O uso da Bandeira do Uruguai ou Pavilhão Nacional teve seu uso oficializado por leis de 16 de dezembro de 1828 e 12 de julho de 1830
As cores representam ideais revolucionários de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Os elementos da bandeira são dispostos por inspiração na bandeira dos EUA. No canto superior esquerdo, o Sol de Maio faz referência à independência do Vice-Reino do Rio da Prata da Espanha. As nove listras azuis, que se distribuem pelo retângulo branco, representam os primeiros nove departamentos.
Outras bandeiras
O Uruguai possui uma peculiaridade no que tange a adoção do símbolo nacional: São 3. Essa situação ocorre em poucos países do mundo.
As três bandeiras são utilizadas conjuntamente em datas comemorativas nacionais. As outras duas são as abaixo representadas.
Outro fato curioso, que detalharemos mais na seção de “História do Uruguai” é o fato do país já ter sido em um curto período uma província do Brasil. Explicamos na sessão “História do Uruguai”. Nesta época era chamada de província Cisplatina e utilizava a bandeira abaixo.
Onde fica o Uruguai
O Uruguai é o país com sua fronteira ao norte mais ao sul da América do Sul. O Chile e a Argentina possuem latitudes mais baixas, contudo com início do território muito mais ao norte.

O Uruguai faz fronteira com o Brasil e a com a Argentina com a qual divide, na margem norte, o Mar del Plata.
Encontra-se em uma faixa de latitude ideal para o cultivo de oliveiras, no caso de 30ºS a 45ºS. Assunção, sua capital que fica as margens do Mar del Plata, fica a 33°S 56’O.
Geografia e um pouco mais
O Uruguai é o segundo menor país da América do Sul, com 176.215 km². Menor apenas o Suriname que possui 176.215 Km2, ambos países considerando todo território, inclusive área molhada.
Obs.: Lembrando que a Guina Francesa não conta, pois é um território francês ultramarino. Possui 83.846 Km².
Apenas para comparação de tamanho, o território do Uruguai situa-se entre o estado do Paraná e do Acre (Brasil). Mais ou menos 2,1% do território brasileiro.
O relevo do Uruguai é composto por dois grandes sistemas de coxilhas (elevações suaves e arredondadas) com ramificações. No todo a altitude do território dificilmente ultrapassa a 300m, sendo o ponto mais alto o “Cerro Catedral”, com pouco mais de 513 metros de altitude.

A coxilha Grande situa-se em terrenos de embasamento cristalino e a de Haedo, sobre terrenos basálticos. Estreitas planícies margeiam o rio da Prata e a costa atlântica.
Clima do Uruguai
Devido a pequena extensão do território, pouca variação de altitude e estar cercado por águas (Oceano Atlântico e Mar del Plata), o clima do Uruguai sofre poucas variações, sendo considerado temperado, ou subtropical úmido. Os verões são amenos e invernos relativamente frios. As geadas são frequentes no inverno.
Os ventos fortes ocorrem de forma constante, e as chuvas são distribuídas regularmente durante o ano. Não é usual haver queda de neve no Uruguai.
Acima a comparação de variação de temperatura entre duas cidades uruguaias. Uma no extremo oeste (Mercedes) e outra no extremo leste (Trienta y Tres). Praticamente não há variação.
O mesmo ocorre com relação a chuvas, camada de nuvens e sensação térmica.
Antes do massacre da invasão das Américas por colonizadores europeus, e até o século XVII, a região do atual Uruguai é habitada pelos índios charruas, chanaés e guaranis. Diferente dos guaranis, que são uma etnia com diversos povos espalhados entre Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do Brasil, os charruas e chanés são pequenas tribos que existem de forma isolada no Uruguai e que viviam me proximidade um com outro. Por muito tempo pensou-se que os charruas tivessem sido completamente massacrados pelos “colonizadores” e guaranis aliciados pelos espanhóis. Hoje esse povo originário luta para ter melhores condições de sobrevivência.
