Essa publicação foca apenas em um diagnóstico quanto a nutrição das oliveiras, sem levar em conta doenças causadas por pragas.

Após cada problema existe uma sugestão, mas sem entrar em detalhe, o que será passado em outras publicações por tipo de nutriente.

Lembrando quais são os macronutrientes básicos para todas as plantas: Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S). Os principais micronutrientes são: Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mb), Níquel (Ni), Boro (B), Zinco (Z)e Cobre(Cu).

Observações:

  • Macronutrientes: Necessários em grandes quantidades.
  • Micronutrientes: Necessários em pequenas quantidades (de miligramas a microgramas (1/1.000 a 1/1.000.000).
  • Nutrientes fornecidos pela natureza: Oxigênio (O), Hidrogênio (H) e Carbono (C).

VISÃO GERAL HIERARQUICA DE NUTRIENTES

Por que diagnosticar as deficiências?

O tratamento adequado as deficiências e doença de cada árvore, ou olival como um todo, é muito importante, pois define adequadamente a utilização dos produtos a serem incorporados.

Lembrando: A Oliveira só produzirá o máximo que o nutriente mais deficitário permitir.

Uma visão geral das deficiências nutricionais

Contudo, a aplicação de um produto não necessário pode ocasionar problemas tão graves quanto a deficiência. Em alguns casos extremos pode causar danos severos e até a morte da planta. É o caso de uma superdosagem de Boro, por exemplo.

Logo é importante dar ênfase no complemento correto, visando a saúde da planta e economizar recursos que poderiam ser gastos desnecessariamente. A exceção fica por conta de antecipação de alguns nutrientes que deverão ser aplicados durante o período de estiagem e que antevemos serem necessários, como por exemplo a calagem (aplicação de calcário), que além de aumentar o PH (diminuindo a acidez da terra), também neutraliza o alumínio trivalente que é nocivo ao desenvolvimento das plantas.

Certamente a análise química da terra é de grande auxílio, mas demanda tempo e em alguns casos, como na Vila Olivia, a estratificação do solo não ocorre de forma homogenia. A ponto das camadas da superfície variarem de forma rápida em curtas distâncias. Logo seriam necessárias várias amostras e tratamentos diferenciados. Esse problema é claramente percebido na diferença de desenvolvimento das oliveiras de mesmo cultivar, adquiridas do mesmo fornecedor e com tratamento idêntico.

Observações:

– O calcário dolomítico também incorpora no solo o magnésio, naturalmente baixo em países da América do Sul, em especial no Brasil.

– Durante as estações chuvosas, o calcário aplicado pode ser “lavado” antes de atuar no solo. Principalmente em terrenos de boa drenagem, como exigido pelas oliveiras.

O que observar

A forma mais imediata de observação é a copa, pois mesmo nos cultivares de copa mais “aberta”, as oliveiras tem a necessidade de serem podadas a fim de permitirem que a luz do sol entre no seu interior.

Logo oliveiras com densidade de copa muito baixa devem ser olhadas com maior atenção.

Para um melhor diagnóstico podemos observar as folhas (mais imediato e fácil) o caule e as raízes. No último caso somente já em “desespero de causa”, por razões óbvias, vamos nos deter nas folhas.

As folhas

A análise deve ser criteriosa, levando em conta que pode ocorrer mais de uma deficiência, não permitindo claramente a identificação. Também, a olhos pouco atentos, uma deficiência pode ser confundida com uma doença, e vice-versa. Observação: Principalmente no meio dos “naturalistas” (orgânicos), uma árvore só fica doente, pois está mal nutrida. Cremos parcialmente nessa afirmação.

Absorção foliar

Observação: Nitrogênio (N) e Potásio (K) são muito bem absorvidos através das folhas. O fósforo (P) e enxofre (S) são absorvidos de forma razoável. Magnésio (Mg), zinco (Zn), Manganês (Mn), boro(B), cobre (Cu) e molibdênio (Mo) têm uma absorção média ou baixa. Já o Cálcio (Ca) e o Ferro (Fe) são muito pouco absorvidos na forma foliar.

