Russian Flag
Bandeira da Rússia

A Rússia é um país com características e uma história peculiar e complexa.

É o país com maior extensão territorial do mundo. São 17.075.400 Km². Essa extensão territorial representa um nono da área terrestre do planeta. Toda essa extensão territorial gera por consequência fronteiras com diversos países, a saber:

– Terrestres: Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia*, Polônia*, Bielorússia, Ucrânia, Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Mongólia e Coréia do Norte.

* Fronteiras com o exclave de Kalingrado**.

– Marítimas: Japão (Mar de Okhotsk) e Estados Unidos (Estreito de Bering).

** Kalingrado é um exclave, território controlado não contíguo, da Rússia.

A Rússia é um país com características e uma história peculiar e complexa.

É o país com maior extensão territorial do mundo. São 17.075.400 Km². Essa extensão territorial representa um nono da área terrestre do planeta. Toda essa extensão territorial gera por consequência fronteiras com diversos países, a saber:

– Terrestres: Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia*, Polônia*, Bielorússia, Ucrânia, Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, China, Mongólia e Coréia do Norte.

* Fronteiras com o exclave de Kalingrado**.

– Marítimas: Japão (Mar de Okhotsk) e Estados Unidos (Estreito de Bering).

** Kalingrado é um exclave, território controlado não contíguo, da Rússia.

Kaliningrad
Kaliningrad

Onde fica a Rússia

Where is Russia
Onde fica a Rússia

Apesar da maior parte do seu território encontrar-se na região que conhecemos com Ásia, a Rússia é considerada uma nação pertencente ao continente europeu.

Mesmo considerando a longitude de Constantinopla, atual Istambul (28° 58′ 34″ E), na Turquia, até mesmo a capital da Rússia estaria na porção oriental do mundo.

Russia and the meridian of Constantinople
Rússia e o Meridiano de Constantinopla

Tecnicamente poderia ser considerada como pertencente a Eurásia. Antes de 1867, quando a Rússia ainda controlava o território conhecido como Alaska, que foi vendido aos EUA por 7,2 milhões de dólares, uma definição era ainda mais complicada. Hoje a Rússia a leste ultrapassa a latitude “0” que seria outro marco para início do ocidente (de oeste para leste), mas com o Alaska essa fronteira entrava muito mais ao ocidente “pelo o outro lado”.

A dúvida está presente na população europeia, pois a definição de a qual continente pertence a Rússia tem mais haver com questões culturais do que geográficas.

CURIOSIDADE

A divisão do mundo entre Oriente e Ocidente a partir de Constantinopla (Istambul) foi uma das últimas contribuições do Império Romano – Imperador Teodósio – que, já em fase de agonia no ano de 395, definiu que Milão seria a capital do Império Romano do Ocidente, e Istambul a capital do Império Romano do Oriente. Em Milão o imperador ficou sendo Honório e em Constantinopla o imperador ficou sendo Arcádio, ambos filhos de Teodósio.

World divided by Greenwich
Mundo dividido por Greenwich

Alguns definem, de “forma torta”, que os países a leste do meridiano de Greenwich deveriam ser considerados como “oriente”, ou seja: mais de 80% da Europa… É uma tentativa moderna, que faz sentido se quisermos dividir o globo em duas metades idênticas atribuindo os rótulos de Ocidente (longitude de 0 grau a 180 graus) e Oriente (longitude de 180 graus a 0 grau). Em ambos os casos saindo de oeste em direção ao leste.

O problema é que o tratado que definiu Greenwich como a longitude 180⁰, e como o meridiano para referência da hora mundial, UTC (Tempo Universal Coordenado), ou UTC*±00:00, ou Greenwich Mean Time(GMT), ou ainda Western European Time (WET), surgiu apenas em 1884. Nesse ano a história e cultura humana já havia avançado demais para definir uma divisão de hemisférios (oriental e ocidental) desta forma.

Em tempo: A visão de hemisfério Oriental x Ocidental não está diretamente ligado a questão continental, no caso Ásia x Europa, mas acabamos correlacionando.

Afinal, por que a Rússia é citada como um país europeu? Por duas razões:

– Identificação cultural;

– Mais de 78% da população Russa habita do “lado europeu”.

