Bandeira do México

O México poderia alcançar uma posição de destaque não fosse a expansão dos EUA no século XIX. E no presente não fosse a política interna do México.

Trecho do hino nacional

"...Ciña ¡oh patria! tus sienes de oliva
De la paz el arcángel divino
Que en el cielo tu eterno destino
Por el dedo de dios se escribió…"

Em livre tradução:

“...Fixe ó pátria! seus templos com oliveira
Da paz o arcanjo divino
Que no céu seu destino eterno
Pelo dedo de Deus estava escrito...”

O México é o país mais ao sul da América do Norte e o mais ao Norte da América Latina.

No território, entre 1800 e 300 a.C., começaram a formar-se culturas complexas, sob certos aspectos, mais desenvolvidas que as europeias. Algumas evoluíram para avançadas civilizações mesoamericanas pré-colombianas tais como: olmeca, teotihuacan, maia, zapoteca, mixteca, huasteca, purepecha, tolteca, e mexica (ou asteca). Essas culturas floresceram durante cerca de 4000 anos até ao primeiro contacto com europeus.

Os Astecas, em especifico, foram dizimados por Hernán Cortés entre 1519 e 1521. Na sequência o território passou a fazer parte do “Vice-Reino da Nova Espanha”. Somente em 1810 foi declarada a independência do País, e em 1824 proclamada como república.

Mas não se tratava de um país do tamanho que conhecemos hoje. Na época era maior que os Estados Unidos.

Movimentos de migração americanos, em princípio autorizados pelos mexicanos e as promessas de riquezas fizeram com que os EUA declarassem guerra (Guerra do México) e anexasse uma área imensa como punição ao México. O estopim foi a anexação do território do Texas em 1836 e anexação aos EUA. Ao final da guerra o México perdeu também as áreas conhecidas hoje como Novo México, Alta Califórnia (ou simplesmente Califórnia), Utah, Arizona, Nevada e o oeste do Colorado. Para mais detalhes veja a publicação da “Oliveiras pelo Mundo: Estados Unidos da América”. Inclusive lá contamos o que Don Quixote de Cervantes tem haver com o estado da Califórnia.

Evolução do território do México

De 1857 a 1861 o México viveu um período turbulento começando com a “Revolução Liberal”, não aceitação do líder imposto: Benito Juárez, e a suspensão do pagamento da dívida externa. Tendo como pretexto o calote da dívida externa, os franceses invadiram o México em 1863, sendo que em 1867 o regime foi derrubado e o “imperador francês” fuzilado.

Em 1876 foi implantada uma ditadura pelo general Porfirio Díaz que durou 37 anos e foi conhecida como Porfiriato ou Porfirismo. Em 1910, o povo insatisfeito com o governo e eleições consideradas fraudulentas, iniciou o movimento conhecido como Revolução Mexicana liderada por Francisco I. Madero, Francisco Villa, Emiliano Zapata, Enrique Flores Magón e Ricardo Flores Magón. Em maio de 1911 Porfírio Díaz renunciou, dando início ao regime até hoje de republica presidencial.

ONDE ESTÁ O MÉXICO

Dado as perdas territoriais ocorridas no século XIX, o México ficou reduzido a menos da metade do seu território original. Encontra-se aproximadamente entre os paralelos 14,97º N e 32,70º N.

Mapa México
Mapa do México atual

Entre as latitudes 30º e 45º, onde as oliveiras apresentam melhor desenvolvimento, sobrou muito pouco território. A mesma faixa de latitudes também á a mais indicada no hemisfério Sul.

México - Lt 30º
Posição da latitude 30º N no México

ORIGEM DA CULTURA NO MÉXICO

Falar da origem da cultura no México antigo, antes da “Guerra Mexicana”, é repetir a história das Oliveiras nos Estados Unidos da América. Melhor dizendo: O que contamos na publicação sobre as Oliveiras nos EUA, na verdade aconteceu no México.

“As oliveiras foram introduzidas nos EUA logo após a fundação da Missão San Diego de Alcalá – no atual estado da Califórnia – em julho de 1769 . A missão era coordenada por frades franciscanos espanhóis liderados por Junípero Serra – que poderia ser considerado o patrono das oliveiras nos EUA…”

“…Anteriormente à guerra entre os EUA e o México, eram três as “Califórnias” pertencentes ao governo do México. Após a incorporação do território pelos EUA, como espólio de guerra, o estado passou a ser chamado simplesmente de “Califórnia”. A “Média Califórnia” e a “Baixa Califórnia” ainda existem com esses nomes no México. Hoje San Diego faz fronteira com a cidade de Tijuana, na Média Califórnia – México.

