A oliveira Cellina di Nardò é uma variedade italiana presente na região da Apúlia (Puglia). Apesar de ser pouco conhecida fora da Itália, seu país de origem, a Cellina di Nardo é um cultivar em expansão, inclusive fora da Itália, devido à sua elevada rusticidade e boas características produtivas.
Cultivada e utilizada desde a antiguidade, a azeitona Cellina foi valorizada pela primeira vez pelos latinos, que exportaram o azeite para o Oriente, e definitivamente consagrada pelos sarracenos, que difundiram ainda mais seu uso chamando-a de sarraceno.
Curiosidades:
- Usada há séculos para a preparação do típico pão de oliva de Salento, a azeitona Cellina é particularmente adequada para uso na cozinha: ideal para aromatizar carnes, peixes e vegetais. Também é excelente em saladas e molhos.
- Usada há séculos para a preparação do típico pão de oliva de Salento, a azeitona Cellina é particularmente adequada para uso na cozinha: ideal para aromatizar carnes, peixes e vegetais. Também é excelente em saladas e molhos.

Origem, sinônimos e regiões de cultivo
O cultivar Celline di Nardò teve origem na comuna de Lecce na Província de Puglia (em italiano: Apúlia). Abaixo a localização no mapa.
Origem
Locais de cultivo e sinônimos
O número de sinônimos pelos quais o cultivar é conhecido já dá uma ideia da importância e divulgação deste. Também localizamos os sinônimos “Cellina Tarantina” e “Saracina”, sem registro da localidade, apesar de suspeitarmos que a Cellina Tarantina seja de Taranto – It.
Com é possível observar na imagem abaixo, a grande concentração de cultivo na Itália é próxima ao local de origem:
Área de cultivo
Na província de Lecce, na Puglia, a área de olival da Cellina de Nardò é de cerca de 60 000 hectares, 70% da área total dos olivais na região. Em Taranto calcula-se que existam cerca de 15 000 hectares, e em Brindisi são mais de 10 000 hectares. Tudo isto implica uma área total de olival entre 80.000 e 90.000 hectares cultivados na região italiana da Puglia.
Existem mais de 9.500.000 oliveiras destinadas a produção de azeite na Puglia. Olivais tradicionais em solos rochosos e muito pobres, sem rega, alternam-se com olivais régios e de regadio, capazes de produzir até 300 quintais (30.000) de azeitonas de azeite por hectare*.
* Segundo o site Schirinzi.
Ainda segundo o site Schirinzi, o cultivar predominantes na Puglia para a produção do azeite é o Cellina di Nardò, com 53,3% de todos os olivais, seguido do cultivar Ogliarola, com 41,1%. Os 3,6% restantes são de cultivares recentemente introduzidos.
As últimas expansões dos olivais corresponderam a 9.000 hectares, dos quais 3.000 de variedades novas em comparação com a presença centenária de Cellina di Nardò e Ogliarola.
Na Puglia o espaçamento (compasso) dos olivais tradicionais é de cerca de 12 x 12 metros, e o dos olivais intensivos pode mesmo atingir 7 x 3,5 metros. A cultura é especializada e é geralmente praticada em condições de sequeiro (sem rega), tendo em conta que menos de 20% da superfície dos olivais são irrigadas.
Um pouco de história
Antes de prosseguirmos com mais detalhes sobre a Cellina di Nardò, vamos contar um pouco sobre esse cultivar, conhecido e registrado a mais de 2.000 anos, que em conjunto com a atual importância, demonstra a vitalidade e qualidade do seu fruto.
Desde o primeiro século da era cristã o escritor romano Lúcio Júnio Moderato (4 a 70d.C), ou simplesmente Columela, como é mais conhecido, já registrava em um dos seus tratados sobre agronomia a Cellina di Nàrdo. A obra de Columella é considerada o reportório mais extenso e documentado sobre agricultura romana. Seus tratados: Res rustica (Os trabalhos do campo) e Liber de arboribus (Libro das árvores).
