Bandeira Montenegro

É um dos mais recentes países reconhecidos pelas Nações Unidas. Talvez o mais antigo mais recente!

O nome do país vem de uma referência turca a montanha. Refere-se a cordilheira dos Balcãs estendendo-se até o Mar Negro.

Significa exatamente o que sugere: “Montanha Negra”. Está situado em uma região montanhosa dos Balcãs.

É o centésimo sexto maior país do mundo. Ou seja; um dos menores com uma área de 13.810 Km². Sua capital é Podgorica, a mais populosa. As fronteiras do país são o mar Adriático a sudoeste, a Albânia e o Cosovo a sudeste. A Bósnia e Herzegovina e a Croácia (com uma pequena fronteira) a noroeste e com a Sérvia a nordeste.

É um país de relevo bastante acidentado. Sua elevação média é de 1.086 m, mesmo tendo como ponto mais baixo o nível do Mar Adriático. O ponto mais alto é Bobotov Kuk 2.522 m.

É, junto com a Sérvia, um dos países cujo relevo mais sofreu com a última era glacial. Seu litoral é muito recortado e uma estreita planície costeira espremida por montanhas e platôs de calcário.

Mas o que são os BALCÃS?

É uma região a sudeste do continente europeu, também designada península balcânica. Engloba os países: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Grécia, Macedônia do Norte, Montenegro, Sérvia, Kosovo e partes da Turquia, Croácia, Romênia e Eslovênia.

A cultura do país é uma grande colcha de retalho, a pesar da semelhança entre “esses retalhos”.Em 2011 um levantamento constatou:

  • Montenegrinos: 45%
  • Sérvios: 28,7%
  • Bósnios: 8,6%
  • Albaneses: 4,9%
  • Muçulmanos: 3,3%
  • Croatas: 1%
  • Ciganos: 0,8%

Apesar das estatísticas, muito estudiosos discutem se há diferenças relevantes entre os Montenegrinos e os Sérvios.

O idioma oficial é o sérvio – 60% informam utilizar a forma ijekavian do idioma. O “montenegrino é falado por 21,53% da população.

As principais religiões são:

  • Católicos Ortodoxos: 74,24%
  • Islâmicos: 17,74%
  • Católicos romanos: 3,54%

Um pouco da história

Montenegro, desde muito tempo, era considerado um principado autônomo, mesmo diante do império Otomano que era a maior força na região (1299 – 1923).

Essa independência foi reconhecida pelo Tratado de Berlim em 1878, ocasião na qual também foram considerados independentes a Bulgária, Romênia e Sérvia. Em 1910 o príncipe Nicolau se proclamou “Rei”, mas durou pouco…

Ao término da primeira Guerra Mundial, em 1918, Montenegro foi incorporado ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Essa “união” ignorava as etnias montenegrina, bósnia e macedônia.

Em 1929 esse Reino passou a se chamar reino da Iugoslávia (Jugoslávia – Português de Portugal). Durante a segunda Guerra Mundial, passou a ser a República Socialista Iugoslávia sob o comando do General Tito. Com a morte de Tito, a partir de 1990 as repúblicas que compunham a Iugoslávia, a custa de muito sangue, começaram a reivindicar independência. Apenas a Sérvia e Montenegro continuaram unidas sob o nome de República Federal da Iugoslávia, mas essa união era desigual pesando muito mais a favor dos Sérvios, maioria étnica.

Evolução política Balcãs e Itália

Montenegro foi conquistando aos poucos sua independência e em 2006 os Estados da Sérvia e Montenegro selaram o fim do Estado da Iugoslávia.

Hoje Montenegro pleiteia ingresso na comunidade da União Europeia, e apesar de ainda não fazer parte do bloco, já utiliza o Euro como moeda oficial.

E as oliveiras com isso? TUDO!

Em todos momentos de transição de fronteiras e disputas étnicas, bem como os grupos religiosos envolvidos, em todos os casos a oliveira faz parte da cultura desses povos e referenciada em suas religiões.

