1. Iêmen
  2. Índia
  3. Irã
  4. Iraque
  5. Israel
  6. Japão
  7. Jordânia
  8. Líbano
  9. Líbia

Chegamos ao “meio” nossa lista. Esperamos que estejam se divertindo!

Só para lembrar: Países tradicionais na produção de azeite, como Espanha, Itália, Portugal e outros, não aparecerão na nossa listagem de lugares que “talvez você não saiba”. Contudo não significa que não terão publicação sobre a olivicultura neles. Inclusive Espanha, Portugal e Itália já tem suas publicações, assim como outros não tão tradicionais, como Chile, Argentina, China e por aí vai.

23 – IÊMEN

Onde fica o Iêmen?

O Iêmen, também conhecido como Iemen, é um país árabe que fica a sudoeste da Península da Arábia. Seu território quase no formato retangular com 1.500 Km de largura e 300 Km de altura, faz fronteira a Arábia Saudita ao norte e a leste Omã. Ao sudoeste é banhado pelo mar Vermelho e ao sul pelo golfo de Áden. Além do território continental, o Iémen inclui também algumas ilhas situadas ao largo do Corno de África, sendo a maior a ilha de Socotorá.

Possui um história conturbada, inclusive a reunificação entre os países conhecidos como Iêmen do Norte e o Sul ocorreu apenas em 1990.

Origem da cultura

Obter informações sobre a olivicultura no Iêmen é um desafio.

Sabemos que sua origem é provavelmente idêntica a da Arábia Saudita, que vizinha da região de origem trás consigo o cultivo de temos ancestrais.

De acordo com al-Bishari, funcionário do Ministério da Agricultura no Iêmen, a oliveira é encontrada no Iêmen há milhares de anos. É conhecido como (Otom) o nome de origem selvagem da árvore. Esse tipo de Oliveira foi encontrado no distrito de Otomah, na província de Dhamar.

Destacamos alguns pontos importantes

Em 2009 o governo do Iêmen definiu a produção de azeitonas como a quinta cultura mais estratégica do país, mesmo a localização do país não seja ideal – a latitude de 15⁰ N corta o país ao meio, lembrando que a faixa de latitude considerada ótima é a que fica entre 30 e 45 graus, tanto no hemisfério Norte quanto no Sul.

Em 2015 foi divulgado que o Iêmen aumentou para 65 milhões o número de oliveiras no país, e que essa iniciativa já trazia resultados positivos.

“…o Ministério planeja expandir a plantação de oliveiras para substituir o khat*. Desta forma o agricultor economizará grandes quantidades de água utilizada para irrigar o khat…”.

* O khat é uma planta angiosperma, nativa das áreas tropicais da África Oriental e da península Arábica. O khat contém o alcalóide chamado catinona, um estimulante similar à anfetamina, que causa excitação e euforia.

Árvore de khat, que consome grandes quantidades de água, ao contrário de Oliveira depende da água da chuva e podem resistir à seca. Isso ajuda na preservação das águas subterrâneas.

Onde estão as oliveiras do Iêmen?

São aproximadamente 320 fazendas de oliveiras no país com, em média, 25 ha de extensão.

No final a década de 1970 ao início da de 1980, o Ministério da Agricultura e Irrigação iniciou um projeto de expansão dos olivais no país. As oliveiras forma escolhidas pelo baixo grau de exigência água para seu cultivo, bem como o país possuir clima semelhante aso países com grandes culturas atualmente: Espanha, Tunísia, Marrocos, Itália, etc..

Atualmente (2008) possui 8.000 hectares de olivais, importados da Síria, Jordânia e do Centro Árabe para o Estudo de Áreas Áridas (ASSAD). O objetivo é que em até 20 anos essa área tenha se expandido para 25.000 hectares.

Cultivares

Não há registro de oliveiras nativas do Iêmen, ou que lá tenham se desenvolvido.

Os principais cultivares plantados no país são:

  • – Kodaire (Khodeiry): Síria – Dupla finalidade: Mesa e azeite
  • – Rosaíee: ? – ?
  • – Kaisee (Kaissy): Síria – Mesa.
  • – Nabali: Palestina – Dupla finalidade: Mesa e azeite.
  • – Picholine Marocaine: Marrocos – Dupla finalidade: Mesa e azeite.
  • – Manzanilla: Espanha – Mesa.

Produção de azeite e azeitonas

Em 2017 o Iêmen colheu aproximadamente 580 toneladas de azeitonas, que tiveram o seguinte destino:

  • Colheita de azeitonas: 580 toneladas
    • Direcionadas a produção de azeite: 530,7 toneladas.
    • Direcionas a produção de azeitonas de mesa: 49,3 toneladas.

Como resultado da extração, que rendeu em média 17% do peso de azeitonas em azeite, produziu 90,22 toneladas de azeite, sendo:

  • 49,62 Ton de azeite virgem o extra virgem.
  • 40,60 Ton de azeite comum ou lâmpante.

Com uma população de 28.250.000 de pessoas (2017), o consumo percapita de azeite e azeitona foi de 0,0032 quilograma (0,0034 litro) de azeite e 0,0017 quilograma de azeitona.

24 – ÍNDIA

Tal como a história da olivicultura, a da Índia remonta a linguagem escrita e vários sítios arqueológicos registram a presença do homem na região há mais de 5.000 anos. Ainda assim registros apontam que as oliveiras chegaram a Índia apenas no século XX. Será? Veremos a frente que talvez exista uma oliveira autóctone na Índia.

Onde fica a Índia?

A índia é mais um caso no qual o país não está dentro de uma das faixas ótimas para a olivicultura: 30° – 45° N ou S.