Em 1624, os espanhóis criam uma colônia em Soriano, e os portugueses logo após, em 1680, fundaram a Colônia de Sacramento, contudo foram expulsos pelos espanhóis que em 1726 fundaram São Felipe de Montevidéu.
No ano de 1776 a colônia é elevada ao título de Vice-Reinado do Prata.
Durante o ano de 1810 e 1814, José Gervasio Artigas, uruguaio, lidera uma insurreição armada que domina Montevidéu. O sonho de independência de Artigas acaba em 1816 quando uma coalisão de tropas argentinas e portuguesas toma a região.
Em mais uma tomada de controle em 1821 o território é tomado por uma aliança luso-brasileira que anexa o território, hoje Uruguai, ao território brasileiro sob o nome de Província Cisplatina.
Em 1825 um grupo conhecido como os 33 orientais, daí o nome do distrito e cidade, dentre outras referências, de “Trienta y Tres”. Esse grupo foi liderado por Juan Antonio Lavalleja que proclama a independência do Uruguai. Em 1827, com a ajuda de tropas argentinas, expulsa os brasileiros.
A Inglaterra entra no embate, de forma imperialista, apoiando a independência do Uruguai, liberando o controle e custos de atravessadores para o comércio com a região. É assinado o tratado do Rio de Janeiro de 1828.
Com a independência foi acirrada a disputa entre dois grupos: Blancos e Colorados. O primeiro grupo liderado por Manuel Oribe (caudilho*, militar, político e segundo presidente do Uruguai). O segundo grupo, liberal, sob o comando de Fructuoso Rivera (codinome Don Frutos, foi um militar e político uruguaio e terceiro presidente do Uruguai).
*chefe militar, líder de forças irregulares que lhe são fiéis, ou ainda: chefe político que possui uma força militar própria.
No início do mandato de Don Frutos, em 1939, estoura a guerra civil que dura até 1851. A Inglaterra toma partido pelo lado dos Colorados e a argentina pelos Blancos.
Juan Manuel Rosas, caudilho argentino, ordena a invasão do país, mas é deposto em 1852, e os invasores se retiram. Em 1864 o caudilho Venancio Flores recebe apoio do império brasileiro, que em retribuição participa, entre 1865 e 1870, em uma Tríplice Aliança com Brasil e Argentina contra o Paraguai que saiu derrotado e devastado.
Uma nova revolta dos Blancos é combatida e abafada pelo presidente colorado José Batlle y Ordóñez (1903/1907 e 1911/1915). Durante o governo de Battle ocorrem a nacionalização dos serviços públicos e criação do primeiro sistema de previdência social na América Latina.
Em 1951 o cargo de presidente é substituído por um Conselho de Administração. O movimento é feito pelo Congresso pelo temor da instituição de uma ditadura. Em 1966 os Colorados restabelecem o presidencialismo após uma eleição.
O declínio econômico provoca o aumento da inflação, protestos populares e a ação dos Tupamaros, guerrilheiros de esquerda surgidos em 1963. Eleito em 1971, Juan María Bordaberry fecha o Congresso em 1973 e instaura um regime repressivo, com o apoio dos militares. Em 1976, Aparicio Méndez o substitui.
Em 1980 o governo volta a mão dos civis, inclusive com a eleição de Luis Alberto Lacalle, do partido Blanco, como presidente em 1989.
As turbulências continuaram, basicamente causadas por crises econômicas, sendo minimizadas semente após os anos 2000, e atualmente possui números com destaque positivo na América do Sul.
Geografia e uso da terra
- Usos do solo ou da terra
- Terra cultivada: 7%
- Culturas permanentes: 0%
- Pastoreio permanente: 77%
- Florestas e bosques: 6%
- Outros: 10% (1997 est.)
- Terra irrigada 7.700 km2 (1997 est.)
Obs: Mais detalhes na seção agricultura no Uruguai.
