Somente quem busca conhecer, mesmo que de forma curiosa leve, o mundo dos fungos, tem uma ideia da enormidade, complexidade e importância desses “recém” classificados seres vivos. Variam de unicelulares a pluricelulares, parasitas a simbióticos, benfeitores a causadores de patologias severas. Entram na elaboração de alimentos e de remédios. Ajudam a sobrevivência de várias espécies de plantas, e por aí vai…

Mushroom

Então, quando passarmos por um cogumelo na rua, ou repararmos em um bolor no pão, podemos lembrar que se trata de um dos reinos de seres vivos mais extensos e importantes, inclusive para as oliveiras.

Mais um último detalhe: os Basidiomicetos, cogumelos, possuem um código genético mais próximo aos humanos que os vegetais.

Por que publicar sobre fungos na Olivapedia?

Agentes causadores de doenças nas oliveirasApesar de algumas espécies serem benéficas as oliveiras (Zigomicetos), outros são parasitas extremamente difíceis de combater com severos danos ao olival.

Esta publicação atende como um complemento necessário a série de publicações sobre Doenças das Oliveiras iniciada com a publicação Doenças das oliveiras – Visão geral – OLIVAPEDIA.

Posteriormente avaliaremos uma publicação sobre “O que são bactérias” e “O que são vírus”. Os insetos trataremos apenas individual como já foi feito com Doenças e Pragas – Parte I: Formiga cortadeira – OLIVAPEDIA.

Por que começamos com os fungos? Dos agentes causadores de doença às oliveiras, os fungos representam o maior número de possibilidades.

Major pathogens for olive trees
Maiores patógenos para oliveiras

Acima contabilizamos os 36 fatores de maior relevância que prejudicam o desenvolvimento das oliveiras e sua produção, a saber:

List of pathogens by type
Lista de agentes patógenos por tipo

Além disso…

Algumas das doenças mais importantes e difíceis de serem tratadas tem origem nos fungos.

O que são os fungos

Os fungos já foram classificados como vegetais e também como protistas (protista), contudo após uma avaliação taxonômica (taxonomia) foi criado um reino somente para os mesmos, o reino Fungi. Isso deveu-se a características distintas dos outros reinos e o agrupamento em uma filogenia distinta.

Os seres vivos desse reino habitam quase todos os ambientes terrestres, meios aquáticos, outros seres (vivos ou mortos), com grande variedade de forma e tamanho.

Uma de suas principais características é que não produzem, não sintetizam seu próprio alimento, ou seja: são heterotróficos. Outra característica é de que possuem núcleo celular, ou seja: os elementos responsáveis por atividades celulares como a reprodução não estão espalhados pela célula, está no Domínio Eukaria (eucarioto). Essa é uma grande diferença com relação aos seres Procariontes cujos representantes estão no Domínio Archaea e Bacteria.

Junto com as bactérias, são decompositores.

Eukaryote x Prokaryote - Greater complexity of the eukaryotic cell - Imagem Mundo Educação
Eucarionte x Procarionte – Maior complexidade da célula eucarionte – Imagem Mundo Educação

História

Aristóteles, filósofo da Grécia antiga que viveu entre 384 a.C. a 322 a.C., gerou o primeiro registro desses seres vivos. Na época, em uma classificação ainda primitiva, enquadrou os fungos no Reino Plantae junto com demais formas de vidas vegetais. Os outros seres vivos pertenciam ao Reino Animalia.

Curiosidade: O fóssil mais antigo de fungo data de 460 milhões de anos. A estimativa que estejam na Terra a 1 bilhão de anos.

Tradução livre de trecho publicado no site http://www.davidmoore.org.uk/

O reino dos fungos é agora reconhecido como um dos maiores e mais antigos clados de organismos vivos da Terra. Reino Fungi é um grupo monofilético que divergiu de um ancestral comum com os animais cerca de 800 a 900 milhões de anos atrás. Continuamos a seguir o esquema de classificação filogenética sugerido por Hibbett et al.(2007), pois esta parece ser uma estrutura filogenética bem corroborada, mas modificada de acordo com McLaughlin et al.(2009), Jones et al.(2011), Powell & Letcher (2014), Spatafora et al.(2016) e McCarthy & Fitzpatrick (2017).

