A Bianchera é o principal cultivar da Eslovênia. Por lá o seu nome é Belica. Bianchera é como ela é conhecida pelo mundo a fora devido a influência da Itália, vizinha da Eslovênia, e onde também o cultivar está presente.

Além da Biachera, são oliveiras autóctones da Eslovênia: Athena, Krivulja Piranska, Samo e Zelenjak, contudo nenhuma com a mesma relevância da Biachera. A Krivulja Piranska ainda possui um cultivo localizado, mas de menor relevância.

Devido às principais áreas de plantio serem em torno da fronteira entre a Eslovênia e Itália, Capodistria (no município de Koper na Eslovênia), San Dorligo della Valle e Triestre (Itália), e pela importância do cultivar, algumas fontes atribuem sua origem a Itália.

Distribuição do cultivo

  • Capodistria (Eslovênia): 16%
  • Friuli – Venezia – Guilia (Itália): 16%
  • Muggia (Itália): 16%
  • Pula (Croácia): 16%
  • San Dorligo dela Valle (Itália): 33%

A cultura na região remonta ao domínio do comércio pelo Fenícios que disseminaram a olivicultura a partir do Mediterrâneo.

Área de possível surgimento do cultivar

Origem do Nome

Seu nome, provavelmente, vem de “biancheria”, que significa roupas brancas (íntimas) ou “linho”. Talvez a referência seja pelo fato de que a mudança de cor da azeitona (veraison) é tardia e progressiva. Pode ser até que nem fique totalmente escura, mesmo com a maturação completa. Também pelo aspecto esbranquiçado que a maioria dos frutos assume ao final da maturação.

Foto editada a partir de arquivo cedido pelo Viveros Sophie

Sinônimos

Com sua longa história de cultivo, a Biachera acaba tendo atribuído a si vários outros nomes: Belica, Belica Ota 1, Bellizza, Bianca, Bianca Istriana, Bianca Triestina, Biancara, Biancaria, Bianchera R, Bianchera Tar, Bianchera Z, Bilica, Bjelica, Buzetska Belica, Campeglio, Dolinka, Drobnica Pregiata, Istarska Belica, Istarska Bjelica, Medeazza, Navadna Belica, Plementa Bjelica, San Rocco e Zlahtna Belica.

Principal vocação

A destinação principal é para produção de azeite. Para tanto a colheita ocorre nos estágios inicias de amadurecimento.

Não foi localizada indicação para consumo como azeitona de mesa.

A Árvore

Este cultivar vive bem nas colinas de arenito que circundam o Golfo de Trieste na Itália, mas também nos solos calcários mais expostos do planalto Karst na Eslovênia.

Seu vigor é alto, copa aberta e densidade da copa também alta.

É bastante rústica muito resistente ao frio, tolera bem ventos do mar, solos frios e com muito calcário. Aceita podas vigorosas.

Demais características:

  • Polinização: Parcialmente auto compatível.
  • Produtividade: Alta
  • Regularidade: Constante
  • Entrada em produção: Tempo médio

Foi relatada uma sensibilidade particular aos ataques da traça e da mosca da oliveira, contudo é tolerante ao ciclocônio (olho de pavão) e sarna.

Resistências (1 a 5. De mais sensível a mais resistente)

  • Frio: 4
  • Repilo: 3
  • Tuberculose: 3
  • Mosca da oliviera: 2
  • Prays: 2
  • Calcário: 4
  • Olho de pavão: 3
  • Pseudomonas syringae: 2
  • Seca: 1
  • Vento: 1

Floração

Dentro do período da região, a floração da Bianchera e antecipado (cedo). O comprimento fica dividido entre médio e grande, assim como o número de flores. A estrutura da inflorescência é espaçada.

Folha

  • Formato: Elíptica-lanceolado. Observado eventualmente folhas lanceoladas e elípticas.
  • Tamanho: Grande.
  • Largura: Média-estreita.
  • Largura máxima da folha: Central.
  • Ângulo do ápice da folha: Agudo.
  • Curvatura longitudinal: Plana.
  • Estrutura da inflorescência: Esparsa.
  • Cor (superior-inferior): Verde – Verde amarelado.

Fruto

Seu tamanho é médio, o que provavelmente viabilizaria a produção de azeitona de mesa, mas, como já comentado anteriormente, não encontramos referência a produção da mesma.

Demais características do fruto:

  • Tamanho/peso – Secção transversal: Médio, eventualmente alto.
  • Tamanho – secção vertical: Médio
  • Formato: Elíptico, eventualmente esférico.
  • Simetria: Semi-simétrico, eventualmente simétrico.
  • Maior diâmetro: Central.
  • Parte superior: Redondo.
  • Parte inferior: Truncada
  • Cavidade do talo no fruto: Varia de forma igual entre “circular”, “profundo” e “amplo”.
  • Quantidade de lenticelas: Muitas
  • Tamanho das lenticelas: Pequenas
  • Época amadurecimento: Tardia
  • Dificuldade de desprendimento: Fácil
  • Teor de azeite por massa de azeitona: Alto

O caroço:

  • Peso: Médio
  • Formato: Elíptico, eventualmente oval
  • Simetria: Semi-simétrico
  • Posição no fruto: Central
  • Parte superior: Arredondada
  • Parte inferior: Pontuda
  • Posição maior secção transversal: Meio.
  • Superfície: Rugosa.
  • Nr sulcos fibrovasculares: Médio

O azeite

Olivais desta variedade destacam-se pela qualidade do azeite, elevada e constante produtividade e boa adaptação ao meio ambiente.

Aromas da amostra testada:

  • Amêndoa (19%).
  • Alcachofra (14%).
  • Grama cortada (14%)
  • Frutado (33%)
  • Tomate (19%)

Paladar da amostra testada:

Painel de degustação de uma amostra do azeite Bianchera

Em resumo:

Dentre as principais características agronômicas dessa variedade autóctone está a alta resistência ao frio. A produção de petróleo é alta e os rendimentos geralmente estão acima de 16%. O óleo de Bianchera possui alguns aspectos característicos e muito importantes: uma elevada percentagem de ácido oleico, assim como um elevado teor em polifenóis, antioxidantes naturais, para além de uma baixíssima acidez oleica.

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