A oliveira e seus frutos foram citados diversas vezes no novo e antigo testamento, sem falar no Alcorão e Torá. Por exemplo: “Após o dilúvio a pomba trouxe um ramo de oliveira a Noé”:
“Pois Jeová, seu Deus, o faz entrar numa terra boa, uma terra de correntes de água, de fontes e de nascentes que fluem nos vales e na região montanhosa, uma terra de trigo e cevada, de videiras, figueiras e romãzeiras, uma terra de azeite e mel…”
Deuteronômio 8:7, 8
A citação acima, de Moisés, data de mais de 3.500 anos. Essa e outras referências fizeram com que a Oliveira se consolidasse como símbolo de paz, sabedoria, vitória, fertilidade, bem como poder e pureza. Com seus ramos era montada a Kotinos.

Sua resistência a intemperes é um símbolo de “persistência” e “vitalidade”. Mesmo em condições pouco propícias, luta pela sobrevivência. A oliveira resiste à temperaturas abaixo de 0º C, bem como acima de 40ºC. Pode ser totalmente podada e, mesmo restando apenas o caule, suas folhas ressurgirão. É capaz de espalhar suas raízes por dezenas de metros, entre rochas e cascalhos, em busca de nutrientes para seguir se desenvolvendo. A profundidade de suas raízes pode ultrapassar os 6 metros.

Sua longevidade é espantosa. Existem relatos de muitas árvores com mais de 2.000 anos e que ainda frutificam. Não existe qualquer restrição a respeito da qualidade dos seus frutos. Talvez concorra com ela, nesse quesito, apenas a Figueira.
TAXONOMIA E CLASSIFICAÇÃO BOTÂNICA

Olea europaea, Köhler’s Medizinal Pflanzen 229, by Franz Eugen Köhler, Köhler’s Medizinal Pflanzen 
O conteúdo a seguir for extraído de O Grande Livro Da Oliveira E Do Azeite, O – Portugal
Giorgio Bartolini & Rafael Petruccelli (2002), referem-se como atual a seguinte classificação:
- Classe: Magnoliopsida
- Subclasse: VI Asteridae
- Ordem: Scrophulariales
- Família: Oleaceae
- Subfamília: Oleoideae
- Tribo: Oleceae
- Gênero: Olea L.
- Espécies: Olea europaea L.
- Subespécies: Olea europaea L. ssp. sativa Hoffm. et Link (=Olea europaea L. ssp. europaea) e
Olea europaea L. ssp. oleaster Hoffm. et Link (=Olea europaea L. ssp. sylvestris).
A oliveira atual pertence à família das oleáceas, subfamília das oleóidas, a qual se subdivide nas tribos Oleae e Syringeae. À Oleae corresponde um conjunto de 30 gêneros, incluindo o género Olea L. com mais de 600 espécies […] […] Esta espécie inclui as subespécies: Olea europaea sativa (forma cultivada) e a Olea europaea sylvestris (forma selvagem). A classificação das árvores e formas arbustivas da oliveira e do zambujeiro (Olea europaea sylvestris) varia de acordo com os autores. Ambas têm o mesmo número de cromossomas (na forma diplóide = 46), mas foram encontradas formas poliplóides nas subespécies africanas (Rugini, E. 2011). A Olea europaea ssp. sylvestris é muitas vezes confundida in situ com a Olea olevaster, planta descendente de sementes da oliveira de cultivo O. europaea ssp. sativa, a qual apenas se reproduz por propagação vegetativa; quando propagada por semente, retorna ao estado selvagem (Zuhary D. & Hopf M., 2000).
Origem
Parece existir unanimidade relativamente a uma provável origem aloplóide (monoplóide) para a Olea europaea (n=23), em resultado da hibridação natural entre espécies com 11 e 12 pares de cromossomas seguida de auto-duplicação; porém, não é consensual a opinião sobre as espécies que estiveram na sua origem. Mataix, J. (2006) considera a possibilidade de a Olea europaea ssp. sylvestris resultar de uma hibridação entre a O. europaea ssp. lamperrinei do Sahara (como progenitor masculino) e a O. europaea africana ou cuspidata (como progenitor feminino), hibridação que teria ocorrido na África Ocidental há 500.000 anos A.C.