21st Century Guide to Fungi, SEGUNDA EDIÇÃO, por David Moore, Geoffrey D. Robson e Anthony PJ Trinci

Ainda em tradução livre de trecho do site de “davidmoore”

…por volta de meados do século 20, os três principais reinos de eucariotos foram finalmente reconhecidos. Uma das diferenças cruciais de caráter foi o modo de nutrição:

Os animais engolem.

As plantas fazem fotossíntese.

Os fungos absorvem nutrientes digeridos externamente.

A estas podem ser adicionadas muitas outras diferenças. Por exemplo: em suas membranas celulares os animais usam colesterol, os fungos usam ergosterol; em suas paredes celulares, as plantas usam celulose (um polímero de glicose), os fungos usam quitina (um polímero de glucosamina); pesquisas genômicas recentes mostram que os genomas das plantas carecem de sequências de genes que são cruciais no desenvolvimento animal e vice-versa, e os genomas de fungos não têm nenhuma das sequências que são importantes no controle do desenvolvimento multicelular em animais ou plantas. Este último ponto implica que animais, plantas e fungos se separaram em um grau de organização unicelular.

“21st Century Guide to Fungi, SEGUNDA EDIÇÃO, por David Moore, Geoffrey D. Robson e Anthony PJ Trinci”

O dia a dia dos fungos

Além de serem importantes como decompositores, na indústria alimentícia e de bebidas, os fungos também são muito importantes na indústria farmacêutica, na produção de antibióticos como a penicilina, descoberta por Alexander Fleming no ano de 1929, que é amplamente empregada nos dias atuais.

Penicillium - Penicillin-producing fungus
Penicelium – Fungo produtor da penicilina
  • A penicilina foi o primeiro antibiótico descoberto por Fleming em 1929, a sua substância é produzida pelo fungo Penicillium;
  • Algumas espécies de são comestíveis, popularmente conhecidas como Shitake (Lentinula edodes), Shimeji (Pleurotus ostreatus), Champignon (Agaricus bisporus), entre outros. Algumas outras espécies são tóxicas, como o Aspergillus flavus, podendo ser encontradas na produção de milho, nozes e amendoim, por exemplo. Essa espécie libera a substância aflatoxina, que pode provocar câncer no fígado;
  • A levedura Saccharomyces cerevisiae é bastante utilizada como fermento biológico, pois, na fermentação, ela libera dióxido de carbono na presença do açúcar, fazendo a massa do pão crescer. Esse fungo também é bastante empregado na produção de bebidas alcoólicas durante o processo de fermentação.

Abaixo uma visão geral das intereções dos fungos

Fungal interaction with the environment
Interação fungos com meio ambiente

Quantos fungos existem?

São aproximadamente 100.000 espécies de fungos registrados, mas estima-se que esse número possa chegar a 3,8 milhões de espécies.

Observação: No Brasil em 2018 estavam catalogados 3.608 fungos, sendo 523 endêmicos. No total cogita-se a existência de 13.800 fungos existentes no Brasil. Considerando a estimativa total de 3,8 Mi, devem ser muitos mais no Brasil…

Classificação dos fungos.

Até pouco tempo alguns seres vivos que eram registrados como fungos, deixaram de ser, considerando estudos morfológicos e de DNA. Ainda assim muitas fontes tratam os “ex-fungos” como “Fungos latus sensus”.

Stricto senso – Fungos verdadeiros.

Latus senso – Fungos falsos.

Categorias reino vegetal

A diferença entre os de stricto e latus senso está em uma divisão (rearranjo taxonômico) que ocorreu na década de 1990 por conta de pertencerem a filogenias diferentes. Ou seja: Estavam em ramos diferentes da classificação taxonômica.

Com mais detalhes transcrevemos Trecho da dissertação para mestrado “OCORRÊNCIA E DIVERSIDADE DE Pythium E Phytophthora EM FONTES DE ÁGUA UTILIZADA PARA IRRIGAÇÃO NA REGIÃO DO DISTRITO FEDERALda Mestre em Fitopatologia Elenice Alves Barboza em 2014. No trecho transcrito da dissertação, explica em detalhes, como exemplo, a saída do Oomycetes do Reino dos fungos.