Para entender um pouco mais sobre a absorção foliar, veja nossa publicação: Oliveiras – Árvores sempre verdes!

Diferenciação entre as espécies de plantas – Necessidades das oliveiras.

Cada espécie possui um uso maior ou menor de cada nutriente, tanto para o seu desenvolvimento quanto para a frutificação. Os principais nutrientes para as oliveiras são o Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K). O magnésio (Mg) também é importante, contudo, há de se considerar que o mesmo deverá ser reposto pelo calcário dolomítico na correção de PH do solo. O Boro deve ser considerado com parcimônia e aplicado apenas quantidades muito pequenas e de preferência após análise do solo.

Diagnósticos pelo aspecto da folha – Nutrição – por observação

– FOLHA NASCE ENROLADA E PÁLIDA: Falta de Cálcio.

Esse problema poderá, provavelmente, ser comprovado com um medidor de acidez da terra. A mesma deverá estar abaixo de 5,5. O ideal para as oliveiras é um PH: 6,5 ± 1. Algumas fontes indicam com ideal PH acima de 7.

Observação: Só para lembrar. Quanto mais alto o PH mais alcalina a terra estará. Do contrário, uma terra com PH baixo estará ácida.

A esquerda amostras sem deficiência e a direita com deficiência de cálcio

O PH é tão importante que vamos discorrer um pouco mais sobre esse ponto.

Visão geral para todas as plantas

Tabela de aproveitamento nutrientes - PH solo

Repetindo o que já foi dito na publicação “Plantio – Parte III: Plantando:

Não adianta disponibilizar na terra todos os nutrientes necessários se o PH estiver ruim. A planta não absorverá.

PH do solo X Absorção de Nutrientes

PH do solo X Absorção de Nutrientes
PH 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0
PERCENTUAL DE
ABSORÇÃO DOS
NUTRIENTES
BÁSICOS
NITROGÊNIO 20% 50% 75% 100% 100% 100%
FÓSFORO 30% 32% 40% 50% 100% 100%
POTÁSIO 30% 35% 70% 90% 100% 100%
ENXOFRE 40% 80% 100% 100% 100% 100%
CÁLCIO 20% 40% 50% 50% 83% 100%
MAGNÉSIO 20% 40% 50% 80% 80% 100%
MÉDIA 27% 46% 64% 78% 94% 100%
WP DataTables

Observação: Essa tabela é uma média para todas as plantas, logo existem variações admissíveis de PH entre cada espécie.

                Correção: Calcário dolomítico, de preferência fora de períodos de fortes chuvas. A umidade é importante para o reação do calcário, mas muita água lavará o solo antes de corrigi-lo. Revolver o solo em torno da árvore, mínimo 30 cm. Várias aplicações até 2 Kg por árvore por ano e acompanhar o resultado para ajustar a dose. Podendo regar sem excessos: ótimo!

Observação: Caso a maior deficiência do solo seja pela falta de cálcio, há de se pensar na aplicação do Calcário Calcítico, que possui uma relação de cálcio maior: 30 partes de cálcio para uma parte de magnésio. O dolomítico é composto de mais de 25% de magnésio.

O problema, pH baixo, pode ter surgido pela utilização de altas doses de adubos potássicos e nitrogenados – principalmente as fórmulas amoniacais.

 FOLHAS AVERMELHADAS: Falta de fósforo.

É outra deficiência de nutriente que pode ser confundida com falta de nitrogênio.

O exemplo é de folhas de pé de café, mas os sintomas nas oliveiras é idêntico

Normalmente ocorre em solos pobres e onde há alta taxa de adsorção desse nutriente, por exemplo no cerrado. Ok! Não plantamos oliveiras no cerrado, mas é apenas um exemplo extremo.

As folhas ficam avermelhadas, começando pelas extremidades, e com zonas mortas (secas).

