Diferentemente da colonização portuguesa no Brasil, os espanhóis optaram por cultivar oliveiras desde o início da colonização na Argentina.

A origem

A história oficial dá conta do responsável ter sido o capitão Pedro de Alvarado y Contreras, “grande conquistador espanhol”, responsável por imensos massacres de povos da América Central, inclusive dos Astecas, ao lado de Hernán Cortés. O que não faz muito sentido pela biografia do mesmo. O capitão morreu em 1541, com prováveis 56 anos, como governador vitalício da Guatemala.

Há registro de uma breve passagem pelo Peru em 1532, sendo esta viagem o registro “mais ao sul” onde teria chegado. Nessa passagem, o capitão, que buscava a glória de novas conquistas para a coroa espanhola, vendeu a maioria das suas armas, navios e tropas a Pizzaro, na época controlador da região e voltou para a Guatemala sem registros de novas expedições.

Conquistador Espanhol

Para ajudar a contrariar a versão que atribui a Pedro de Alvarado o início da cultura das oliveiras na Argentina, o exemplar de árvore mais antigo data de pouco mais de quatrocentos anos. Fica em Arauco (La Rioja) – cidade que dá nome ao principal cultivar argentino. Na versão do capitão Pedro de Alvarado como patrono da cultura, esse exemplar é tido como o patriarca da disseminação para demais regiões da Argentina, bem como Chile e Peru.

Outra versão

Na versão contada por Don Cornelio Sánchez Oviedo as oliveiras e outras árvores frutíferas foram enviadas de Castilha, no Chile para Santiago del Estero, na Argentina – e teria sido a partir daí que as oliveiras alcançaram a província de La Rioja. O envio foi a mando de Francisco Aguirre, conquistador espanhol que participou de incursões no Peru, Chile e Argentina. Falecido em 1581 com 74 anos, foi governador da província de Tucumán, entre 1553 e 1555.

Crescimento da olivicultura

Somente no século 19 é que o cultivo ganhou força a fim de atender a demanda dos imigrantes italianos e espanhóis.

Segundo a Federación Olivícola Argentina a área destinada a olivicultura no início da década de 1990 não passava de 29.600 hectares. Até 2012 essa área já havia saltado para mais de 105.000 hectares, principalmente nas províncias de Mendoza, San Juan, Catamarca, La Rioja, Córdoba, Buenos Aires e, mais recentemente, Neuquén. A produção na Argentina continua crescendo, pois ainda existem expressivas áreas onde os pomares não iniciaram a produção ou são “imaturos”.

A densidade de oliveiras por hectare na Argentina fica entre 250 e 330 pés, ou seja, de 30 a 40 metros quadrados por árvore.

Segundo o International Olive Council, do qual a Argentina faz parte desde 2016, a produção (P) e o consumo (C) entre 2015 e 2018 (estimado) variou da seguinte forma em KTm (mil toneladas métricas). Os anos correspondem a final do ciclo, que no hemisfério sul ocorre entre março e abril, logo tendo começado no ano anterior.

Produção e consumo

Potencial e previsão

O país do Argento (prata) possui um enorme potencial para produção de azeitonas e azeite – talvez ainda freado pelo baixo consumo interno de aproximadamente 1,86 litros por habitante por ano.

A média do EUA em 2018 foi de aproximadamente 1 litro per capita por ano

No Brasil chegam poucos azeites argentinos, ao contrário da deliciosa azeitona Arauco, ou simplesmente “azeitona verde argentina”.

Apenas para comparar: os gregos consomem em média por ano 18 litros de azeite por habitante. O espanhóis consomem cerca de  5 vezes mais azeite que o argentinos.

Essas diferenças estão pautadas em fatores históricos, como por exemplo a demanda pelo azeite dos romanos na época que seu império dominava a Espanha, bem como por questões geológicas, onde muitas vezes só a oliveira sobrevive aos recursos disponíveis.

As previsões de aumento de produção do azeite argentino são animadoras. Entre os anos de 2000 e 2010 a produção média anual foi de modestas 16.150 toneladas, ou 17.650.000 litros de azeite.  Prevê-se para a próxima década uma produção de 100.000.000 litros de azeite por ano.

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