
Mais um país recém reconhecido e com uma história milenar. Também fez parte da antiga Iugoslávia.
Acima a bandeira atual da Macedônia, e que começou a ser usada em 1995. A mesma foi uma substituição em resposta a manifestação dos Gregos quanto a bandeira adotada em 1991, ano de libertação da Macedônia, após fazer parte da Iugoslávia.

O problema da bandeira utilizada entre 1991 e 1995 era a presença do “Sol de Vergina”, que representa para os Gregos um símbolo da continuidade entre a antiga cultura macedônica e a Grécia atual. O símbolo é utilizado em estandarte próprio na região da Macedônia, na Grécia. Sim! Na Grécia existe uma região chamada Macedônia. Por esta razão que a República da Macedônia – país independente – é conhecido como República da Macedônia do Norte.

Obs.: O território da Grécia conhecido como Macedônia era parte do império da Macedônia séculos atrás.

Como surgiu a Macedônia
Antes de mais nada, é importante entender que depois da criação do reino da Macedônia no século VIII a.C., a área chamada de Macedônia variou bastante, existindo até hoje o território dentro da Grécia chamado de Macedônia e mais a norte a República da Macedônia do Norte, que obteve sua independência em 1991.
O fundador do reino da Macedônia foi o rei Carano (808 -778 a.C). Estabeleceu sua sede na cidade atualmente conhecida como Vergina – situada no norte da Grécia, na região da Macedônia Central).
Segundo a mitologia grega, Carano era um dos filhos do rei Témeno que governava a região de Argos, na Grécia. Témeno seria descendente do semideus Hércules. Com a morte de Témeno seus filhos disputaram entre eles quem seria o sucessor. O vencedor foi Fédon. Desta forma Carano foi em direção ao Norte em busca de um novo território para governar.

A criação da Macedônia fez-se pela cultura grega antiga, mas como diversos outros territórios, não havia uma unidade nacional.

Curiosidade: As Olimpíadas antigas ocorriam com disputas de diversos reinos de cultura Grega. A principal cidade sede os jogos era Olímpia, logo o nome dos jogos quadrienais atuais. Provavelmente o início dos jogos em Olímpia se deu em 776 a.C.
Origem do nome
Alguns dizem que o nome do reino: “Macedônia” era uma referência a Makedon, personagem da mitologia grega filho de Zeus e Tea. Makedon, ou Makedno, tinha um irmão chamado Heleno. Heleno e seus três filhos Doro, Juto e Éolo formaram as tribos básicas da cultura grega.
Entretanto um grupo de estudiosos afirmam que o povo ‘macedônio’ está ligado etimologicamente a ‘habitante das terras altas’, logo não se sabe com exatidão a origem dos povos que ocuparam inicialmente a Macedônia que eram chamados de bárbaros pelos gregos antigos.
Povos gregos
Na região os povoados dispersos estabeleciam monarquias que lutavam entre si visando a soberania onde no século V a.C. dois grandes reinos se estabeleceram: o primeiro cuja capital era Atenas e o segundo cuja capital era Esparta, e mantinham uma enorme área de influência na região. A Macedônia alternava seu apoio entre essas duas monarquias em um equilíbrio de sobrevivência.
O principal conflito foi a Guerra do Peloponeso, ocorrida entre 431 e 404 a.C., da qual participaram Atenas (centro político e que estabeleceu os padrões de civilização para o mundo ocidental) e Esparta (cidade-Estado de tradição militarista e costumes austeros), de 431 a 404 a.C. A história dessa guerra foi contada por Tucídides em “História da Guerra do Peloponeso”, e por Xenofonte em “Helênicas”.

Anteriormente, em 480 a.C., o povo “Medos” do império Persa, atual Irã, havia desafiado os Espartanos, na Guerra chamada “Médica”. A batalha das Termópilas foi retratada no filme “300” de forma romanceada e ficcional.
Daria para escrever muitas páginas sobre as guerras da região, mas temos de tentar chegar as oliveiras.
Vamos tentar resumir: Sob o comando de Filipe II (O Caolho) o Império Macedônio consolidou várias regiões chegando a uma expansão territorial significativa:

Um dos maiores impérios do “mundo antigo”
O governo foi herdado por Alexandre “O Grande”, filho de Filipe II, que apesar de um breve reinado, expandiu as fronteiras do império em apenas 13 anos, constituindo um dos maiores impérios da antiguidade. Morreu aos 33 anos com febre (envenenamento, malária ou febre tifoide). Sua forma de governar, tolerante com os reinos conquistados, foi um dos motivos do seu sucesso. As disputas pela suscessão e mudança na forma de governar causaram uma rápida perda dos territórios conquistados.

