A alternância de produtividade de várias espécies de árvores frutíferas é conhecida por todos que lidam com seus pomares. Atinge não apenas as frutíferas, mas também cafezais, olivais e outras espécies.

O fenômeno também é conhecido como bianualidade. Ou seja: Um ano a produção é boa, no ano seguinte é reduzida, podendo, em casos extremos, ser quase zero.

O conceito mais aceito quanto a esse comportamento é de que em um ano as oliveiras esgotam suas reservas de nutrientes, como nitrogênio orgânico e outros. No ano seguinte a árvore volta a cumular suas reservas. Baseado nessa ideia, muito preconizam mitigar a alternância com uma super dosagem de nutrientes antes da hibernação, ou seja: ao final do período de colheita, ou até mesmo ao final da floração.

Outra corrente afirma que a poda corretamente aplicada e disponibilização de água (rega) são ações capazes de diminuir os efeitos da alternância.

Consequências econômicas

O desequilíbrio bianual de produção leva dificuldades na aplicação de mão de obra e outros recursos relacionados desde a colheita a colocação dos produtos finalizados no mercado, passando por custos trabalhistas, aquisição de insumos de produção, disponibilidade de equipamentos e itens de produção até o custo de marketing.

Entendendo um pouco melhor o assunto e onde mais afeta

Alternância / distribuição por cultivar

Dos 1.172 cultivares que a Olivapedia possui em sua base de dados, 558 possui uma definição clara quanto a alternância de produtividade.

Biannuality of 558 cultivars
Bianualidade de 558 cultivares

Se observarmos a distribuição apenas entre cultivares com grau de importância “1”, ou seja: apenas os mais importantes comercialmente e mais cultivados, os números não mudam muito:

Biannual regularity - Cultivars of greatest importance
Regularidade bianual – Cultivares de maior importância

Lembrando a classificação quanto ao grau de importância:

  1. São os cultivares mais importantes. Amplamente cultivados.
  2. Cultivares com cultivo secundário. Muitas vezes restrito a uma região.
  3. São cultivares cuja plantação é pequena e restrita a uma localização. Ou ainda presente em vários locais de forma isolada, sem formar olival.
  4. Cultivares com exemplares restritos, resultados de pesquisa ou oliveiras mal classificadas. Normalmente restritas a uma coleção.

Foram considerados nessa análise os seguintes cultivares por país e regularidade:

Table of important cultivars by regularity
Tabela de cultivares importantes por regularidade

Observação: A tabela acima encontra-se disponível na área de downloads para Patronos Frantoio VIP.

Uma questão que pode ser considerada é o cruzamento da informação de produtividade versus a regularidade, pois seria compreensível que um cultivar de baixa regularidade, mas com alta produtividade, fosse viável para composição de um olival.

Avaliando a “produtividade” por “regularidade”

Vamos comparar a produtividade apenas dos cultivares classificados como de importância “1”.

Seria de se supor que os cultivares com menor regularidade apresentassem uma maior produtividade por colheita.

Productivity groups by regularity - Importance 1
Grupos de produtividade por regularidade – Importância 1

Como não era de se esperar, com um olhar distante para a questão, os cultivares com maior produtividade são também os com maior regularidade, pois a binômio “Produtividade” X “Regularidade” altas, é o mundo ideal para o produtor. Logo, com um olhar leigo, poderíamos esperar que os cultivares de baixa regularidade compensassem com maior produtividade.

Comparando os gráficos logo acima com a distribuição de REGULARIDADE demonstrada nos dois primeiros gráficos dessa publicação, fica claro que a PRODUTIVIDADE é priorizada em detrimento da REGULARIDADE – não que não seja importante, mas é um parâmetro que pode ser trabalhado, como já citamos acima, e como detalharemos mais à frente.

Outras observações quanto a comparação dos grupos dos últimos gráficos são:

  • Mais da metade dos cultivares são de produtividade “Alta”;
  • A segunda faixa de produtividade encontra-se como “Média”;
  • Nenhum cultivar é de produtividade “Muito baixa”, nem “Média-baixa”.