Mais tarde Giovanni Presta (1720 -1787), médico e pesquisador italiano, identificou através dos seus estudos numerosos sinónimos para a Cellina di Nardò: Morella, Cafarella, Scurranese, Casciola, Asciula, Saracena, Oliva di Lecce. Presta especula que era exatamente da Cellina di Nardò que Columella estava falando e, a esse respeito, ele escreve:
Não acredito que os sarracenos tenham sido os primeiros a introduzi-lo. Em Columella (Livro 12, cap. 49), há menção a um tipo de tempero feito de azeitonas pretas que foram esmagadas, mas sem quebrar o osso, depois salgadas e aromatizadas com feno grego em pó, sementes de erva-doce e anis, e finalmente colocadas em um frasco, …que é tão boa para comer em curtume que, atualmente, nenhum outro tipo de azeitona é usado para salgar e comer em preto nesta península. É por isso que parece que Columella não pretendia falar de nenhuma outra além dessa. Pode ter acontecido que os sarracenos, sendo ávidos por azeitonas para curtimento, tendo encontrado esse tipo aqui, tiveram o cuidado de propagá-lo, de modo que alguns lugares lhe deram o nome de sarraceno.
Principal uso
Vale a pena repetir que todo cultivar de azeitona serve para produção de azeite e conserva. A qualidade do resultado pela vocação, bem como rendimento, de cada uma é que varia.
No caso da Cellina di Nardò, a literatura trás os seguintes números de principal uso:
- Azeite: 91%
- Duplo – é utilizado tanto para azeite quanto para azeitona de mesa na região: 5%
- Mesa: 4%.
Morfologia
Não apenas quanto a morfologia, há de se considerar que as condições edafoclimáticas (edafoclimática), bem como genética da planta e manejo podem afetar as características físicas e comportamentais da árvore.
Comportamento biológico
Observações:
- A cor indicada para a colheita é negra, pois para consumo como azeitona de mesa o sabor é mais apreciado, e para fabricação de azeite, facilita a soltura do azeite da azeitona.
- Serve como polinizadora para alguns cultivares.
Resistências biótica e abióticas
Nesta seção consideramos doenças causadas por vírus como bióticas, apesar de ser um agente considerado como não vivo.

Observação: A resistência a infestações e a fatores climáticos, está diretamente ligado a condições edafoclimáticas, que afetam a sanidade e resistência da planta. A tabela acima uma média observada dos olivais existentes.
O Azeite da Cellina di Bardò
O cultivar apresenta baixo nível de rendimento de azeite por massa de azeitonas processadas. Algo entre 13 e 18%.
A cor do azeite é verde amarelado, inclusive em função do mesmo ser extraído, normalmente, de azeitonas já negras. Vide: FAQ – OLIVAPEDIA “A cor da azeitona influencia na cor do azeite?”.
Aroma do azeite da Cellina de Nardò
- Amêndoa 9%
- Erva aromática 9%
- Alcachofra 9%
- Frutas silvestres 18%
- Erva cortada 9%
- Frutas 27%
- Maçã verde 9%
- Tomate 9%
Sabor do azeite da Cellina de Nardò
- Amargo 37%
- Pungente 37%
- Doce 25 %
Tanto a informação de aroma quanto de sabor são apenas uma referência de base, pois os valores mudam a cada colheita e processamento.
O azeite da Cellina di Nardò EVOO é altamente valorizado por suas características organolépticas diferenciadas em comparação com outros cultivares.
Informações químicas sobre o azeite Cellina de Nardò da amostra testada
Sobre a amostra forma feitos os testes de absorção no ultravioleta tanto a K232, quanto a K270. Os resultados comprovaram ser relativos a um azeite extravirgem.
Óleo – Composição química do óleo (%)
- Ácido araquídico: Médio
- Ácido beênico: Baixo
- Ácido eicosenóico: Médio
- Ácido lignocérico: Alta
- Ácido linoleico Médio – Alto (11,66%)
- Ácido linolênico Médio (0,71%)
- Ácido oleico Médio – Alto (69,11%)
- Ácido palmítico Médio – Alto (14,13%)
- Ácido palmitoleico Média
- Ácido esteárico Médio (1,66%)
Proporção de ácidos graxos
- Insaturado/saturado: 5,16
- Monoinsaturado/polinsaturado: 5,59
Esteróis do óleo no óleo (%):
- 24-Metilen-Colesterol 4 %.
