Já falamos um pouco sobre as oliveiras no Egito na publicação “44 países que produzem azeite que talvez você não saiba – Parte 2 de 5“.

Agora com um pouco mais de detalhes, divirtam-se:

Apesar da oliveira não ser uma espécie nativa do Egito, existem relatos de historiadores gregos antigos que contam sobre a existência delas entre os anos 1500-1300 a.C.. Alguns retrocedem a 1.985 a.C. baseados em vestígios arqueológicos.

No Egito há nos quais o faraó Ramsés III (1.217 a 1.155 a.C. – estimado) teria tentado fomentar a cultura durante seu reinado, contudo sem sucesso. Manteve-se a importação do azeite para fins culinários e produção de perfumes. Vários foram os países exportadores ao Egito durante muitos séculos. Desde a Palestina e Síria, através da Cananéia, e a Andaluzia sob domínio Mouro em tempos mais modernos (700 a 1.400 d.C).

Imagens e resquícios arqueológicos indicam o uso da oliveira como ornamentação real. Na tumba de Tutankamon (1 341 a.C. — c. 1 323 a.C.) foram encontrados ornamentos e guirlandas feitas com ramos de oliveira.

O azeite também era utilizado como unguentos e como matéria prima para outros produtos, como o perfume, e preparação dos corpos dos mortos ricos e como bagagem, assim como a azeitona, para viagem pós vida.

A data do início da oleicultura no Egito é um assunto controverso. A maioria dos egiptologistas sugere que era a da agricultura intensiva foi entre o Reino Médio (2055 – 1650 a.C.) e Novo Reino (1550 – 1069 a.C.). Mais especificamente na XIX Dinastia (1295 – 1069 a.C.) , e entre as dinastias XVII – XX e durante o período Ramesside (XIII – XII a.C.).

Contudo registros arqueológicos sobre restos de oliveiras são mais antigos (Dinastia XII em Kon el Rabi’a e II Período Intermediário em Tell el Dab’a ). A sugerida data do Novo Reino para o cultivo de azeitonas continua a ser baseada em evidências lingüísticas que ainda estão abertas ao debate. A influência comercial com o Levante Síria-Palestina, onde o uso e o cultivo da oliveira foram atestadas durante a Idade do Bronze Inicial. Outras referências citam a produção de azeite de oliva desde os tempos pré-históricos.

Apesar da primeira evidência definitiva de que os egípcios cultivavam oliveiras data do período greco-romano (30 – 395 d.C.), outras pesquisa, mais recentes, descobriram evidências sugerindo que as azeitonas estavam presentes no Egito no início de 2551 – 2523 a.C.

Dentre os achados arqueológicos encontram-se prensas e artefatos para produção e armazenamento de azeite. Alguns com idade estimada de 2.000 anos a.C.

No início da Idade do Bronze (3000 a.C. – 1200 a.C.) , a crescente demanda egípcia por produtos horticulturais, especialmente uva / vinho e provavelmente azeite, estimulou o comércio desses bens.

Tradução livre de trecho do artigo de Jose M. Alba Gómez – Jaén University – Spain:

“The olive and olive oil production and trade in ancian Egypt”

Referências Bibliográficas suprimidas para viabilizar a leitura fluida:

(Meeks (1993: 5,6-8), Serpico & White (2000: 398-400), (Brun, JP, 2004: 69), (Kees, H. (1978), Manniche, L. (1989), Bietak, M. (1991),  Grandet, P. (1999), Baum, N. (1988) Tallet, P. (2002) , Peters, M. (2005: 50 – 51), Keimer (1924: 29 – 30), (Murray 2000), (Thanheiser 2004), (Ahituv, S.1996: 41-44), (Murray, Gerish, Wetterstrom, 2008: 3), (Hartung, 1994: 107-113), (MidantReynes, 2000: 54), (A. Bard, 2000: 62), (A. Bard, 2000: 73), (A. Bard, 2000: 74), (Malek, 2000: 96), (Meeks, 1993: 4), (Shaw, 2000: 318), (Taylor, 2000: 334), (Kelder, J., 2009: 339 -352), (Margaret Serpico & Raymond White, 2000: 398 – 400), (Bunson, M., 2002: 135), (Haldane, 1993: 348 – 360), (Renfrew, 1985: 188) e Deir el-Medina (Bell, 1982: 153).