Depois de uma série de movimentos de conquista, redefinição de fronteiras e disputas étnicas a região observou ao fim do século XIX e início do XX vários movimentos cujos objetivos eram o estabelecimento de uma Macedônia autônoma. Por exemplo: Organização Revolucionária Macedônia (ORM), mais tarde tornando-se Organização Revolucionária Secreta Macedônia-Adrianópolis (ORSMA). Em 1905, foi renomeada como Organização Revolucionária Interna Macedônia-Adrianópolis (ORIMA), e após a Primeira Guerra Mundial, a organização se separou em duas, a Organização Revolucionária Macedônica Interna (ORMI) e a Organização Revolucionária Trácia Interna (ORTI).
Século XX
O território da atual Macedônia do Norte foi incorporado, logo após o término da Primeira Guerra Mundial, a um país criado sob a tutela do bloco Soviético: Iugoslávia.


Evolução da Iugoslávia de 1989 a 1992. Licença pública Wikipedia. Criador Esemon
Onde fica a Macedônia (do Norte)?
A Macedônia do Norte está em uma península chamada Bálcãns. Outros países que estão na mesma península são: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Grécia, Montenegro, Sérvia, Kosovo, uma porção da Turquia que está no continente europeu (Trácia Oriental), bem como partes da Croácia, da Romênia e da Eslovênia.

O país
Sua capital é Skopje. O país tem 2.077.000 habitantes (estimativa de 2018) e área de 25.713 km2, uma área menor que estado de Alagoas no Brasil.
Curiosidade: Apesar da Madre Teresa ser conhecida como “Madre Teresa de Calcutá”, devido a seu trabalho filantrópico na referida região da Índia, ela nasceu no que hoje é a maior cidade e capital da Macedônia do Norte: Escópia, Skopje ou Skopie.

A maior parte do território da Macedônia do Norte fica inserido entre as latitudes 41 e 42 graus Norte, logo dentro da área “ideal” para a Olivicultura. Faz fronteira com a Albânia, Sérvia, Kosovo, Bulgária e Grécia. Com o últimos dois a fronteira é com uma região também chamada de Macedônia.
Seu principal rio é o Vardar, que corta o país que corta o país de norte a sul, contudo seu relevo é predominantemente de montanhas. Os terremotos são eventos corriqueiros.

Outra curiosidade: Por ser uma país “novo” em um território “antigo”, palco de muitas histórias, o governo da Macedônia do Norte promoveu a reconstrução da capital com a criação de monumentos por toda a cidade. Entretanto muitas das estátuas, aparentemente, não tem significado histórico, e as vezes parecem uma simples cópia de outros lugares.

Origem da Olivicultura na Macedônia
Considerando:
- O cultivo das oliveiras começou na região chamada de “Ásia Menor”, ou “Anatólia”, veja nossa publicação “Origem da cultura das oliveiras“
- Domesticação da Oliveira Silvestre começou há mais de 6.000 anos;
- O registro de início das civilizações, ou “países-estados”, na região começou a pouco mais de 2.800 anos;
- A Macedônia e a Grécia sempre estiveram ligadas culturalmente e etnologicamente. Apesar da circulação ser mais difícil que nos dias atuais, ainda assim são regiões vizinhas. Ainda: O que é o Norte da Grécia já foi conhecido como reino da Macedônia.
- A distância entre a atual Macedônia do Norte e Ásia Menor varia, aproximadamente, entre 300 e 600 Km. Muito perto.
Logo:
Não há registro de como as oliveiras chegaram a Macedônia, ou Macedônia do Norte. Certamente não foi uma ação única, mas uma difusão natural da cultura.
Ocupação do solo
A ocupação do solo para a agricultura na Macedônia do Norte é limitada devido ao seu relevo predominantemente montanhoso.

Contudo existem duas áreas principais de cultivo

Onde estão as Oliveiras na Macedônia do Norte?
Quase em toda parte é provavelmente a resposta mais adequada. Isso de deve ao tempo que as oliveiras estão no território. Contudo há de se considerar a elevação média do país, em torno de 1.900 m, em uma latitude já bem afastada do equador. Sua altitude mínima é de 50m acima do nível médio do mar (MSL) ao sul do rio Vardar, e máxima de 2.750 m MSL no Monte Korab que fica na fronteira do país com a Albânia.
Relevo e clima
Então além do relevo muito acidentado, a olivicultura tem de vencer temperaturas muito baixas na maioria do território, logo as oliveiras ficam restritas as áreas amarelas e verde claro do mapa acima. Um pouco mais abaixo vamos comentar alguns projetos de produção de azeitonas na Macedônia.