ORIGEM DA CULTURA

A origem da olivicultura em Montenegro é tão difícil de se determinar quanto na Croácia e outros países da região. As oliveiras mais antigas de Montenegro remontam a mais de 2.000 anos. Estudos

LOCALIZAÇÃO NA FAIXA DE LATITUDE

Montenegro está quase totalmente entre os paralelos 42ºN e 44ºN. Ou seja: totalmente dentro da faixa de latitude ideal para olivicultura. Sua capital, Podgorica, está em 42°47′N 19°28′E.

Posição de latitude de Montenegro
Posicionamento de Montenegro em latitude

CLIMA

Todo o país até a altitude de 500m recebe ventos advindos do mar Adriático, logo com influência costeira.

NDVI

Fonte: USDA (United State Departament of Agriculture)

Para mais informações sobre NDVI veja nossa publicação em “O que é NDVI?“

Abaixo uma visão da temperatura média, máxima e mínima, assim como horas de sol (daylight) e precipitação no ano de 2019 em Podgorica, capital de Montenegro e região onde também existem olivais.

Todos os parâmetros estão de acordo com os citados em “Plantio – Parte I: Requisitos do local

OLIVICULTURA HOJE EM MONTENEGRO

Em 2018 Montenegro era o 38º país com maior área de olivais – 142 hectares, e ocupava a 30ª posição em termos de ocupação de território (0,01014%), contudo entre 2006 e 2018 o aumento da área dos olivais colhidos foi quase de 3 vezes: aumento de 178%.

Segundo a FAOSTAT:

VISÃO GERAL DA AGRICULTURA

Considerando a topografia, e talvez devido a esta, existe uma significativa variedade de culturas, como por exemplo: cítricos (costa), legumes e tabaco (centro) e criação de ovinos (norte).

Regiões de Montenegro

Oitenta e cinco por cento dos olivais estão localizados em terrenos muito inclinados, ou ainda nos sopés das montanhas de Orjen – Região de Kotor, Lovcen – Região de Cetinje e Rumija – Região de Bar. Ainda em Bar encontra-se o distrito de Valdanos com 80.000 oliveiras, protegidas por lei.

Oitenta e cinco por cento dos olivais estão localizados em terrenos muito inclinados, ou ainda nos sopés das montanhas de Orjen – Região de Kotor, Lovcen – Região de Cetinje e Rumija – Região de Bar. Ainda em Bar encontra-se o distrito de Valdanos com 80.000 oliveiras, protegidas por lei.

Área de plantio em Montenegro
Área de cultivo

Em Luštica – Região de Herceg Novi – na costa norte os olivais totalizam 20.000 árvores. No mais existem oliveiras próximo ao lago Scadar e Podgorica. Nessa última região o plantio foi intensificado a partir de 2014.

A idade média das oliveiras em Montenegro está entre 150 e 200 anos, sendo que mais de 70% tem mais de 100 anos de idade.

RADIOGRAFIA DOS OLIVAIS

Os marcadores em vermelho representam números calculados

As 450.000 árvores produtivas estimadas estão espalhadas em uma área aproximada de 3.200 ha, sendo a maioria no sistema tradicional de plantio – 70%.

As fazendas são familiares com área entre 0,2 e 2,0 hectares. Novos olivais vem sendo formados.

A grande maioria dos olivais são de cultivares autóctones, sendo a Zutica, principal variedade do país está presente em 65%. da área plantada, aproximadamente.

CONSUMO E PRODUÇÃO DE AZEITE E AZEITONA

Montenegro importa parte de seu consumo, pois sua produção é deficitária. Segundo o IOC (Internacional Olive Council) , a produção mantém-se média de 500 Toneladas ano. Mas segundo a FAO esse número é menor.