  • No período Naqada (4.000-3.000 a.C), as ligações comerciais com a Palestina da Idade do Bronze Primordial com as culturas do norte são atestadas no relato da presença de cerâmicas distintas que continham produtos importados como óleos, vinhos e resinas. Foi um contato intercultural e comercial. Estabeleceu uma rede comercial entre o Egito e a Palestina no início da EBA Ia. Os egípcios estabeleceram acampamentos e estações de caminho no norte do Sinai e organizaram assentamentos no sul da Palestina. Há também evidências de contato entre a Delta e o Sudoeste da Ásia no século IV a.C.
  • Na Dinastia 0 (3200 – 3000 a.C.) e na primeira dinastia Ist (3000 – 2890 a.C.), há evidências da presença egípcia no norte do Sinai e no sul da Palestina. Encontramos cidades fortificadas no norte e no sul da Palestina datadas do período da EBA II. As olarias importadas dessas áreas sugerem o comércio organizado pelo Estado dirigido por funcionários egípcios que residem neste assentamento durante a maior parte da Dinastia Ist. Na 2ª Dinastia (2890 – 2686 a.C.), o comércio marítimo com o Líbano foi intensificado, negociando com o petróleo Durante o Reino Antigo (2286 a.C. – 2160 a.C.) o comércio ou Diplomacia é atestado pela presença. de objetos egípcios em Byblos, ao norte de Beirute, Ebla (Síria) As campanhas militares em países estrangeiros, ex-Líbia, estavam em busca de recursos para explorar. No Reino do Meio (2055 – 1650 a.C.) temos os primeiros registros paleobotânicos de pedras de oliveira (da 12ª dinastia) descobertos em Memphis, Kon el Rabi’a, que mostra a possibilidade do comércio de azeitonas, por ser um porto de importação de produtos. Na Palestina, há muito pouca evidência de que qualquer presa egípcia permanente durante o Reino do Meio. Houve contato entre o Levante e o Egeu durante a 12ª e a 13ª Dinastias, mas não sabemos se foi um controle político ou econômico. No Novo Reino (1550 – 1069 a.C.), o contato aumentou com terras e costumes estrangeiros, tornando o Egito uma sociedade cosmopolita. As pedras de oliva, folhas e madeira de oliveira se tornaram mais comuns em sítios arqueológicos no Egito daquela época. É um contato muito importante entre o Egito e o Egeu. Contato direto, diplomático (troca de presentes) ou comércio, com as Micenas durante o reinado de Tutmés III (1390 – 1352 a.C.) é atestado e também intensificado com o reinado de Akhenaton (1352 – 1336 a.C.) e provado com a cerâmica micênica arqueológica encontrada em Amarna. No período greco-romano, os registros de oliveiras são intensificados. Há muitas evidências para a produção de azeite de oliva em larga escala, como os papiros Hibeh e Zenon. E temos mais informações sobre a leitura de textos clássicos de Teofrasto, Plínio e Estrabão. O Fayum e Memphis eram evidentemente as áreas favoritas para o cultivo, e outras áreas como Tebas. Durante o período ptolomaico (332 – 30 a.C.) a produção de azeitona foi incentivada pelos gregos, e eles fizeram um centro de agricultura e agricultura agrícola intensivo no Arsinoe (antigo Faiyum), bem como no lago de Mareotis, onde encontramos o olival plantações. Nos tempos romanos o uso do azeite era muito comum, mas aparentemente menos no período ptolomaico. É possível que as azeitonas e a produção e o comércio de azeite estivessem sob o domínio dos templos e faraós, porque o azeite era um produto de luxo. Estava limitado quase exclusivamente às altas posições sociais, cujo valor era mais caro que os óleos locais. O óleo foi entregue quase exclusivamente aos templos e à casa real. Mas as pedras de azeitonas encontradas em el-Amarna, em casas de trabalhadores, são significativas para seu uso como consumo de alimentos para o outro setor da população. Como vimos antes, nem todo o azeite veio do exterior. Existem alguns registros arqueológicos que confirmam que as azeitonas foram cultivadas no antigo Egito. Mas eles também obtiveram azeitonas e azeite de outras maneiras:
  • A troca de presentes: não foi apenas uma atividade econômica, mas também de significado social, como no caso dos bens de luxo.
  • Saque militar.
  • Impostos de áreas próximas.
Figura de Torno de primitivo – Tumba em Tebas (Egito).
Lamparina
As claraboias eram pequenas lâmpadas de azeite, feitas de cerâmica onde o artesão utilizava toda a sua criatividade na decoração. Uso religiosos , inclusive.
Lâmpada mais simples, provavelmente utilizada de forma mais cotidiana

O passado é bastante controverso e muito estudo ainda encontra-se em curso, intercalado por períodos de instabilidade política.

A evolução da olivicultura no Egito

Nos finais dos anos 1970 a área dedicada a olivicultura no Egito era de apenas 2 mil hectares. Contudo passados 30 anos a área era de quase 43 mil hectares. Em 2018 o cultivo de oliveiras chegava a 97 mil Hectares com 9 mil toneladas de azeitonas de mesa produzidas.

Em 2016 o Egito possuía a 67 mil hectares dedicados a olivicultura, e a MAIOR colheita por hectare de todo o mundo: 6.729,3 quilos segundo a FAOSTAT. Para uma comparação, ainda segundo a FAOSTAT, a união europeia possuía em 2016 quase 5 milhões e 29 mil hectares com oliveiras, mas com uma produção de  2.324,0 quilos por hectare.

Wadi e Arbein no vale do Monte Sinai. Foto de RachidH

Não bastasse uma evolução de 4.750% sobre a área plantada, dos finais dos anos 1970 ao ano de 2019, o ministro da agricultura egípcio anuncio o plano de plantar 100 milhões de oliveiras e passar a ser o maior produtor de azeitonas de mesa do mundo, atualmente o segundo. Mas o aumento da produção de azeite também é uma meta com a importação de tecnologia no novo programa governamental.

