Flag of Jordan
Bandeira da Jordânia

O nome oficial da Jordânia é Reino Hachemita da Jordânia ou al-Mamlakah al-ʾUrdunniyyah al-Hāšimiyyah, em árabe, etnia da maioria de sua população. Faz fronteira com a Síria, Iraque, Israel, Cisjordânia e Arábia Saudita. Está tecnicamente dentro da área considerada como berço da origem da “Olea europaea”: Ásia Menor.

Onde está a Jordânia?

Está na Ásia ocidental, banhada pelo Mar Morto e Golfo de Aqaba, possui 1.619 quilômetros de fronteiras, sendo que 26 são de costas nas “águas” citadas.

Jordan's location on the globe
Localização da Jordânia no Globo

A latitude 30º N corta o território ao Sul, quase 100 Km acima da fronteira. Ou seja: Está dentro da área do globo considerada adequada a olivicultura.

Um pouco mais sobre a Jordânia

A Jordânia possui um território de 89.342 km². Seu tamanho é menor que o estado de Indiana nos Estados Unidos, ou ainda Santa Catarina no Brasil.

Dos seus 10.069.794 habitantes (2019), 92% seguem o Islã e 6% são cristãos. A língua oficial é o Árabe e sua capital Amã.

O território da Jordânia é constituído por um árido planalto desértico no leste, irrigado por alguns oásis e pelo fluxo sazonal de água. Possui em seu relevo uma região chamada Terras Altas que atingem até 1.734 metros (Jabal Ram) acima do nível do mar. Em torno dessas Terras, já com o clima mais ameno, encontram-se solos cultiváveis e um bosque verde graças a humidade que vem do Mediterrâneo. Seu ponto mais baixo é no Mar Morto, abaixo 420 do nível médio do mar.

PETRA

Não temos como falar da Jordânia sem falar de Petra. O que isso tem a ver com oliveiras ou azeite. Nada!!! Mas é PETRA! Cidade eleita em 2007 como uma das sete Sete Maravilhas do Mundo moderno. Também foi escolhida como um dos 28 lugares a se conhecer antes de morrer pela revista “Smithsonian”.

Foi “redescoberta” em 1812 por um explorador suíço, após séculos de esquecimento. EM um poema de Jonh Burgon é citada como “uma cidade rosa e vermelha tão velha quanto o tempo”. A referência das cores vem do material no qual ela foi esculpida. Sim, ela foi esculpida para ser construída. Não somando pedra por pedra, mas tirando pedras e pedras para criar as salas, vãos, espaços…

Petra está localizada na parte sul do país, na encosta de Jebel al-Madhbah. Possivelmente trata-se do Monte Hort, retratado na bíblia como sendo local de morte e sepultamento de Aarão. Tornou-se Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1985. A data de seu estabelecimento gira em torno do ano de 312 a.C. Foi construida para ser a capital do povo nabateus: árabes nômades que estabeleceram Petra com um centro comercial devido a proximidade desta com as rotas comerciais regionais. A esse povo também era atribuída a grande habilidade em captar água em desertos áridos, além de esculpir estruturas em rocha sólidas.

Com uma história rica passando por várias fases domínios de alguns impérios, Petra acabou sucumbindo a um forte terremoto no ano de 551 (outro menor já havia afetado a cidade em 324) e ao fato de que as rotas comerciais já não passavam pelas proximidades.

Voltando as oliveiras…

Origem da cultura

A Jordânia está dentro da área conhecida com Crescente Fértil, um pouco abaixo da Ásia Menor – região de provável surgimento da espécie e início de cultivo.

Atualmente

No ano de 2000 a Jordânia tornou-se autossuficiente na produção de azeitonas e azeite, ou seja: produz tudo o que precisa e tem até alguma “folga” que gera uma balança comercial positiva.

Certamente a Jordânia atingiu esse patamar não só pelo histórico da cultura na região, mas principalmente pelo afastamento de conflitos armados. Mesmo o último confronto com Israel ocorreu de forma indireta em 1973, no que ficou conhecido como Setembro Negro, quando foram enviadas tropas a Síria para auxiliar no combate.

Buscando um caminho de paz, a Jordânia que havia invadido décadas antes o território da Cisjordânia, abriu mão de suas reinvindicações em 1988. Durante os conflitos seguintes na região, inclusive Guerra do Golfo – Invasão do Iraque, a Jordânia adotou uma postura neutra.

Oliveiras na Jordânia

A olivicultura está concentrada a oeste e a nordeste do país, dada às condições climáticas e de solo. Algumas das oliveiras mais antigas do mundo moram por lá.

arable areas and presence of olive trees
Áreas agricultáveis e presença de oliveiras

Nos últimos 10 anos a olivicultura na Jordânia se desenvolveu de forma acelerada, ganhando novos territórios, técnicas moderna forma aplicadas ao cultivo. Apenas em 2010 foram investidos 100 milhões de dinares jordanianos, algo em torno de 560 milhões de reais ou 140 milhões de dólares americanos ao câmbio de out/2019. Igual valor foi o resultado da olivicultura no país no mesmo ano.