Logo: o “lado europeu” é mais uma definição baseada nas características culturais.

Russia Division between Europe and Asia
Divisão Rússia entre Europa e Ásia

Segundo pesquisa realizada pelo site “sputiniknews.com”

A maioria dos franceses (65%), cerca de metade (46%) dos alemães e mais de metade dos britânicos (52%) não consideram Rússia como parte da Europa. Apenas na Polônia, a maior parte da população (77%) afirma que a Rússia pode ser considerada parte da Europa.

Os residentes europeus com mais de 35 anos e com maior nível educacional são os mais dispostos a reconhecer a Rússia como fazendo parte integrante da Europa. Os moradores das capitais ou regiões adjacentes responderam “sim” mais frequentemente ao serem perguntados se a Rússia faz parte da Europa. Por exemplo, 37% dos moradores de Paris e das regiões próximas, contra 27% de outras regiões, acreditam que a Rússia pode ser considera um país europeu. No Reino Unido, 42% dos moradores da capital compartilham a mesma opinião.

A Rússia faz parte da Europa? – Sputnik Brasil (sputniknews.com)

Observações

  • Essa dicotomia geográfica não é exclusividade da Rússia, mas provavelmente seja a mais conhecida e instigante conhecida. Outros países que são cortados pelo “meridiano de Constantinopla”: Turquia (óbvio), Ucrânia, Romênia, Bielo-rússia, Moldávia, Egito, e diversos outros.
  • O IOC – Internacional Olive Council, em seus relatórios, coloca a Rússia como país “não europeu”.

Caraterísticas geográficas

A Rússia com sua enorme extensão territorial, é mais “larga” do que “alta”. Ou seja: possui maior variação de longitude do que de latitude, mas ainda assim são mais de 40 graus do ponto mais ao sul ao mais ao norte que já se encontra no Círculo Ártico.

Ponto extremo ao Sul: Bazarduzu Dagi no Daguestão à 41⁰13’14”.

Ponto extremo ao Norte: Cabo Fligely na Terra de Francisco José  à 81⁰50’35”.

Em termos de longitude, a variação ultrapassa a 161⁰. Considerando a “longitude 0 – Greenwich”, seu território mais no ocidente é medido contando a distância para a direita à (19⁰38”E) – Cordão de Vístula em Kalingrado. Já seu ponto mais oriental é contado girando no sentido contrário, para esquerda, pois o mesmo ultrapassou a latitude 180⁰, seria 180⁰59’E. Mas o correto a se dizer é 179⁰01’W, ou ainda -179⁰01’. Esse ponto são a ilha de Ratmanov no arquipélago Diomedes.

Russia's range of latitudes
Amplitude de latitudes da Rússia

Essa enorme amplitude de longitude, são mais de 10.000 Km, tem por consequência ser a Rússia o país com maior número de fusos horários do mundo. Apesar de estar inserida em 11 fusos horários, cada 15⁰ conta-se uma hora, o país adota “apenas” 9 horas diferentes horários oficiais para suas regiões.

Fusos horários da Rússia

Extremos verticais

Seus pontos de maior e menor altitude são o Monte Elbrus com 5.642m e o mais baixo o Mar Cáspio com -28m.

Divisão do Estado

Além das 21 repúblicas abaixo, os russos também consideram a Criméia como uma 22ª república, contudo o território foi tomado militarmente pela Ucrânia em 2014 e reocupado após “plebiscito”* em 2016.

* Entre aspas, pois muitos duvidam da legitimidade do mesmo.

  • Adiguésia (Mikop) – região extremo oeste;
  • Altai (Gorno-Altaysk) – região no extremo sul;
  • Bascortostão (Ufa) – região oeste;
  • Buriácia (Ulan-Ude) – região sul;
  • Daguestão (Makhachkala) – região sudoeste;
  • Inguchétia (Magas) – região sudoeste;
  • Cabárdia-Balcária (Nalchik) – região sudoeste;
  • Calmúquia (Elista) – região sudoeste;
  • Carachai-Circássia (Cherkessk) – região sudoeste;
  • Carélia (Petrozavodsk) – região noroeste;
  • Komi (Syktyvkar) – região noroeste;
  • Mari El (Iochkar-Ola) – região centro-oeste;
  • Mordóvia (Saransk) – região centro-oeste;
  • Iacútia (Yakutsk) – região extremo-oriente;
  • Ossétia do Norte-Alania (Vladikavkaz) região sudoeste;
  • Tartaristão (Kazan) – região sudoeste;
  • Tuva (Kyzyl) – região sul;
  • Udmúrtia (Ijevsk) – região centro-oeste;
  • Cacássia (Abacã) – região sul;
  • Chechênia (Grózni) – região sudoeste;
  • Chuváchia (Tcheboksary) – região centro-oeste.

