Já falamos um pouco sobre a escolha de mudas nas publicações “Plantio – Parte II: Quase plantando(www.olivapedia.com/plantio-parte-ii-quase-plantando)” e em “Escolha do Cultivar – Fundamental no resultado futuro (www.olivapedia.com/escolha-do-cutivar). Dessa vez vamos focar na origem da muda: Idêntica a matriz ou diferente.

Importância da escolha

A aquisição de mudas dos cultivares desejados é uma das primeiras etapas a ser realizada para quem decidiu iniciar ou ampliar um olival. Esse desafio aumenta à medida que a dimensão do empreendimento cresce.

Caso a ideia seja a produção comercial, então será uma atividade que acompanhará para sempre o empreendimento.

É fundamental plantas de uma qualidade genética boa, caso contrário, será certo o não melhor resultado.

Retorno na escolha das mudas

Lembremos que o tempo de retorno de um investimento em um olival é lento. Trata-se de uma árvore que, em média, demora 10 anos para atingir a maturidade produtiva. Ou seja: Não existe muita margem para plantar árvores com uma genética ruim.

Em olival visando que vise a produtividade, a atividade de seleção de muda e plantio de novas árvores nunca acabará. Isso se deve a diversos fatores, como por exemplo: expansão do olival, morte de uma árvore, remanejamento, indivíduo pouco produtivo, ou outra razão.

Importância da escolha de mudas que serão árvores produtivas

Além da escolha do cultivar cujo comportamento agronômico atenda as expectativas de produção e seja adequado ao local de plantio, a escolha de uma boa muda trará resultados satisfatórios e poderá ser considerada como matriz no futuro para reprodução.

Aqui não vamos comentar sobre mudas de origem duvidosa que podem ser portadoras de doenças e pragas. Fica apenas o alerta quanto a importação “informal” que algumas pessoas fazem de uma variedade diferente da encontrada no Brasil. Apenas para ilustrar: Uma das maiores pragas da olivicultura na Europa é a mosca da oliveira, praga desconhecida por aqui, por enquanto.

O tempo médio para uma oliveira atingir a maturidade, e realmente mostrar sua capacidade produtiva, gira em torno de 10 anos. É claro que um perfil da árvore pode ser observado antes disso, mas de qualquer forma somente depois de alguns anos é que teremos a certeza de que um indivíduo é pouco produtivo.

Durante os anos de espera, além da área ocupada, recursos como fertilizante, pesticidas, poda, água, etc. poderão ter sido utilizados erroneamente, e o retorno a ser obtido muito baixo.

Base genética

O genoma das oliveiras foi totalmente mapeado no ano de 2016, e as variações observadas em cada cultivar ainda são registradas de forma não centralizada. Alguns exemplos:

Arbequina I-21®, Imperial I-23®, Blanqueta I-55®

São registros de mapeamento genético, muitas vezes com registro de propriedade, devido ao desenvolvimento ou melhoramento do cultivar, como por SikititaP: Cultivar resultante do programa de genético da UCO-IFAPA. Foi obtido com o cruzamento entre a picual e a arbequina. Possui porte reduzido, muito produtiva e alto teor de óleo -azeite- possível de se extrair. Muito utilizado em olivais de alta densidade.

Mudas não clonadas

Os naturalistas podem ter horror a clonagem, pois a mesma limita a evolução dos seres vivos. A evolução das espécies em grande parte depende em parte da multiplicação sexuada, pois promove a troca de material genético e aparecimento de seres diferentes dos geradores.

O problema é a imensa variabilidade que uma muda pode demonstrar sendo resultante da polinização entre dois indivíduos pode resultar. Isso não se restringe as oliveiras.

Quando obtêm-se uma árvore que produz repetitivamente descendentes com bons resultados, toma-se esse indivíduo como “cabeça de clonagem”. Seus descendentes terão uma probabilidade imensa de repetir as características da planta original. Logo, para quem pretende ter um olival produtivo, a escolha de mudas oriundas por clonagem de uma boa matriz é fundamental.

A diversificação através do sexo

A reprodução sexuada foi uma conquista biológica, pois durante os primeiros milhões de vida na terra as únicas formas de alteração entre seres sucessores eram limitadas às mutações ocorridas no código genético do organismo ou a eventuais erros na replicação desse código. Mas não era a toda hora que isso ocorria, mesmo que fatores externos mutagênicos ocorressem mais frequentemente, por exemplo: radiações ionizantes ou reação com compostos químicos de uma Terra em final de formação e amadurecimento.

