11 – China
Poderíamos dizer que a produção de azeitonas/azeite na China demorou a acontecer, pois além do clima adequado ao cultivo, a China possui uma cultura agrícola antiga e desenvolvida. Além disso, sua distância do centro de origem da cultura das oliveirias – Ásia Menor – não é tão grande assim. Talvez sua história de isolamento cultural seja a principal responsável por esse “atraso”.
Apesar de na década de 1960 já existirem oliveiras plantadas na China, foi na década de 1970, através de um acordo com a Albânia, que a olivicultura começou a crescer.
O crescimento pode ser atribuído a alguns fatores como por exemplo a notoriedade que o azeite tem atingido nos meios de comunicação como fator de saúde, mais chineses estão viajando pelo mundo (inclusive a países do mediterrâneo) e por fim a melhoria do azeite com conhecimento adquirido com a contração de profissionais estrangeiros. Tal melhoria já é reconhecida no exterior através de prêmios obtidos em concursos internacionais.
Outro fator que não pode ser ignorado é o investimento que a China tem feito em equipamentos, bem como em pesquisa e desenvolvimento. Já são 17 cultivares desenvolvidos, que apesar de não terem expressão comercial, são experiências que tem como objetivo desenvolver um cultivar capaz de fornecer um produto nacional de alta produtividade e qualidade.
A olivicultura na China de desenvolve principalmente em duas regiões: no sul da província de Gansu, no vale do Rio Bailong; e no Vale do Rio Jinsha (Rio das Areias Douradas) que fica na fronteira entre as províncias de Yunnan e Sichuan.

Cultivares existentes na China
Cultivares desenvolvidos na China
Chengdu 19, Chengdu 22, Chengdu 31, Chengdu 32, Chung Shan 0024, Chung Shan 0558, Chung shan 0960, Chung Shan 1004, Gioufong nº 1, Ez-8, Hai Len 4, Haiko 2, Hanzhong 06, Hanzhong 07, Hanzhong 15, Hanzhong 19 e Hanzhong 9.
Cultivares estrangeiros produzidos na China
Picual e Arbequina, da Espanha; Liccino, Frantoio, Coratina e Ascolana Tenera da Itália; e Koroneiki da Grécia.
Números da olivicultura na China
Atualmente (2018) o número de árvores plantadas na China supera o da região de Jáen, região responsável por cerca de um terço de todo azeite produzido na Espanha, que, por sua vez, que produz mais da metade de todo azeite do mundo. São mais de 59 milhões de árvores!

Infelizmente não conseguimos informações sobre o consumo de azeitonas para mesa, ou sua produção na China.
12 – Chipre
O Chipre é terceira maior e mais populosa ilha do mar Mediterrâneo, ficando quase “ao fundo” deste.
Nota histórica: A ilha que sofreu várias invasões em sua histórcia e somente em 1960 obteve o reconhecimento como país autônomo. Os chipriotas falam grego e turco.
A ocupação humana no Chipre começou entre 8.200 e 3.800 a.C. . Pesquisas mostram que dentro desse período, entre 7.000 e 3.000 a.C. (período neolítico), as oliveiras foram introduzidas. Contudo, somente no final de 1.600 – 1.100 a.C. (era do Bronze) o cultivo das oliveiras começou a ser mais disseminado pela Ilha.
Localização
O País-ilha fica a 60 km ao sul da Turquia e 100 km a oeste da Síria. Está entre os países ricos em história da civilização ocidental, tal como Itália, Mesopotâmia, Grécia, e assim vai. Também está próxima ao oriente médio cuja história foi tão importante para a humanidade quanto ao Mediterrâneo
Para completar sua localização privilegiada, o país está relativamente próximo do que é considerado o berço da oliveiras. Ou seja: Está cercado pela olivicultura no seu passado e por grandes produtores atuais.

Tamanho da Ilha
A ilha possui apenas 9.251 Km² – cerca de 1/3 do tamanho do Sergipe (menor estado do Brasil em extensão territorial) – e produz quase todo o azeite que consome – cerca de 6 mil toneladas por ano. Trinta e três vezes mais do que a previsão do Brasil para 2019. Além disso, ainda produzem mais de 3 mil toneladas de azeitonas.
Relação dos cipriotas com as oliveiras
A relação dos cipriotas com o azeite é tão forte que a Oleastro, um centro cultural dedicado a olivicultura, criou um festival – Olive Tree Day – para homenagear, segundo seus organizadores: “esta maravilhosa árvore que curou e alimentou cipriotas por milhares de anos”.
Em 2004, após sua entrada para a União Européia, o Chipre foi aceito como membro do IOC (International Olive Council).
CONSUMO E PRODUÇÃO NO CHIPRE

Os dados de produção de azeitonas não são claros, mas sabemos que em 2014 ocorreu a maior importação de todos os anos com 300 mil quilogramas, seguido por 200 mil quilogramas em 2010.
Fora 2010 e 2104 as importações anuais não passaram de 100 mil quilos. Anos de 2006-2009-2011-2012-2013.
Abaixo passamos uma visão do consumo total e por habitante, que corresponde praticamente a produção nacional.