Apesar de ser apenas o sétimo maior país em extensão territorial do mundo, seu posicionamento geográfico lhe confere o status de subcontinente. Por consequência possui particularidades climáticas que tem se apresentado com desafio a cultura no país

Índia: Situada ao sul da Índia e leste da Arábia Saudita

Introdução das oliveiras na Índia

A introdução das oliveiras na Índia é muito recente. De forma oficial, temos:

ANO PAÍS DE ORIGEM CULTIVAR
1963, 1987 Portugal Olea europaea var. silvestris
1964 Spain Crescent olive, Lecpin, White whitlow – wort, Pin oak olive, Ver- dial, Farga, Picual, Blackish, Cornicabra, Manzanillo, Mission,
1983, 1984, 2000 EUA Sevillano, Manzanillo, Criolia, Mission, Bidhel, El Hammam, Picholine du, Anguedoc, Cucci, Adrouppa, Gaidourelia, DMOR0015, DMOR0059, DMOR00125, DMOR00137, DOLE137
1964 Filipinas Nevadillo Blanco, Corregiolla, Regalaise, languedoe, Maerocar- pa, Lucca, Attica, Dr. Fiac, Barouni, Big Spanish, Mission, Verdale, Tarascoa, Bouquittier, Manzanitto No. 2, Manzanitto No.14, Atro Rubens, Boutillon, Belle d` Espangne
1965 Chile Azepa, Ascolana, Seviliana
1968 Tunisia Chetoui, Chemlali
1969 Argentina Paraguay-580
1976 USSR No. 1351, Askolamo, Ackoiaro
1987 Grécia Kalamon, Chondralia chalkidikis, Amfissis
1996 Iran Roghany, Gloleh, Fishomi, Mari, Shangeh, Zard
2000 Israel Barnea
2008 Egíto Toffahi, Aggizi shame, Hamed, Balady, Maraki, Khouderi, Arbe- quin, Manzanillo, Picual, Koronaiki, Coratina, Frantoio, Kalama- ta, Dolce
2010 EUA Arbequina, Ascolano, Ascolano Dura, Balady, Bouquetier, Bouteillon, Dole 0090, Franklin, Frontoio, Grossa Di Spagna, Kadesh, Leccino, Manzanillo, Mission, Mission Leiva, Nevadil- lo, No. 12 Sevillano, No. 31 Sevillano, No.1 Sevillano, Piconia, Picual, Rubra, Sevillano

Muitos dos cultivares acima não sobreviveram. Outros ainda continuaram sendo cultivado de maneira tímida, conforme contaremos na publicação completa sobre a olivicultura na Índia

Atualmente

A Índia buscou como parceiro para a diversificação da agricultura interna e em especial a introdução da olivicultura, a empresa israelita Indolive.

Em Pujab, estado indiano, a empresa estatal Punjab Agro Industries Corporation (PAIC) está a frente do projeto desde 2008, sem contudo apresentar resultados positivos até 2011. Ocupar uma área de 400 acres, ou seja: 162 hectares na localidade conhecida como Ladhowal. Foram vários anos perdidos em trâmites burocráticos que afetaram inclusive a definição dos cultivares a serem utilizados no projeto.

Contudo a mesma empresa israelense no Rajasthan, outro estado indiano, vem dando continuidade a produção de azeitonas e azeite.

Consultor israelense junto a agricultores locais

O investimento até o ano de 2013 foi de 15 milhões de rúpias – moeda local – ou: USD 270,00 de cada parte. Sendo que o projeto piloto se tornou um sistema de olivicultura organizado em seis regiões do Rajasthan.

Em 2013 haviam 140.000 oliveiras plantadas no Rajasthan – Foto Atish Patel

Uma curiosidade: A população rural da Índia representa 72% do total. Por outro lado os indicadores apontam que o PIB relacionado a produção agrária é de somente 21%.

Em 2014 a Índia começou a produzir seu azeite de forma experimental em um equipamento italiano, o produzido estimado foi de 10.000 litros sob gestão da Rajasthan Olive Cultivation Limited (ROCL) e foi leiloado a uma empresa privada.

As análises iniciais indicam haver um bom futuro para a olivicultura na Índia, apesar de todas as dificuldades apontadas. Parte desse otimismo vem das importações de azeite, a maioria não extra virgem, e pelo interesse de agricultores locais na cultura para exportação deixando de lado outras tradicionais que possuem maior flutuação na procura, ou não oferecem condições de progresso nas vendas.

Produção e Consumo de Azeite e Azeitonas

Em 2017 a Índia colheu aproximadamente 4.270 toneladas de azeitonas, que tiveram o seguinte destino:

  • 3.885,7 toneladas para produção de azeite.
  • 584,3 toneladas para produção de azeitona de mesa.

Como resultado da extração, que rendeu em média 18% do peso de azeitonas em azeite, produziu 699,43 toneladas de azeite, ou ainda 756,14 mil litros de azeite, sendo:

  • 363,70 Ton de azeite virgem o extra virgem
  • 335,73Ton de azeite comum ou lâmpante.

Com uma população acima de 1,2 bilhões de pessoas (2018), o consumo percapita de azeite é depressível: abaixo de 0,001 l de azeite e 0,001 Kg de azeitona por habitante por ano, mesmo considerando as importações de azeites e azeitonas. Contudo certamente o índice aumentaria se houvesse um levantamento da população por poder aquisitivo.

Mercado

Em 2013 foram importadas pela Índia 14 mil toneladas de azeite, de olho nesse mercado a Índia previu o crescimento dos campos de oliveiras para 5.000 hectares, número que deve ter sido atingido me 2017.

É muito difícil ser obtido com segurança os números da produção indiana de azeitonas de mesa e azeite. O que sabemos é que o azeite em 2018 representava apenas 0,14% de toda gordura consumida no país. É menos de 10ml per capita por ano. Devido aos altos preços e baixo poder aquisitivo, em geral, o produto é ofertado primariamente em garrafas de 250ml ao custo entre USD 3,33 e USD 8,69.

Apesar dos dados acima, a expectativa de importação do azeite é de alta: 25.000 toneladas em 2020 e 42.000 toneladas em 2025, quando somado a produção local, chegue a quase 40ml per capita ano. Ainda muito pouco…

Área de cultivo em 2008

Oliveira nativa da Índia?