Evolui rapidamente causando a morte da folha, por consequência a planta reduz seu crescimento, já nos primeiros estágios. As folhas acabam ficando roxeadas (muita antocianina). Por fim a folha fica marrom com tom roxo – necrose. Retarda a frutificação.

– FOLHAS AMARELAS APENAS NAS PONTAS(PARECE QUEIMA DE GEADA): Falta de potássio.

Pode causar também pequenos orifícios e as folhas ficarem mais finas. Desacelera o crescimento da planta; as folhas novas afinam e as mais antigas ficam com as bordas amarelas, assumindo o tom de marrom e por fim necrose. O processo ocorre das extremidades para o centro da folha. Podem surgir zonas alaranjadas e brilhantes.

Em alguns casos a falta de firmeza do fruto está associado a falta de potássio.

FOLHAS AMARELADAS NO MEIO: Falta de nitrogênio.

O nitrogênio é particularmente necessário ao crescimento da planta. Sua ausência reduzira, e em casos extremos impedirá, o crescimento da planta, dando um tom amarelado (clorose) as folhas mais antigas. Prolongando o tempo da deficiência toda a planta ficará amarelada. Em casos mais severos, ocorre redução do tamanho dos folíolos, e as nervuras principais apresentam uma coloração púrpura, contrastando com um verde-pálido das folhas. Os botões florais amarelecem e caem.



As folhas a esquerda estão saldáveis. As da esquerda são de uma oliveira com falta de nitrogênio

Ocorre usualmente pela falta de fertilizante nitrogenado. Também é observado em terrenos com baixo nível de material orgânico decomposto, ou ainda quando o mesmo é muito compactado, deficiência de molibdênio – que entra no processo de absorção do nitrogênio. Também pode ser causada pela intensa lixiviação do solo e seca prolongada.

FOLHA AMARELADA NA PONTA E NO MEIO: Falta de magnésio ou falta de nitrogênio “E” potássio.

A folha fica toda amarelada. Ocorre a descoloração das margens dos folíolos mais velhos, que progride em direção à área inter nerval. As nervuras permanecem verdes. No caso de deficiência mais severa, as seções amarelas começam a escurecer e por fim morrendo. Algumas infecções virais podem ser confundidas com deficiência de magnésio.

Ocorre com maior frequência em solos ácidos, arenosos, com alto índice de lixiviação. A presença excessiva de cálcio, potássio e amônia podem afetar a disponibilidade e absorção do magnésio. De uma maneira geral o solo no Brasil é carente de magnésio.

Dentre as correções possíveis está a aplicação de calcário dolomítico ou de sulfato de magnésio (30 kg/ha), de preferência antes do plantio, mas no caso das oliveiras pode ser por incorporação ao solo. A pulverização para adubo foliar com sulfato de magnésio a 1,5% em conjunto com ureia pode surtir bons resultados.

FRUTOS NÃO VINGAM, CAEM. AS FOLHAS NOVAS PODEM PARECER “BRONZEADAS”, PODENDO TAMBÉM OCORRER A MORTE DAS FOLHAS.Deficiência de Boro.

As primeiras afetadas pela falta de boro são as folhas novas, evoluindo para os frutos. Ocorre a redução dos internódios, morte do ápice vegetativo e “envassouramento” (pouco comum em oliveiras). Nas inflorescências, ocorrem aborto excessivo de flores, raleando os cachos. A caliptra não se solta com facilidade por ocasião da florada, permanecendo sobre a baga em desenvolvimento. Pode ocorrer dessecamento parcial ou total dos cachos, necrose interna e externa nas bagas.

Morfologia de uma folha

O pecíolo torna-se quebradiço e a planta murcha nas horas mais quentes do dia, em razão dos danos provocados ao sistema radicular. Isso é raro nas oliveiras.

Sintomas de clorose e deformação das folhas novas são muitas vezes confundidos com o sintoma da virose. Os frutos podem apresentar manchas necróticas de coloração marrom, principalmente perto do pedúnculo, e não desenvolvem totalmente. As paredes do fruto tornam-se assimetricamente deprimidas e os lóculos se abrem.

