O formato atual da bandeira nacional da Tunísia foi adotada 1959. A sua origem é do estandarte naval do Reino de Túnis, adotado em 1831 por Al-Husayn II ibn Mahmud (“Bei de Túnis” entre 1824 a 1835, ano de seu falecimento).
A estrela e a lua crescente lembram a bandeira da Turquia, que se assemelha a algumas das várias versões de bandeiras do Império Otomana, que em dado ponto da história englobou a Tunísia como parte de seu Império. O desenho definitivo data de 1999.
Ditado popular na Tunísia
Em nossa Bíblia, o Alcorão, diz que o azeite cura 99 coisas. Mas não diz que vai curar todos os 100. Por quê? Porque o azeite não pode curar a morte. Não pode trazê-lo de volta à vida.
Um pouco sobre a Tunísia
A Tunísia é um país relativamente pequeno, são 163.610 quilômetros quadrados, desses 8,250Km² referem-se ao mar territorial. Ou seja: Apenas 155.360Km² de “terra”. Fica entre o tamanho dos estados brasileiros do Acre (152.500Km²) e do Paraná (199.300Km²). Sua capital é Túnis e faz tem 965Km de fronteira a oeste com a Argélia e 459Km de fronteira a sudeste com a Líbia. A Norte e Nordeste é banhado pelo Mar Mediterrâneo em uma extensão de 1.148 quilômetros.
Um país (quase) no deserto
O deserto do Saara “toma” aproximadamente 40% de seu território, logo restando apenas 98.000Km², ou seja: a área do estado no Pernambuco no Brasil.
Pontos extremos