Como diria a principal personagem de Shakespeare em Hamlet: “há algo de podre no reino da Dinamarca…” Nesse caso não é no mal sentido. Mas talvez fosse melhor dizer que existe algo de podre “fora” do reino da Dinamarca (Índia). Vamos contar tudo sobre isso na publicação de OLIVEIRAS PELO MUNDO: ÍNDIA.

25 – IRÃ ou IRAN ou IRÃO

A história do Irã, ou Irão para os patrícios portugueses, remonta a mais de 2.700 antes de Cristo. Desde a civilização Elemita, passando pelos Aquemênidas, e chegando aos Persas em 899 a.C.

É um dos berços da civilização com muitas histórias, acontecimentos relacionados a ciência e letras ocorreram no atual território do Irã, que também é um dos possíveis berços da olvicultura. A primeira citação a cultura ocorre em um hino nacional com 2.000 anos.

Logo as olveiras já estavam lá quando as coisas começaram acontecer, ou ainda: começaram a ser escritas.

Alcorão cujas citações sobre as oliveiras (10), azeitonas(9) e azeite(6) estão presentes

Onde fica o Irã?

Imagem: Google Maps

Situa-se entre as latitudes 25°N e 40°N. Ótima faixa para as oliveiras.

O Irã é talvez a principal porta de entrada e saída do oriente. Sua histórica bélica é tão rica quanto a cultural e religiosa.

O Irã foi um dos primeiros país a adotarem o Islã, religião trazida em uma das invasões, dessa vez árabe (643 a 650 d.C.), pouco após a morte do profeta Maomé em Medina – Arábia Saudita em 632 d.C..

Onde estão as oliveiras do Irã?

As principais regiões são Gilan, Golestan e o Zanjan no norte. Ao sul temos: Fars e Khuzistão.

  • Já chegaram a ser mais de 150 000 hectares plantados (0,092% do total do território), tendo regredido a 88.000 devido a adversidades climáticas
  • O foco principal é a produção do fruto para ser servido a mesa. Apenas 30% da produção é direcionada a produção de azeites.
  • A colheita vai de setembro a dezembro.
  • Áreas : Gilan, Zanjan e Golestan no norte e no Khuzestan e Fars no sul.

O clima predominante é continental, com invernos frios e verões quentes e secos. No planalto, o clima é árido e a precipitação é inferior a 250 mm por ano. Teerã, no sopé das encostas meridionais das montanhas de Elburz, recebe apenas 230 mm de precipitação, enquanto a costa do Mar Cáspio recebe mais de 1 000 mm.

A terra é frequentemente cultivada em terrenos montanhosos e elevações entre 100 e 150 m acima do nível do mar e 91% de todos olivais possuem sistema de irrigação.

Canal irrigação Irã. Foto Jorge-de-André.–©-Em-Olio-Veritas

Variedades nativas registradas

Na publicação específica sobre a olivicultura no Irã, detalharemos 37 cultivares. O que lhe rende o título de 10º país com mais oliveiras autóctones. Contudo em um país com o tempo de olivicultura estimada em mais de 6.000 anos, dificilmente não possui variedades silvestres ainda não estudadas.

Produção e consumo de azeite e azeitona

Os valores de 2018 são estimados e de 2019 previstos.

A evolução do consumo do azeite aconteceu de forma acelerada até o ano de 2012, com um aumento de 266% se comparado ao consumo de 2001. Algo idêntico ocorreu entre 2004 e 2010 com as azeitonas, com aumento de 300%.

Isso não é explicado pelo aumento populacional que entre 2.000 e 2.010 teve um incremento menor que 10%, contudo a estabilização no consumo é explicada devido a condições meteorológicas adversas. Onde em 2010 eram 50.000 iniciativas de plantio, entre empresas e particulares, em 2016 o número caiu para 36.000. A área plantada passou de 150.000 hectares para algo em torno de 88.000.

Política para o futuro

Programas de melhoramento do olival estão em andamento no Irã e outros estão planejados para o futuro. Veremos quais são na publicação dedicada a olivicultura no Irã.

Conclusão

Lutei com todas minhas forças para evitar ser irreverente, mas não resisti… Hoje a maior ameaça a produção de azeite e azeitonas no Irã não é o clima, mas um furacão chamado Trump

26 – IRAQUE

Do Iraque o ocidente recebe, em grande maioria das vezes, notícias de conflitos e atrocidades. Fatos maximizados pela impressa ou que refletem a realidade?

Contudo devemos lembrar de toda contribuição do país com sua cultura, inclusive como um dos prováveis berços da cultura das oliveiras. Graças a grande resistência da espécie ainda encontra-se presente, pronta para retornar a ter sua importância na vida do país quando este estiver pronto.

Onde fica o Iraque?

Apesar de provavelmente ser um dos países de maior destaque na mídia, passamos sua localização e assim fazer justiça a sua importância histórica, não apenas na olivicultura, mas na evolução da civilização humana.

Izzedine – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0

Um pouco mais sobre o país

Possui 19 “estados”. Suas fronteiras ao norte e ao sul estão entre  37° 22′ 40″ e 28° 46′ 40″. A leste e oeste são: 38° 48′ 14″ e 48° 34′ 33″.

Sua maior elevação é de 3.923 metros acima do nível médio do mar, onde tem montanhas geladas com muita neve. Algumas regiões estão 650 metros abaixo do nível médio do mar, o que as tornam extremamente quentes.

Faz fronteira com a Turquia, Irã, Kuwait, Arábia Saudita, Jordânia e Síria, além de uma pequena faixa de litoral (apenas 58Km) no Golfo Pérsico.

Para a Olivicultura a localização do país é ótima.

Origem da cultura

O Iraque é um dos países citados onde as oliveiras surgiram. Logo está pelo país há mais de 6.000 anos.

Dentro das guerras, a batalha entre a Insanidade e as Oliveiras

Além da desolação que trazem as guerras, seu despropósito e insanidade são tão grandes que arriscam a dizimar uma cultura milenar como a das oliveiras. Sem entrar em detalhes das motivações bárbaras, ressaltamos que não apenas as oliveiras tem sido alvo do vandalismo de terroristas que tentam enfraquecer as populações locais. Plantação de grãos, árvores frutíferas e prédios relacionados a produção forma e estão sendo destruídos.

