Os mais incautos poderiam se surpreender com alguns países que produzem azeitonas e azeites. Por exemplo: Iraque, Iran, Síria… Contudo, lembrando a origem da cultura, faz todo o sentido. Estranho seria se eles não produzissem.
Mas, assim como alguns estrangeiros se surpreendem ao saberem que no Brasil se produz azeite de alta qualidade, muitos no Brasil e em outros lugares onde a “cultura do azeite” ainda não se instaurou, poderão se admirar com alguns países que listamos aqui.
Nossa lista deixa de fora os mais conhecidos como Espanha, Portugual, Itália, Grécia, etc… Ainda assim, a lista tem 45 países, logo a dividimos em 4 publicações. Atualização de agosto de 2019: “dividimos em 5 publicações devido ao tamanho das mesmas“
Lembramos que todos os países terão uma publicação falando da história da oliveira de maneira mais detalhada, e algumas já estão publicadas em: “Oliveiras & Cia – História“. Divirtam-se!
- Afeganistão
- África do Sul
- Albânia
- Arábia Saudita
- Argélia
- Argentina
- Austrália
- Azerbaidjão
- Canadá
- Chile
Os dez primeiros:
1 – Afeganistão
Nesse país de clima predominantemente desértico, as oliveiras mais uma vez provaram sua resistência e adaptabilidade. O território Afegão começa na latitude 29º24’ N e vai até 38º27’N, ficando totalmente dentre da área dita como ideal para o cultivo das oliveiras (30º a 45º, tanto no hemisfério Norte quanto no hemisfério sul).
A província de Nangarhar é o grande centro produtor de azeitonas, onde estão localizados os dois únicos lagares do país. Dos 13.000 hectares do vale, 10.000 são dedicados a olivicultura.

A olivicultura no Afeganistão ainda trouxe um ótimo resultado que foi a liberação de algumas regiões de cultivo da cultura do ópio.
Não existem registros de um cultivar nativo do Afeganistão. Contudo, é provável que exista devido ao tempo da cultura no país. Falta pesquisa e as dificuldades de um terreno tão belicoso certamente dificultam essa identificação.
Também não há registros de como a cultura chegou ao país, porém deve ter tido origem nas primeiras expansões oriundas da Ásia Menor.
A região já produziu 8.000 toneladas em um ano, mas a falta de água, energia elétrica e os conflitos, já fizeram a colheita ser inferior a 400 toneladas.
Logo após o país comemorar um avanço na colheita de azeitonas, com 1.200 toneladas em 2018, novos ataques do Talibã em 2019 – Isis em Khogyani e Sherzad, da província de Nangarhar – obrigaram milhares de moradores a fugirem de suas casas.
A produção prevista para 2019 era de 580 toneladas de azeite, ou 628 mil litros.
Para saber mais, acesse: Oliveiras pelo mundo: Afeganistão (افغانستان) – OLIVAPEDIA
Para acessar todo o blog, assine: www.patreon.com/olivapedia.
2.a – África do Sul (“2.b” abaixo é a versão em inglês)
A história da olivicultura na Africa do Sul é cheia de personagens típicos e de fatos inusitados que serão mais detalhadamente abordados em uma publicação exclusiva desse país.
Em 1893, Piet “California” Cillie trouxe oliveiras e outras muitas frutas “estranhas” ao país, que na época ainda era uma colônia Britânica. Já em 1907 um azeite produzido na fazenda De Hoop localizada em Paarl, foi premiado no London Show, e de lá para cá outras marcas acumulam prêmios em todo mundo.
Não podia-se esperar menos de um país que produz ótimos vinhos.

