Já escrevemos sobre a poda na publicação Quando, como e quanto podar… ou não?!, sendo que essa é nossa publicação com mais acesso.

Logo resolvemos ler mais um pouco e tentar complementar a ideia, sendo o menos repetitivo possível. Inclusive, nessa publicação, falamos um pouco sobre ferramentas.

Cremos que o que racionaliza ao máximo a prática são algumas orientações básicas

  • A poda de frutificação da oliveira deve ser racional e somente se necessária. Preferencialmente durante o repouso vegetativo.
  • Na dúvida, não pode. Um ramo duvidoso deve deixar para se avaliar no ano seguinte.
  • A poda deve ocorrer de cima para baixo, e começar pelos maiores cortes.
  • Os objetivos principais são: corrigir diferenças de vigor entre os galhos, independente da estética, e “clarear” o interior da árvore.
  • Eliminar ramos “ladrões” é questionável, pois no futuro alguns brotos produtivos surgiram destes.
  • O máximo recomendado em uma poda de uma árvore saudável (SE NECESSÁRIO) é 25% de sua copa, mas isso percentual não deve ser feito 2 anos seguidos.

Relembrando o por que podamos

  • Promover o equilíbrio das árvores, sem cortes severos – salvo em recuperação de árvores há muito abandonadas.
  • Provocar o aparecimento de novos ramos que produziram azeitonas no segundo ano do surgimento.
  • “Clarear” o interior das árvores. Ou seja: Melhorar a penetração do sol. Dessa forma também reduz os danos causados pela própria árvore durante uma ventania, bem como dano aos frutos por galhos improdutivos.
  • Eliminar material morto ou com possíveis problemas de sanidade.
  • Facilitar a colheita, tanto quanto o acesso aos frutos na horizontal, quanto a altura da árvore.
  • Dependendo da intenção: Dar o formato e restringir a altura para facilitar a colheita e tratamento da árvore.
  • No caso de uma árvore afetada por alguma praga, muitas vezes uma poda radical, até de ramos novos pode ser necessária.

Lembrando o que não devemos podar

  • Ramos do mesmo ano, que ainda não frutificaram. Os ramos que darão olivas (azeitona) são os do segundo ano.
  • Árvores muito novas (1º, 2º e as vezes até o 3º e 4º anos). O enraizamento da árvore – sistema radicular – crescerá tão rápido quanto houver disponibilidade de copa. Levantamos esse ponto na publicação: Quando, Como e Quanto podar… Ou não! (Toda oliveira, nos primeiros anos de vida, possui mais raiz do que folhagem. Logo, cortar exageradamente seus ramos significa reduzir seus processos metabólicos de crescimento).

Mais detalhes de quando podar

  • Via de regra a poda deve ser realizada entre o final do inverno e antes da floração, pois o corte estimula o metabolismo e o crescimento, o que torna o tecido da planta mais suscetível a lesões.
  • Em climas amenos, sem geadas de primavera, a poda pode ser iniciada no final do inverno.
  • A poda antes da brotação é arriscada em climas frios, pois devido à alta probabilidade de geada, o reparo da ferida pode demorar mais tempo.
  • Uma vantagem da poda após a brotação é que mesmo o cultivador inexperiente é capaz de avaliar o número de flores e a colheita potencial removida pela poda, pois os brotos de flores são distintos dos brotos vegetativos antes ou após a brotação.
  • A poda não deve ocorrer pouco antes da “plena floração”, pois removerá os tecidos nos quais os nutrientes e as reservas de carbono já foram remobilizados, resultando em uma perda líquida para a planta.
  • A poda tardia, junto a colheita ou logo apos, não danifica a planta, mas pode reduzir substancialmente o crescimento vegetativo sazonal.
  • O momento da poda influencia a resposta da planta. A remoção de brotos recém nascidos resulta em um crescimento muito mais vigoroso das brotações restantes do que se a mesma operação fosse realizada no início do verão.
Flores se transformando em azeitonas
Broto que deu origem a flores e azeitonas – Foto: Olealaneolives

Visão geral de como podar

Um material mais detalhado está na publicação “Quando, Como…”. Contudo aqui vão algumas dicas complementares e importantes:

  • Começar a poda pelas árvores mais saudáveis. O objetivo é evitar a infecção de uma árvore sã pela utilização de uma instrumento de corte infectado. Eventualmente pode-se emergir a ferramenta de poda em uma solução a base de cobre, calda bordalesa, por exemplo, ou outro pesticida antes de realizar a poda.
  • Os cortes devem ser lisos, sem degraus ou farpas. Logo deve-se utilizar ferramentas bem afiadas. O objetivo principal é não acumular água (umidade) nos cortes.
  • Todos os cortes em brotos, ramos e galhos podem ser desinfectados, contudo seria uma operação longa e custosa. Contudo é muito importante que ramos e galhos acima de 7,5cm recebam algum tratamento a fim de evitar focos de infecção. Algumas sugestões são própolis diluído em água (custo muito alto), oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre, trifloxistrobina, ou ainda com a própria calda bordalesa.
  • Todas os frutos com alguma caraterística anormal, bem como todos os brotos, ramos e galhos infectados devem ser, preferencialmente, queimados.