Reprodução
A oliveira silvestre reproduz-se naturalmente após polinização cruzada. Os seus frutos são geralmente menores do que os da oliveira cultivada. A espécie é auto-incompatível: A propagação sexuada impediu a erosão genética, garantindo riqueza de alelos e, assim, a diversidade genética natural observada nas populações naturais de genótipos silvestres. A intra-fertilidade e a inter-fertilidade com as outras subespécies do género Olea permitiram cruzamentos espontâneos, aumentando a diversidade genética da Olea europaea sylvestris e constituindo a base da seleção pré-histórica (desde o Calcolítico) das diferentes variedades. O aumento significativo de tamanho e volume do fruto que se observa na Olea europaea sativa terá resultado do efeito de heterose (outbreeding enhance).
CLASSIFICAÇÕES PARA ASPECTO DA ÁRVORE
GERAL
Árvores “baixas” (apesar de algumas chegarem a 20 metros), cujo troco retorce ao longo de sua vida.
VIGOR
Indica o desenvolvimento da planta adulta, e pode ser considerado como:
- Baixo
- Médio
- Alto
- Muito alto
PORTE
Refere-se ao padrão de crescimento e distribuição da copa (galhos e ramos):
- Verticalizado
- Expandido
- Pendular
DENSIDADE DE FOLHAS NOS RAMOS
- Rala
- Média
- Densa/Espessa
CLASSIFICAÇÕES PARA ASPECTO DA FOLHAGEM
GERAL
Simples e em geral verde acinzentada, em variados tons, sendo a parte inferior mais clara, com diversas composições com outras cores. Podem durar de 1 a 3 anos e se desenvolvem para reduzir a absorção de irradiação solar (albedo alto), bem como para controlar a perda de água por evaporação. São adaptações vão desde o tamanho das folhas até a estrutura das suas superfícies.
As características visuais podem variar conforme a época do ano, idade da oliveira, local de coleta no ramo, bem como saúde da árvore. Mas, de maneira geral, as características principais podem ser traduzidas conforme segue:
FORMATO
Perfil formado pelo plano principal da folha.
- Lanceolado
- Elíptico-lanceolado
- Elíptico.
CURVATURA LONGITUDINAL
Curvatura natural da folha, quando observada de forma perfilar – folha “em pé”.
- Hiponastia – Leve curva para o lado superior
- Plana
- Epinastia – Curva para o lado inferior
TAMANHO
No sentido longitudinal (comprimento) a folha pode variar entre 3 e 8 cm. No sentido transversal (largura), a variação fica entre 1 e 2,5 cm. Contudo, como quase tudo o que se refere às oliveiras é muito variável, já encontramos referência de folhas com comprimento de 2,3 cm.
- Muito pequena
- Pequena
- Média
- Grande
- Muito grande
ÂNGULO DA PONTA
- Muito agudo: aproximadamente 10º
- Agudo: aproximadamente 15º
- Aberto: aproximadamente 20º
- Muito aberto: Aproximadamente 25º
ÂNGULO DA BASE – JUNTO A HASTE
- Muito agudo: aproximadamente 07º
- Agudo: aproximadamente 12º
- Aberto: aproximadamente 18º
POSIÇÃO DA MAIOR LARGURA NA EXTENSÃO LONGITUDINAL
- Apical (Ex.: Melaiolo): Aproximadamente no primeiro 1/4 da folha, começando pela ponta
- Centro apical – (Ex.: Pendolino): Aproximadamente no primeiro 1/3 da folha começando pela ponta
- Central – (Ex.: Grappolo): Aproximadamente a 1/2 da folha começando pela ponta
- Centro basal – (Ex.: Arancino): Aproximadamente de 2/3 a 3/4 da folha começando pela ponta
COR DAS FOLHAS
Superfície superior Superfície inferior
- Verde claro • Verde Claro
- Verde • Verde acinzentado
- Verde acinzentado • Cinza esverdeado
- Verde escuro • Cinza esverdeado pálido
- Verde intenso • Cinza pálido
Observação: Às vezes é difícil limitar-se às cores acima. Muitas vezes, elas parecem ser prateadas, amareladas. Logo, no nosso post sobre morfologia, não nos prendemos às cores indicadas.