Assim como outros países milenares produtores de azeitona e azeite, por exemplo Grécia e Síria, o consumo vem caindo em função da sucessão de crises econômicas, pressão dos preços de outros óleos menos saudáveis e evasão do trabalho no campo.
13 – Colômbia
A Colômbia é um país de clima tipicamente tropical, o que determina a dificuldade de cultivo das oliveiras.
Localização
O país é cortado pela linha do equador e se estende ao norte em 12⁰ e 4⁰ ao sul, logo fora da zona considerada ideal para plantio de oliveiras: de 30⁰ a 45⁰ tanto no norte quanto no sul.

Introdução da olivicultura na Colômbia
A exemplo de outros países das Américas, a introdução da cultura é atribuída a vinda de religiosos (católicos jesuítas e dominicanos) que em suas missões de converter os nativos, facilitando a colonização pela coroa espanhola, traziam em suas bagagens mudas e sementes para serem plantadas junto aos prédios de suas ordens religiosas.
Dessas missões religiosas em conjunto com a ação do exploradores espanhóis, restaram vilas, mudança da forma de viver e uma nova cultura. Contudo o preço pago foi a eliminação de muitos povos e suas culturas que habitavam a região por quase 11.000 anos antes de cristo em nome da “única fé que conduziria a salvação”. Talvez o único legado positivo tenha sido a implantação da olivicultura no país.
Onde estão os olivais da Colômbia?

A região atualmente produtora está a uma altitude que cria um micro-clima adequado ao crescimento e produção das oliveiras.
A região se chama Boyacá e fica a mais de 2.000 metros de altitude. As principais vilas produtoras são Leyva, Sáchica e Sutamarchán.
Evolução da Olivicultura na Colômbia
A partir do século XVI e mais 200 anos, o azeite produzido era apenas para os habitantes locais. No país, Leyda, era o único local onde existia o conhecimento sobre o azeite. Somente ao final do século XIX (1875) o espanhol José María Gutiérrez de Alba criou, com autorização do Reino de Espanha, um instituto agrícola na vila de Leyda.
Através deste instituto foram plantadas 5.000 mudas de oliveiras entre a vila de Leyda e Sáchica, um município ao sul distante aproximadamente sete quilômetros, com o objetivo de fornecer ao país um produto nacional. O que por um período de tempo ocorreu. O azeite chegou a Bogotá, capital do país. Contudo produzir azeitonas e azeite na Colômbia é um desafio climático agravado pela instabilidade política que arrasou o país por décadas.
O clima
Algumas pessoas afirmam que não existem as quatro estações na Colômbia. Apenas verão e inverno e cada um sucedendo ao outro em períodos de 3 meses. Frio necessário ao cultivo… …nem pensar! Vide nossa publicação sobre requisitos para local de plantio.
A Colômbia possui um regime de chuvas confuso, dado a posição do país cortada pela linha do equador. Em algumas regiões chove abundantemente, mais de 3.000 mm por ano, mas no interior, graças a cordilheira andina, as chuvas ocorrem mais no inverno, contudo o verão não é seco. Podem ocorrer chuvas torrenciais em qualquer época do ano, e estando as oliveiras com flores, grande parte será perdida.
As FARC
Ao final da década de 1950 o governo se interessou pela cultura e iniciou um programa de desenvolvimento da indústria, contudo a beligerância humana se pôs no caminho com as FARC e as batalhas do narcotráfico que expulsou muitos agricultores locais.
O programa governamental focava 5 cultivares espanhóis na via Leyda, e segundo relatos, avançava a largos passos antes do início das ações das FARC.
Os olivais do vale de Saquencipá foram deixados a esmo, servindo muitas vezes como lenha.
Com a redução da violência na região, alguns olivicultores retornaram para casa, mas encontraram as árvores que sobraram tomadas de fungos e parasitas. Mais um dos problemas causados as oliveiras em regiões úmidas. A falta de condições de investimento fez com que muitos olivicultores desistissem de seus olivais.
O presente e o futuro
A produção de azeite na Colômbia que sempre foi artesanal agora é mantido por poucos olivais centenários nas áreas em torno de Villa de Leyva, o que remonta uma triste lembrança de uma promessa não realizada.
A persistência no cultivo de azeitonas na Colômbia certamente tem haver com o entendimento da qualidade excepcional do azeite, principalmente se comparado a outras gorduras. Também existe uma campanha da Colômbia que prega a boa alimentação para a população e é indicado como fonte nutricional e terapêutica. Logo ainda se espera muito da evolução da cultura no país.
Hoje duas famílias na mesma região colhem azeitonas e produzem azeite. Com o preço totalmente fora da realidade do mercado internacional, mas orgulhosamente proclamam ser o azeite mais puro do planeta e que segue a mais rigorosa tradição e respeito pelo passado.
Cultivar colombiano
A Colômbia possui 1 variedade registrada como nacional. A Leyva, cultivada principalmente em Boyacá. É uma azeitona cuja maior vocação é a produção de azeite. Devido a pouca expressão da variedade, poucos dados são conhecidos sobre a mesma.
Consumo de azeite na Colômbia
Quase todo azeite consumido na Colômbia é importado, principalmente da Espanha. Do total de 1.120.000 toneladas importadas no ano de 2016, 88,39% foram da Espanha, da Itália 4,49%, Argentina 3,98%, Peru 2,61% e Chile e EUA com percentuais inferiores a 1%.

