas, trouxe oliveiras, que eram mantidas sob vigilância de mais de 100 homens e 30 cães.

Mesmo com toda essa proteção, certa noite conseguiram roubar uma árvore e a levaram a quase 2.900 quilômetros de distância, no atual território do Chile. A árvore lá permaneceu por três anos onde tornou-se uma linda oliveira. O tempo foi suficiente para que a mesma gerasse descendentes e assim iniciasse a olivicultura no Chile.

Passados os três anos, devido as insistentes investidas de Don Antônio contra o roubo, a oliveira foi devolvida ao mesmo local de onde havia sido retirada.

Por fim, o Chile acabou sendo um local mais favorável para plantação de oliveiras – talvez por estar em uma zona de latitude mais propícia que o Peru. Arica, onde se encontra o vale de Azapa, é uma das cidades mais ao norte do Chile e encontra-se a uma latitude aproximada de 18,5 º sul.  O Peru vai aproximadamente da mesma latitude até a linha do equador (0 º de latitude).

Parte confirmada da lenda

A oliveira chegou ao Peru pelas mãos do rico Don Antonio de Ribera, que embarcou em Sevilha em 1559, trazendo várias estacas de oliveiras selecionadas como uma carga preciosa. Das 100 mudas que trouxe para reprodução, apenas três chegaram em condições de enraizar.

Uma versão mais conservadora…

Nau FeníciaEm 1492 as Américas receberam as primeiras mudas de oliveiras vindas de Sevilha. Mais precisamente no Caribe, nas Antilhas, também chamadas de Índias do Oeste. Logo, de maneira indireta, podemos atribuir o mérito aos Fenícios.

As primeiras mudas, bem como centenas de outras espécies, foram misturadas as espécies locais e aos poucos foram sendo disseminadas pelas Américas.

O primeiro olival do qual se tem registro, de maneira regular, ocorreu no México, quase 70 anos após a chegada das oliveiras no novo mundo. Dali para o Perú, Califórnia (na época, ainda sob domínio dos mexicanos), Chile e Argentina foi um pulo.

As duas versões provavelmente ocorreram em paralelo, ao menos os fatos confirmados da “lenda”.

Onde estão as oliveiras do PERU

Olhando mais um mapa abaixo sobre o clima no Peru, vamos entender a distribuição das oliveiras, que dentro de um conceito “clássico” (30º a 45º N ou S). Logo o Peru não seria um território com vocação para olivicultura.

 

Climate of Peru

 

Climas do Peru e capitas das regiões produtoras de azeitonas

Apesar do clima não adequado a produção de azeitonas, o Peru possui áreas com micro-climas “adequados”, mas acima de tudo onde a determinação com uso de tecnologia e investimento viabilizaram o cultivo.

Os olivais concentram-se entre o litoral do Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Os olivais de Lima e Ica, apesar de mais antigos, e os de La Libertad são os menores e menos produtivos dos 6 apontados ao lado. Isso se deve ao fato de os mesmos encontrarem-se em regiões mais quentes, e com menor variação de temperatura ente o verão e o inverno.

Observação: Como o Norte do Peru “encosta” na Linha do Equador, e sua extensão em latitude não chega aos 19º Sul, a temperatura no inverno, mesmo no mais extremo Sul, está longe de manter uma constância necessária a hibernação das oliveiras, condição básica para uma boa floração. Uma consequência do clima constantemente mais aquecido é de que as árvores de forma mais acelerada (2X) que os mesmos cultivares no Mediterrâneo.

olive producing regions in Peru

 

Regiões produtoras de azeitona no Peru

Cultivares do Peru

São 4 os cultivares autóctones – nativos

 

 

Cultivar Importância Sinônimo
Criolla 2 Alfonso, Don Alfonso, Botija
Mostazal 4  
Pocoma 4  
Yauca 3  
Cultivares nativos do Peru

Destino das azeitonas

Diferentemente da maioria dos países produtores, a produção do Peru é focada na produção de azeitonas de mesa. Em média, nos grandes países produtores, 80% das azeitonas vão parar em lagares para produção de azeite.

No Peru, 75% se destina à produção da azeitona de mesa (35% preta natural, 20% azeitona curtida em soda e 20% verde no sal. Apenas 25% será utilizada para produção de azeite.

Para o Brasil, o Peru é o terceiro mais importante fornecedor de azeitonas de mesa. Em 2020 os números, considerando apenas os principais fornecedores, foram:

  • Argentina: 58,2%;
  • Egito com 28,5%;
  • Peru com 7,2% 
  • Espanha com 6,1%

O Brasil é o segundo principal destino das azeitonas de mesa peruanas com 19% da produção. O Chile desponta com um total de 78%.

Observação: Ao passo que a Argentina vem retraindo sua produção interna, sua participação no mercado de azeitonas de mesa no Brasil também vem caindo. Em 2005 chegou a ser superior a 75%. Por outro lado, o Egito vem aumentando rapidamente sua participação no mercado brasileiro, mais que dobrando nos últimos dois anos (2018-2020).

Produção, consumo, importação e exportação de Azeite e Azeitonas de Mesa

O incremento da produção de azeitonas está alinhado com a política interna de desenvolvimento do setor.

A propósito: Todo país com condições de desenvolvimento da olivicultura, já despertou há tempos para a mesma. Em poucos países o Estado não tem apoiado a atividade, do campo a produção de azeite, pois os governos que apoiam adotam uma gestão de médio-longo prazo, e entendem que além da gastronomia e efeitos positivos para a saúde, a olivicultura também aborda questões ecológicas, dentre elas recuperação de solo, longevidade da colheita após o pomar ter sido estabelecido. Infelizmente o governo brasileiro não é um dos apoiadores, e toda evolução do setor no Brasil se deve a iniciativa privada.

Área de cultivo e colheita

production and harvest area

 

Área de produção e colheita

Azeite

A produção de azeite, bem como importação, exportação e consumo, não está no radar do IOC (International Olive Council) – IOC – Internacional Olive Council – OLIVAPEDIA, que é nossa principal fonte de consulta em conjunto com a FAO – Food and Agriculture Organization (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e com órgão governamentais dos países pesquisados.

Processamento de azeite no Peru – Segundo a FAO

Olive oil processing - Peru between 2016 and 2018

 

Processamento de azeite – Peru entre 2016 e 2018

Azeitona de Mesa

Conforme já visto anteriormente, a produção de azeitonas no Peru visa atender prioritariamente o mercado de Azeitonas de Mesa, não apenas internamente como para exportação.

Production - Consumption - Export table olives

 

Produção – Consumo – Exportação azeitona de mesa

E é justamente a exportação que tem forçado a aceleração da produção, pois o consumo interno encontra-se “estacionado”.

Consumption x Export table olives

 

Consumo x Exportação azeitona de mesa

Para saber mais sobre o Peru, sua história, curiosidades e olivicultura, acesse:

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