Presente da Olivicultura no EGITO

Aos poucos e com muita perseverança o Egito dominou a técnica de cultivo das oliveiras, chegando a registrar 17 cultivares nacionais. Alguns já são cultivados em Israel, EUA, Tunísia, Argentina e vários outros países.

CULTIVAR IMPORTÂNCIA SINÔNIMOS PRINCIPAL VOCAÇÃO
Abou Monkar 4 Azeite
Agezzi Oshime 4 Mesa
Aggezi Shami 1 Agazy, Aggizi Shame,
Aghizi Shami, Azziezy.
Mesa
Aggezy Aks 3 Aggizi Akse Mesa
Bez el anza 4 Azeite
Cairo 7 1 Mesa
Dolce 4 Mesa/Azeite
El lewa 4 Mesa
El salam 4 Mesa
Hamed 2 Mesa
Kossiem 4 Azeite
Maraki 4 Azeite
Sebawi 4 Azeite
Sinawy 4 Azeite
Toffahi 2 Teffahi, Olivo Mela, Pomme,
Pommette, Tefahi, Tefha,
Tafahi, Titah, Tofahi,
Toffai, Toffehi, Touffahi.
Mesa
Wardan 4 Mesa/Azeite
Wateken 4 Mesa/Azeite

* Importância:

  1. Principais
  2. Secundárias, pouco cultivadas
  3. Minoritárias. Cultivadas em pequenas zonas de forma dispersa e não contínua.
  4. Especiais. Oliveiras únicas, ou poucos indivíduos, cujo objetivo pode estar ligado a Estudos, em fase de classificação. Oliveiras muito pouco conhecidas.

Premiações

A grande maioria dos olivais do Egíto são de cultivares nativos, contudo os prêmios internacionais tem sido obtidos também com cultivares estrangeiros, como no caso do Wadi Food’s Picual EVOO no New York International Olive Oil Competition –NYIOOC. Trata-se de azeite produzido com azeitonas colhidas a mão e cultivadas de forma orgânica. Ganhou a medalha de ouro em 2018 e 2019. Esse mesmo azeite já havia ganho em 2014 e 2015 o AVPA na França e em 2015 o The Best Bio Press na Alemanha.

Mantemos como referência o NYIOOC como referência, pela abrangência dos competidores, bem como demonstração das estatística de resultado de uma forma simples.

Já com um bom desempenho nas competições, o Egito se prepara para aumentar sua produção e qualidade do seu azeite, ganhando maior projeção internacional.

Onde se planta no Egito?

Principais áreas de plantio – IOC 2012

Em 2013, 4% de toda a área dedicada a agricultura era de olivais. Com passar do tempo muitas regiões acabaram tendo suas oliveiras.

As regiões de maior sucesso são as costeiras do Mediterrâneo a nordeste, em especial em Alexandria, norte do Sinai e nos oásis.

Digno do clima do mediterrâneo o Egito apresenta temperaturas entre  25⁰ a 35⁰C no verão e 7⁰ e 18⁰C no Inverno, o que é bom para as oliveiras. O problema é a baixa precipitação de chuvas que variam entre 100 e 150 mm por ano: muito baixa.

Gráfico de temperaturas e índice pluviométrico médios ao longo do ano

Observação: Durante o inverno e a noite, em alguns locais isolados, a temperatura pode eventualmente ficar próximo a zero graus Celsius.

Segundo maior produtor de azeitonas de mesa do Mundo

Hoje o Egito é o segundo maior produtor de azeitonas de mesa do mundo, o que representa algo entre 2/3 e 3/4 da produção da Espanha, maior produtora de azeite e azeitonas de mesa. A distância é grande quando comparada ao azeite. Isso se deve a falta de estrutura do país, mas segundo anúncios recentes, maio de 2019, essa situação deve mudar.

Sendo o segundo maior produtor de azeitonas do mundo, o Egito supre o mercado interno e exporta suas olivas aos mercados próximos
Com planos de aumentar sua produção de azeite, o Egito deverá aumentar suas exportações que hoje já é maior que o consumo interno

O Futuro

Em maio de 2019, o ministro da Agricultura do Egito, Ezz El Din Abu Steit, revelou o ambicioso objetivo do país de plantar 100 milhões de oliveiras no Egito até 2022.

“O foco é aumentar a produção de azeite no país, com a implantação de fábricas modernas próximas aos olivais. Para tanto o governo egípcio disponibilizou terrenos para investidores. Investidores egípcios e estrangeiros terão acesso a terrenos de até 10.000 acres (4.047 hectares) em West Minya, no Alto Egito, e 25.000 acres (10.117 hectares) em Matrouh, juntamente com terras designadas nos oásis do Deserto Ocidental. Contudo em EL Tur, Península do Sinai, os terrenos de 10.000 acres serão exclusivamente para investidores egípcios.”

Ezz El Din Abu Steit – Ministro da agricultura do Egito (2019)