Populações que produziam seu azeite e azeitonas foram suprimidas não apenas das árvores, mais também dos meios de produção por grupos que vêm no petróleo mais vida que me uma folha de oliveira.

Antes da invasão americana em 2003, o plano de plantio do governo era de 30 milhões de árvores por todo o país. Mas a guerra aconteceu.

Em 2010, mais uma vez um plano de crescimento substancial no plantio das oliveiras foi interrompido pela guerrilha que se instaurou no norte do país.

Os ataques são através de queimadas, mas também com veneno nas raízes das oliveiras.

Foto: MEE/Tom Westcott

‘Eles queriam estragar o nosso futuro, assim como o nosso presente’

Ali Azgar Suloman, agricultor

Atualmente

A pesar de não ser indestrutível, algumas oliveiras deram prova de sua resistência aos ataques sofridos.

Após ter sido queimada em 2015, uma oliveira ressurge – Foto MEE/Tom Westcott

Em 2018 ocorreu a primeira colheita em Bashiqa, onde os terroristas queimaram de 10.000 a 20.000 árvores. Foi uma colheita excelente segundo os locais!

A maior dificuldade hoje é justamente a dependência da azeitona e azeite importados da Turquia e Síria. Falta uma decisão do governo em apoiar o crescimento do setor, talvez preocupados de um novo conflito.

Fato é que os morados de Bashiqa estão determinados a se tornarem a capital da olivicultura no Iraque.

Apoio externo

Em 2016 a Associação Al-Zaytoon, que mantinha mais de 60% das árvores plantadas e possuía na época 200 associados, entrou em contato com a USAID-Inma através do seu programa de agronegócios.

O aporte inicial do projeto foi de US$ 700.000,00 e ajudou a financiar novos equipamentos, assistência técnica e outras necessidades para o desenvolvimento da atividade. Dentro dos valores foram disponibilizadas três modernas prensas de óleo (capacidade de 1,5 mil toneladas dia cada), tanques de armazenamento de óleo em aço inoxidável, equipamentos de engarrafamento modernos, sistema de irrigação para 21.000 oliveiras, treinamento em processamento de alimentos e assistência técnica.

Com o sucesso do projeto inicial em Bashiqa, a experiência foi reproduzida em Curdistão (parte iraquiana), Salah al Din e no distrito de Tallafar da província de Ninawa.

O programa tem um horizonte de longo prazo e me parceria com os produtores locais a fim de aumentar a produção e melhorar os seus produtos gerando maior valor agregado.

Cultivares

Reconhecidos como locais são apenas 9 cultivares, mas certamente outros não catalogados e silvestres. Veremos a relação e algumas características na publicação específica de Olivicultura no Iraque.

Produção, consumo e importação de azeite e azeitona.

23 – ISRAEL

O nome do país, que também já serviu para batizar inúmeras pessoas, vem do hebraico Yisrael, que significa “aquele que luta com Deus”.

A origem do nome sugere o porquê Israel, tirando as grandes potências, é provavelmente o país que evoca mais sentimentos antagônicos ao ser mencionado.

Sua história começa, segundo a bíblia, com a chegada dos Hebreus fugidos do Egito. Após uma fuga que levou a uma peregrinação de 40 anos pelo Sinai, foi definido que Cannãa era a “terra prometida”. Uma série de batalhas conferiu ao povo Hebreu o domínio sobre a região.

Bem, as oliveiras já estavam no território antes disso tudo. Muito antes.

No território Israelense se encontram importantes locais para os muçumanos e cristãos, além dos judeus, é claro. Dentre eles o MONTE DAS OLIVEIRAS – Local da última ceia de Jesus. Local do jardim de Getsêmani, onde após vigília foi capturado pelas forças romanas.

Onde fica Israel?

O país faz fronteira com 5 países cuja o Islamismo é predominante. Ao norte o Líbano, nordeste com a Síria, a leste com a Jordânia e Cisjordânia, e a leste com o Egito e faixa de Gaza. O Golfo de Aqaba é a porção do Mediterrâneo que banha o pais a oeste. O Mar Vermelho está ao sul, o Morto a oeste e o Mar da Galileia ao norte.

Apesar de ser um país muito pequeno, contém características diversificadas dentro de seu território.

Geograficamente fica entre as latitudes 30,5º N e 33,3º N, ou seja: uma boa região para a olivicultura.

Um pouco mais sobre o país e onde estão as oliveiras

São ao todo 22.072 quilômetros quadrados. Contudo 50 % não tem condições de desenvolver agricultura, não sem um grande esforço de recurso e tempo.

As principais concentrações de oliveiras estão ao norte do país, em torno do mar da Galiléia.

Origem da cultura

As oliveiras já povoavam o território antes da chegada dos hebreus, mas foi ricamente citada na literatura destes:

Mishnah – Uma das principais obras do judaísmo rabínico. Primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.

Talmud – Coletânea de livros sagrados dos judeus. Registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo.

Tanakh – Equivalente ao Antigo Testamento cristão, porém com outra divisão.

Presente também no antigo testamento: Bem como no antigo testamento.

Ou seja: Por estar ao lado do local considerado como berço de origem das oliveiras, sua origem na região deve ser quase tão antiga quanto a própria espécie. Mais ainda do que isso: Apesar do pais não ser citado como uma das possíveis origens, o mesmo está na região da Ásia Menor que liga o continente europeu ao asiático e de uma maneira mais ampla considerada a região de aparecimento.

“uma terra de trigo e cevada, de videiras, figos e rodelas, uma terra de oliveiras e mel” (Deuteronômio 8:8).