Mais ou menos na mesma época, um jovem imigrante de Gênova, Ferdinando Costa , viu o potencial do clima e do solo e começou a enxertar material italiano importado. Mais do que satisfeito com os resultados, ele começou a plantar em grande escala em uma fazenda em Paarl Valley em 1925 e, em 1935, estava extraindo seu próprio azeite com uma usina importada da Itália. Hoje Costas é um nome familiar.
Outro italiano, Barão Andreis, plantou oliveiras na década de 1950 e, em 1972 nomeou Carlo Castiglione para administrar a fazenda e fazer azeite. Castiglione instalou a primeira planta de extração de óleo de ciclo contínuo no país e em 1997 estava engarrafando sob o rótulo Vesuvio Extra Virgin Azeite de oliva .
Em 2002, o Vesuvio ganhou quatro prêmios na Itália e ainda está ganhando prêmios internacionais hoje.
Esse é apenas um dos azeites premiados internacionalmente. Somente no NYIOOC – Nova York – esse ano foram três premiações com medalha de ouro e uma de prata.
A África do Sul ainda não é auto-suficiente na produção de azeite, produzindo apenas 1/3 da demanda interna. Contudo ainda assim exporta para alguns países do continente africano e Reino Unido.
São aproximadamente 174 olivais em 2.428 hectares (2018) que tem muito a contar, e que detalharemos em publicação específica sobre a olivicultura na África do Sul.
Nossos agradecimentos a Karien Bezuidenhout, gerente da S.A. Olive. e ao Mr. Sam da EVOOSA (www.evoosa.co.za)
2.b – South Africa (Collaboration: Karien Bezuidenhout – karien@hortgro.co.za – from South Africa Olive)
The history of olive production in South Africa is full of characters and unusual facts that will be addressed in more detail in an exclusive publication in that country.
Briefly, in 1893, Piet “California” Cillie visited the United States from South Africa and returned to the British colony with olive trees and many other fruit “strange” to the country. The olives flourished and in 1907 an olive oil produced on the De Hoop farm located in Paarl was awarded the prize for the finest oil produced in the British Empire, at the London Show. Since then oils produced in this country have accumulated awards worldwide.
We would not expect less from a country that produces great wines.

At about the same time, a young immigrant from Genoa, Ferdinando Costa, saw the potential of the climate and soil and began to graft material imported from Italy. More than satisfied with the results, he began planting on a large scale on a farm in Paarl Valley in 1925 and by 1935 he was pressings own olive oil with an imported Italian plant. Today Costas is a household name.
Another Italian, Baron Andreis, planted olive trees in the 1950s, and in 1972 appointed Carlo Castiglione to run the farm and make olive oil. Castiglione installed the first continuous cycle extraction plant and in 1997 was bottling under the label Vesuvius Extra Virgin Olive Oil .
In 2002, Vesuvio won four awards in Italy and is still gaining international awards today.
South African oils are consistently winning awards at international shows including three golds and one silver at the NYIOOC.
South Africa is not yet self-sufficient in oil, producing only one-third of domestic demand but despite this, there are some small exports to niche markets in the UK and some African countries.
There are approximately 2,428 hectares (2018) planted to olive trees. Details on these will be published in a separate publication on olive growing in South Africa.
Our thanks to Karien Bezuidenhout, SA Olive manager and Mrs. Sammy van Rooyen of EVOOSA (www.evoosa.co.za)
3 – Albânia
A Albânia está dentro da faixa clássica ideal para o plantio das oliveiras. No hemisfério Norte é entre 30º e 45º, possuindo uma grande diversidade biológica.
As oliveiras ocupam 12% de toda área destinada a agricultura e encontram-se em toda costa entre Saranda e Shkodra, bem como seus vales pluviais. Os dois municípios onde existe a maior ocorrência da cultura são Vlora e Tirana (capital do país).
Como em outros países da região, próximos a Ásia Menor, provável origem da espécie, é impossível determinar de forma contundente de onde as primeiras oliveiras chegaram ao território hoje conhecido como Albânia. Outras teorias indicam a origem das oliveiras na Grécia, país vizinho da Albânia.

São árvores antigas, muito antigas. A maioria com mais de 500 anos e 10% do total de 1,7 milhões de árvores com idade entre 1.000 e 3.000 anos.
Próximo a grandes agrupamentos de antigas oliveiras são encontrados castelos e ruinas de velhas vilas onde em tempos passados seus habitantes já cultuavam suas abençoadas árvores e frutos como símbolo de boa nutrição, vitórias e felicidade.

– Figura researchgate.net –
Os principais cultivares são a Kalinjot e a Branco de Tirana. Ainda existem 28 cultivares, totalizando 30. Listaremos de forma classificada as 25 variedades que tiveram origem e sobreviveram no país ao longo dos milênios de cultivo.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas da Albânia – previsão 2019:
- Azeitona de mesa: 30,0 / 31,5.
- Azeite: 11,0 / 12,5.
- Média – Consumo azeite per capita anual: 4,39 Kg ou 4,75 L.
4 – Arábia Saudita
A Olivicultura na Arábia é um dos casos onde o início é muito difícil de ser definido com exatidão devido a sua ancestralidade. Estando um “pouco abaixo” do berço mais provável da cultura: a Ásia Menor, é muito provável que as movimentações humanas na região tenham sido as responsáveis pela difusão.
Apesar do território do país encontrar-se abaixo da latitude de 30º N – fora da faixa “ideal de cultivo”, o clima é favorável.