Viabilidade para olivicultura

Independente das regiões de microclima adequadas, e apesar maior parte do território ser inóspito às oliveiras, a Rússia possui regiões dentro da faixa clássica, que é entre 30⁰ e 45⁰, tanto ao Norte quanto ao Sul.

45º north latitude passing through Russia
Latitude 45º Norte passando pela Rússia

Observação: Experiências de plantio de oliveiras em Latitudes altas, como por exemplo citada na publicação 44 países que produzem azeite que talvez você não saiba – Parte 1 de 5 – OLIVAPEDIA onde falamos sobre uma plantação no Canadá na latitude 49º Norte, são uma realidade. Da mesma forma que plantações em latitudes baixas, como explicado nessa publicação na seção do Peru.

História da Rússia

Tão grande quanto o País é sua história. Complexa abrangendo dezenas de povos e interagindo, horas de formas violenta através de invasões, e horas de forma por intercâmbio cultural. Tudo isso acarretou a existência de várias etnias vivendo dentro do mesmo território.

Em um resumo que não faz jus ao País, temos:

– Datado com 35.000 anos, os primeiros ossos humanos modernos foram encontrados em Kostenki, as margens do rio Don. Também foram achados restos de um hominídeo (Denisova) que pode ter vivido até 1 milhão de anos atrás no sul da Sibéria, assim como diversos restos de civilizações nômades, inclusive algumas que teriam sido as primeiras civilizações a utilizar cavalo em batalhas.

– Durante a Antiguidade Clássica (entre os séculos VIII a.C. e V d.C.), a “Estepe Pôntica” era conhecida como Cítia.

– Entre os séculos III e VIII um grupo étnico conhecido como Eslavos do Leste, descendentes de vikings, foi se estabelecendo e sendo conhecido pela Europa.

– No século IX os Eslavos do Leste fundaram um Estado eslavo conhecido como Rússia de Kiev (Quieve).

Da Rússia de Quieve a União Soviética

  • A Rússia de Quieve existiu durante os IX e XIII, tendo sido fundada pelo ruríquidas.
  • Os Ruriquídas, ou Dinastia Rurikovitch ou Dinastia Rurik – Foi criada pelo príncipe Rurik. Criada no ano de 862, seu sobreanos governaram sob um território que hoje abranje a Rússia, Ucrânia e Bielorússia.
  • Em 988 a religião oficial da Rússia de Quive passa a ser o cristianismo ortodoxo do Império Bizantino, dando início a fusão das culturas eslavas e bizantinas, definindo a cultura russa. – A maior extensão da Rússia de Quieve ocorreu durante o século XI, quando seu território se expandia do mar Báltico ao norte, até o Mar Negro ao sul. A oeste chegava cabeceiras do rio Vístula (na atual Polônia) indo até a península de Taman a leste.
Principado de Quieve
  • Entre os séculos XI e XII vários movimentos migratórios e conflitos fragilizaram a Rússia de Quieve. Por fim entre os anos de 1237 e 1240 uma invasão mongol traria o fim e destruição da Rússia de Quieve.
  • Com a queda da Rússia de Quieve suas terras formam divididas em diversos pequenos Estados feudais.