Segundo David Eitam (arqueólogo que se especializou em indústrias antigas da Terra Santa), em livre tradução do Inglês:

Mapa de Israel na antiguidade

“A azeitona era uma grande necessidade para a existência do homem. A fruta e seu óleo eram constituintes principais da dieta. Descrições de oferendas rituais e sacrifícios na Bíblia revelam que este foi o uso mais frequente, como é indicado no Talmud e na Mishnah. A refeição individual (diária!)que mais prevalecia eram cinco diferentes menus cozidos ou não cozidos (Levítico 2:4, 5,-14; 15). Continha grão ou farinha misturada, ou manchada com óleo (proporção 3:1 Ezequiel 45, 14)…

…A primeira e única evidência conclusiva para a produção preliminar de azeite de oliveiras selvagens remonta ao período da cerâmica neolítica, o sexto milênio a.C. Uma bacia escavada em uma camada da argila no Seashore, fora do Mt. Carmel, foi encontrada cheia de caroços da azeitona e de material orgânico. Parece que o óleo foi produzido lá em um tempo antigo através de um método tradicional chamado “Shemen Rahutz” (Hebraico antigo) ou “Zeit Taphakh” (árabe palestino). Além desta evidência botânica de poços de oliva, dezenas de instalações especiais onde as rochas forma cortadas de maneira uniforme, provou a existência de produção com processo inicial, mas de difundido estágio de produção de azeite.

Atualmente

A área cultivada com oliveiras em Israel é significativa diante todas demais culturas agrícolas. A menor participação das olivas ocorreu em 2007 com um percentual de apenas 2,09% sobre a área plantada, contudo evoluindo a 4,94% em 2016 e 2,82% em 2017. Dados FAOSTAT.

Cultivares

São 28 cultivares registrados como autóctones de Israel, sendo que a “Smari” pode ter tido origem em Creta. Várias forma obtidas através de estudos para melhoria de variedades locais e outras com base em plantas de origem externa. A realção está na publicação completa de Olivicultura pelo mundo: Israel.

Além das variedades nativas, são cultivadas em Israel, dentre outras:

Coratina, Picual, Picholine, Barnea, Arbequina e Koroneiki

Produção e Consumo – Importação e Exportação

Observação: As exportações atuais de azeite e azeitonas são desprezíveis

Israel mantém uma taxa de crescimento populacional média de 1,57% nos últimos 5 anos, menor que dos países vizinhos em tempos de paz. Para obter autossuficiência o volume da produção deverá aumentar significativamente nos próximos anos na produção de azeite quanto de azeitonas de mesa.

24 – JAPÃO

Como associar as duas ideias: Japão e Oliveira. Difícil! Mas não apenas para quem está distante. Muitos orientais e até japoneses não sabem que o Japão produz azeitona de mesa e azeite…

Shodoshima é, depois Awaji-shima, a maior ilha do mar interior no Japão. Também é a 19º maior ilha do Japão. Shodoshima tem uma área de 153,3 km² e uma costa marítima de 126 km e uma população fixa de 30 000 moradores (2018).

Onde fica o Japão – Shodoshima?

O Japão está entre latitudes ideais para a olivicultura, que fica entre 30º e 45º, quer seja norte ou sul.

Origem da cultura no Japão

Um pouco antes do término do período “Edo”, em 1861, um médico do Shogum (Seii Taixogum – Comandante do exército) teve a oportunidade de conhecer a medicina ocidental. Este sugeriu no Japão que o azeite fosse utilizado de forma terapêutica. Assim foram importadas oliveiras da França, que plantas nas proximidades de Tóquio, não se adaptaram e acabaram abandonadas. Nunca deram azeitonas.

Uma nova tentativa somente foi realizada em 1874 durante o período Meiji, com um Japão um pouco mais aberto. O fundador da Cruz Vermelha no Japão, transportou mudas da Itália e Grécia para Tóquio e para uma região a 500 Km ao sul de Tóquio. As plantadas próximo a capital mais uma vez não floresceram. Contudo as mais ao sul produziram as primeiras azeitonas do Japão.

Impulsos e retrocessos das Guerras

Em 1905, após a guerra Sino-Russa, o império Chinês aumentou suas fronteiras de pesca e necessidade de conservação dos frutos do mar obtidos. O custo do azeite importado da Europa inviabilizava essa operação, logo o Japão volta-se as experiências realizadas no passado.

Estudos e experiências realizadas indicaram Shodoshina como a melhor opção. Ou seja: a “indústria da Olivicultura” no Japão tem mais de um século de existência.

Com a segunda Guerra Mundial o Japão foi alvo de um plano de reconstrução e também ocorreu uma maior abertura para o ocidente. Através de acordos internacionais com grandes produtores, obtinha azeite importado a preços baixos. Contudo no início do século XXI, as instabilidades políticas mundiais e crises econômicas, aumentaram o valor do azeite para importação, o que fez com que o Japão voltasse mais uma vez ao aumento da produção interna e melhoria da qualidade.

Shodoshima é um local adequado a produção de azeitona, com o seu nível uniforme de sol, bom ar e baixa pluviosidade.

Atualmente

Hoje a ilha de Shodoshima abriga não apenas um “parque temático”, mas toda uma estrutura de pesquisa onde todos os aspectos da cultura, desde a criação de novos cultivares a colheita, passando por tratamento de doenças, estudo do solo e poda, são tratados.

Moinho de vento – Modelo Grego

Os esforços dos produtores de azeite do Japão foram reconhecidos com o prêmio de Melhor Azeite Monovarietal do Hemisfério Norte no NYOOC (Competição de azeites de Nova York) – 2015.

Vencedor do prêmio NYIOOC Best in Class – 2015: Takao Nouen no Olive Hatake. A embalagem apela ao gosto japonês por objetos pequenos. O Takao Nouen no Olive Hatake é vendido em garrafas de 70 ml. Talvez mais apropriadas a perfumes, em um vista ocidental. Muitos outros prêmios foram obtidos pelos azeites japoneses.

Cultivares

O Japão já possui registrados dois cultivares, a saber:

  • Kan-lan (Olive Chinoise), referência a variedade aparece em torno de Tóquio.
  • Mission Nain, referência a variedade aparece em En Kagawa – bacia no centro sul do país.

Ambos cultivares com baixo grau de importância. São destinados a produção de azeite e resultantes de experiências para melhorias das características de produção. Outras variedades com certeza surgiram das pesquisas no s próximos anos.