Não há muita informação sobre o consumo, menos ainda sobre a produção, no país, mas de forma segura sabemos que forma importadas e consumidas 5 mil toneladas de azeite no ano de 2018. O que representa um consumo percapita de 23 ml por habitante por ano.
14. CROÁCIA
É um país cheio de lindas paisagens e tem sua história ligada ao desenvolvimento da civilização. Os olivais, muitos próximos a costa, complementam cenários cinematográficos.
O território da Croácia já fez parte da extinta Iugoslávia, país criado após a segunda Guerra Mundial, sob a tutela da URSS (União Soviética), que juntava também Sérvia, Montenegro, Bósnia e Herzegovina, Macedônia e a Eslovênia sob o comando do Marechal Tito.
Em 1.991 a Croácia voltou a ser uma país independente e com sua autonomia reconhecida internacionalmente, mas sua história vem de longe…
Localização
A Croácia tem fronteira terrestre com a Eslovênia, Hungria, Sérvia e Bósnia. É banhada pelo mar Adriático e do outro lado a Itália. O território começa aos pés dos Alpes Julianos no nordeste e a leste na planície da Panônia. Em sua região central começa sobre as cordilheiras de Dinara indo até o mar Adriático.
Área continental de 56.542 km2, mais o território em ilhas com 31.067 km2.
São 1.185 ilhas, das quais 67 inabitadas. Com tantas ilhas seu litoras salta de 1.777 quilômetros para 5.835. As maiores ilhas são Krk e Cres.
Na figura abaixo aproveitamos para destacar a área do País conhecido outrora como Iugoslávia.

Sua localização, considerando a faixa de latitude onde se encontra, é quase perfeita para a olivicultura (42°23’N e 45°29’N).
Ocupação da Croácia e a introdução da Olivicultura
A ocupação do território da Croácia começou na pré-história, mais especificamente no Paleolítico pelos neandertais: vestígios arqueológicos são encontrados por toda a Croácia oriundos das eras Neolítica e Idade do Cobre (-3.300 a -1.200) sucedida pela era do bronze (-3.300 a -700) e ferro (-1.200 a -1.000) a.C..
Moisés que viveu quando a Croácia já era habitada (idade do cobre: 1.592a.C.-?- e morte 1.472 a.C.), já citava as oliveiras como símbolo de paz, sabedoria, vitória, fertilidade, bem como poder e pureza.
Somente na Idade do Ferro as oliveiras chegaram às Ilhas de Chipre, Creta e ao Egito. Logo supõe-se que as oliveiras tenham chegado na mesma época ou um pouco mais tarde a Croácia.
Contudo outras fontes citam que as oliveiras teriam chegado a esses países mais cedo. Conforme citamos na história da oliveiras em Chipre:
… durante o período neolítico, ou seja, 7.000 – 3.000 a.C.. Esse período coincide com o início da ocupação d ilha por seres humanos, datada entre os anos de 8.200 e 3.800 a.C.. Contudo somente no final de 1.600 – 1.100 a.C. (meio da era do Bronze) começaram a ser mais cultivadas.
Olivapedia
A produção de azeite na Croácia, em especial na região de Istria é relatada desde a antiguidade. Foram encontrados vestígios nas cidades de Barbariga, Brijuni e Poreč, tanto da atividade de fabricação do azeite como de ânforas (vasilhas para transporte).
Área plantada e colheita
A exemplo de outros países, a redução da mão de obra em atividades agrícolas na Croácia fica clara com os números abaixo. A colheita vem caiu em vários momentos mesmo com o aumento da área plantada. Provavelmente o fator de reversão dessa questão será o aumento da mecanização da colheita nos próximos anos. No final dessa publicação citamos uma experiência com cultivo intensivo na Croácia.