Porque cultivares de baixa regularidade e produtividade de “Baixa” a “Média” são mantidos?

Avaliação dos cultivares de média a baixa produtividade por colheita e média a baixa regularidade.

Os cultivares tratados nessa publicação dentro desse critério são:

Respondendo a última pergunta da seção anterior: Porque cultivares de baixa regularidade e produtividade de “Baixa” a “Média” são mantidos?

Apresentamos algumas motivações, de forma não exaustiva:

Razões históricas: A disponibilidade das mudas, bem como a evolução / adaptação do cultivares definiu a muito a regionalidade e identidade de algumas oliveiras. Exemplo: A olivicultura teve início na América do Norte graças ao “contrabando” de azeitonas levadas da Espanha. História contada em Oliveiras pelo Mundo: ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA – OLIVAPEDIA. Como resultado surgiu o cultivar Mission.

Adaptação ao local de cultivo – Resistência: Alguns olivais encontram-se em locais de improváveis como em desertos Egito, Jordânia, Marrocos, Paquistão e Peru apenas para sitar alguns países. Um exemplo dessa resistência é a Ayrouni, cultivar nativo do Líbano. A questão de adaptação é tão importante que uma árvore do cultivar Chemlali (Chemlali Bent Louzir) na Tunísia, que a beira do deserto produz anualmente várias centenas de azeitonas.

Qualidade da azeitona (mesa ou azeite): Alguns produtos, azeites e azeitonas de mesa, guardam características únicas. Mesmo com baixa produtividade x regularidade, existe a procura por esses produtos, normalmente mais valorizados (caros) no momento da comercialização.

Sem categorizar, um fator importante é a forma como os olivais mais produtivos passaram a ser plantados a partir de 1999. A partir da virada do século, os olivais mais produtivos passaram a ser com compasso “intenso” ou “superintensivo”, que traz algumas dificuldades suplantadas pela tecnologia e mecanização. No cultivo tradicional, onde existem inúmeras combinações de compasso, as oliveiras podem possuir maior volume de copa, sofrem com menos competição por sol e nutrientes com as raízes de árvores vizinhas. Logo o fator regularidade era mitigado e até mesmo ser alternado entre olivais de diferentes idades e grandes extensões de terra.

Traditional and intensive
Tradicional e intensivo

Cultivares mais utilizados em plantações intensivas – SEBE

Observações:

I – O cultivar Manzanilho Sevillano é aplicado em baixa proporção diante aos demais. Apesar da baixa regularidade é um bom polinizador e pode ser utilizado para produção de alguns blends. No cultivo em sebe a minimização dos efeitos da alternância ocorre por intensificação do manejo, principalmente adubação adubação.

II – O cultivar Sikitita é resultado de um cruzamento recente entre Arbequina e Picual, e ainda se encontra cadastrada com grau de importância “4”, por esse motivo não configura com cultivar nesta publicação onde priorizamos tratar os cultivares de importância “1”.

Porte da Oliveira

É uma questão ainda não abordada, apesar de estar ligada diretamente a produtividade do cultivar. É importante citar, pois em cultivos tradicionais uma oliveira pode demorar muitos anos até atingir o tamanho final de “copa produtiva”.

Para os cultivares normalmente pequenos esse ponto não é relevante, contudo é de fundamental importância aos que mesmo de tamanho elevado são produtivos, pois esses chegam a produzir centenas de quilos, as vezes mais que uma tonelada, por ano.

Abaixo uma visão da distribuição do porte das oliveiras por cultivar. A imagem original, com melhor resolução, está disponível na Área de Download para Patronos Frantoio VIP, no item Classificação das Oliveiras por Vigor.

Classification of olive trees by vigor
Classificação das oliveiras por vigor

Resumo de estudo realizado por “Institutos de Ciência vegetal, Faculdade de Agricultura, Universidade Hebraica de Jerusalém, Rehovot e Volcani Centrer, ARO, Bet-Dagan, Israel”

O resumo do estudo está disponível para Patronos Frantoio VIP e Koroneiki, a partir do link: ROLAMENTO BIENAL EM OLIVA (OLEA EUROPAEA)

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