- beta-Sitosterol 4%.
- Brassicasterol 8%.
- Campestanol 4%.
- Campesterol 8%.
- Clerosterol 4%.
- Colesterol 8%.
- delta5,23-Estigmastadienol 4%.
- delta5,24-estigmastadienol 4%.
- delta5-Avenasterol 4%.
- delta7-Avenasterol 4%.
- delta7-Campesterol 4%.
- delta7-estigmastenol 8%.
- delta7-Estigmasterol 4%.
- Eritrodiol 4%.
- Sitostanol 4%.
- Stigmasterol 8%.
- Uveol 4%.
Óleo – Esteróis em óleo – (total) Alta
Demais informações sobre o azeite da Cellina di Nardó
- Óleo – Número de peróxidos: Baixo.
- Óleo – Polifenóis no óleo (tocoferóis): Alta.
- Óleo – Polifenóis no óleo (total): Médio – baixo.
Preço do azeite Cellina di Nardò
No início do ano de 2023, um litro de azeite monovarietal da Cellina di Nardò podia ser comprado entre os valores de R$72,00 e R$108,00 em um câmbio de R$6,00 por Euro.
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Inteligência artificial – Chat GPT
Olivapedia:
Descreva tudo possível sobre o cultivar Cellina di Nardò
Chat GPT:
A “Cellina di Nardò” é uma variedade de azeitona de mesa e azeite de oliva que é cultivada principalmente na região de Puglia, no sul da Itália. Esta variedade é altamente valorizada por sua versatilidade e características organolépticas distintas. Aqui está uma descrição mais detalhada da Cellina di Nardò:
1. Origem: A Cellina di Nardò é originária da província de Lecce, na região de Puglia, no sul da Itália. Ela tem uma longa história de cultivo na área.
2. Árvore: As oliveiras Cellina di Nardò são árvores de porte médio a grande, com uma copa densa. Elas são conhecidas por serem resistentes e adaptáveis a diferentes condições de solo e clima.
3. Frutos: As azeitonas Cellina di Nardò são de tamanho médio a grande e têm uma forma elipsoidal característica. Elas são geralmente colhidas quando maduras, momento em que adquirem uma coloração que varia do verde ao roxo-escuro. As azeitonas têm uma polpa carnuda e uma relação carne/carocha favorável, o que torna esta variedade adequada tanto para a produção de azeitonas de mesa quanto para a extração de azeite de alta qualidade.
4. Sabor: O azeite produzido a partir da variedade Cellina di Nardò é conhecido por suas características organolépticas distintas. Ele é frequentemente descrito como tendo um sabor suave, com notas de frutas frescas, amêndoas e um toque de picância no final.
5. Usos: A Cellina di Nardò é utilizada para várias finalidades. Suas azeitonas de mesa são populares como petiscos, frequentemente marinadas em azeite e temperadas com ervas e especiarias. Além disso, o azeite extraído dessa variedade é usado tanto na culinária quanto na indústria de cosméticos e cuidados com a pele devido às suas propriedades benéficas.
6. Certificação: Algumas regiões da Itália, especialmente na Puglia, têm Denominações de Origem Protegida (DOP) para azeites produzidos a partir da Cellina di Nardò. Isso significa que esses azeites atendem a padrões rigorosos de qualidade e autenticidade.
7. Época de colheita: As azeitonas Cellina di Nardò são geralmente colhidas no outono, quando estão maduras. O momento da colheita pode afetar o sabor e a qualidade do azeite produzido.
A Cellina di Nardò é uma variedade de azeitona valorizada por sua versatilidade e pela qualidade do azeite que produz. Ela desempenha um papel importante na cultura culinária da região de Puglia e é apreciada tanto localmente quanto internacionalmente.












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