Encontramos esses termos utilizados de forma equivocada em quase toda literatura sobre olivicultura e mais especificamente sobre azeite. Inclusive aqui na OLIVAPEDIA, o que aos poucos pretendemos ajustar.

Taxonomia

Sem entrar muito em detalhes, vamos ver rapidamente como a biologia categoriza e nomeia os diferentes seres vivos vegetais.

Mas se você não quiser saber do “blá-blá-blá”, clique aqui

Definição

Disciplina ligada a biologia que define os grupos de organismos dando nomes, baseando-se em características comuns, dando nome a esses grupos. Cria-se a partir de mais genérico ao menos uma hierarquia.

Criador

Em 1753 o sueco Caroli Linnaei (Carlos Lineu),  botânico, zoólogo e médico, publicou a primeira edição do seu estudo para classificação dos seres vivos: Animais e Vegetais. Dois volumes, onde cada ser par ser classificado poderia ter vários nomes: sistema “polinomial*”.

* Nesse caso nada tem a ver como polinômios matemáticos.

Alguns chegam a citar que Deus criou os seres vivos e o Lineu organizou.

Observação: Aristóteles (384 a.C. a 322.A.C ) já havia criado uma divisão, bastante rudimentar, em função da capacidade de locomoção dos seres vivos, que seria a base para um discípulo desenvolver a botânica.

Evolução da Botânica

estátua de theophrastus
Theophrastus

Como discípulo de Aristóteles veio Teofrasto (Theophrastus / 371 – 287 a.C.). Com dois livros:  Inquérito às Plantas e Sobre as Causas das Plantas foi em titulado o “pai” da botânica. Teofrasto desenvolveu um vocabulário próprio para as plantas, bem como apoiou o desenvolvimento da horticultura e agricultura. Através de coletas de espécies, realizou experimentos que ajudou a determinar quais plantas poderiam ser utilizadas para diversos fins.

Vários outros contribuíram para o desenvolvimento da botânica, como por exemplo: Plínio o Velho (23 a 79 d.C), Pedanius Dioscorides (+/- 60 d.C), Albertus Magnus (1193 a 1280), Otto Brunfels (1488 a 1534), Hieronymus Bock (1498 a 1554) e Leonhart Fuchs (1501 a 1566). Mas essa história será melhor contada na publicação sobre a Taxonomia

Evolução da Taxonomia

Inicialmente a classificação era “polinomial”, contudo, logo percebeu a dificuldade de entender os grupos de características, logo o sistema tornou-se binominal, o que permanece até hoje com raras exceções.

Interessante notar que somente em 1859 Chales Darwin publicaria a “Origem das Espécies”. Ou seja: “Espécies”.

Assim como toda ciência, as conquistas são evolutivas. Até hoje discute-se ajustes no sistema de classificação, pois a quantidade de seres a serem classificados é muito grande e as características muitas vezes ficam “cruzadas” entre os ramos hierárquicos. Hoje existem padrões que serão melhor explicados aos interessados em publicação própria sobre taxonomia, mas adiantando apenas os pontos principais:

  • Os nomes são binomiais na maioria das vezes, como já comentado.
  • As classificações tem de ser monofiláticas, ou seja: Um ser não pode estar presente em mais de um ramo hierárquico.
  • As categorias são criadas e os indivíduos agrupados a essas em função de suas características. As consideradas principais são suas características reprodutivas, pois são as mais preservadas. Por exemplo: uma planta adulta pode ter suas características muito alteradas pelo ambiente.
  • A classificação dos vegetais é totalmente independente e diferente da dos animais e outros reinos.
  • Nem todas as categorias existem em todas classificações, ou seja: Um ser vivo que pertença a uma “Família” possui uma “Sub-família”, ou que pertença a uma “Tribo”, possua uma classificação de “Sub-Tribo”. Na verdade, pode até ser que determinado indivíduo não tenha em sua classificação uma determinada categoria.

Evolução dos Reinos

Hoje a classificação dos reinos dos seres vivos está bem mais complexa que apenas “Animal” e “Vegetal”. Não estamos falando de certos políticos, mas só de biologia.

Em 1990 Woese estabeleceu a classificação de três domínios para englobar os seis reinos

Observação: O significado dos nomes estranhos será dado na publicação específica sobre TAXONOMIA.

Evolução da Classificação

No início, com Lineu as categorias do reino vegetal (Plantae) – que é o que nos interessa – era normalmente limitado.

Hoje essa classificação tem muito mais elementos, muitas vezes utilizados apenas quando são muitos os indivíduos de um Clade, ou Clado,(agrupamento de uma categoria e suas sub categorias).

Em verde as categorias que mais são utilizadas, e em vermelho as que estamos tratando nesta publicação.

Indo direto ao ponto

Pela hierarquia acima já dá para começar a entender a diferença entre Variedade e Cultivar.

A Variedade tem a ver com um processo natural de evolução de uma espécie. Muitas vezes encontramos uma literatura que define, inclusive, variedade como sendo uma subespécie.

Já o Cultivar é relacionado a alterações provocadas pelo homem através de cruzamentos, enxertia, seleção ou outro processo que altera as características da planta, bem como de seus frutos. Não se trata de um tratamento recente que depende de engenharia genética ou outro meio moderno para alteração de uma espécie. A própria domesticação da oliveira que criou a subespécie (ss) “europaea”, variedade “sativa” da espécie Olea europaea L. a partir da Olea europaea L. ssp. Oleaster, variedade “Sylvestre”. Ou seja: As oliveiras cultivas hoje, na maioria esmagadora dos casos, são Olea europaea L. ssp. Europaea, variedade Sativa. Como comentado muitos colocam o nome da variedade como sendo a subespécie, logo:

Olea europaea L. ssp. Europaea = Olea europaea L. ssp. Sativa

Já os cultivares são, mal comparando, raças de cachorro oriundas do lobo criadas pelo homem. São mais de 1.200 cultivares registrados e que estamos aos poucos publicando em nosso blog, mas apenas os principais, que deve chegar em torno de 400 cultivares.

Exemplos de cultivares: Galega, Picual, Frantoio, Koroneiki e Arbequina.

Observação: Como o nome variedade é mais usado no dia a dia da grande maioria das pessoas, muitas vezes os cultivares são citados como variedade, o que no rigor biológico está errado, mas certo no dia a dia.

Adiantando um pouco sobre taxonomia, tema de publicação específica, citamos as espécies “irmãs” da nossa Olea europaea:

  • Oliveira Africana: Olea europaea ssp cuspidata
  • Oliveira Marroquina: Olea europaea ssp. maroccana
  • Oliviera Laperrine: Olea europaea ssp. laperrinei

E muitas outras…

Digna de nota, devido a confusão que algumas pessoas fazem a atribuir a mesma como ”azeitona”, temos a Oliveira do Ceilão

Oliveira do Ceilão

Oliveira do Ceilão: Elaeocarpus serratus.

A categoria mais próxima comum a Olea europaea está no Clade, ou Clado, ”Divisão”:

  • Magnoliophyta: Plantas que produzem flores

Ligada a “Super Divisão”:

  • Angiospermas ou Spermatophyta: Plantas que produzem sementes.

Ou seja: apesar de ser chamada como “falsa oliveira”, esse apelido é ainda mais distante do que insinua.

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