Onde estão as oliveiras da Croácia?
As oliveiras estão espalhadas por 900 quilômetros de litoral da Croácia, dentre continente e ilhas.
Existe uma regionalização das áreas de produção:

- ISTRIA: Nessa região estão plantadas mais de um milhão de árvores. Acredita-se que o início da cultura local deu-se na época de jogos esportivos antigos, semelhantes as olimpíadas gregas, no primeiro século da era cristã. A maioria das árvores é de variedades locais e algumas italianas, como: Buza, Istarska bjeclia, Crnica, Rošinjolo, Karbonaca, Oblica, Leccino e FrantoioIstria. O azeite produzido localmente frequenta constantemente lista de competições dos melhores azeites do mundo. Observação: A oliveira mais antiga de Istria está no Parque Nacional de Brijuni e foi plantada no século IV d.C.
- KVARNER: Essa região inclui uma faixa costeira onde são encontradas as oliveiras inclusive nas ilhas de Krk, Cres, Lošinj, Susak, Unije, Rab e Pag. Os registros datam as primeiras plantações no primeiro milênio da era cristã. A particularidade é que em alguns lugares, especialmente na ilha de Cres, a olivicultura divide espaço com a criação de ovelhas.
- DALMÁCIAS: Das 4 regiões conhecidas como Dalmácias (Dalmátia), 3 apresentam o cultivo de oliveiras. Somam mais de 4,5 milhões de árvores de oliveiras. O que é a grande maioria das plantas existentes na Croácia. Apenas na Ilha de Brač são aproximadamente 1 milhão de árvores. Essas regiões são as que recebem o maior número de horas de sol por ano: acima de 2.600 horas, o que resulta no maior sucesso do cultivo.
- DALMÁCIA DO NORTE (Dalmatia-Zaldar).
- DALMÁCIA CENTRAL (Dalmatia Šibenik).
- A) SUL DA DALMÁCIA – Dalmatia Slit.
Cultivares locais
São registrados 31 cultivares como nativos, além desses são mais 44 cultivares originários de outros países, principalmente italianos.
Produção e consumo de azeite e azeitonas da Croácia


Prêmios dos azeites croatas – NYOOC
Apenas recentemente os azeites Croatas vem recebendo destaque no exterior, fruto ainda, talvez, da conturbação política que a região onde o país está inserido sofreu até o final da década de 1990.
Mas aos poucos seus azeites começam a ser conhecidos, assim como suas paisagens deslumbrantes.

Com umas das taxas de sucesso mais altas do NYOCC a Croácia consolida sua posição de grande produtor de azeites. Parte desse sucesso vem da colheita manual e o controle dos demais pontos do processo. É claro que a qualidade da matéria prima, as azeitonas não pode ser ignorado.
Produção superintensiva na Croácia
Em 2011 iniciou um estudo para intensificação do uso do solo em plantações de azeitonas na Croácia. Os resultados foram publicados em 2018. A conclusão dos estudos foi favorável com a produção de 100% de azeite extra-virgem.
Uma publicação sobre a plantação em SEBE, ou “Superintensiva” está sendo preparada, para explicar um pouco mais sobre essa técnica e seus resultados.
Veja a publicação completa em “Oliveiras pelo Mundo: Croácia“.
A produção superintensiva é uma realidade e necessidade pelo consumo do azeite pelo mundo, contudo os melhores azeites continuaram a ser fabricados com azeitonas colhidas a mão, ou por métodos mecânicos de baixo impacto, como as derriçadeiras. Vários são os fatores que inviabilizam um azeite de alta gama ser produzido desta forma. Veja nossas publicações sobre azeites. Torcemos para que a Croácia mantenha suas fazendas de azeite de alta qualidade mesmo aderindo ao cultivo intensivo e superintensivo.
15. Egito
Apesar da oliveira não ser uma espécie nativa do Egito, existem relatos de historiadores gregos antigos que contam sobre a existência delas entre os anos 1.500-1.300 a.C.. Alguns retrocedem a 1.985 a.C. baseados em vestígios arqueológicos.
Imagens e resquícios arqueológicos indicam o uso da oliveira como ornamentação real. Na tumba de Tutankamon (1 341 a.C. — c. 1 323 a.C.) foram encontrados ornamentos e guirlandas feitas com ramos de oliveira.
Posteriormente o faraó Ramsés III (1.217 a 1.155 a.C. – estimado) teria tentado fomentar a cultura durante seu reinado, contudo sem sucesso. Manteve-se a importação do azeite para fins culinários, produção de perfumes, unguentos, embalsamento dos corpos de mortos de famílias ricas e como bagagem, assim como a azeitona, para viagem pós-vida.
Vários foram os países exportadores ao Egito durante muitos séculos. Desde a Palestina e Síria, através da Cananéia, e a Andaluzia sob domínio Mouro em tempos mais modernos (700 a 1.400 d.C).