Até a década de 90, o Reino Fungi agrupava todos os organismos conhecidos como fungos, porém a classificação filogenética e a condição polifilética das espécies corroboraram com a separação em três Reinos distintos: Fungi, Chromista e Protista. Desta forma, os membros da Classe Oomycetes¸ anteriormente conhecidos como fungos zoósporicos, ou water molds (mofos aquáticos), foram situados fora do Reino Fungi e agrupados no Reino Chromista, juntamente com algas marrons e diatomáceas. Dentro do Reino Fungi foram incluídos apenas os denominados fungos verdadeiros que são microrganismos relacionados filogeneticamente (Alexopoulos et al., 1996; Cavalier- Smith, 1998; Kirk et al., 2008; Fry & Grünwald, 2010). Assim como os fungos verdadeiros, os oomicetos apresentam crescimento micelial, nutrição por absorção e reprodução via esporos (Fry & Grünwald, 2010). No entanto, diversas características estruturais e bioquímicas reforçaram essa reclassificação dos oomicetos em um Reino distinto, tais como: composição da parede celular, constituída de celulose e β glucanas, e não de quitina, componente principal da parede celular fúngica; presença de hifas asseptadas, formando um micélio cenocítico e cristas mitocondriais tubulares. Na reprodução assexual são formados zoósporos diploides e biflagelados, com um flagelo liso e mais curto, do tipo chicote, e outro do tipo “tinsel” com mastigonemas. O talo assimilativo também se apresenta na condição diploide (Alexopoulos, 1996; Amorim et al., 2011).

Elenice Alves Barboza

Filos e Classes principais de Fungos

Antes de “descermos” no Reino do Fungos, abaixo uma visão simplificada de onde encontra-se esse reino.

Filogenia Mastigada 1: Princípios de Filogenia e conceitos básicos |  Evolucionismo
Domínios da vida

Vide: Arquea (Archaea) e Eucarionto (Eukaria).

Até os anos 1990 os fungos verdadeiros, ou Strict senso, ou ainda Eumycota é conhecido como o Reino-Fungi, era um reino monofilético com dez Filos:

  • Cryptomycota;
  • Microsporídios;
  • Chytridiomycota;
  • Monoblefaridomicota;
  • Neocallimastigomycota;
  • Blastocladiomycota;
  • Zoopagomycota (compreende os subfilos Entomophthoromycotina, Kickxellomycotina e Zoopagomycotina);
  • Mucoromycota (compreende os subfilos Glomeromycotina, Mortierellomycotina e Mucoromycotina);
  • Ascomycota (cerca de 65.000 espécies em 6.400 gêneros) – / Sub-reino Dikarya (Hibbett et al. 2007).
  • Basidiomycota (cerca de 32.000 espécies em 1.600 gêneros) / Sub-reino Dikarya (Hibbett et al. 2007).
Imagem: http://www.davidmoore.org.uk/

Após o reposicionamento visando a filogenia, restaram 5, ou 4, filos*:

* A classificação das espécies vivas ainda é dinâmica, quer seja por sua extensão, complexidade, quer seja por avanços tecnológicos “recentes” como o mapeamento do DNA. O consenso dentre os pesquisadores também deve ser obtido, minimizando o risco de classificações equivocadas no passado.

  • Quitrídeos (Chytridiomycota, quitridiomicetos ou quitrídios), com as ordens: Blastocladiales, Chytridiales, Monoblepharidales, etc.;
  • Glomeromycota**, com as ordens: Diversisporales (Acaulosporaceae, Diversisporaceae, Entrophosporaceae, Pacisporaceae, Gigasporaceae, Scutellosporaceae, Racocetraceae, Dentiscutataceae), Archaeosporales (Archaeosporaceae, Geosiphonaceae e Ambisporaceae), Paraglomerales (Paraglomeraceae) e Glomerales (Glomeraceae), etc.;
  • Zigomicetos (zygomycota), com as ordens: Harpellales, Dimargaritales, Endogonales, Entomophthorales, etc.;
  • Ascomicetos (ascomycota) – Do sub-reino Dykaria, com as ordens: Neolectales, Pneumocystidales, Schizosaccharomycetales, Taphrinales, etc;
  • Basidiomicetos (basidiomycota) – Do sub-reino Dykaria, com as ordens: Auriculariales, Dacrymycetales, Sebacinales, Christianseniales, etc.;