Atualmente a oliveira é sinônimo de agricultura na Jordânia ocupando 24% da área destinada a agricultura e 77% da área coberta por árvores. É símbolo de combate ao desemprego e pobreza. O desenvolvimento do agro turismo também está em pauta. Os interessados podem participar da colheita a partir do mês de outubro.

Olive groves in Jordan and harvest area
Área dos olivais e colheita

Em 2017 o país possuía 134 lagares (usinas de produção de azeite), a maioria modernos.

O país já montou junto ao Ministério de Agricultura nacional 7 painéis de degustação, sendo que 4 já foram reconhecidos pelo COI (Conselho Oleíco Internacional / IOC (International Olive Council),do qual a Jordânia faz parte desde 2002. O COI foi fundado em 1959 e vem tendo a participação ativa da Jordânia nos acordos internacionais.

A olivicultura é um tema levado muito a sério, inclusive organizações governamentais e não-governamentais da Jordânia cooperam para melhorar o setor de oliva. O Ministério da Agricultura mantém um forte relacionamento com as organizações que trabalham neste setor, a saber, a Associação dos Proprietários de Prensas de Azeite de Oliva (OPOA) e a Associação de Exportadores de Produtos de Oliva da Jordânia (JOPEA), promovendo a Jordânia como produtora e exportadora de azeite de oliva.

Olivicultura como forma de turismo

Na cidade de Umm Qais, próxima as ruínas de Gadara, sítio arqueológico da época do império romano, surgiu uma nova atividade que vem atraindo os turistas, além da visita as ruinas romano-helênicas. Trata-se da colheita de azeitonas que ocorre a partir do mês de outubro e tem atraído não apenas estrangeiros, como a população local.

Culinária e Outros usos

Como não poderia deixar ser, os pratos jordanianos estão repletos do uso do azeite e da azeitona. Um prato tradicional é o pão mergulhado em azeite de oliva e Za’atar – mistura de especiarias árabes, como tomilho, sementes de gergelim torrado, sal e outras.

Typical Jordanian dish: Za'atar
Prato típico da culinária jordaniana: Za’atar

Outro uso, “normal”, para as oliveiras é a utilização da madeira para montagem de móveis, utensílios domésticos, joias e bijuterias. Contudo SEMPRE com árvores não produtivas.

Cultivares da Jordânia

São aproximadamente 30 variedades cultivadas na Jordânia, a maioria de dupla finalidade: Azeitona de Mesa e Azeite, mas apenas 3 autóctones (nativas), que são:

Cultivares da Jordânia

Algumas pessoas também atribuem a origem da Soury (Souri) a Jordânia, mas há dúvidas se não teria surgido no Líbano, ou em Israel, ou Grécia… Essa azeitona deve ser muito boa, todos querem ser o país de origem 🙂 !

As principais variedades cultivadas estrangeiras, além da Souri (?) são:

  • Espanholas: Gordal, Manzanilla, Arbequina e Picual.
  • Italianas: Ascolano, Frantoio e Leccino.
  • Tunisiana: Chemlali.
  • Grega: Kalamata.
  • Palestina: Barnea e K-18.

Clima

A Jordânia possui uma enorme variação climática devido as grandes variações de altitude. No geral o clima é quente e seco nos verões – temperaturas médias entre 20 e 35 graus Celsius em agosto, podendo ultrapassar os 40 graus. Nos invernos as temperaturas médias ficam entre 5 e 10 graus Celsius em Janeiro.

No verão, quando a temperatura está mais alta, podem ocorrer tempestades de areia com ventos muito fortes.

As chuvas se concentram entre os meses de novembro e março – 70% de toda precipitação. Entre os meses de junho e agosto normalmente não chove.

Produção e Consumo – Importação e Exportação

A maior parte dessa produção é consumida nacionalmente, onde o consumo médio anual é de 2,5 kg / pessoa. Qualquer produção restante é exportada para o Paquistão, Cazaquistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, entre outros.

Production and consumption of olive oil in Jordan
Produção e consumo de azeite na Jordânia
Production and consumption of olives in Jordan
Produção e consumo de azeitonas na Jordânia
Import and export of olive oil and olives
Importação e exportação de azeite e azeitona

Destino do azeite e azeitonas exportadas

Destino exportação azeite da Jordânia
Jordan olive export destination
Destino exportação azeitona da Jordânia

Concursos

Até essa publicação não haviamos localizada a participação dos azeites jordanianos em competições internacionais.

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