O ponto com menor altitude é o Chott el Gharsa, com 17 metros abaixo do nível médio do mar. O mais alto é o Jebel ash Shanabi com 1.544 m.
O país encontra-se aproximadamente entre as latitudes 37º19’N e 30º13’N, ou seja: totalmente dentro da zona considerada ideal para a olivicultura.
Relevo e uso da Terra
Ao Norte o terreno é montanhoso, onde localiza-se o Monte Atlas. Na região central o clima é quente e seco: Planície Central. Mais ao sul o clima semiárido se integra ao deserto do Saara.
São 19% do território de terras “agriculturáveis” e 13% com cultivo permanente.
Pastagens permanentes representam 20% do território e apenas 4% são de bosques e florestas. O restante de 44% é de solo árido, principalmente deserto.
Como se observa na carta de utilização do solo, a olivicultura ocupa uma importante área em comparação a área disponível para agricultura.
População – povoamento, cultura e demografia
Segundo uma lenda Grega, a fundadora da cidade de Cartago (cidade da antiguidade na costa norte da África, hoje um subúrbio residencial da cidade de Tunis, capital da Tunísia) teria sido Dido, originária de Tiro, Líbano, no século de IX a.C., contudo estudos arqueológicos apontam como sendo mais provável o ano de VIII a.C.. Dido, também chamada de Elissa na lenda grega, era filha do rei de Tiro Mutto (ou Belus). O irmão de Dido, Pigmalião, matou seu marido: Sychaeus (ou Acerbas).
Na região já habitava um povo cujo chefe local, Larbas, vendeu um pedaço de terra a Dido, local onde seria fundada Cartago. Reza a lenda que Larbas se interessou por Dido, e Dido para escapar de Larbas construiu uma pira funerária e se apunhalou dentro da mesma… Na época não tinha delegacia de mulheres… Outra versão seria que Dido se matara por Enéas a ter abandonado e por quem Dido se apaixonara.
Cartago cresceu ao longo dos séculos possuindo colônias e entrepostos de comércio. Em meados do século II a.C. Roma conseguiu controlar a cidade após várias guerras. Roma controlou Cartago nos 500 anos seguintes.
No século VII d.C. os árabes converteram o povo local berbere ao Islã, e na sequência governada por uma série de dinastias e impérios árabes. No século XIX tornou-se colônia da França. Somente em 1956 obteve a independência.
A Tunísia possui uma cultura altamente diversificada, parte graças aos longos períodos de domínio Otomano e sucessivamente francês. A maioria da população é mulçumana (98%), mas há uma representação significativa de cristãos (1%) e judeus e outros (1%).
O povo mantém uma postura leve no cotidiano, hospitaleiro e com uma culinária interessante. Logo se torna cada vez mais um destino para o turismo de litoral.
A população da Tunísia em 2022 é estimada em 12.046.655 e um máximo previsto maior que 13 milhões, 960 mil para o ano de 2060. A partir de 2061 a Tunísia deve começar a apresentar uma redução do número de habitantes, de forma bastante diferente do esperado para o continente africano de uma maneira geral, denotando um grau de desenvolvimento.
Crescimento populacional
IDH: 0,683 (alto). O Índice de Desenvolvimento Humano é uma forma de medir o “bem-estar social”, mas como toda média mascara as discrepâncias. Seus parâmetros são saúde, educação e renda. Ou seja: as discrepâncias entre os mais pobres, normalmente nas zonas rurais, e os mais ricos, dão a impressão de um bom padrão médio de vida.
Alguns países para comparação:
- 0,759 – Brasil
- 0,938 – Noruega
- 0,485 – Etiópia
Clima da Tunísia
Relações externas da Tunísia:
- Organização das Nações Unidas (ONU);
- Organização Mundial do Comércio (OMC);
- União Africana;
- Liga Árabe.
Origem da Olivicultura na Tunísia
O escritor e historiador Mohammed Hassine Fantar, afirma que a oliveiras tiveram sua disseminação da Tunísia graças aos cartagineses e fenícios, contudo as primeiras oliveiras teriam sido trazidas por Bani Kanân (?).
Aníbal, general estadista cartaginense (247 a.C. a 183 a.C.), foi um dos grandes responsáveis por espalhar as oliveiras pelo atual terreno da Tunísia, pois autorizou que seus soldados se envolvessem no plantio de novas árvores. A maior ação desses “plantadores” ocorreu durante a segunda Guerra Púnica (218 a.C., data da declaração de guerra de Roma após a destruição de Sagunto, município de Valência – Península Ibérica, pelos cartaginenses, até 201 a.C.).
Essa e outras ações viabilizou que a Tunísia se tornar-se uma grande produtora de azeite, exportando para diversas localidades ao longo do Mediterrâneo, logo confrontando Roma. Ou seja: fazendo concorrência com a produção romana.
Descrição da extração do azeite em um processo arcaico, mas presente ainda hoje
O resumo desse bloco e do próximo (Extração Primitiva) são baseados, via tradução livre, do texto de Radhouane, CHKIR, doutorando na área de turismo na Universidad Rey Juan Carlos – Madrid.
Quando os romanos ocuparam o Norte de África, os habitantes desta região já desenvolveram a cultura da azeitona. Com efeito, os berberes souberam transplantar os “oleastres” (nota: oliveira selvagem, oliveira-da-rocha ou zambujeiro).
Os cartagineses que ocupavam o território já começavam a desenvolver ali uma verdadeira cultura no trato das oliveiras.
Assim, os romanos aproveitaram a experiência dos punos (cartagineses) para estender o cultivo da oliveira por todo o território que ocupavam. Por sua vez, os berberes constituíram uma colônia de exploração para os romanos. Devido às guerras civis na Itália, a classe média desapareceu, bem como a classe camponesa que trabalha nos olivais, logo a produção na Tunísia, bem como outros locais, atendeu a demanda crescente do mercado romano […]

Obs: * Povos da África que habitavam em cavernas
Extração primitiva
A prensa de barra, utilizada para a extração do suco de azeitona, é composta por um longo tronco de palmeira bloqueado em um canto da sala (no interior da terra) […]

[…] em outra sala encontram-se os espartos (ou capachos) de capim halfah. O esparto é produzido a partir de espécies de gramíneas perenes do norte da África e do sul da Europa: Stipa tenacissima e Lygeum spartum.