Prod Montenegro

As informações relacionadas a produção e consumo de azeitona, bem como importação não são muito claras para Montenegro. Contudo é certo que:

  • O país importa azeite. Talvez 300 t por ano.
  • A capacidade de produção de azeite do país é algo em torno de 2.000 toneladas por ano.
  • Existe, timidamente, fazendas que produzem azeite orgânico.
  • Apesar da população próximo a costa ter um consumo médio per capita, o consumo em média é baixo, em torno de 0,86 litros per capita por ano.
  • O valor do azeite nacional em 2018 estava entre 8 e 15 euros o litro. Substancialmente mais caro que o dos países vizinhos.
  • Em 2018 existiam 11 usinas tradicionais e 15 novas, já com o sistema de extração em duas fases.
Valdanos: 80,000 oliveiras protegidas.

Dois desafios diferenciam a olivicultura em Montenegro. O primeiro é a própria topologia que dificulta o trato agrícola e proteção contra pragas. O segundo é a disputa pela atenção do turismo crescente, principalmente na região costeira, inclusive ameaçando área de olivais com a construção de infra estrutura hoteleira. Esse segundo ponto é dicotômico, pois é justamente o turismo uma das melhores forma de divulgação do azeite de Montenegro.

CULTIVARES

Mesmo com o território tão pequeno, e menor ainda o agricultável, Montenegro tem registrados 9 cultivares. Desses nove cultivares, a dois também é atribuído o registro como sendo de origem na Croácia. Ou seja: dividem a nacionalidade desses cultivares de maneira. Isso ocorre pelo longo tempo da existência da cultura nesses países e proximidade geográfica e cultural. São elas a Mezanica-Meznaica e a Sitnica -Drobnica.

Cultivares autóctones Montenegro
Zutika de Montenegro

Zutika: Principal cultivar autóctone de Montenegro.

 Além dos cultivares autóctones são cultivados em proporção bem inferior, aproximadamente 5%:

  • Picholine – França – Azeitona de mesa e azeite
  • Coratina – Italiana – Azeite
  • Leccino – Itália – Azeite
  • Arbequina – Espanha – Azeite. Essa variedade vem sendo utilizada em olivais intensivos. O primeiro olival com 1 ha foi implantado em 2016.

AS “VELHAS SENHORAS” MONTENEGRINAS

Já comentamos acima que as oliveiras de Montenegro possuem uma idade média avançada: 70% entre 150 e 200 anos. Contudo encontramos indivíduos com mais de 1.000 anos. Alguns com idade estimada de 2.000 anos.

As mais conhecidas são a Old Olive – Velha Oliviera (A: Ao fundo na foto) e a Big Olive – Grande Oliveira (B). A primeira com 2.245 anos e a segunda com 2.000 anos.

PARTICIPAÇÃO EM CONCURSOS

Diante dos desafios de olivais antigos, muitos necessitando de podas severas, Montenegro vem evoluindo na qualidade de seu azeite, tanto quimicamente quanto “organolepticamente”. Apesar disso não observamos a participação de seus azeites em concursos.

AZEITE MONTENEGRINO NO MERCADO

Casa

Abaixo um review sobre um artigo publicado pela UNIDO – United Nations Industrial Development Organization, com tradução livre, quanto a produção de azeite e comercialização do mesmo em Montenegro.

Embora o Montenegro possua um dos melhores azeites do mundo, o mesmo não tem desfrutado do prestígio de azeites de outros países do Mediterrâneo. A principal razão é o seu preço relativamente exorbitante.

O azeite produzido em países vizinhos, como Croácia, Grécia, Itália e Espanha, é vendido a um preço muito mais baixo, tanto no mercado interno de Montenegro quanto no mercado internacional.

Para entender o cenário, o preço médio do azeite extra virgem produzido localmente é de 12 euros a garrafa de 750ml. O azeite extra virgem importado Divella, produzido na Itália, é vendido no supermercado local por cerca de 8 euros a garrafa. Até a marca de azeite espanhola mais distinta, Castillo d’Canena, vende seu azeite extra virgem Arbequina em Montenegro por apenas 13 euros a garrafa.