Qualquer correção deve ser feita com muito cuidado, pois o boro é muito tóxico em quantidades inadequadas, matando rapidamente a planta.

DEMAIS COMPONENTES com rara necessidade pelas oliveiras

FOLHAS FICANDO PEQUENAS, NÃO SE DESENVOLVENDO: Falta de enxofre.

Essa deficiência pode ter sido causada pelo uso abusivo de outros nutrientes sem enxofre.

A falta de enxofre pode ser confundida com a falta de nitrogênio. A folhas ficam com um tom amarelado, contudo no caso da falta de enxofre as primeiras folhas a serem afetadas são as mais novas, e o caule pode se tornar lenhoso, duro e de baixo calibre. Eventualmente, dependendo da espécie, a folha cresce, mas amarelada.

Falta de enxofre
Folha de pé de café com deficiência de enxofre – esquerda, e a direita uma folha saudável

Correção: Muitas vezes a correção vem naturalmente com a redução excessiva de outros nutrientes. Contudo podemos considerar:

1 – Matando dois coelhos com apenas uma cajadada. A pulverização com calda Sufocálcica. É uma calda preparada com a combinação de enxofre e calcário (Cal Virgem). É uma solução aceita como orgânica. Por que dois coelhos, pois também é um excelente fungicida e bactericida, além de combater alguns insetos. Detalhes quanto a preparação, frequência e restrições de uso estarão em publicação própria.

Aparência da calda sulfocálcica em final de preparação

2 – Utilizar gesso agrícola, na dosagem de 800 kg/ha, aplicado antes do plantio, juntamente com a calagem, ou a aplicação de sulfato de potássio ou de magnésio, no plantio, previnem a deficiência. Também podem ser aplicados posteriormente com o revolvimento do solo a fim de facilitar a absorção.

FOLHAS RETORCIDAS COM MARGENS QUEIMADASSolo muito alcalino. Isso dificilmente ocorrerá no Brasil.
CLOROSE DAS FOLHAS E DOS RAMOS NOVOSDeficiência de cobre. Também não é normal nas oliveiras.

Ocorre a redução da parte aérea e do sistema radicular. Baixa germinação do pólen, por consequência, poucas flores.

CLOROSE INTERNERVAL DO LIMBO (LÂMINA DA FOLHA)Deficiência de ferro.

Os sintomas começam pelas folhas mais jovens, necrosando as bordas do limbo, e por fim: queda das folhas. Não é muito comum na olivicultura, mas quando ocorre é em solos calcários e com pH elevado. Ou ainda com calagem excessiva e excesso de fósforo

Atenção que a clorose também está ligada a outros problemas, por exemplo deficiência de Mn e Cu.

  • CLOROSE MARGINAL E INTERNERVAL, POUCO DEFINIDAS EM FOLHAS MAIS VELHAS – Deficiência de Manganês

É uma deficiência rara e tal como o boro, pode causar a intoxicação e morte da planta. Ocorre em solos úmidos e ácidos.

CLOROSE NAS FOLHAS NOVAS OU MAIS ANTIGAS, NERVURAS BRANCAS – Deficiência de Molibdênio (Mo).

Em casos extremos pode ocorrer a deformação e necrose das bordas das folhas.

Digrama para identificar qual deficiência está afetanto sua planta

Diagram for identifying nutrient deficiency
Diagrama para identificação de deficiência de nutrientes – Material gentilmente cedido por Juscimar da Silva (engenheiro agrônomo do EMBRAPA)

POR FIM: Caso a planta esteja verde como deve estar, mas excessivamente dura, pode ser um sinal de excesso de adubação. As oliveiras são conhecidas, de maneira geral, por exigirem pouco do solo. A frutificação é uma estratégia de reprodução/sobrevivência, assim como em outras culturas. Desta forma um “excesso de nutrientes”, em especial o nitrogênio, pode ser ótimo para o desenvolvimento vegetativo, mas não para a frutificação. Mas isso é tema para outra publicação.