Dentre os achados arqueológicos encontram-se prensas e artefatos para produção e armazenamento de azeite. Alguns com idade estimada de 2.000 anos a.C.
O passado é bastante controverso e muito estudo ainda encontra-se em curso, intercalado por períodos de instabilidade política.
O PRESENTE da Olivicultura no EGITO
Nos finais dos anos 1970 a área dedicada a olivicultura no Egito era de apenas 2 mil hectares. Contudo, passados 30 anos , a área subiu para quase 43 mil hectares.
Em 2016 a área plantado chegou a 67 mil hectares. Nesse mesmo ano, segundo a FAOSTAT (Food and Agriculture Organization Corporate Statistical Database), o Egito obteve a maior colheita por área plantada do mundo. Foram mais de 6,7 toneladas de azeitonas por hectare.
Para entendermos melhor esse número, no mesmo ano e ainda segundo a FAOSTAT, os países produtores da União Européia ocupavam quase 5 milhões e 29 mil hectares com oliveiras, mas com uma produção pouco acima de 2,3 toneladas de azeitonas por hectare.
Mas o Egito não parou por aí. Em 2018 o cultivo de oliveiras chegava a 97 mil Hectares com 9 mil toneladas de azeitonas de mesa produzidas.

Não bastasse uma evolução de 4.750% sobre a área plantada, dos finais dos anos 1970 ao ano de 2019, o ministro da agricultura egípcio anunciou um plano de plantar 100 milhões de oliveiras e passar a ser o maior produtor de azeitonas de mesa do mundo, atualmente o segundo. Mas o aumento da produção de azeite também é uma meta com a importação de tecnologia no novo programa governamental.
Cultivares plantados no EGITO
Ao longo do tempo o Egito desenvolveu suas variedades. Registradas são 17, sendo as principais:
- Aggezi Shami
- Cairo 7
- Hamed
- Toffahi
Todas são utilizadas principalmente na produção de azeitonas em conserva, e algumas já são cultivadas fora do Egito em Israel, EUA, Tunísia, Argentina e outros países.
Onde se planta no EGITO

As oliveiras vem se espalhando por quase toda região dedicada agricultura no Egito. Em 2013 a área ocupada por olivais chegou a 4%., contudo as regiões de maior êxito são as regiões costeiras do mar Mediterrâneo, a nordeste do país (em especial em Alexandria), norte do Sinai e nos oásis no interior do país.
O clima
Digno do clima do mediterrâneo o Egito apresenta temperaturas entre 25⁰ a 35⁰C no verão e 7⁰ e 18⁰C no Inverno, o que é bom para as oliveiras. O problema é a baixa precipitação de chuvas que variam entre 100 e 150 mm por ano: muito baixa.

Fonte: CIMATE-DATA.ORG
Produção de consumo de azeite e azeitonas no Egito
Hoje o Egito é o segundo maior produtor de azeitonas de mesa do mundo, o que representa de 2/3 a 3/4 da produção da Espanha.