ASPECTOS GERAIS DA FLORESCÊNCIA
Considerando a classificação da botânica geral, o padrão das oliveiras é o Racemo (cacho) ou Paniculata (cacho de cacho).
Seguindo os estudo de Barranco e Rallo (1984) as características estão classificadas pela estrutura, forma e comprimento do eixo floral.
ESTRUTURA
Indica o comprimento da haste (pedúnculo) e a distância das flores.
- Longa e espaçada
- Longa e compacta
- Curta e espaçada
- Curta e compacta
FORMATO
Refere-se à ramificação e a inflorescência.
- Paniculata: cacho de cacho
- Paniculata espiciforme: cachos de cachos em forma de espiga
- Racemo: cachos que saem o pedúnculo de paralela
COMPRIMENTO MÉDIO
- Curta: Menor de 2,5 cm
- Média: Entre 2,5 e 3,5 cm
- Grande: Maior que 3,5 cm
As oliveiras são companheiras de jornada de grande parte da civilização. Nem os movimentos migratórios afastaram em definitivo as pessoas cujos ancestrais tiveram contato outrora com as oliveiras. Motivo do cultivo na América do Norte, Sul e Austrália. Também conquista novos povos da China a África.
Essa relação deverá durar tanto quanto consigamos permanecer por aqui!




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13/02/2020 22:11107684 698362I love your wordpress template, where did you download it from? 612334
MAURO JOSE DE MENEZES
18/02/2020 18:36Thanks!
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Keep accesing our blog and send sugestions.
Thanks againg.
VANDERLEY HENRIQUE GUERRA
06/10/2020 00:02Existe a retirada de uma planta com baixa producao?
Renovação do pomar?
O que é feito da planta “velha”
Tem venda das mesmas tenho muito interesse.
Não precisa produzir!
Só a planta mesmo.
MAURO JOSE DE MENEZES
08/10/2020 10:26Bom dia Vanderley.
Antes de tudo gostaria de agradecer a audiência e sugerir que se trono um Patron do nosso blog. Todo valor arrecadado é convertido na hospedagem do site, produção gráfica e revisão de conteúdo.
Bem, vamos as respostas:
1) Sim existe a retirada de uma planta com baixa produção, e as razões podem ser diversas. Por exemplo: escolha errada do cultivar para o local, uma planta doente, compasso errado no plantio, e por aí vai…
2) Em teoria, em um plantio tradicional, a oliveira encontra-se em seu período mais produtivo entre 10 e 50 anos. Mas na prática não é isso que vemos em muitos plantações antigas, principalmente na Europa e Norte da África, onde árvores centenária produzem uma quantidade enorme de azeitonas. Quanto a plantação intensiva, e principalmente a plantação em “sebe” – superintensiva, a longevidade é bem mais curta. Observada a queda de produção (+/- 20 anos) ocorre a troca parcial ou total do olival.
3) Depende do motivo da extração e recursos para replantio. Uma árvore muito velha é vendida como ornamental por um valor bastante elevado: Já vimos árvores de R$ 500,00 a 5.000,00 (a mais) em vaso. Não sendo esse o caso, eventualmente ela ser remanejada para outra área. Quando não ocorre a retirada da árvore, mas sim o corte da mesma, a madeira poderá ser aproveitada para confecção de artefatos – artesanato, pois sua madeira é muito bonita.
4) Na “Vila Oliva”, nosso campo de testes, as árvores ainda são muito novas e não começamos a produzir mudas. Contudo, dependendo de onde você mora é possível encontrar boas mudas a venda no valor de 10,00 a 50,00 reais. Agora para uma planta mais antiga, os preços disparam, como informado acima.
Caso tenha restado alguma dúvida, estamos a disposição.
Saudações,
Olivapedia.
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