Moscóvia

  • O mais poderoso Estado feudal que surgiu foi o Grão Ducado de Moscou, ou Moscóvia nas referências ocidentais, que surgiu a partir do Principado de Vladimir-Susdália.
  • No início do século XIV tornou-se a principal força no crescimento territorial. Nessa época ainda sob domínio dos mongóis-tártaros, e sob a conivência destes, crescia a influência do feudo no centro de Rus’*
  • * Terra Russa, ou Terra de Rus: Tradução de “Русская Земля” (Russkaia Zemlia) que posteriormente derivou para Rússia de Quieve.
  • Entre o século XIV e XV, as incursões mongóis-tártaras, a “Pequena Idade do Gelo”, bem como as frequentes pragas atingiram a Rússia. Apesar das dificuldades, a menor densidade populacional, e o hábito do banho de vapor (banya) reduziu as mortes se comparados os números com a Europa Ocidental.
  • A dominância dos mongóis-tártaros entrou em declínio a partir da Batalha de Kulikovo (1380), liderada pelo príncipe Demétrio com a ajuda da Igreja Ortodoxa Russa.
  • Com o fortalecimento da Moscóvia, após a Batalha de Kulikovo, gradativamente os principados vizinhos começaram a ser absorvidos, como Téria e Novogárdia, rivais tradicionais.
  • Ivã III (Ivã o Grande), nascido em 22 de janeiro de 1440, e falecido em 27 de outubro de 1505, ambos fatos em Moscou, assumiu o governo de Moscóvia em 1462. Estabeleceu as bases para a criação do Czarado da Rússia, estabelecido em 1478. Eliminou definitivamente a influência Mongol no território (Canato da Horda Dourada), triplicou o tamanho do país. Em seu governo o Kremilin (“fortaleza dentro de uma cidade”) de Moscou foi renovado com a participação de renomados arquitetos renascentistas italianos.
Evolução territorial de Moscóvia entre 1390 e 1530
  • Ivã, o Grande, assumiu o título de “Grão-Duque de todas as Rússias.Com a queda de Constantinopla em 1453, Ivã reivindicou o legado do Império Romano do Oriente (Bizantino), e casou-se com Sofia Paleóloga, sobrinha do último imperador bizantino: Constantino XI.
  • Em 1598 a dinastia chega ao fim com a morte do czar Teodoro. Ocorreu então a ascensão do Romanov e então a criação do Império Russo. O primeiro Romanov foi Mikhail I, e o último Nicolau II que perdeu o poder na revolução Bolchevique de 1917. Assassinado com a família em 1918.
  • Curiosidade: Entre 1762 e 1917 a família que governou o Império Russo foi uma ramificação da “Casa de Oldenburgo”, que decidiu manter o nome Romanov.
  • Atualmente a Bielorússia, Ucrânia e Rússia reivindicam como seus ancestrais culturais a Rússia de Quieve.
  • Durante o século XVIII, o país teve grande expansão territorial através da exploração e conquista de grandes áreas. Entre 1721 e 1917 passou a ser reconhecido como o “Império Russo”. Este foi o terceiro maior império da história da humanidade, estendendo-se da Polônia a oeste, até o Alasca a Leste.
  • Em 1917 ocorreu a revolução Russa orquestrada pelo Partido Bolchevique, que significa “maioria”, liderado por Vladimir Lênin. A motivação foi a miséria na qual vivia a maioria da população operária e trabalhadora rural. O czar Nicolau II também não era um exemplo de líder. Acusado de opressor e ditatorial, renunciou em 1917 em meio à onda de protestos. Foi assinado em 1918 junto com a família. Milhões de outros russos, considerados como “opositores” ao novo estado de coisas, também foram assassinados durante os primeiros anos do regime, principalmente após o empoderamento de Stalin: secretário Geral do Partido Comunista de 1922 a 1952, e primeiro-ministro de 1941 a 1953. Foi o primeiro genocídio em nome do comunismo.

Curiosidades:

  • Em carta escrita por Lênin, divulgada apenas em 1956 por Nikita Kruschev, o mesmo escreveu: “O camarada Stalin, tendo se tornado secretário-geral, tem autoridade ilimitada concentrada em suas mãos, e não tenho certeza de que sempre irá utilizá-la com prudência”.
  • Enquanto a bolsa de valores de Nova York quebrava em 1929, a URSS crescia 2.425% entre 1928 e 1937, graças a um número enorme de “opositores” ao regime, ou ainda “sem entusiasmo suficiente” escravizados e que fizeram parte do plano de desenvolvimento que incluía a construção de canais, represas, ferrovias, grandes indústrias, etc. Tudo em nome do comunismo.
  • De 1917 a 1991 o país foi conhecido como URSS, ou seja: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Foi a primeiro e maior país socialista do mundo, tornando-se uma Superpotência que se opôs ao capitalismo dos EUA, principalmente após a segunda Guerra Mundial, findada em 1945.