Na Arábia Saudita encontra-se a maior plantação intensiva do mundo – Inclusive já recebeu o reconhecimento dos Guinness World Records em 02 de maio de 2018.
A empresa Al Jouf Agricultural Development Company, que é a responsável pela fazenda, iniciou as atividades no ano de 2009. Situa-se na cidade de Sakaka, na parte noroeste da Arábia Saudita, e sua história remonta há 4.000 anos e possui outras grandes fazendas de oliveiras onde destacam-se árvores enormes.
Al Jouf é administrada por um conselho de administração presidido pelo príncipe Abdulaziz bin Mishaal bin Abdulaziz.
Um consórcio entre a Al Jouf e uma empresa Espanhola está construindo o maior Lagar da Ásia… Mas isso fica para a publicação específica da Arábia Saudita.
Em seus planos para futuro encontram-se a produção de azeitonas em conserva e outros produtos como cosméticos. E é óbvio o aumento da produção de azeite.
A fazenda produz metade de todo o azeite consumido na Arábia Saudita, que ainda importa o produto devido ao aumento de consumo que cresce sem parar depois da mudança do padrão de consumo: Melhores produtos e mais saudáveis.

Não localizamos os cultivares plantados ou nativos da Arábia Saudita. Continuamos na busca e contatos.
Qual tamanho dessa fazenda???
- 5 milhões de oliveiras
- 7730 hectares de área total
- Capacidade de produção de 15.000 toneladas (azeite)
A Al Jouf Agricultural Development Company começou em 2009 , buscando transformar o cultivo de azeitonas na Arábia Saudita. Desde então, alcançou 8 certificados em qualidade. As fazendas da empresa estão situadas na cidade de Sakaka , na parte noroeste do Reino. Notavelmente, Sakaka tem uma história rica que remonta a mais de 4.000 anos atrás. Enormes fazendas de oliveiras, bem como plantações de data podem ser encontradas nesta região.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas da Arábia Saudita – previsão 2019:
- Azeitona de mesa: 4,5 / 32,5.
- Azeite: 3,0* / 27,0*.
- Média – Consumo azeite per capita anual : 0,96 Kg ou 1,04 L.
* Os dados acima são do IOC (Internacional Olive Council) e divergem das fontes Sauditas de forma significativa, como observado no texto. Estamos buscando esclarecimentos.
5 – Argélia
A Argélia é um país com costa no mar mediterrâneo e possui condições ideais para o cultivo de oliveiras em suas regiões próximas ao mar, pois o restante do território é dominado pelo deserto do Saara.

A história da chegada das oliveiras a Argélia é muito semelhante a da Espanha e provavelmente se deu através de comerciantes Fenícios e Gregos. E também na época do império romana teve a cultura priorizada. Existem restos de lagares romanos nas regiões produtoras.
As regiões produtoras são duas: Sig e Bejaia, ambas próximas a costa do mar Mediterrâneo. Apenas 422.200 hectares na Argélia são cultiváveis. Desses 45% são dedicados a olivicultura. Contudo muitas pomares precisam ser renovados a fim de se aumentar a produção.
Outro desafio do país é melhorar os processos de produção e distribuição.
Hoje as oliveiras, além de seu papel histórico na alimentação e ritos, exerce uma função a mais. Graças a sua baixa necessidade de água, tem sido considerada uma barreira ao processo de desertificação pelo qual a Argélia tem passado.
São 55 os cultivares surgidos na Argélia, sendo os principais
- Chemlal de Kabylie – Azeite
- Hamra – Azeite
- Limli – Azeite
- Tefah – Mesa
Nota: Todas as variedades estarão disponíveis na publicação específica sobre a olivicultura na Argélia e no material a ser disponibilizado com mais de 1.800 cultivares.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas da Argélia – previsão IOC 2019:
- Azeitona de mesa: 342,5 / 340,0.
- Azeite: 76,5 / 78,0.
- Média – Consumo azeite per capita anual: 1,94 Kg ou 2,09 L.
6 – Argentina
A introdução da cultura na Argentina encontra-se em: Oliveiras pelo mundo: Argentina. E como não poderia deixar de ser possui uma polêmica centenária sobre o assunto!
O livro “Cultivars del olivo difundidos en la Republica Argentina”, de 1.958 indicava 103 variedades cultivadas na Argentina, sendo 11 possivelmente desenvolvidas no próprio país.
Das variedades desenvolvidas no território Argentino Arauco assume um papel de destaque, sendo a única com projeção internacional. As vezes chamada erroneamente de Azapa (chilena), é uma azeitona colhida verde e de elevado peso para ser servida a mesa. Seus cultivares:
- Arauco
- C-8-3
- Cerignola de la Rioja
- Criolla de Cieneguita
- Nana
- Racimo Negro
- Real nº2
- Rammel
- Rosarina
- Santa Ursula
Principais regiões produtoras:
San Juan, La Rioja, Catamarca, Pocito, Cieneguita, Cruz del Eje e Córdoba
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas da Argentina – previsão IOC 2019:
- Azeitona de mesa: 66 / 35.
- Azeite: 28,1 / 7,5.
- Consumo de azeite médio per capita anual: 0,167 Kg ou 0,180 L.
7 – Austrália
Podemos dizer que a década de 1990 a Austrália despertou para a importância do azeite, apesar das primeiras árvores terem sido plantadas pelos primeiros emigrantes europeus no século XIX. Hoje alguns bosques isolados testemunham essa primeira investida da olivicultura no continente Australiano. Também há relatos de monges espanhóis que estabeleceram uma missão na Austrália ocidental e levaram consigo espécies de sua terra para New Norcia. Essas árvores, ou suas descendentes ainda estão por lá.