Com o surgimento de espécies com capacidade de troca de material genético, ou seja: sexo – Calma, eram apenas duas bactérias trocando parte do DNA – a velocidade da variação entre os seres vivos aumentou. Posteriormente o “negócio esquentou”, mas ainda é para manter a calma… Apareceram os seres eucarióticos e de organismos haplóides e diplóides. Finalmente a associação de organismos unicelulares formando seres pluricelulares. Na sequencia surgiram os organismos com dimorfismo sexual, ou seja: uns com órgão masculinos e outros com órgãos femininos.

O problema com os descendentes por via sexuada, ou seja: obtidos através de sementes, é que esses montariam um enorme mosaico “mendeliano”. Talvez, eventualmente, uma árvore mais produtiva que as que deram origem, mas é acertar um mosquito com uma espingarda a 1 Km de distância.

Contudo a reprodução assexuada não foi abandonada pela natureza. Contudo permaneceu com exclusividade no mundo vegetal. Inclusive muitos organismos são capazes de se reproduzirem de forma sexuada e assexuada, como é o caso das oliveiras.

A muda a partir da relação sexuada (polinização).

No mundo das oliveiras isso se restringe a produzir uma muda a partir do fruto.

Mas onde está o sexo? Bem, vamos chamar de polinização. Quando o pólen de uma árvore alcança um gameta feminino receptivo de outra árvore, pode surgir um fruto, a azeitona.

Em alguns casos a polinização pode ocorrer entre flores da mesma árvore, mas é menos frequente e eficiente.

Quando falamos então de uma polinização cruzada entre cultivares diferentes, mas compatíveis, a possibilidade de variação nos descendentes aumenta significativamente.

Mas aos interessados, em breve haverá uma publicação dando o passo a passo. Observação: O cultivar Mission surgiu do cultivo de sementes levados a América do Norte por missionários católicos na época colônia da América do Norte. Vide: Oliveiras pelo mundo: Estados Unidos da América

Criação de mudas “clonadas”.

Não é de hoje que a agricultura apela por meios de clonagem, contudo o conceito com o nome “CLONE” só foi divulgado em 1903, quando o agrônomo americano Herbert J. Webber propôs esse nome em um artigo da revista “Science”. Nada mais era que batizar “um conjunto de organismos derivados de um único por reprodução assexuada”.

Diferenças entre clones ???

Como já comentado, os clones são cópias exatas somente geneticamente falando. Na prática as coisas ficam um pouco diferentes. Suponha uma oliveira muito produtiva, e dessa façamos 10 estacas para plantio em áreas diversas. A árvore que cedeu as estacas passa a ser chamada de “cabeça de clone”.

Digamos que cada muda de estaca seja plantado em terrenos diferentes: composição do solo, condições de insolação e drenagem de água, temperatura, etc.. Inevitavelmente cada oliveira apresentará um resultado de produção diferente da “cabeça de clone”.

O código genético é apenas um “código”. É uma receita para produzir uma oliveira. Todos elementos relacionados a qualidade dos produtos utilizados e processo interferiram no resultado. Faltando ou havendo um componente em excesso, o resultado será afetado.

Quatro formas para obter-se mudas clonadas

Estaquia – Sem dúvida é a técnica mais utilizada, inclusive na olivicultura. Corta-se um ramo semi-lenhoso da arvore de maneira não perpendicular, ou seja: enviesado. Nesse ramo será induzida o enraizamento para produção da muda. Normalmente na estaquia se utiliza algum produto para estimular o enraizamento.

Alporquia – Produção de raízes no caule da matriz, através da estimulação de nutrientes e umidade, em um segmento descascado. Uma variação dessa técnica é a mergulhia.

Imagens:HMJardins

Enxerto – Através da utilização de um “cavalo”, normalmente uma árvore menos produtiva, insere-se um ramo de uma árvore produtiva. Desta forma aproveita-se o desenvolvimento do cavalo antecipando a fase produtiva da árvore. Existem duas formas de maneira geral, e algumas variações quanto ao corte e o posicionamento do enxerto. Na primeira forma o cavalo deixa de produzir (Garfagem) e na segunda o cavalo continua a produzir, mas é colocado um cultivar a mais na mesma árvore (Borbulha).

Garfagem a esquerda e Borbulha a direita

Observação: No caso do enxerto “Borbulha” a árvore apresentará características de ambas as arvores envolvidas no processo.

Muda espontânea de enraizamento – Esse método é o mais trabalhoso e possui resultado bastante incerto. Em outras espécies a muda gerada a partir do enraizamento se chama Estolho.

Nas oliveiras esse não é o caso, mas a “vareta” que surge lateralmente ao tronco principal é um excelente candidato a clonagem.

Sendo possível obter as “varetas” ou espigões com alguma raíz, ainda melhor. Logo teremos mais rapidamente uma muda “clonada”.

Todas as técnicas acima serão explicadas em publicações próprias.

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