Principais momentos da URSS

  • 1914: Início da Primeira Guerra Mundial;
  • 1917: Revolução Russa;
  • 1918: Fim da Primeira Guerra Mundial com a derrota dos países liderados pela Alemanha;
  • 1918 a 1922: Guerra civil Russa;
  • 1928: Stalin assume a URSS com mão de ferro;
  • 1939: Hitler invade a Polônia dando início a Segunda Guerra Mundial;
  • 1941 a 1945: Participação da Rússia na Segunda Guerra Mundial sob o título de “A Grande Guerra Patriótica”;
  • 1957: A Rússia entra na corrida espacial lançando o primeiro satélite artificial, o Sputnik;
  • 1986: Início da Perestroika e Glanost pelo presidente Mikhail Gorbatchev;
  • 1989: Queda do muro de Berlim que separava a Alemanha em dois blocos: Capitalista e Socialista;
  • 1991: Fim da União Soviética, e surgimento da CEI (Comunidade dos Países Independentes) com o surgimento de novos países denominados do “leste europeu”.
Countries of the former USSR until 1991
Países da antiga URSS até 1991

A queda da URSS

A “queda” da URSS deveu-se a economia em diversos setores que não apenas davam sinal de estagnação com de retraimento. O abastecimento dos itens de alimentação, energia, combustível, etc. estava em colapso, causando filas para compra de itens mais básicos, como farinha de trigo. Provavelmente por não ser possível manter o regime de escravidão nos Gulags promovido por Stalin.

A abertura política e econômica implementadas por Gorbatchev foram complexas e arriscadas, ficando o próprio Gorbatchev submetido a um impedimento por 3 dias causado por movimento de conservadores descontentes com as reformas.

O Povo

É o nono país mais populoso do mundo, com mais de 145 milhões de habitantes e com a população já madura. Em 2025 haverá uma tendência maior ao envelhecimento da população.

Russian population pyramid in 2021
Pirâmide populacional Russa em 2021

A Etnia considerada como “russa” corresponde a 82% de todo o povo, e dentro dos 18% restantes destacam-se os ucranianos e os bielo-russos (eslavos).

Ethnic distribution across Russian territory
Distribuição étnica pelo território russo

Idioma e Religião

Além do Russo são falados outros 31 idiomas. A religião oficial é a Ortodoxa russa, que conta com maior número de seguidores. Na sequência vem os que se declaram “sem religião”, seguidores do Islã, Judaísmo, “religiosidade popular” e Budísmo.

  • Cristianismo: 107.016.013 – 73,3%
  • Sem religião: 23 651 561 – 16,2%
  • Islã: 14 599 729 – 10%
  • Judaísmo: 291 995 – 0,2%
  • Religiosidade popular: 291 995 – 0,2%
  • Budismo: 145 997 – 0,1%

Oliveiras Russas

A oliveira russa apesar de produzirem frutos, semelhantes as “azeitonas tradicionais”, não fazem parte da família Oleaceae, muito menos da espécie Olea europaea (oliveira tradicional para cultivo de azeitonas). Logo não possui as mesmas características para uso.

Russian Olive tree
Oliveira Russa – Foto: extension.umn.edu/

A Oliveira Russa também é conhecida como Árvore-do-Paraíso, Oleastro ou Oliveira-do-Paraíso.

Origem

Sua origem encontra-se na Ásia Central e Europa Oriental. É conhecida e utilizada desde a antiga Pérsia (atual Irã), mas também conhecida na Índia. Delas também se extraiam um óleo, chamados por alguns de azeite.

“Azeitonas” russas

Essa árvore espalhou-se por muitas partes da Europa, não apenas pelo seu aspecto paisagístico, mas também devido a utilidade de suas flores (atividade melífera), fruto, bem como para estabilizar margens de rios e criação de sebes resistentes ao vento.

Teremos uma publicação específica para essa espécie, muitas vezes considerada erroneamente como uma oliveira selvagem.