O boom de crescimento ainda não acabou. Novos investimentos voltados ao interesse interno e para exportação continuam acontecendo. O que é natural para um país que já solidificou sua posição no mercado internacional vinícola.
- De 1997 a 2018 ocorreu um aumento de 4.200% na produção de azeite
- Hoje 41% do consumo local e de produção nacional
- Em 30 anos o aumento per capita de azeite aumentou 34%
- É exportado 11% da produção local
- A área de plantio aumentou 1.600% em 20 anos . Hoje são mais de 35.250 Ha
- No concurso de Nova York 2019, 15 marcas australianas forma premiadas. Uma “Best in class” (Alto Vividus, produzido com a oliva nativa ” Hardy’s “) e oito com “Gold Award”.
Uma rápida olhada na nos mapas temáticos da Austrália – Temperatura média e Índice pluviométrico médio do outono – Para identificarmos onde a olivicultura é possível.


USDA Foreign Agricultural Service – Bureau of Meteorology (2018)
Apesar de serem encontradas oliveiras por quase toda Austrália, as regiões mais viáveis são as áreas em verde do mapa de temperaturas médias acima, representadas por:

Além dos cultivares desenvolvidos localmente: Hardy’s Mammoth e Swan Hill, a Austrália ao longo dos anos importou variedades de diversos países como Itália, Espanha, Grécia e Estados Unidos. São elas: Frantoio, Leccino, Coratina, Picual, Picholine, Hojiblanca, Arbequina, Koroneiki e Mission. Todas com maior vocação para extração de azeite, o que corresponde a 95% da atividade fim da olivicultura na Austrália. Para “mesa” levaram a Manzanilla e a Kalamata.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas da Austrália – previsão IOC 2019:
- Azeitona de mesa: 4,0 / 21,5.
- Azeite: 21,0 / 47,0.
- Consumo de azeite médio per capita anual: 2,04 Kg ou 2,21 L.
8 – Azerbaidjão
A Azerbaijão é um país transcontinental. Considerado com estando na Europa e Ásia, apesar de suas características sociais se assemelharem mais as europeias.
Sua geografia garante que as oliveiras sejam quase tão antigas quanto no berço mais indicado da origem da cultura: Ásia Menor.


No Azerbaidjão além de ser um país rico em recursos naturais, é também reconhecidamente um país que reúne condições ótimas a olivicultura.
A região mais adequada ao cultivo, e por isso alvo dos maiores investimentos, é a península de Absheron.
Pouco antes de 2015 foram plantadas 500.000 mudas em Absheron. Contudo a meta do país até 2025 é chegar a 30 milhões de árvores, somando-se 20 aos 10 milhões já existentes. Esses são os números que o ministério da agricultura considera necessários para gerar bons dividendos ao país.

Foram registradas 14 variedades de oliveiras no Azerbaidjão, contudo sem uma indicação clara se são cultivares de alta importância na produção de azeite ou azeitona de mesa.

As maioria das variedades introduzidas são de origem italiana, como por exemplo a Ascolano e a Santa Caterina, e são responsáveis pela principal parcela da produção nacional.
O Azerbaidjão também caminha para o aumento das culturas orgânicas. Em 2015 eram 13 hectares apenas para as oliveiras, mas com forte tendência de crescimento.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas do Azerbaidjão – 2014:
- Azeitona de mesa: ?? / ??.
- Azeite: 1,0 / ??.
- Consumo de azeite médio per capita anual: xxxx Kg ou xxxx L.
- População: 9.873 mil.
9 – Canadá
Talvez sejam um dos locais mais incríveis para considerar a atividade de olivicultura / produção de azeite. Sabemos que a enorme quantidade de variedades de oliveiras, e várias com alta resistência ao frio, mas é MUITO ao norte e muito frio…

A história das oliveiras no Canadá só foi possível devido a curiosidade e FÉ de um casal aposentado ( George and Sheri Braun) que ao visitarem olivais na Espanha sentiram a necessidade de trazer a cultura para mais perto de casa para matar as saudades das árvores espanholas.