Indicadores econômicos
- Produto Interno Bruto: 59,32 bilhões USD (2021) Banco Mundial;
- PIB per capita: 17.313,19 USD (2021) Banco Mundial // Argentina: 10.636,12 USD – Brasil: 7.507,16 USD;
- PIB per capita: 22.950 PPP dollars (2021) Banco Mundial;
- Taxa de crescimento do PIB: 4,4% mudança anual (2021) Banco Mundial;
- Renda Nacional Bruta: 78,65 bilhões PPP dollars (2021) Banco Mundial;
- Usuários da Internet: 86,1% da população (2020).
População do Uruguai
Tal como países mais desenvolvidos, a tendência do número de população e de decréscimo, com uma taxa de crescimento 0,04% em 2023 e caindo nos últimos anos.
A população prevista para o Uruguai no ano de 2023 é de 3.423.098 de pessoas, 1.659086 do sexo masculino e 1.764.012 do sexo feminino.
O pico populacional deve ocorrer em 2027 com um total de 3.423.687 pessoas.


Agricultura no Uruguai
Apesar da principal atividade econômica do Uruguai esteja ligada a pecuária, vamos nos deter nas culturas de plantio, pois são mais a fim onde queremos chegar, ou seja: na olivicultura.
Antes vamos dar uma visão da cobertura do território uruguaio, com ou sem alteração por atividade humana, em levantamento disponibilizado pelo governo uruguaio em 2019.
Obs.: Comparado com a área total definida para o país, ocorre nesse quadro uma defasagem a maior de 2.619 hectares, ou seja: 26,19Km², provavelmente por aproximação de medidas.
Observações:
- Culturas agrícolas secas de verão para grãos e outros fins ano 2020/21.
- Agricultura de inverno 2020, se não houver dupla safra no verão 2020/21, é chamada de “restolho agrícola”.
- Recursos forrageiros e anuais de inverno, ano 2020, com muito bom desenvolvimento vegetativo, denominados no verão como “restolho de pastagem”. Com maior presença na área leiteira e pecuária menos extensiva.
- Pivôs de irrigação. A posição atual e a safra irrigada 2020/21 são registradas.
- Florestas plantadas com desenvolvimento superior a dois anos, ano de 2021.
- Safra de Arroz safra 2020/21. E fazendas de restolho de arroz.
- Cana-de-Açúcar, 2020/21.
Dentro da produção agrícola, encontramos no ano de 2021, segundo a FAOSTAT*:
* A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Focando na produção de azeitonas, ainda segundo a FAO, temos:
Olivicultura no Uruguai
Apresentamos para essa edição um compilado em tradução livre de uma excelente publicação do professor Jorge Pereira:
“Historia de la olivicultura en Uruguay do Profesor Jorge Pereira – Licenciado en Biología, Máster en Genética y Ph.D, Doctor en Ciencias. Laboratorio de Biotecnología del Departamento de Biología Vegetal. Facultad de Agronomía de la Universidad de la República Uruguay. Publicado no “Mercacei America Actu”, nr 53 em 26/04/2016.”
Introdução
A olivicultura no Uruguai surgiu junto a fundação de Montevidéu. Foram várias etapas, sendo a de maior intensidade a atual que apresenta crescimento constante, principalmente nos últimos dez anos (obs.: O autor se refere ao final do período em 2016). A área plantada passou de 1.000 hectares (Ha) a 10.000 Ha em 11 departamentos. De toda área cultivada, 87% são de novas plantações com cultivares da Espanha, Itália e Israel para produção de azeite e azeitona de mesa.
Também forma instalados novos moinhos e Itália e Israel para produção de azeite ou azeitonas de mesa. Em paralelo foram criados nos talhões para avaliação de cultivares e viveiros.
Início da olivicultura no Uruguai
Os primórdios da olivicultura remontam ao processo de fundação de Montevidéu, quando em 1726 o governador Bruno Mauricio de Zabala encarregou o capitão Pedro Millán de estabelecer a jurisdição da cidade e iniciar a distribuição dos lotes, procurando as melhores terras agrícolas, escolhendo as existentes nas proximidades do chamado Arroyo de los “Michaels”. Além das “estâncias da sorte” – espécie de lotes de campo que foram concedidos pelos governadores espanhóis aos primeiros colonos – foram distribuídas fazendas para fomentar a agricultura em Montevidéu e povoados de La Campana, que foram os assentamentos na primeira instância no campo ainda desabitado.