O Futuro
Os planos do governo do Egito é fomentar o plantio de mais 100 milhões de árvores até 2.022.
“…Investidores egípcios e estrangeiros terão acesso a terrenos de até 10.000 acres (4.047 hectares) em West Minya, no Alto Egito, e 25.000 acres (10.117 hectares) em Matrouh, … …Contudo em EL Tur, Península do Sinai, os terrenos de 10.000 acres serão exclusivamente para investidores egípcios.”
16. El Salvador
O país é menor da América Central com apenas 21.041 Km²… …não está em uma posição privilegiada para o cultivo das oliveiras… … possui 20 vulcões, sendo 2 ativos… …tem cinco parques nacionais, com uma política bem sucedida de reflorestamento… …é o país mais densamente povoado das Américas (307 pessoas por quilometro quadrado)… …o café é a cultura mais difundida e reconhecida mundo a fora (90% da produção agrícola)….
…e ainda produz azeitona! E AZEITE!!!
Origem da olivicultura em El Salvador
As oliveiras chegaram nas regiões mais altas do país, mais frias, em meio aos movimentos de colonização espanhola dos séculos XVI e XVII. Provavelmente a catequização dos povos locais ao catolicismo foi a grande responsável, pois os religiosos mantinham próximo a si as oliveiras, as azeitonas e o azeite.

O clima de El Salvador
Semelhante a Colômbia seu inverno é marcado no calendário como se o país estivesse no hemisfério sul (maio a outubro), mas está no hemisfério norte. Durante inverno é que se encontra a estação chuvosa. Ou seja: Os dias são mais curtos no verão…
O país está em uma faixa de latitude aproximada entre 13,2⁰ e 14,5⁰ norte, ou seja: longe das faixas de 30⁰ a 40⁰ norte ou sul consideradas como ideais. Também a região mais alta fica em na Sierra Madre de Chiapas no Monte El Pital, fronteira com Honduras, que chega a 2.730 metros de altitude, com platôs intermediários com altitude média de 1.530 metros.
O principal produto de exportação de El Salvador é o café que responde por 90% do valor total.
Curiosidade: Desde 2001 a moeda oficial de El Salvador é o dólar americano.
Com toda informação acima, percebe-se que o azeite está longe de ser um produto de destaque no país, e a obtenção de dados é muito difícil. A fonte mais confiável é a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), com os dados abaixo.


A produção de azeite é artesanal em diversas localidades, respeitando a tradição espanhola, mas sem grande repercussão na economia nacional.
Bônus – Eslováquia
A Eslováquia não é um país produtor de azeite ou azeitonas de mesa, mas vai aqui uma informação sobre seu consumo. O país possui condições de clima para produção apesar de não estar dentro das faixas de latitude ótimas.
Quem sabe não fica aqui uma dica e uma previsão do futuro.

17 – Eslovênia
A Eslovênia é vizinha de grandes produtores de azeite, e muito próxima da região onde se atribui a domesticação da oliveira para cultivo.
Curiosidade: Pesquisas indicam que os primeiros povoamentos da Eslovênia ocorreram a cerca de 250.000 anos. Talvez o objeto encontrado nos estudos arqueológicos seja uma flauta, indicada como o instrumento musical mais antigo do mundo. Foi descoberta na caverna de Divje Babe perto de Cerkno, e deve ter sido produzida pelos Neandertais durante a era glacial de Würm.
Vários povos Antiguidade passaram, se fixaram e invadiram o território, dentre eles os Celtas, Romanos e Eslavos (século VI d.C.).
Onde fica a Eslovênia?

A Olivicultura na história da Eslovênia
A origem do cultivo das oliveiras na Eslovênia não possui registros seguros, contudo é sabido que data de antes da era cristã.
Durante o império Bizantino, e mais especificamente durante o domínio pela República de Veneza, (697 ou 810 d.C) a 1797, foi que a olivicultura recebeu o primeiro grande impulso.
O interesse era suprir Veneza com azeite com o qual os Italianos já estavam tão acostumados. Algo semelhante ao que ocorreu com a Espanha durante o império romano, contudo agora com um território limitado a “Sereníssima”, o território Eslavaco tornou-se fundamental.