Mais uma vez as uvas deram a pista de onde as oliveiras teriam alguma chace de se desenvolverem. A dica foi de um pequeno olivicultor americano que disse que onde fossem cultivadas as uvas pinot noir e a Madrone (Arbutus menziesii) – Árvore típica do Canadá, mas presente desde o litoral da Califórnia no EUA, seria possível plantar olivieras.
O casal encontrou um “micro-clima” nas ilhas do Golfo, na costa oeste do Canadá. Conseguiram comprar em 2010 uma fazenda de um pouco mais de 29 hectares na ilha de Salt Spring. Esta é a maior ilha do golfo entre Vancouver e o território da Colúmbia Britânica, que abriga um microclima único. Seu vale de Fulford possui o solo fértil. Com exagero alguns atribuem a região um clima “mediterrâneo”, com verões quentes e invernos suaves.
Sob total descrédito conseguiram importar e plantar 1.000 mudas oriundas da Califórnia. As dificuldades fito-sanitárias exigiram que as mudas cruzassem a fronteira do Canadá com as raízes “nuas” – sem terra. Mas isso só foi possível em 2012.

Em 2016 o casal foi surpreendido com uma quantidade de azeitonas inesperada. Por dois dias conseguiram colher as azeitonas da maioria das oliveiras, mas no terceiro dia, que seria de colheita (5 de dezembro), tiveram de deixar no pé as azeitonas de cinco fileira de oliveiras devido a chegada do inverno com gelo, neve, frio e o Sasquatch 🙂
Quase que um processo simultâneo ao término da colheita, o lagar Peralisse montado ficava pronto para receber as azeitonas.
A produção, em dois ciclos de extração foram:
- 18,5 Kg, ou 20 litros, de azeite mono varietal Maurino (350 árvores)
- 11,1 Kg, ou 12 litros, de azeite blend de campo das azeitonas Frantoio e Leccino. Adicionalmente uma pequena quantidade de Pendolino
- Em cada extração foram utilizados 500 Kg de azeitonas.
Não há palavras para descrever a determinação e vontade os envolvidos na produção do primeiro azeite do Canadá, mesmo que a qualidade do mesmo tenha sido questiona: Cacau e café que alguns provadores achariam agradáveis, mas também podem surgir de azeitonas congeladas ou caracterizar o defeito “sujo” (causado pela presença de larvas de a fruta esmagada).
Infelizmente o clima não foi favorável em 2017. O Inverno causou muitos estragos no olival, logo não houve colheita. O ano de 2018 ainda foi de recuperação da plantação.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas – previsão IOC 2019:
- Azeitona de mesa: – / 30,0.
- Azeite: – / 43,0.
- Consumo de azeite médio per capita anual: 1,22 Kg ou 1,31 L.
10 – Chile
Uma das versões para introdução da cultura no Chile é no mínimo inusitada. Surgiu com um furto de uma muda frustrado do Peru. Durante o tempo que a árvore permaneceu plantada no território que hoje é conhecido como Chile, a mesma gerou descendentes que deram origem a olivicultura no Chile. A história mais completa é contada em Oliveiras pelo mundo: Chile.
A outra versão, relatada na mesma página, da conta da introdução pela difusão de diversas espécies, oriundas de Sevilha, inclusive as oliveiras, desde a “descoberta das Américas” por Colombo e suas viagens posteriores de colonização.
Nada impede que ambas versões tenham ocorrido.

Hoje o chile possui reconhecidamente 3 variedades criadas em seu território:
- Azapa
- Frantoio de Santa Inês
- Huasco
O nome do primeiro cultivar (Azapa) vem da principal região produtora no Chile, o Vale de Azapa – Próximo a cidade de Arica. Uma região protegida pelo oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Esse cultivar é a grande estrela da olivicultura no Chile, que destina 70% de toda sua produção a azeitona de mesa – conserva.

A exploração comercial da olivicultura no Chile começou apenas em 1950, por iniciativa de um imigrante italiano: Giuseppe Canepa Vaccarezza.
Produção / Consumo em 1.000 toneladas métricas – previsão IOC 2019:
- Azeitona de mesa: 13,0 / 29,0.
- Azeite: 20,0 / 7,5.
- Consumo de azeite médio per capita anual: 0,425 Kg ou 0,459 L.






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