** Importante: Esse filo deve ser formalmente desconsiderado em breve, conforme a descrição do mesmo abaixo.

Abaixo uma divisão mais moderna com a separação dos fungos verdadeiros em um reino chamado EUMYCOTA

Visão taxonômica mais moderna

Sem entrar em mais detalhes, que iriam estender essa publicação muito além do objetivo, esclarecemos:

Opisthokonta: Opisthokonta formam um clado monofilético com organismos eucariotos. Neste coexistem algumas formas unicelulares com os fungos strict senso e animais (animalia).

Nucetmycea ou Holomycota: Clado monofilético que inclui os Fungi e Cristidiscoidea. É baseado na análise mitocondrial e nuclear.

Características dos cinco filos do Reino Fungi.

Filos do Reino Fungi
Os glomeromicetos não estão representados acima pelas razões descritas no detalhamento de seu “filo”. Imagem: Site Só biologia (sobiologia.com).

Quitrídeos  (Chytridiomycota, quitridiomicetos ou quitrídios)

Quitrídeo

Os quitrídeos ou quitridiomicetos, também referidos como zoospóricos, possuem aproximadamente 1.000 espécies. São, provavelmente, os ancestrais dos fungos, ou seja: a ordem mais antiga do filo Chytridiomycota do reino fungi.

Vivem em meio aquático e em solos úmidos. São saprófagos (absorvendo da matéria orgânica que decompõe), ou ainda parasitando algas, protozoários, outros fungos, plantas e animais. Algumas espécies causam grandes prejuízo em algumas culturas vegetais, como por exemplo: alfafa e milho.

Dados adicionais:

  • Linhagem basal;
  • Aquáticos;
  • Gametas flagelados;
  • Esporos Flagelados (zoósporos);
  • Unicelulares / filamentosos;
  • Saprobiontes/parasitas.

Glomeromycota

Glomeromycota, também é conhecido como glomeromiceto, pois incluem apenas uma classe (divisão), glomeromyceto (glomeromiceto).

É uma das oito divisões atualmente reconhecidas dentro do reino Fungi, e são descritas 230 espécies. A maioria das evidências mostra que os Glomeromycota são dependentes de plantas terrestres para carbono e energia, mas há evidências circunstanciais recentes de que algumas espécies podem levar uma existência independente.

Os Glomeromycota se reproduzem assexuadamente e dependem das raízes de plantas para alimentar-se. Possuem hifas cenocíticas e se reproduzem assexuadamente, produzindo glomerósporos.

A maioria dos representantes desse filo formam associação simbiótica obrigatória com vegetais, exceto Geosiphon pyriformis (Geosiphonaceae) que forma associação simbiótica com cianofíceas.

De acordo com análises filogenéticas multigênicas, esse táxon está localizado como membro do filo Mucoromycota. Atualmente o nome do filo Glomeromycota pode ser inválido, e o subfilo Glomeromycotina ou a classe Glomeromycetes é preferível para descrever este táxon.

Zigomicetos

Apesar de algumas espécies serem patógenos, inclusive para seres humanos, outras espécies de fungos desse fungo se associam com raízes que formam as micorrizas, que participam da produção de molho shoyu, anticoncepcionais e medicamentos anti-inflamatórios.

Zigomicetos, gênero Rhizopus spp – Causa a mucormicose, conhecida como “fungo negro”

Os fungos se associam com raízes que formam as micorrizas, que participam da produção de molho shoyu, anticoncepcionais e medicamentos anti-inflamatórios.

A espécie Rhizopus stolonifer é o comum bolor negro do pão que também ataca a fruta. Todos os zigomicetos formam esporos em esporângios na reprodução assexuada e formam zigosporângios na reprodução sexuada.