[…] Através de um canal curto, o suco das azeitonas sai da base de pressão para entrar no processo de decantação em dois pequenos poços […]
Para melhor visualizar a prensa e processo, publicamos abaixo uma foto de uma prensa localizada nas colinas do Golan, e um esquema onde o triturador das azeitonas é um “TRAPEUM”, invenção romana aplicada em alguns lagares de regiões sob controle.
Cultivares da Tunísia
A Tunísia possui aproximadamente 82 milhões de oliveiras espalhadas por 71 cultivares registrados com originários, autóctones. Elas ocupam 30% de todo o território agricultável da Tunísia, ou seja: aproximadamente 1,8 milhões de hectares.
Das oliveiras cultivadas 70% são Chemlali e 10% Chetoui, árvores autóctones e adaptadas a região e normalmente seus azeites são misturados para obtenção de um produto mais equilibrado.
Existem também muitas variedades menores, cultivadas desde as regiões mais a norte do país, de clima mais húmido, até às mais a sul, mais áridas e hostis. Chemlali, a cultivar mais popular na Tunísia, especialmente nas regiões central e sul, dá um óleo doce, com apenas um leve amargor e sem pungência.
A outra variedade mencionada, a Chetoui, é mais cultivada no Norte, e dá um azeite mais amargo e intensamente frutado.
Entre as variedades menores, destaca-se a Sayali, cultivada no norte do país. É bastante amargo e, portanto, é frequentemente misturado com Chetoui. Outra variedade encontrada nessas regiões é a Oueslati, que produz um óleo deliciosamente perfumado. Nas áreas desérticas do sul, existem duas variedades rústicas: Zalmati e Zarrazi. Este último dá um óleo doce, que está sempre em grande demanda no mercado local. O sul também é o lar do Chamchali, uma variedade que produz um óleo extremamente frutado, enquanto o Jarboui, cultivado mais ao norte, produz um óleo intensamente perfumado.
Maior oliveira da Tunísia
O tronco da maior oliveira da Tunísia possui 6 metros de circunferência que cresceram em mais de 2.500 anos de existência. é também uma das maiores do mundo e uma das mais antigas.
Produção de azeite na Tunísia atual
Tunísia possui unidades modernas de produção de azeite. É importante deixar isso claro, pois acima mostramos a extração primitiva, mas que sobrevive até hoje apenas localizadamente.
Em um livro chamado “Azeitonas – Vida e Saga de um Nobre Fruto” de Mort Rosenblum, um autor, jornalista e escritor americano, conhecido por seus livros investigativos, nesse livro trouxe a realidade de um produto que acompanha a humanidade a tanto ou a mais tempo que o vinho.
Em uma das passagens ele descreve uma garrafa de azeite que recebera de presente, o que mais parecia óleo lubrificante. Muitos produtores locais não têm a possibilidade ou a preocupação em espremer as azeitonas logo após a colheita, ou qualquer cuidado extra no processo. Muitas azeitonas são espremidas após anos de armazenagem, algo impensável para que tem o azeite com o algo saudável e com paladar adaptado aos produtos de alta gama.
Produção tradicional
Mesmo com no modelo tradicional, ou seja: com uso de capachos para depositar a pasta da azeitona obtida com a moagem em um moinho de pedra, as instalações receberam algumas melhorias, como por exemplo um sistema de prensagem hidráulico, instalações mais higiênicas, e melhores condições de armazenamento, mas longe dos cilindros preenchidos com nitrogênio para evitar a oxidação do azeite.