Os cultivares mais plantados na ilha são: Missão (EUA –Mesa/Azeite), Manzanillo (ESP – Mesa), Nevadillo Blanco d Jaén (ESP – Azeite) e Lucca (EUA – Azeite)

PRODUÇÃO – IMPORTAÇÃO – CONSUMO

As quantidades de azeite e azeitonas produzidas no Japão são muito pequenas.

Abaixo duas visões quanto ao mercado de azeite e de azeitona. Destacamos dois pontos a fim de justificar a coincidência do s valores apontados por ano. O primeiro é de que o consumo é praticamente todo de produtos importados. O segundo é que devido a estabilidade no número de habitantes (de 2010 a 2019 a redução prevista é de 1,7 milhões de pessoas) os valores percapita acabam acompanhando as mesmas curvas de consumo total.

25 – JORDÂNIA

O nome oficial da Jordânia é Reino Hachemita da Jordânia ou al-Mamlakah al-ʾUrdunniyyah al-Hāšimiyyah, em árabe. Sua populaçãoé eminentemente árabe. Fazendo fronteira com a Síria, Iraque, Israel, Cisjordânia e Arábia Saudita, está tecnicamente dentro da área considerada como berço da origem da “Olea europaea”.

Onde está a Jordânia

Está na Ásia ocidental, banhada pelo Mar Morto e Golfo de Aqaba, possui 1.619 quilômetros de fronteiras, sendo que 26 são de costas nas “águas” citadas

A latitude 30ºN corta o território quase a 100 norte do seu limite mais ao Sul. Ou seja: Está dentro da área do globo considerada adequada a olivicultura.

Um pouco mais sobre a Jordânia

A Jordânia possui um território de 89.342 km². Seu tamanho é menor que o estado de Indiana nos Estados Unidos, ou ainda Santa Catarina no Brasil.

De seus 10.069.794 habitantes previstos para 2019, 92% seguem o Islã e 6% são cristãos. A língua oficial é o Árabe e sua capital Amã. O território da Jordânia é constituído por um árido planalto desértico no leste, irrigado por alguns oásis e pelo fluxo sazonal de água. Possui em seu relevo uma região chamada Terras Altas que atingem até 1.734 metros (Jabal Ram) acima do nível do mar. Em torno dessas Terras, já com o clima mais ameno, encontram-se solos cultiváveis e um bosque verde graças a humidade que vem do Mediterrâneo. Seu ponto mais baixo é no Mar Morto, abaixo 420 do nível médio do mar.

Origem da cultura

A Jordânia está dentro da área conhecida com Crescente Fértil, um pouco abaixo da Ásia Menor – região de provável surgimento da espécie e início de cultivo.

Crescente Fértil com a Anatólia (Ásia Menor) logo acima
Ásia Menor

Cientificamente falando, uma equipe franco-jordaniana observou indícios de povoamento por oliveiras no sul da Jordânia, na região de Wadi Rum, desde 5.400 a.C. Fica a dúvida se não há vestígios perdidos para sempre ou ainda não encontrados. Entendemos que a oliveira na Jordania tem uma história tão longa quanto o surgimento da espécie.

Atualmente

No ano de 2000 a Jordânia tornou-se autossuficiente na produção de azeitonas e azeite, ou seja: produz tudo o que precisa e tem até alguma “folga” que gera uma balança comercial positiva.

Certamente a Jordânia atingiu esse patamar não só pelo histórico da cultura na região, mas principalmente pelo afastamento de conflitos armados. Mesmo o último confronto com Israel ocorreu de forma indireta em 1973, no que ficou conhecido como Setembro Negro, quando foram enviadas tropas a Síria para auxiliar no combate.

Buscando um caminho de paz, a Jordânia que havia invadido décadas antes o território da Cisjordânia, abriu mão de suas reinvindicações em 1988. Durante os conflitos seguintes na região, inclusive Guerra do Golfo – Invasão do Iraque, a Jordânia adotou uma postura neutra.

Oliveiras na Jordânia

A olivicultura está concentrada a oeste e a nordeste do país, dada às condições climáticas e de solo. Algumas das oliveiras mais antigas do mundo moram por lá.

Nos últimos 10 anos a olivicultura na Jordânia se desenvolveu de forma acelerada, ganhando novos territórios, técnicas moderna forma aplicadas ao cultivo. Apenas em 2010 foram investidos 100 milhões de dinares jordanianos, algo em torno de 560 milhões de reais ou 140 milhões de dólares americanos ao câmbio de out/2019. Igual valor foi o resultado da olivicultura no país no mesmo ano.

Cultivares

São aproximadamente 30 variedades cultivadas na Jordânia, a maioria de dupla finalidade: Azeitona de Mesa e Azeite, mas apenas 3 autóctones (nativas).

Clima

A Jordânia possui uma enorme variação climática devido as grandes variações de altitude. No geral o clima é quente e seco nos verões – temperaturas médias entre 20 e 35 graus Celsius em agosto, podendo ultrapassar os 40 graus. Nos invernos as temperaturas médias ficam entre 5 e 10 graus Celsius em Janeiro.

No verão, quando a temperatura está mais alta, podem ocorrer tempestades de areia com ventos muito fortes. As chuvas se concentram entre os meses de novembro e março – 70% de toda precipitação. Entre os meses de junho e agosto normalmente não chove.

Produção e Consumo – Importação e Exportação

A maior parte dessa produção é consumida nacionalmente, onde o consumo médio anual é de 2,5 kg / pessoa. Qualquer produção restante é exportada para o Paquistão, Cazaquistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, entre outros.

CONCURSOS

Ainda não localizamos a participação dos azeites jordanianos em competições internacionais.

26 – LÍBANO

República do Líbano (em árabe: اَلْجُمْهُورِيَّة اَللُّبْنَانِيَّة Al-Jumhūrīyah Al-Loubnānīyah, pronunciado: elˈʒʊmhuːɾɪjje l.ˈlɪbneːnɪjje).