Existem relatos de ataque do Rhizopus em humanos, mais recentemente em pacientes infectados pelo Covid-19.
Estes fungos constituem um problema para a preservação dos alimentos antes de os antifúngicos serem rotineiramente adicionados aos alimentos armazenados.

Vivem no solo e se reproduzem mais frequentemente através da formação de esporos, mas podem se reproduzir de forma sexuada (menos comum). Oportunamente algumas espécies proliferam em vegetais e animais.

Dados adicionais:

  • Zigósporo multinucleado (exclusividade);
  • 700 espécies(maioriamulticelular);
  • Sem flagelos;
  • Zigoto (única célula 2n);
  • Sem corpo de frutificação.

Ascomicetos – Do sub-reino Dykaria

O maior número de espécies de fungos registradas pertence a esse Filo também conhecido como Ascomycota. São mais de 64.000 espécies.

Esses fungos se reproduzem principalmente de forma assexuada, através do brotamento ou da esporulação. Na extremidade desses fungos existem os conídios, que são as estruturas que formam os esporos.

Fungos da espécie Cookeina tricholoma (Filo Ascomycota) sobre um tronco de árvore. Foto: Jelly_Chanonkij / Shutterstock.com

Possuem elevada importância ecológica e econômica. São grandes decompositores de matéria orgânica cuja aparência se faz através de bolores verde-azulados, vermelhos ou castanhos.

Os ascomicetos podem ser sapróbios (decompositores) ou endofíticos, que vivem em simbiose com outro ser vivo. Por exemplo: os línques são resultado da associação entre um ascomiceto e uma alga verde, ou uma cianobactéria.

Simbiose entre Fungo e Alga = Liquen

Muitos destes fungos produzem enzimas e diferentes metabólitos que são utilizados em setores industriais na produçao de queijos, molhos e ou farmacêutico. Ainda participam na produção de antibióticos, vitaminas, ácidos orgânicos e outros produtos.

Por outro lado, várias espécies causam doenças devastadoras a culturas diversas, ao ser humano e outros animais.

As Trufas…

As trufas são um capítulo a parte na gastronomia. São fungos do Filo Ascomycota, Classe Pezizomycetes, Ordem Pezizales, Família Turberaceae e Gênero Tuber. P. Micheli ex F.H. Wigg., 1780.

Seus gêneros: Trufa BrancaTuber magnatum, Trufa NegraTuber melanosporum e a Trufa de verãoTuber aestivum.

São consumidas a mais de 3.000 anos, e seu cultivo tem de ser selvagem. Como cresce sob o solo (20 a 40 cm), são caçadas com porcos ou cães treinados (viciados no sabor).

Tão procurada e saborosa, o valor do seu quilograma varia entre 2.000 e 15.000 DÓLARES.

As melhores Trufas são objeto de cobiça em leilões, onde o valor pode aumentar MUITO. Principalmente da branca. Em 2009 uma trufa com 750 gramas foi arrematada por 100 mil euros. Em 2010 uma Trufa com 900 gramas saiu por 105 mil euros. Dava para alimentar uma pessoa no Brasil por mais de 100 anos, ou uma família de 2 filhos por 27 anos.

Existem alguns pólos produtores fora da Europa, em especial em São Bento do Sapucaí na propriedade do engenheiro agrícola Rodrigo Veraldi - Restaurante Entre Vilas. A propósito o mesmo agronomo produziu o primeiro Lúpulo brasileiro.

Basidiomicetos – Do sub-reino Dykaria

São conhecidos como os cogumelos. Alguns deles são comestíveis, mas outros possuem substâncias alucinógenas. Esses fungos podem se reproduzir de forma assexuada, mas a principal forma de reprodução é a sexuada.

Curiosidade

O maior ser vivo do mundo é um fungo do Filo Basidiomiceto presente na floresta nacional de Malheur – EUA. Ocupa uma área de 965 hectares, ou seja: 9.650.000 m², que equivale a 9,65 Km². É maior que o parque do Ibirapuera (1,6 Km²) e do que algumas cidades do Brasil: Águas de São Pedro – SP (3,612 Km²), Santa Cruz de Minas (3,565). Sua idade aproximada é de 2.000 anos e deve viver até os 8.000 anos.