Novas tecnologias

As duas mulheres são as irmãs Afet e Selima (Ben Hamouda) que listam os principais desafios a falta de água para irrigação, pois os lençóis freáticos são salgados e a escassez de mão de obra.
O aumento de produção de azeite, bem como da qualidade, na Tunísia deve-se principalmente a utilização de lagares modernos onde a adição de água para separação do azeite, a utilização de equipamentos em aço alimentício e o controle no processo são pontos importantes. Contudo tão importante quanto é a origem dos frutos a serem processados. Esse ponto fez com que duas mulheres investissem em um olival e produzissem azeite a partir de azeitonas exclusivamente deste.
O cultivar inicialmente escolhido foi o Chetoui com 900 árvores, mas mais recentemente plantaram 12.000 árvores dos cultivares Arbosana e Arbequina (espanholas) que produzem mais rapidamente, bem como mais 9 hectares de Chetoui para defender o cultivar local. Com o objetivo de melhorr a polinização das arvores, mantém no olival algumas unidades de Koroneiki.

Como resultado do trabalho das duas irmãs, o azeite da marca A&S é exportado, principalmente para os EUA e já acumula prêmios internacionais em reconhecimento a qualidade do azeite produzido.
No geral a Tunísia exporta 38% do seu azeite a Itália e 23% a Espanha, mas o mercado americano está crescendo.
Assim como a A&S outras empresas têm evoluído em qualidade e produção, como veremos mais abaixo.
Produção azeitona, produtividade e área plantada – evolução.
Todas as informações dessa seção baseiam-se em relatórios da FAO (ONU).
A Tunísia é 7º maior país produtor de azeitonas.
A Tunísia sofre com a bianualidade de seus olivais que são em sua grande maioria do formato tradicional: alto compasso.
Como já comentado, o modelo de plantio padrão da Tunísia é tradicional para os principais cultivares, logo o rendimento não é muito flexível. As tecnologias aplicadas dos modelos intensivo e superintensivo são utilizados apenas nos olivais de arbosana e Arbequina.
Observação: Existe uma forte discrepância entre a área de olivicultura informada pela FAO (ONU) e outros organismos, como por exemplo a OLIVEOILTIME. A diferença pode ser resultado da diferença entre olivais totais e olivais registrados.
As grandes diferenças estão nos anos de 2018 a 2020, onde acompanhou uma queda expressiva na produtividade por hectare. Esse fato pode ser indício de erro no registro da área de colheita.
Produção, consumo e exportação de azeite
Os dados desta seção são oriundos do IOC – International Olive Conseil.
A Tunísia é a quarta maior produtora de azeite, ficando atrás da Espanha, Itália e Grécia, e apesar da produção estar aumentando ao longo dos anos, a população perde acesso ao azeite que tem sua exportação priorizada.
Não há importação de azeite registrado para a Tunísia.
O aumento nas exportações ao longo dos anos, dada a procura dos mercados externos que utilizam o azeite tunisiano com blend em suas marcas, inviabiliza o consumo interno de uma população em sua maioria pobre.
O consumo interno percapita cai mais rápido que o crescimento da população, pois o consumo total também é reduzido.
O salário médio de um trabalhador na zona rural da Tunísia por dia pode ser USD 6,00 por dia ou menos, contudo na média renda per capita diária na Tunísia rural é de USD 1,60, de acordo com números do Banco Mundial.
Produção, consumo e exportação de azeitona
Os dados desta seção são oriundos do IOC – International Olive Conseil.
A situação da produção x exportação da azeitona já é bastante diferente do azeite. Como a azeitona não é um produto que se possa dar um rótulo diferente, ou seja: descaracterizar o produto em si, a oferta do exterior é menor, logo a população se beneficia mais claramente com o aumento da produção.
Por exemplo: em 2009 houve uma oferta maior pela a azeitona tunisiana, o que reduziu imediatamente o consumo interno.
Premiações para o azeite Tunisiano
Como de costume, apresentamos os resultados das competições realizadas anualmente em Nova York, o NYIOOC – New York International Olive Oil Competition.

O azeite da Tunísia tem melhorado e reconhecido sensivelmente ao longo dos últimos 9 anos. Resultado da aplicação das técnicas de produção modernas.
Mas talvez mais importante que o número de medalhas acumuladas é a evolução no número de participantes e o percentual de sucesso destes no NYIOOC:
































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