Outra curiosidade: A República de Veneza era conhecida como Sereníssima República de Veneza, ou simplesmente Sereníssima, e foi dissolvida com a invasão de Napolelão Bonaparte que a cedeu ao império Austríaco.
Na sequência, com a dominação pelo Império Austríaco, uma lei impunha o cultivo de oliveiras de forma proporcional às propriedades rurais, o que elevou o plantio e o manteve proporcional ao número de habitantes do país (Razvoj, 1985).
Evolução da olivicultura
Na metade do século XIX a atenção na Eslovênia voltou-se a Viticultura (plantação de uvas). Com isso ocorreu um declínio no interesse pela Olivicultura. Apesar das culturas serem “primas na história da humanidade” o consumo da uva e seus derivados, inclusive o vinho, é um atividade mais segura para o agricultor.
Duas grandes geadas no século XX atrapalharam ainda mais. Em 1929, quando o número estimado de árvores caiu de 300.000 para 120.000, e em 1956 quando a população agrária já se encontrava reduzida, o número de árvores caiu para algo em torno de 50.000 unidades.
Durante as últimas décadas (1980-2000) , especialmente depois de 1980, a olivicultura na Ístria eslovena sofreu um rápido progresso. Em 2007 os olivais cobriam quase 1.300 hectares, totalizando mais de 350.000 oliveiras.
A década de 1990 inaugurou a plantação no modelo intensivo da olivicultura na Eslovênia. Apesar de ser ainda uma parcela menor, a mesma ajudou a olivicultura a ser a quarta cultura mais difundida na Eslovênia, depois da maça, pêssego e pera, dentre os produtos produzidos em pomar.
Olivais de hoje na Eslovênia
Sua fixação e atual exploração no país ocorre a sudoeste onde as condições climáticas de inverno são menos rigorosas, mesmo que por vezes ameaçar a sobrevivência das árvores devido a intensas geadas. Apesar de fragilidade de plantações fora da península conhecida como Istria, algumas tentativas corajosas são realizadas.
Área de cultivo fica na Península de Istria, entre Trieste na Itália e o golfo de Kvarner. Logo a maior parte da península situa-se na Croácia, onde também é uma importante região de cultivo de oliveiras.
Fora da península de Istria são cultivados aproximadamente 15 hectares em Goriška Brda e na parte inferior do vale de Vipavska, que em 1929 teve a cultura dizimada por uma geada histórica.
Mesmo na península de Istria, existem restrições quanto ao clima e tipo de solo. Normalmente as oliveiras são encontradas próximas a costa e em elevações até 300 metros de altitude. Existem alguns olivais ao longo dos rios Rižana, Osapska reka, Badaševica, Drnica, Dragonja e Rokava. Ainda assim nas encostas com incidência solar.

Apesar das fortes geadas que ocorrem em intervalos de 20 a 25 anos e de limitações relacionadas a insolação, aclive do terreno, etc. Ainda existem mais de 8.000 hectares que podem ser utilizados para o cultivo na Eslovênia. Ainda que mantida a proporção de uso da terra com outras culturas, a olivicultura tem potencial para dobrar de tamanho.

Cultivares
A principal variedade da Eslovênia é a autóctone (nativa) chamado Istrska Belica, mais conhecida no exterior como “Bianchera”, com 50% a 70% da área dos olivias. Ocupa esse lugar, pois além de ser resistente a geadas, possui um alto percentual de azeite, contudo necessita receber uma mistura de outras óleos para melhorar sua palatabilidade. A variedade mais utilizada para isso é a Leccino, italiana, com área plantada entre 20-30% dos olivais.
Produção e consumo de azeite e azeitona de mesa

http://www.internationaloliveoil.org/estaticos/view/131-world-olive-oil-figures
A Olivicultura não só caminha com a humanidade há milênios, mas seu óleo – Azeite – assume no entendimento das pessoas sua importância para a saúde e usos diversos como nenhuma outra cultura e esse entendimento, e essa consciência permeia a cultura da Eslovênia.
18. Estados Unidos
A história do desenvolvimento da olivicultura nos EUA é uma das mais interessantes, talvez por ter sido recente e melhor documentada.
As oliveiras foram introduzidas nos EUA logo após a fundação da Missão San Diego de Alcalá – no atual estado da Califórnia – em julho de 1769 . A missão era coordenada por frades franciscanos espanhóis liderados por Junípero Serra – que poderia ser considerado o patrono das oliveiras nos EUA.
Dois meses antes havia sido fundado um presídio na mesma região. Estas foram as primeiras construções desse tipo na “Alta Califórnia”, e foram marcos para a fundação da cidade de San Diego, hoje a oitava cidade mais populosa dos EUA.