Características

Possuem um corpo de frutificação conhecido como basidiocarpo, que são suportados fora de uma estrutura produtora de esporos em forma de clube chamada basídio e são Importantes decompositores, em especial de madeira.

Desse filo possui muito poucas espécies adaptadas ao meio aquático, todas em água doce sendo lignícolas (vivem em pedaços de madeira).

Dentro deste grupo de 16.000 espécies estão os cogumelos, cogumelos venenosos, fungos de prateleira e puffballs*.

* Os puffballs são chamandos desta forma, pois soltam nuvens de esporos semelhantes a poeira marrom quando o corpo de fruta maduro se rompe ou é impactado. Puffballs estão na divisão Basidiomycota e abrangem vários gêneros, incluindo Calvatia, Calbovista e Lycoperdon.

Cogumelos comestíveis

Segundo publicação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo de São Paulo, aproximadamente 2.000 espécies de cogumelos podem ser consumidas pelo ser humano. Atualmente apenas 25 são cultivadas com propósito de comercialização.

Como dizem por aí: “Todo cogumelo é comestível, nem que seja uma única vez”. Ou seja: Nunca coma um cogumelo se não tiver certeza que não fará mal.

Alergias

Os cogumelos também podem causar alergias respiratórias, semelhantes a asma e bronquite. São 300 espécies identificadas como alérgenas.

Dados adicionais:

  • Maior espécies multicelulares, aproximadamente 25.000 espécies;
  • Sem flagelos;
  • Estrutura reprodutiva basídios;
  • Corpos de frutificação basidiocarpo.

Cogumelos alucinógenos

Nem todo cogumelo pode ser ingerido. Alguns são alucinógenos dependendo da forma que sejam preparados. NÃO acomselhamos o consumo de qualquer um deles, ou ainda: DESACOMSELHAMOS!

Cogumelos Amanita Muscaria

Legalidade

  • No Brasil existe uma brecha legal na lei quanto ao cultivo e consumo. A portaria Portaria n.º 344, de 12 de maio de 1998 não cita o Cogumelos Psilocybe cubensis explicitamente.
  • Em Portugal é tolerado o consumo recreativo de até 10g por dia, mas proibido a distribuição e cultivo.
  • Na Holanda, chamadas de trufas, são legais na Holanda e são vendidas como “Trufas Mágicas”

IMPORTANTE: O consumo de cogumelos alucinógenos causa maiores danos até mesmo que o consumo de LSD. OS efeitos acumulativos não são claros e ainda devem ser melhor estudados.

Alguns alucinógenos

Grupos de cogumelos psicotrópicos

  • Aqueles com ação psicotônica que induzem psicoestimulação e alterações sensoriais moderadas. Incluem-se aqui sobretudo os amanitas mas também Boletus manicus ou o Boletus reayi utilizados pelos Kumas da Nova Guiné;
  • Aqueles com ação psicoléptica, com efeito essencialmente hipnótico, como os Lycoperdon;
  • Aqueles com ação psicodisléptica ou cogumelos alucinógenos contendo psilocibina ou psilocina, incluindo mais de 190 espécies nos gêneros AgrocybeConocybeCopelandiaDictyonemaGalerina, GerronemaGymnopilusHypholomaInocybe, MycenaPanaeolus, Pluteus, Psilocybe e Weraroa.

Estrutura dos Fungos

A maioria dos fungos é pluricelular, ou seja, constituídos por diversas células, mas vários também são unicelulares, como as leveduras, por exemplo. Eles podem se reproduzir de forma sexuada ou assexuada. Mais à frente explicaremos melhor sobre essa reprodução.

No caso dos pluricelulares, estruturas utilizadas para captar alimento e se ramificar assemelham-se a um emaranhado de tubos ramificados e envoltos por uma parede de quitina. O emaranhado é denominado micélio e os tubos que o compõem são chamados de hifas.