Duas datas marcam o pano de fundo da introdução na Banda Oriental das primeiras oliveiras: uma por volta de 1780 com a chegada de Buenos Aires de algumas plantas (de Espanha), cujo cultivo foi documentado pelo presbítero e naturalista José Manuel Pérez Castellanos, que escreveu o primeiro tratado agrícola no Uruguai. As suas notas escritas entre julho de 1813 e fevereiro de 1814 na sua quinta de Miguelete confirmam o estabelecimento da “segunda remessa de 250 plantas que chegaram em estacas em 1810 e brotaram em setembro na costa de Miguelete”.
O empurrão decisivo veio nos anos do Sítio Grande. Quando Manuel Oribe – fundador do Partido Nacional ou Partido Blanco – se estabeleceu em El Cerrito em 1843, as famílias blancas – que responderam ao caudilho fundador do Partido Nacional ou Partido Blanco – de Montevidéu que abandonaram a praça se instalaram em suas fazendas. fazendas, construindo novos edifícios ou restaurando os antigos. Uma vez terminado. Em 1890 ele queria um total de 2.700 hectares e fundou um “Estabelecimento Agronômico” em Maldonado, entre o Cerro Pan de Azúcar e a costa atlântica, e importou castanhas e oliveiras da Itália e da França.
No departamento de Canelones, Diego Pons, produtor de vinho e olivicultor, fez as primeiras plantações na cidade de Suárez, “Granja Pons”, em 1888, produzindo 7.000 litros de azeite por ano à base de azeitonas. Em 1944 Ramón e Antonio Varela, também produtores de vinho e olivicultores, adquiriram a Granja Pons e continuaram com a produção de oliveiras e vinhas. Do estabelecimento original que tinha milhares de oliveiras, hoje restam apenas alguns exemplares, alguns com mais de 100 anos.
Em 1895 foi realizado o Congresso Nacional de Ganadería y Agricultura, que incluiu entre suas conclusões: “Todo o possível deve ser recomendado e feito para que o cultivo da oliveira se desenvolva no país, pois é sabido que ela vegeta e frutifica admiravelmente, produzindo azeite abundante. e excelente que pode competir com os melhores da Europa”. No início do século XX, Domingo Basso, viveirista e olivicultor, cultivava oliveiras da Itália e da Espanha em seu estabelecimento na área de Sayago e Colón, para a produção de azeitonas e produção de azeite. Chegando a obter de 80 a 130kg de rendimento por árvore.
Juan e Clara Jackson de Heber (duas personalidades da sociedade uruguaia ligadas à Igreja Católica) doaram uma fazenda em 1890 à Congregação de San José Citeaux, religiosa Josefina que foi socorrida pelos Salesianos em 1897. Nesta fazenda, localizada no quilômetro 17,5 da atual Rota 8, iniciaram-se as culturas agrícolas e em 1915 começou a funcionar uma escola agrícola, intensamente dedicada à formação de agrónomos. Por volta de 1934 já existiam 50 hectares de vinha e um olival de 10 hectares. Em 1965, foram realizadas lavouras e trabalhos experimentais, o que significou manutenção e estabilidade econômica para a escola. Os alunos completaram um ciclo de aprendizagem multidisciplinar, incluindo a manutenção de olival e produção de azeite. Naquele local com as oliveiras plantadas, os padres faziam azeite, num pequeno lagar situado na mesma propriedade. Desde 1995 este centro de ensino não existe mais e atualmente parte da plantação é mantida em uma área de 1 hectare.
Primeira metade do século XX
Outra etapa no desenvolvimento da olivicultura iniciou-se em 1937 com a promulgação da “Lei de Fomento Olivícola”, do Ministério da Pecuária e Agricultura, conhecida como “Lei de Cannes”, e a publicação em 1938 pelo agrônomo Hilario Urbina da “Cartilla del Cultivo del Olivo” que promoveu o plantio de oliveiras com uma série de benefícios e estímulos. A partir da promulgação dessa lei, entre 1940 e 1960 surgiram diversos empreendimentos em diversas partes do país. Um deles foi “El Mercado Olivarero del Uruguay”, que com apoio de crédito privado e oficial formou a Colônia Agrícola “San José de Mayo” por meio de um plano de aquisição de florestas e ações.