O Clima
Poucos lugares não ficam cobertos de neve durante o inverno.

As estações são bastante características, contudo a primavera eventualmente é muito breve. No verão o clima é temperado – subtropical, e, nas regiões mais baixas, pode atingir 40 graus centígrados. Os invernos são muito frios, inviabilizando a cultura das oliveiras em regiões um pouco mais elevadas – vide – “Plantio Parte 1: Requisitos do local” – e a frequência de queda de chuva e neve é elevada.
Só para lembrar: as oliveiras precisam de uma certa quantidade de frio por ano, mas abaixo de -7º centígrados a árvores pode ser prejudicada.
A temperatura média anual do país é de 11,5 °C, contudo nas planícies a média é de 15 °C. No alto verão – julho – a média atinge 22,2 °C, já no inverno cai a média de 0,3 °C. A maior e menor temperatura já observadas na Macedônia do Norte é de 44,5 °C e -31,5 °C.
Cultivares nativos da Macedônia do Norte
Devido a oficialização das fronteiras ter ocorrido de forma tão recente, e a própria autonomia do Estado e instituições estarem em consolidação, é normal que não existam cultivares registrados não como de origem na Macedônia do Norte, mas não significa que não existam.
Existem 52 cultivares registrados na Grécia, e 25 na Albânia, que são países vizinhos. Talvez alguns desses tenham tido origem no território hoje conhecido como Macedônia do Norte.
Cultivares presentes o país
Não existe a informação de forma de todos os cultivares presentes na Macedônia. A lista abaixo vem de informações relacionadas aos azeites produzidos e azeitonas de mesa no mercado, bem como pesquisa dos projetos de olivicultura no país.
- Makri – Mesa e azeite – Grega
- Marsela – Em desenvolvimento para ser um cultivar autóctone da Macedônia.
- Thassitiki (Throumbolia) – Mesa – Grega
- Chalkidiki – Azeite – Grécia
- Koroneiki – Azeite – Grécia
Projetos para extração de azeite na Macedônia
Em 2011 o site de notícias “Balkan Insight” reportou que uma empresa chamada KM, sitiada na cidade de Dojran ao sul do país, iniciaria um projeto de plantação de oliveiras e extração de azeite na Região Sudeste do país, próxima à fronteira da Grécia.
Era prevista a plantação de 12.900 mudas em uma área de 60 hectares (600.000 m²). Apesar de conseguirmos números relativos a produção, importação e exportação de azeite, não conseguimos destacar a parcela correspondente a essa iniciativa.
A previsão do investimento era produzir 300 toneladas de azeite por ano para o mercado interno e externo, contudo com crescimento previsto a partir do processamento de azeitonas de propriedades de terceiros.
Produção importação de exportação de azeite e azeitona
Azeite – 2019
Exportação de 3,95 ton de azeite, maiores mercados: Sérvia, Bulgária e Bósnia e Herzegovina.
Importação:447,40 ton de azeite, a maior parte da Itália, seguida da Grécia.
Azeitonas – 2019
- Produção: 12,37mil toneladas, aumento de 1,7% sobre 2018, redução de 4,9% sobre os últimos 3 anos, e aumento de 3,1% sobre os últimos cinco anos
- Exportação: USD 140,75K, redução de -47,5% sobre 2018
- Importação: USD 1,18M, aumento de 440,2% sobre 2018.
Dados históricos – Fonte FAOSTAT
Os dados históricos para olivicultura na Macedônia do Norte não apresentam tendência a crescimento, contudo também sem uma redução significativa. Ao contrário da Grécia que ao longo dos anos após a independência organizou o mercado de azeitonas e azeite de oliva como um dos principais produtos nacionais. A Macedônia ainda não “embarcou” nessa visão, talvez pautada em uma produção mais imediata de outros produtos e por possuir uma área agriculturável relativamente pequena.


O que fica claro no gráfico acima, e principalmente no próximo, é a redução da produtividade dos olivais, que pelos números não são intensivos, muito menos superintensivos, logo carecem de correto manejo.

Para produção de azeite, temos apenas a série histórica entre 2002 e 2014







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