Ferramentas para poda

Cada diâmetro de ramo ou caule a ser cortado pede uma ferramenta mais adequada. O objetivo não apenas reduzir a fadiga de quem estiver realizando a tarefa, mas também obter o melhor resultado no corte, evitando problemas na saúde da árvore. Três pontos básicos:

  • As ferramentas devem estar limpas e afiadas, capazes de fazer cortes limpos sem rasgar a casca . Ainda nessa publicação, mais abaixo, uma receita para limpeza efetiva das ferramentas. O afiamento das lâminas não é simples e requer prática.
  • O responsável pela poda, além de conhecimento, não pode estar exausto, pois a poda é como uma “cirurgia” da qual a árvore deve se recuperar, logo com o menor trauma possível.
  • EPI – Equipamento de Proteção Individual. Não subestime a capacidade de imprevistos acontecerem. Galhos caem, farpas voam e outras tantas oportunidades de se machucar se fazem presentes no campo.

EPI: Não precisa tanto, mas os equipamentos corretos podem poupar muita dor de cabeça.

Ramos e Brotos com até 2,5 cm (1 polegada)

Utilizar tesoura de poda com lâmina dupla, preferencialmente.

Tesouras com mola de retorno a fim de facilitar o serviço.

Tesoura de poda – Básica

Podadores profissionais preferem tesouras de poda com amortecedores para reduzir a fadiga.

Há de diversos tamanhos. No caso de árvores maiores existem tesouras com cabos maiores e com cabos de comprimento variáveis.

Ramos e Galhos com até 7,5 cm (3 polegadas)

São encontrados mais para o meio da copa. É mais indicado é a serra manual tanto a de lâmina rígida quanto a dobráveis, contudo as de lâmina rígida são mais indicadas especialmente com até 38cm de comprimento. Este tipo de equipamento é propício a serviços mais pesados.

Ramos e galhos de maior diâmetro

O uso de um equipamento motorizado pode reduzir o tempo e o custo, pois reduz o custo de mão de obra.

O uso da motosserra é viável inclusive para ramos e galhos mais finos, contudo o uso deve ser feito onde houver espaço. Ou seja: Cortar apenas o desejado.

Outro ponto importante é que a motosserra deve ser leve para que o serviço seja mais facilmente e corretamente realizado. Não é necessária motosserra com sabre grande ou potentes e pesadas motosserras para poda de oliveiras.

O uso de equipamentos elétricos são bons, mas só se não dependerem de fios. Ou seja: equipamentos elétricos. O que depõe contra aos mesmos é a potencia e tempo de operação entre uma recarga e outra, que normalmente são demoradas. Ainda: Ter de deslocar o equipamento ao ponto de recarga.

Outras ferramentas

Existem outros instrumentos utilizados para poda, principalmente quando se trata de culturas maiores, pois o investimento em compressores de ar, para tesouras e serras pneumáticas, são muito mais altos e requerem volume para serem amortizados. Tratores adaptados e outros equipamentos aumentam ainda mais o custo da operação. São muito utilizados em cultivos intensivos e superintensivos, e normalmente acompanham um “pacote” de solução fechada de adubação e colheita mecanizada, onde vários equipamentos podem exercer atividades diversas, otimizando o custo do investimento.

Poda com trator
Foto – Cortesia de www.elolivarsuperintensivo.com y www.agromillora.com

Limpeza das ferramentas

A limpeza periódica das lâminas para remover as partículas de madeira, ou outro resíduo, pode ser feita simultaneamente com a desinfecção. No caso de realizar poda em árvore doente, a desinfecção deve ocorrer a cada uso. A cada árvore podada.

Uma forma simples de realizar a limpeza e desinfecção é utilizar 1 parte de lixívia* para 2 de água e um pano úmido-molhado.

* Lixivia: também conhecida como água sanitária, Kiboa e Cândida.

Também é possível utilizar etanol a 70% (álcool GL 70).

No caso das lâminas terem sido imersas em alguma solução a base de cobre, ou outro pesticida, é importante que as mesmas sejam cuidadosamente enxaguadas e secas, evitando assim a corrosão.

Conclusão

A poda é a atividade na olivicultura mais complexa. Além das divergentes correntes, mesmo dentro de cada uma, é necessário saber o que está sendo feito, pois os resultados negativos podem ser desassociados das ações de um, dois até mais anos atrás, devido ao tempo passado, ou atribuído a outro fator por profissionais pouco sérios.

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