Em 1950, um grupo de franceses chegou ao Uruguai e fundou a fazenda “Los Ranchos” no Paraje Rincón de las Gallinas em Río Negro, encontrando ali um microclima mediterrâneo favorável para cultivos como videiras e oliveiras. As azeitonas desses olivais eram vendidas e processadas no lagar existente em Mercedes, construído pelo Barão de Mauá no século XIX. Em 1994 Mirêille Bertrand, descendente dos fundadores de “Los Ranchos”, retomou a actividade, procedendo a uma reconversão da floresta com castas espanholas e italianas, permitindo em 1999 voltar a produzir azeite virgem extra, comercializando sob a designação Los Nome Ranchos.
O impulso da época chegou ao Departamento de Salto e Em 1953 foi constituída a Urreta S.A. com um moderno lagar para a extração de azeite puro, das oliveiras da zona. Na mesma década, no Departamento da Flórida, foi criada a Companía Agrícola Olivarera del Uruguay Sociedad Anónima (Caodusa) na cidade de Fray Marcos, fornecendo olivais saudáveis e produtivos, com facilidades de pagamento. Com base em relatórios técnicos, a empresa identificou regiões adequadas para plantações nos departamentos do litoral norte (Paysandú, Salto e Artigas), sul e leste (Flórida, Lavalleja e Treinta y Tres) promovendo o cultivo em grande escala no país, destacando a qualidade dos azeites nacionais, qualificados como excelentes em exposições internacionais.
Segunda metade do século XX e a ascensão da olivicultura
Entre os anos de 1940 e 1950, Washington Babuglia e Gualberto Bergeret, dois professores da Faculdade de Agronomia nas Cátedras de Fruticultura e Tecnologia Agrícola, começaram a realizar pesquisas sobre o valor do óleo das variedades existentes nas instituições oficiais e estabelecimentos privados do país, como o Mercado de Azeitonas de San José e a Escola de Agronomia de Salto. Estes trabalhos forneceram informação sobre as castas com melhor adaptação ao nosso país, maior produção e melhores condições tanto para o azeite como para conservas.
No final da década de 1960, a indústria do azeite desenvolveu-se muito, utilizando como matéria-prima as sementes que permitiam fabricar um azeite de menor custo, pelo que a olivicultura começou a perder importância e muitas plantações foram abandonadas. No início do ano 2000, o cultivo foi retomado, iniciando a atual fase de auge e consolidação da olivicultura. Até 2003, 85% das plantações tinham mais de 50 anos, e atualmente 87% da área cultivada são novas plantações com 285-330 plantas/ha.
Atualmente, a área de produção está próxima a 10.000 hectares em todo o país, marcando o crescimento da atividade com novos plantios, recuperação de florestas e instalação de viveiros e fábricas. Foram plantadas cultivares de diferentes origens e finalidades: arbequina (50%), picual e manzanilla (11%), todas elas espanholas para fins de azeite e mesa, respectivamente. Da Itália foram introduzidos o frantoio e a coratina para a produção de azeite, e o leccino para azeitona de mesa, alcançando juntos 27% da área plantada. Barnea (8%) foi introduzido de Israel para fins de óleo e azeitonas de mesa. Variedades como Picual, Koroneiki, Picholina e Arbosana somam 10% da área cultivada. O azeite é cada vez mais valorizado tanto pelas suas propriedades gastronómicas como pelo seu contributo para uma alimentação saudável. Nas ruas de Montevidéu existem inúmeras oliveiras, vestígios de antigas explorações, como as localizadas nas ruas General Hornos ex-Quinta de Posse, Emancipación ex-Quinta Canessa e no Camino Coronel Raíz. Na área rural do Departamento de Montevidéu (Paso de la Arena) existem restos de plantações com indivíduos com mais de 150 anos, em boas condições sanitárias e produtivas, sendo uma excelente fonte de germoplasma adaptado.