As Oliveiras são símbolo de PAZ. Esse é o significado do ramo com frutos carregados pela águia americana no selo presidencial.
Por que “Alta Califórnia”?
Anteriormente à guerra entre os EUA e o México, eram três as “Califórnias” pertencentes ao governo do México. Após a incorporação do território pelos EUA, como espólio de guerra, o estado passou aser chamado simplesmente de “Califórnia”. A “Média Califórnia” e a “Baixa Califórnia” ainda existem com esses nomes no México. Hoje San Diego faz fronteira com a cidade de Tijuana, na Média Califórnia – México.
Curiosidade: Veja na publicação sobre olivicultura nos EUA o que Don Quixote tem a ver com Califórnia.
A forma como as primeiras oliveiras foram obtidas
Quando o reino da Espanha ainda exercia o poder sobre seus territórios na América do Norte, a introdução de espécies vegetais vivas era proibida. O objetivo era impedir que a colônia deixasse de importar os produtos fornecidos pela corte. Contudo, os missionários conseguiram liberar uma carga de azeitonas tratadas. Com os caroços destas obtiveram mudas da oliveira que veio a se conhecer como Mission, por motivos óbvios.
A partir daí todas as missões fundadas até o ano de 1823 recebiam mudas de oliveiras. Ainda hoje na Missão de San Fernando resistem 450 árvores das 500 plantadas por volta do ano de 1800.
Apesar dos relatos de que a olivicultura nos EUA teve origem na missão de San Diego, algumas oliveiras encontradas em Capistrano aparentam ser mais antigas, entretanto não existem registros sobre a data de cultivo destas árvores.
A cultura se espalhou por outros estados e apareceram fazendas nos Texas, Geórgia, Flórida, Arizona, Oregon, Lousiana, Alabama e no Havaí (ilha de Maui). Mas a maior produção e principais assuntos relacionados a olivicultura continuam no estado da Califórnia graças ao clima. A California é responsável por 95% de azeitonas nos EUA.
…voltando à Olivicultura
A olivicultura nos USA continuou a evoluir de vento em popa. Em 1803 o padre Laure relatou que o azeite da Califórnia era “excelente”.
E em 1885 o azeite produzido em Ventura, condado do estado da Califórnia, era considerado um dos melhores do mundo. Na mesma época, novos cultivares vindos da Itália e Espanha ajudaram a aperfeiçoar o azeite produzido nos EUA.
No início do século XX ocorreu a invasão de azeites baratos oriundos do velho mundo. Os mesmos chegavam através das famílias italianas. Era o início do controle da importação de alimentos pela máfia nos EUA. A solução foi direcionar a indústria ao enlatamento dos frutos, principalmente no Central Valley (um vale na parte central da Califórnia, que se estende por aproximadamente 600 Km).
As oliveiras de Sonoma e Napa não tiveram a mesma sorte. Muitas árvores adultas foram derrubadas para dar espaço a vinicultura, ou transportadas a Los Angeles para servirem como ornamento em áreas públicas.
O renascimento dos EUA na produção do seu próprio azeite ocorre entre os anos 1980 e 1990, motivado por dois fatores: A divulgação de estudos que relatavam os benefícios do uso do azeiteextra virgem em detrimento de outras gorduras, e a adulteração do produto importado, basicamente pela máfia, mas vendido como extra virgem.
Quanto mais as pesquisas e divulgação dos benefícios do consumo do azeite extra virgem chegam ao público norte americano, maior é a procura pelo mesmo. E a tendência permanece. Em vinte anos (1998-2018) o consumo aumentou mais de 121%.

Acompanhando o aumento do consumo, vem crescendo de uma forma sensível e constante, a produção do AOEV (Azeite de Oliva ExtraVirgem). O mesmo ocorre não apenas pelo aumento do consumo, mas também como uma forma de garantir um produto puro, não adulterado, com preços acessíveis, mesmo que mais caros que os azeites importados adulterados.
Como evoluiu a Olivicultura nos EUA
A Mission é o principal cultivar dos EUA. Por suas boas características acabou sendo adotada também por outros paises. Já ocorreram pesquisas com objetivo de identificar a variedade que deu origem à Mission, porém até hoje sem sucesso.
A Mission Responde por 50% da azeitona de mesa consumida no país, mas tem dupla vocação: Mesa e Azeite. Ocupa vasta área do território dedicado aos olivais no estado da Califórnia.
As demais variedades que surgiram nos EUA forma 9 que você pode verificar na publicação sobre a Olivicultura no país, bem com outras variedades por lá plantadas.
A produção de azeitonas – Mesa e Azeite
Dada a variação do clima, a produção pode ser afetada significativamente. No final dos anos 1990 muitos produtores ainda obtinham baixo rendimento graxo na extração do azeite, pois tentavam acertar a irrigação ideal das árvores.


O consumo previsto percapita do americano para o ano de 2019 é de pouco mais de 1 litro de azeite, o que representa um crescimento de 50% em 20 anos. Em 1979, foram 0,67 litros por habitante.






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