O Líbano se encontra dentro dos limites do Crescente Fértil, e logo abaixo da Ásia Menor, berço do cultivo da oliveira há cerca de seis mil anos. Uma hipótese defende que a azeitona foi cultivada pela primeira vez na costa do Líbano e Palestina através da domesticação da espécie, criando a Olea europaea, contudo a silvestre (Sativa) ainda é cultivada até hoje.

Um pouco mais sobre o país

Os primeiros indícios de civilização no Líbano datam de 5.000 a.C. . Neste país, junto a Síria, surgiu um dos povos que mais difundiram as Oliveiras pelo Mediterrâneo: Os FENÍCIOS. Uma cultura marítima / mercantil que floresceu durante quase 2.500 anos (3000-539 a.C.).

Nau Fenícia
By Sven Nilsson (1787–1883) – Fenisiska Kolonier i Scandinavien (1875), Public Domain

Os fenícios também fundaram Cartago, a maior rival de Roma na Antiguidade. No século I a.C., o Líbano passou a fazer parte do Império Romano e, em seguida do Império Bizantino (Fenícia romana), época em que o cristianismo se espalhou pela região. A conquista árabe do século VII introduziu a atual língua do país, o árabe, bem como a religião islâmica. Durante a Idade Média o território que hoje é o Líbano esteve envolvido nas cruzadas quando então foi disputado pelo Ocidente cristão e pelos árabes muçulmanos. No século XII, o sul do Líbano foi integrado ao Reino Latino de Jerusalém.

Com o fim do Império Otomano, após a Primeira Guerra Mundial, as cinco províncias que compõem o Líbano moderno ficaram sob mandato da França.

O país ganhou a independência em 1943, e as tropas francesas se retiraram em 1946.

A Guerra Civil Libanesa (1975-1990) interrompeu um período de prosperidade que levou o Líbano a ser conhecido como a “Suiça do Oriente”.

Um enorme esforço de reconstrução começou logo após o final da Guerra Civil, e mais uma vez, em julho de 2006 uma nova guerra atrapalhou a vida no país.

Onde fica o Líbano e suas olvieiras

O Líbano é um país do oeste asiático. Banhado pelo Mediterrâneo em sua costa mais a leste. Ao Norte e Leste está a Síria. Ao sul Israel e a oeste está a Ilha de Chipre.

Sua ocupação restringe-se aos paralelos de latitude 30ºN (ou pouco acima) e 35ºN (pouco abaixo). Logo dentro da “faixa ótima” para olivicultura.

As oliveiras estão ao longo do litoral, a oeste do país, antes da cadeia de montanha que se ergue mais ou menos no meio do território no sentido vertical. Ao sul entra peço território próximo a fronteira com a Síria.

Geografia e Clima

O território do Líbano percorre de maneira alongada o litoral leste do Mar Mediterrâneo, tendo um comprimento quase três vezes igual à sua largura. Enquanto se estica de norte a sul, a largura do território torna-se mais estreita. O território do país é de área total 10.452 km², sendo 10.280 km² terrestre e 170 km² de mar territorial. O litoral possui 225 km de litoral ao longo do mar Mediterrâneo.

O clima é do tipo mediterrâneo moderado, com Verões quentes e secos e Invernos frios e chuvosos. A pluviosidade é maior nas áreas montanhosas e no Vale do Bekaa do que na costa. Nas montanhas do Monte-Líbano cai neve que permanece nos cumes até ao começo do Verão.

O Rio Litani é o único grande rio do Sudoeste Asiático que não cruza uma fronteira internacional. Alguns dos acordos internacionais que Líbano assinou incluem o da biodiversidade, da mudança climática, desertificação, resíduos tóxicos, lei do mar, proteção da camada de ozônio, poluição marítima, etc.

Origem da cultura das oliveiras

As oliveiras no Líbano são tão antigas, quase, quanto a ocupação humana. Está ao lado da região de origem e participou de sua domesticação.

Cultivares

São registrados apenas 5 cultivares autóctones. Considerando a localização do Líbano, certamente existem cultivares ainda não identificados, ou ainda extintos ao longo dos séculos. São eles: Ayrouni, Chatawi, Smoukmoki, Sorani e Soury

Além dos cultivares nativos, ainda estão presentes nos olivais do Líbano outras cultivares oriundos, principlamente, de Israel e Palestina.

Atualmente

Em 2017 havia 62.263 ha de oliveiras no Líbano, o que representava 5,957% de todo o território do país. Isso representou um crescimento de 3,52% em dois anos.

Essa área é dividida, aproximadamente, entre 200.000 fazendas. Esse número elevado deve-se ao tamanho da maioria delas. DO totla 93% ocupa 1 ha (10.000 m²) ou menos.

Os olivais são compostos, na maioria, por “velhas senhoras”: Oliveiras na maioria com mais de 150 anos, logo o modelo principal de plantio é o tradicional, de sequeiro e com um compasso em torno de 7 X 7 metros, chegando a 8,5 x 8,5. Logo com 150 até 180 árvores por hectare. Não seria um problema se muitas árvores não tivessem sofrido direta ou indiretamente os efeitos dos conflitos nos quais o Líbano esteve envolvido.

Para a variedade Soury, a principal do país, são dedicados 11.000 hectares com o cultivo de 2.000.000 árvores (2018). A Soury é especialmente popular no Norte (Khoura, Zghorta, Tripoli, Akkar e Monte Líbano), Samakmaki, Airouni, Baladi , Chami, Edlebis e Uslu. As azeitonas representam 22% de toda produção agrária do país.

Do total da produção, 80% é destinada a produção de azeite, ficando 20% para produção de azeitonas e mesa. A produção de azeite ocorre em um dos 400 lagares existentes, dos quais apenas 100 são modernos, com extração por centrífuga (2018).

Produção e Consumo – Importação e exportação

Curiosidade

Existe na ilha de Creta – Grécia – uma oliveira que pode ser considerada uma peça viva da antiguidade.

Com idade aproximada entre 3.000 a 5.000 anos, a oliveira conhecida como ‘Vouves Olive Tree’, ainda produz azeitonas.