Resumo Olivapedia
O Uruguai possui condições climáticas semelhantes às do em torno Mar Mediterrâneo.
Mesmo olivais com mais de 200 anos de vida, plantados no século XIX, ainda hoje estão em boas condições e produzindo. Estima-se em 550 hectares a área dessas oliveiras centenárias.
A partir de 1998 e sobretudo a partir de 2003 ocorreu a aceleração da atividade com novos olivais com destinação a produção de azeite extra virgem e azeitonas de mesa.
As plantações atuais não limitam os locais onde a olivicultura pode se desenvolver no Uruguai, posto as condições edafoclimáticas semelhantes em quase todo território.
Em 2011 as áreas com maior concentração de olivais eram Maldonado, Rocha, Treinta y Tres e Lavalleja, totalizando 80% da área plantada de olivais no Uruguai. Essa concentração se deveu a oferta de terrenos aptos, mas principalmente pela influência de investimentos estrangeiros que começaram a desenvolver negócios nessa área devido à sua proximidade com Punta del Este.
Ainda em 2011, haviam entre 80 e 100 produtores que vão desde os muito pequenos, com cerca de 20 a 400 hectares, até empresas muito grandes, todas associadas. As maiores áreas cultivadas têm incorporada uma área para um lagar de azeite. Em alguns casos, já está em operação uma unidade industrial para Azeitonas de Mesa.
O cultivo ocorre com irrigação, em alguns olivais de forma automatizada, e sequio. Apesar do Uruguai possuir um média anual de chuvas de 1.200mm, a irrigação ocorre em atenção aos meses mais secos, onde pode ficar mais de 10 dias sem chuva, visando obter maior rendimento na colheita.
O compasso que vem sendo adotado, na maioria dos casos é de 7 X 5 metros, resultando em uma concentração de 285 árvores por hectare, 300 “espremendo” um pouco.
Curiosidade
No final do ano de 2018 uma oliveira com idade aproximada de 300 anos foi trazida da região de Montevideu para ser um símbolo e atração para fazenda onde se produz o azeite Sabiá. Até o local de destino, São José dos Pinhais, SP, foram aproximadamente 1.400 Km e dois dias de viagem.
Cultivares (“variedade”) no Uruguai
Não existe registrado qualquer cultivar autóctone do Uruguai, contudo existe um pesquisador, Jorge Enrique Pereira Benitez, da Universidad de la República de Uruguay, que defende a existência de um cultivar surgido no Uruguai. Confira no link abaixo.
https://www.researchgate.net/publication/303108484_Historia_de_la_Olivicultura_en_Uruguay
Cultivares com maior representatividade no Uruguai
| Cultivar | Origem | Principal uso |
| Arbequina | Espanha | Azeite |
| Picual | Espanha | Azeite |
| Leccino | Itália | Azeite |
| Frantoio | Itália | Azeite |
| Manzanilla | Espanha | Azeitona de mesa |
| Barnea | Israel | Uso duplo (aceite e azeitona de mesa) |
| Picholine | França | Uso duplo (aceite e azeitona de mesa) |
A maior parte dos olivais do Uruguai são destinados a produção de aceite, com destaque para a Arbequina que responde por, pelo menos, 50% de todo o cultivo.
A preponderância no plantio de Arbequina deve-se a fácil adaptação da mesma em todos os territórios de plantio uruguaio.
Na sequência encontramos o cultivar Manzanilla, Picual e Leccino como mais plantados.
Consumo, produção, importação e exportação de azeite no Uruguai.
Os dados dessa seção foram todos obtidos do site do IOC (Internacional Olive Council).
Importante: Os dados de 2022 são estimativas e de 2023 previsões.
Observações:
- Os dados somente estão disponíveis a partir do ano de 2014, pois até então o Uruguai não era inscrito no IOC.