E as Oliveiras de verdade da Rússia?

Em outubro de 2019 o site Sputiniknews publicava uma frase de Mikhail Sergeev, vice-reitor para assuntos internacionais da Universidade Federal da Criméia:

A Crimeia é 99,9% o único território russo onde é possível cultivar várias espécies de azeitonas e plantar olivais não para fins decorativos, mas para fins comerciais

Completou Sergeev:

A azeitona é uma cultura interessante, porque, por exemplo, em Sochi, o calor efetivo total é bastante favorável para ela; não há geadas que possam atrapalhar a floração, mas é muito úmido.

As antigas plantações de oliveiras na Criméia são normalmente muito antigas e voltadas a cuidados manuais, assim como a colheita.

Em Foros, península e cidade ao sul da região, existe uma plantação realizada com padrões modernos pela Universidade Federal da Criméia. O método seria em Sebe com objetivo de descobrir e desenvolver o melhor cultivar para a região.

A escolha do sul da Criméia para desenvolvimento da olivicultura está relacionada a temperaturas mais amenas no inverno, mas ainda se cogita a hipótese do cultivo em pomares protegidos.

Projeto de Olival em Estufa

Ainda na Criméia foi iniciado, no ano de 2020, uma estufa com 1.000 oliveiras. O objetivo é ter um ambiente controlado a fim de antecipar e otimizar a frutificação.

Olive greenhouse-in-Crimea -© KFU im INSIDE-E.-
Estufa de oliveiras-na-Criméia -© KFU im DENTRO-E.-Vernadsky

Mas a Criméia é Russa ou Ucraniana?

Atualmente a Criméia é controlada pela Rússia, graças a tomada de controle ocorrida em 2016 após um plebiscito muito suspeito, onde a “maioria” (95%) optou pela anexação a Rússia. O resultado não é confirmado pela opinião colhida nas ruas, onde apenas 42% escolheu a Rússia em detrimento da anexação pela Ucrânia.

Crimea between Ukraine and Russia
Criméia entre a Ucrânia e Rússia

Nem a comunidade Europeia, nem os EUA aceitam a ocupação atual, mas já existe a quase 5 anos e não parece que irá mudar.

Produção de azeite fora da Criméia

Apesar das declarações do vice-reitor para assuntos internacionais da Universidade Federal da Criméia, Mikhail Sergeev, outras regiões da Rússia estão dentro das condições de clima exigidas pela olivicultura. Por exemplo a região do Daguestão, mas especificamente Mahackala. Segundo o site weatherspark.com:

Em Mahackala, o verão é morno, úmido e de céu quase sem nuvens; o inverno é longo, muito frio, de ventos fortes e de céu parcialmente encoberto. Durante o ano inteiro, o tempo é seco. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de -2 C a 30 C e raramente é inferior a -8 C ou superior a 34 C.

Assim como na província de Mahackala, outras regiões ao sul da Rússia poderiam comportar a olivicultura.

Logo o que existe efetivamente registrado quanto a produção de azeite na Rússia, são as experiências da Universidade Federal da Criméia, e a produção a partir das “falsas azeitonas” russas, que em dado momento também já foram, ou ainda são, espremidas para produção de óleo.

Também é provável, pela quantidade de olivais tradicionais existentes, de que artesanalmente a extração de azeite já tenha ocorrido.

Será apenas uma questão de tempo para que a Rússia tenha uma produção representativa de azeite, pois o interesse no produto vem crescendo de forma rápida e sustentável.

Consumo de aceite na Rússia

Enquanto a produção de azeite local não ocorre, a saída é importar. Para tanto o maior desafio é o custo de transporte, que deixa o azeite com preço muito elevado na Rússia, fazendo o mesmo ser um produto de consumo da elite econômica.

Assim como diversos outros países preocupados com a melhoria dos produtos consumidos pela população, a Rússia vem realizando acordos com os principais países produtores a fim de aumentar a oferta no mercado interno.

Para saber mais sobre o consumo total azeite e percapita, sua evolução, e diversos outros aspectos voltados a olivicultura e conumo, inclusive de azeitonas de mesa, acesse: Oliveiras pelo mundo: Rússia (Росси́я)- Patreon.

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