Além da desvantagem de preço, os produtores locais não têm acesso ao mercado. A maioria deles vende os produtos em suas próprias casas, através de propaganda rudimentares. Apenas uma quantidade muito pequena deles tem acesso através de canais oficiais de vendas a restaurantes, hotéis e supermercados.

Enfrentando uma concorrência acirrada das marcas estrangeiras, que geralmente são de propriedade de grandes empresas, os pequenos produtores de azeite de Montenegro praticamente não têm chance de se firmar nesse comércio. A venda de pequenas quantidades significa que a margem de lucro é pequena, com frequência os produtores locais permanecem dependentes dos subsídios estatais.

Mas existe uma estratégia para os pequenos produtores competirem contra empresas estabelecidas, que é formar cooperativas. Uma maneira de tirar proveito dessa requintada “pequenez” e aproveitar o nicho de mercado de ponta.

Os pequenos produtores de azeite de Montenegro estão seguindo essa estratégia. Vários núcleos foram formados, sendo um deles o Bar & Ulcinj. Destacando o terroir único desta região e as oliveiras nativas, os membros do núcleo da Bar & Ulcinj desenvolveram em conjunto a marca de azeite 42 ° N 19 ° E.

Esses esforços fizeram parte de um projeto financiado pela União Europeia implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Ministério da Economia do Montenegro. O objetivo é aumentar a competitividade dos pequenos produtores de azeite nos mercados local e regional.

“Através do processo do projeto, os membros do cluster foram expostos a todo o ciclo de desenvolvimento do produto e se beneficiaram de um know-how específico em design industrial, do qual poderão extrair seus futuros empreendimentos”, disse Fabio Russo, gerente de projeto da UNIDO.

Apesar das antigas oliveiras žutica serem colocadas sob proteção do Estado, a incidência de extração ilegal de madeira continua a ocorrer regularmente. Para aumentar a conscientização dos proprietários sobre o potencial que essas árvores oferecem, o projeto ajudou a realizar pesquisas científicas que destacavam a história dessas árvores. Usando técnicas sofisticadas, os cientistas da Faculdade de Florestas da Universidade de Istambul testaram e identificaram as idades exatas de 50 oliveiras amostradas de Bar e Ulcinj. Cada proprietário recebeu um certificado indicando a grande idade de suas árvores, o que adiciona um grande trunfo aos seus produtos. O projeto também abordou a UNESCO para incluir esses pomares de oliveira na Lista do Patrimônio Mundial . Este esforço está em andamento.

“Estamos cultivando algumas das oliveiras mais antigas do mundo. A pesquisa indicou que uma das minhas árvores tem mais de 2.240 anos! Estou tão orgulhoso disso. Também estamos orgulhosos de nossos produtos. 42 ° N O óleo 19 ° E celebra a alta qualidade de nossos produtos e a tradição em torno de nossas antigas oliveiras ”, disse um membro do núcleo Bilal Kraja, cuja família produz azeite de alta qualidade há anos.

Por ZHONG Xingfei

Como muitos pequenos produtores da região, a família Kraja acredita em manter a tradição e o mais alto padrão de qualidade em sua produção. Reconhecendo o profundo significado das árvores em seu pomar, Kraja as preserva cuidadosamente, garantindo que nenhum dano aconteça a nenhuma delas.

Para incentivar os produtores de núcleo a melhorar a colaboração entre si, bem como entre os setores, o projeto também ajudou a organizar eventos de “Dias de vinho e azeite” em vários shopping centers locais.

Alguns membros entraram em contato com vários produtores de cosméticos e os convenceram a usar o azeite produzido localmente como ingrediente principal. Uma empresária que é dona de uma empresa de sabonetes chamada Ella disse que isso foi extremamente benéfico para ela: “Foi uma excelente idéia usar ingredientes naturais locais em meus produtos cosméticos. Tive boas vendas com os novos produtos e, com a receita extra gerada, posso reinvestir no desenvolvimento de novos produtos.

Por ZHONG Xingfei