- O resultado negativo, (produção + importação) – (consumo + exportação), nos anos de 2019, 2021 e 2023 devem-se ao excedente em cada respectivo ano anterior.
Consumo per capita de azeite por ano.
Apesar da qualidade do azeite uruguaio e do esforço dos últimos em aumentar a produção, o consumo interno por habitante ainda é bastante aquém do que o país tem a oferecer por suas condições climáticas e sua culinária.
Observação: Para transformar um quilograma de azeite em unidade de volume, especificamente litro, consideramos que a densidade do azeite em 0,916 Kg/litro.
Alguns dados para comparação no consumo de azeite em litros per capita/ano:
- Brasil: abaixo de 0,4L;
- Tunísia em 2022: 2,72L;
- San Marino em 2021: 24,0L (Fonte Olive Oil Times de 11 de março de 2022);
- Grécia em 2021: 13,1. Sofreu um forte decréscimo, contudo há cidades onde o consumo é mais do que o dobre da média nacional;
- Quase 13 litros na Espanha, quase 9 litros na Itália e 8,6 litros em Portugal em 2021.
Produção, consumo, importação e exportação de azeitonas no Uruguai.
Os dados dessa seção foram todos obtidos do site do IOC (Internacional Olive Council).
Importante: Os dados de 2022 são estimativas e de 2023 previsões.
Como registrado acima, a prioridade na produção de azeitonas no Uruguai está na produção de azeite, e não na produção de azeitona de mesa.
Apesar da indicação oficial que não há produção de azeitonas de mesa, podemos supor que exista de forma artesanal.
Uvas e azeitonas
Tal como na maioria dos países da Europa, a olivicultura ocorre em paralelo a sua “prima de jornada”, a uva.
Inclusive os produtores que mantém suas propriedades abertas visitação possuem com infraestrutura inicial a vinicultura.
Partindo de Punta del Este e tendo como eixo a Sierra de los Caracoles existe uma verdadeira microbacia de azeitonas e vinhos que são um deleite aos sentidos. Dentre os espaços que oferecem esses passeios estão: Alto de la Ballena, Viña Eden, Finca Babieca, Bodega Garzón e Bodega José Ignacio.
Citação presente em alguns sites sobre olivicultura e vinicultura no Uruguai
Qualidade do azeite uruguaio
A pesar de raro no exterior, e mesmo no Uruguai não é tão abundante, o Uruguai vem construindo um histórico de respeitabilidade para seu azeite.
Abaixo um pequeno trecho publicado no site “Uruguay XXI” em 06 de maio de 2020.
ALEMANHA ELOGIA A QUALIDADE DO AZEITE DE OLIVA URUGUAIO
Fecha de publicación: 06/05/2020
A empresa estatal Deutsche Welle reconheceu o produto como “o novo ouro do Uruguai”.
A oliva uruguaia volta a fazer manchetes em todo o mundo devido à sua excepcional qualidade e ao desenvolvimento sustentado de sua produção, que está multiplicando suas exportações e teve uma colheita excepcional este ano. A estação de rádio estatal alemã Deutsche Welle (DW) elogiou o azeite de oliva uruguaio e deu a conhecer suas qualidades em um vídeo onde percorre a fazenda Aceites de la Sierra, localizada nas Serras de Minas, no departamento de Lavalleja.
NYIOOC
Como sempre publicamos os resultados do país pesquisado no NYIOOC (New York Olive Oil Competition). São diversos os concursos, inclusive já publicamos alguma coisa a respeito:
– Competições de azeites – Introdução – OLIVAPEDIA
– Competições de azeites – Principais concursos do mundo de ‘A’ a ‘H’ – OLIVAPEDIA
–Competições de azeites – Principais concursos do mundo de ‘I’ a ‘O’ – OLIVAPEDIA
– Competições de azeites – Principais concursos do mundo de ‘P’ a ‘Z’ – OLIVAPEDIA
A escolha pelo NYIOOC deve-se a abrangência, frequência e registro de resultados de fácil acesso.






























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