As hifas detêm o material genético, podendo ser dos tipos:

  • Hifas septadas: possuem septos, que são delimitações de compartimentos celulares que formam células com núcleos bem limitados. Cada septo pode ter um (haplóide) ou dois núcleos (dicariótica).
  • Hifas cenocíticas (cenócito): não possuem septos, deixando os núcleos espalhados pelo citoplasma.
Tipos de Hifas nos fungos

Organelas e estruturas presentes nos Fungos

  • Parede celular;
  • Membrana plasmática;
  • Mitocôndrias;
  • Retículo Endoplasmático;
  • Complexo de Golgi;
  • Núcleo delimitado por membrana.

Observação: O tamanho do vacúlo, semelhante nos vegetais, denota a variação do organismo em função do graus de hidratação.

Principais doenças causadas por Fungos nos seres humanos

  • Micoses;
  • Frieiras;
  • Sapinho;
  • Candidíase;
  • Histoplasmose.

Reprodução

Reprodução Assexuada

Os mais simples como as leveduras se reproduzem por gemulação ou brotamento. Nesse processo, gêmulas ou brotos surgem das células originais. Eles podem se separar ou então permanecerem junto a elas, dando origem a cadeias de células.

Outros fungos também podem se reproduzir através da esporulação. Os fungos originais formam esporos, que são células haplóides (que possuem somente um conjunto de cromossomos). Esses esporos são liberados no ambiente e, em condições propícias, eles germinam e dão origem a um novo fungo.

Reprodução Sexuada

A reprodução sexuada dos fungos ocorre em três etapas:

  • Plasmogamia: Nessa etapa, as hifas monocarióticas (que possuem somente um núcleo) haploides dos fungos se unem formando hifas dicarióticas, com os núcleos organizados em pares (fusão de protoplasma);
  • Cariogamia: Os pares de núcleos se fundem e dão origem a núcleos diplóides (com dois conjuntos de cromossomos);
  • Meiose: Os núcleo diplóides se dividem por meiose e dão origem a esporos, que germinam formando novos fungos.
Ciclo de reprodução sexuada e asexuada dos fungos

Divisão por tipo de alimentação

  • Os fungos em interação nos ecossistemas são microconsumidores;
  • São seres heterotróficos;
  • Decompõem a matéria orgânica, absorvendo alguns produtos resultantes da decomposição e libertam substâncias inorgânicas para o meio;
  • Os diferentes processos de obtenção dos compostos orgânicos permitem considerar três tipos de fungos: saprófagos, simbiontes e parasitas.

Saprófagos

  • Muitos fungos vivem sobre matéria orgânica, onde parte do micélio cresce por cima da fonte de alimento, originando estruturas reprodutoras. O resto do micélio desenvolve-se no interior do substrato, provocando a sua decomposição;
  • Estes fungos são muito úteis nos ecossistemas, pois decompõem cadáveres e os resíduos orgânicos dos seres vivos. Podem, contudo, tornar-se prejudiciais quando atacam alimentos úteis para o ser humano, como pão, frutos, queijos.
Bolores maus e bons

Simbiontes

  • Estabelecem relações com produtores, permitindo que estes passem a colonizar habitats que, isoladamente, não podiam ocupar, ou tornando-os mais eficientes em locais com condições para a sua sobrevivência;
  • Nas associações de fungos com outros organismos, destacamos os líquens e as micorrizos.

Parasitas

Alvo de nossas publicações sobre doenças da oliveira. Já publicamos:

DOENÇAS das Oliveiras: Tuberculose (Pseudomonas savastanoi) (olivapedia.com)

DOENÇAS das Oliveiras: Repilo Plomizo – Cercosporiose (Pseudocercospora cladosporioides) – OLIVAPEDIA

Alerta: Alguns sitesutilizam uma taxonomia antiga, onde os seres citados acima ainda eram considerados uma bactérias. Favor considerar a informação de que o mesmo é um fungo.

Os fungos parasitas provocam doenças em plantas e em animais, inclusive no homem. A ferrugem do cafeeiro, por exemplo, é uma parasitose provocada por fungo; as pequenas manchas negras, indicando necrose em folhas, como a da soja, ilustrada a seguir, são devidas ao ataque por fungos.

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