No Líbano, não apenas uma, mas duas oliveiras concorrem em mesma faixa de idade. São conhecidas como ‘The Sisters’ (as irmãs). De suas azeitonas é produzido um azeite extra virgem premiado, com polifenóis extremamente elevados e níveis de acidez entre 0,18 e 0,24. O sabor é descrito como pimenta intensa, frutada e média, com uma paleta de grama fresca; amanteigado com notas de amêndoa e noz.

Vouves de Creta e Duas das 16 “irmãs” do Líbano

Concursos

O azeite é uma das marcas da culinária tradicional libanesa, uma das mais famosas do mundo, e está presente na maioria dos pratos.

Mantendo nossa análise de referência como NYOOC (New York Olive Oil Competition), observamos que o Líbano vem evoluindo em participação e resultados.

27 – LÍBIA

 A Líbia é um país africano com uma longa costa para o mar Mediterrâneo. Décimo sétimo maior país do mundo com 1.759.540 quilômetros quadrados de território.

O país é dividido em três grandes partes: Tripolitânia, a Fazânia e a Cirenaica.

A maior cidade e capital, Trípoli, é o lar de 1,7 milhão dos 6,4 milhões de habitantes.

Onde está a Líbia

A Líbia está localizada na região conhecida como Magrebe, no Norte – Noroeste da África.

Faz fronteira com o Egito a leste, com o Sudão a sudoeste, com o Chade e o Níger ao sul e com a Argélia e a Tunísia ao oeste. Ao norte é banhada pelo Mediterrâneo.

Magrebe e Líbia
Localização Magrebe e Líbia

Um pouco mais sobre a Líbia

Como quase todos os países da região, devido ao seu tempo de história e localização estratégica no “mundo antigo”, o território já teve sobre a influência de diversos povos e países.

Os primeiros assentamentos tiveram início com uma mistura diversa de povos, como por exemplo fenícios, romanos e os turcos. Contudo os primeiros povos foram os árabes e nômades berberes que se concentraram na costa e oásis.

Oásis na Líbia

Em 2012 o país tinha o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da África e o quinto maior produto interno bruto (PIB).

A Líbia tem a 10ª maior reserva comprovada de petróleo do mundo e a 17.ª maior produção petrolífera.

Origem da cultura

Assim como na Tunísia, Egito e outros países do Mediterrâneo – os grandes difundidores da cultura da oliveira na Líbia foram os gregos e os fenícios. Os primeiros registros históricos da Líbia vêm da civilização fenícia que se estabeleceram e provavelmente no território e foram os responsáveis pela importação da cultura.

Pesquisas arqueológicas apontam que no quarto milênio a.C. já ocorria extração de azeite  no Líbano, Chipre e Creta Creta por volta de 3500 a.C. Em torno de 1.700 a.C ocorreu uma evolução na técnica de extração. As primeiras “prensas” de árvores apareceram em Ugarit (atualmente Ras Shamra, na Síria).

Atualmente

A Líbia vem reduzindo sua dependência do azeite e azeitonas importados. Sendo que na última década a importação de azeite foi desprezível, mas ainda em 1980 foram importadas 50.000 toneladas de azeite.

Essa redução também possui outra face. Em 2017 a exportação de azeite, azeitonas e outros produtos como mel, foram proibidas pelo governo Libanês, pois teriam sido danosas a economia e população. Para abastecer o mercado o país teve de importar os produtos a um custo muito mais alto, devido a desvalorização do Dinar. Alguns produtores se opões a essa decisão, pois alegam que há produto suficiente para a demanda interna e exportação. (Info “Arab News de 01º de novembro de 2019 – https://www.arabnews.com/economy).

Crianças manipulando azeitonas
Crianças com azeitonas colhidas – Cidade Tarhuna – 80 km sul Trípoli – 11-nov-2018 – Foto AFP

Algumas iniciativas estrangeiras têm aplicado técnicas de plantio intensivo e superintensivo com irrigação, onde o número de árvores por hectare varia entre 460 e 833 árvores. Nessas plantações as variedades mais utilizadas, a exemplo das plantações com essas características na Europa e Tunísia, são a Picual, Arbequina, Arbosana e Sikitita (?).

Dos 2.150.000 hectares destinados a agricultura, a Líbia destina aproximadamente 13% de seu território a olivicultura. São aproximadamente 18.000 olivais com área média de 6 ha cada. No caso dos olivais intensivos e superintensivo o tamanho varia entre 100 e 1.000 hectares.

Oliveiras na Líbia

A olivicultura está concentrada principalmente ao longo do litoral do Mediterrâneo ao Norte e a Oeste, próximo às fronteiras com o Sudão e o Chade.

Oliveiras na Líbia
Localização da olivicultura na Líbia

CULTIVARES

A Líbia possui registradas 9 variedades autóctones: Azizia, Farkuti, Fraun, Gnani, Hammudi, Marrari, Mbuti, Raghiani e Rasli

Mais detalhes em nossa publicação específica para a Líbia.

As variedades mais cultivadas nos olivais tradicionais são:

Tabelout, Adceradj, Chemlal de Kabilie, Frantoio, Moraiolo, Picholine Marocaine e Sigoise.

Clima

Existem dois climas predominantes na Líbia: Mediterrâneo e do Deserto. O litoral com seu clima é quente, temperatura média de 30° C, e seco no verão. Suave e chuvoso no inverno, com temperaturas que podem chegar a 8ºC.

Para o interior o clima é semiárido nos platôs / zonas intermediárias e desértico do centro para o sul, onde localiza-se o deserto do Saara.

Produção e Consumo de Azeite e Azeitona

A passos lentos e com a "estabilidade" interna, a Líbia busca o aumento na produção de azeite e azeitonas.

Concursos

Ainda não localizamos a participação dos azeites da Líbia em competições internacionais.

AGORA SÓ FALTAM 17…

Com andamento de nossas pesquisas, estamos encontrando mais países produtores. Talvez lancemos uma publicação: “Os países que produzem azeite – Lista complementar”. Alguma sugestão para o nome?

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