Conforme definido em Angiosperma – OLIVAPEDIA, as angiospermas se reproduzem a partir de flores que se transformam em frutos com caroços. Dentre elas as oliveiras. O “problema é que essa forma de reprodução “sexuada”, pois depende da flor ser polinizada pelo pólen de outra flor, que na maioria do casos é de outra árvore, não garante as mermas características da “planta mãe” – MATRIZ.

A alporquia é um dos processo de reprodução de vegetais mais antigos utilizados pela humanidade. Trata-se de reproduzir uma matriz a partir de seus caule, fazendo que o indivíduo criado seja idêntico geneticamente a matriz.

É semelhante a “mergulhia”, onde um ramo é enterrado na terra, já sem um segmento da casca. No caso da alporquia a caule que gerará um novo indivíduo continua conectado a matriz até ter raízes o suficiente para o transplante.

mergulhia
Mergulhia

A alporquia é mais complexa que a estaquia (pedaços de caules colocados na terra). É mais técnica e dá mais trabalho. Então porque fazer alporquia ao invés da estaquia? Simples: muitas plantas não respondem bem a estaquia, e todas que respondem a estaquia, tem um resultado melhor na alporquia, pois o caule é mantido vivo na matriz até estar independente: com suas próprias raízes.

Foto: mestrebonsai.com

Como demora mais tempo e dá mais trabalho, não é muito utilizado comercialmente, pois muitas vezes é mais econômico assumir a taxa de perda com a estaquia.

A alporquia, mesmo que mais em pequenas propriedades, é mais bastante utilizada para plantas frutíferas. As oliveiras se dão bem como esse método, fora da época de hibernação (final outono – início primavera).

Outra grande aplicação é a produção de bonsais.

Método

Existem algumas variações na produção do alporque. Dentre elas a utilização ou não de enraizador* e sfagno**.

* Substância produzida normalmente pela planta. Pode ser adquirida de forma sintética em lojas de jardinagem e produtos agrícolas, ou ainda produzido em casa.

** Sfagno é o produto ORGÂNICO onde as raízes se desenvolveram, contudo com materiais de alta absorção de água e retenção, como por exemplo musgos de forma pura ou misturados a terra.

Em resumo o método é ferir sua casca, expondo córtex, interior do caule/ramo, e os tecidos vasculares, que são o xilema e o floema, a fim de induzir a produção de raízes adventícias -raízes secundárias que nascem nos caules/ramos.

stem structure
Estrutura do caule

Época ideal

Em ambientes abertos, escolha entre o meio da primavera e início do verão. Em estufas e outros ambientes controlado, normalmente é possível fazer durante todo o ano, excesso para plantas que hibernam.

1º Passo

Escolha da matriz e do ramo que será utilizado para a alporquia, ou alporque. Como é um processo de clonagem, a escolha deve se basear na qualidade das flores e/ou frutos produzidos pela árvore matriz.

Importante: Deve ser uma árvore saudável, sem pragas como fungos, pulgões, cochonilhas, brocas e bactérias, etc…

O ramo selecionado NÃO deve ser o ramo principal, pois além de prejudicar a matriz, o resultado da alporquia também poderá ser prejudicado. O ramos deve ter vários ramos secundários.

A retirada do córtex (casca) deve ser feita distante do caule/tronco da origem do ramos escolhido: 20 a 30 cm, e o anel de casca retirada com mais ou menos 5 cm. A exceção é quer fazer um bonsai. Nesse caso muitas vezes é o caule principal o escolhido.

Preparando um bonsai

Importante: O ramo escolhido de ser “lenhoso”, ou seja: um ramo verde, ou em transição, não serve! Tem de ter casca!

2º Passo

Cobrir o anel sem casca com material que retenha bastante água, como por exemplo: esfagno, mistura de esterco e serragem úmida, etc. O anel pode receber enraizador antes da aplicação do material orgânico onde as raízes se desenvolveram.

O material que cobrirá o anel deve ser prendido em um plástico (de preferência transparente) para facilitar a observação da umidade, bem como a formação as raízes em um estágio mais avançado. As pontas devem ser bem amarradas.

Alporquia com filme plástico
Variação ao plástico utilizando filme semelhante ao utilizado na cozinha
Variações para o contentor do material orgânico:
  • Embalagens feitas com polietileno: A vantagem é a transparência e poder utilizar várias vezes esse recipiente;
  • Segmento de bucha vegetal, aberta longitudinalmente para conter o esfagno / material orgânico. A vantagem é a facilidade para molhar o interior, contudo há maior perda de humidade por evaporação.
  • Talvez a forma mais criativa seja utilizar vasilhas de plástico, como as de manteiga e margarina, ou ainda com vasos de plásticos adaptados a posição do alporque ou garrafa pet.

Importante: Não fazer um número alto de alporquias em uma mesma planta matriz, pois isso a enfraquecerá.

3º Passo

  • Não deixar a alporquia ficar alagada;
  • Não deixar ficar seca, mas a forma de hidratar vai depender do material utilizado, que pode ser uma simples rega, ou injeção com agulha e seringa;
  • Importante: Não ficar movimentado o material orgânico dentro da embalagem, pois prejudica a formação das raízes, bem como pode quebrar as já formadas;
  • Esperar várias semanas / alguns meses.

4º Passo

Tendo certeza que a alporquia gerou raízes suficientes:

  • Corte o ramo com o alporque na base do anel;
  • Retire cuidadosamente a embalagem da alporquia, tentando manter o máximo de material próximo às raízes;
  • Plante na terra com a mistura adequada a espécie clonada;
  • É importante estabelecer um equilíbrio entre a nova copa e a quantidade de raízes obtidas com a alporquia. Se necessário retire um pouco dos galhos e folhas através de uma poda.

Guia para Oliveiras

Os passos acima são válidos também para as oliveiras, sendo importante alguns cuidados particulares. São eles:

  • O meio de crescimento: Estudos com oliveiras em diversos locais, atestam que uma mistura de musgo de turfa e solo de jardim é o meio de crescimento perfeito porque fornece aeração adequada e capacidade significativa de retenção de água.
  • O hormônio de enraizamento: hormônios de enraizamento, como soluções de ácido indol butírico (IBA), afetam positivamente a formação de raízes, aumentando as chances de formação de raízes.
  • Temperatura: Naturalmente, as azeitonas são encontradas em climas mais quentes, como o Mediterrâneo e a África. Portanto, para o crescimento dessas raízes, estudos têm demonstrado que a temperatura de 25 o C favorece o desenvolvimento radicular precoce.
  • Luz solar: Embora as azeitonas prefiram uma exposição parcial ou total à luz solar, para a formação de raízes nos ramos, é melhor dar à estaca embrulhada uma exposição mínima à luz solar.
  • Após o enraizamento, que dependendo do cultivar pode demora mais ou menos (é uma das características que temos divulgado no blog: capacidade de enraizamento de cada cultivar), é possível entre 4 a 10 semanas ter raízes o suficiente para retirar a alporquia e plantar a muda em um vaso ou saco de transplante inicialmente. Lembrando que o local do plantio possuir as condições adequadas a olivicultura em clima e solo (condição edafoclimática).
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