A forma como as primeiras oliveiras foram obtidas:

Quando o reino da Espanha ainda exercia o poder sobre seus territórios na América do Norte, a introdução de espécies vegetais vivas era proibida. O objetivo era impedir que a colônia deixasse de importar os produtos fornecidos pela corte. Contudo, os missionários conseguiram liberar uma carga de azeitonas tratadas. Com os caroços destas obtiveram mudas da oliveira que veio a se conhecer como Mission, por motivos óbvios.

A partir daí todas as missões fundadas até o ano de 1823 recebiam mudas de oliveiras. Ainda hoje na Missão de San Fernando resistem 450 árvores das 500 plantadas por volta do ano de 1800

Apesar dos relatos de que a olivicultura nos EUA teve origem na missão de San Diego, algumas oliveiras encontradas em Capistrano aparentam ser mais antigas, entretanto não existem registros sobre a data de cultivo destas árvores…”

Olivapedia: “Oliveiras pelo mundo: Estados Unidos da América”

Olhando apenas para o território atual do México, existe o relato de que em 1531 o Frei Martin de Valencia levou de Sevilha, Espanha, as primeiras mudas. Dessas iniciou-se a produção de azeite no México, coma maior ritmo no século XVII.

Semelhante ao que ocorreu no Brasil, a Espanha estava preocupada em ter um concorrente em sua colônia, que englobava o território hoje pertencente aos Estados Unidos. Em 1774, o rei Carlos III proibiu o cultivo da oliveira no México (toda colônia). Em 1777 foi ordenada a destruição de todas os pomares. Sobraram muitos poucos, mas que ainda produzem azeitonas.

VARIEDADES MEXICANAS

Nos EUA ao logo do tempo foram 9 variedades já citadas em nossa publicação “Oliveiras pelo Mundo: Estados Unidos da América. Para o México ficou o reconhecimento e registro de 3 cultivares, todos de menor importância, localizados apenas em coleções particulares.

Cultivares autóctones

Além das oliveiras autóctones, encontramos no México os cultivares “adaptados” ao clima local. Na “Baixa Califórnia” são encontrados olivais das variedades Manzanilla e Gordal Sevilhana, que forma as primeiras variedades introduzidas visando a produção de azeitona de mesa. Posteriormente vieram as italianas Ascolana e Bourouni, também grandes e com muita polpa.

Para produção de azeite forma trazidas as variedades Arbequina (Espanha) e Pendolina (Itália).

Na região de Caborca forma plantadas variedades oriundas da Nevadillo (Espanha).

Ainda são encontrados olivais com Koroneiki – azeite (Grécia), Arbosana, Arbosana e Leccino(Itália). O grande mercado visado é dos EUA.

OLIVICULTURA HOJE NO MÉXICO

Localização projeto expansão olivais

O México visa, além do mercado interno, o crescente consumo de azeite pelo seu rico vizinho, os Estados Unidos. Em 2010 a região da província de Tamaulipas, na parte nordeste do México, implantou uma unidade de processamento de azeite (lagar), mais especificamente na cidade de Tula. O projeto financiado pelo governo começou com a plantação de 700 hectares de oliveiras em 2004. Os planos eram audaciosos, ou seja: previam 10 toneladas de azeitonas por hectare! O lagar instalado, que custou 3,6 milhões de dólares tem a capacidade de processamento de 120 toneladas de azeitonas por dia. De fato nenhum lagar opera com a capacidade máxima por um tempo muito longo. Algumas interrupções operacionais são necessárias, mais ainda que fosse possível, já existiria um problema nos números apresentados. Seriam necessários 58 dias ininterruptos de processamento e colheita para dar conta de 7.000 toneladas de azeitonas.

Sabemos que a produtividade média por hectare no México fica longe das 10 toneladas, e o projeto iniciado em 2004 não conseguiu mudar isso.

Evolução da produtividade com a bianualidade bem caracterizada

Outra questão é a alegação da adequação do local a olivicultura. Quanto ao clima e regime de chuvas tudo bem. Mas esqueceram de avaliar a temperatura ao longo dos meses.

Variação temperatura em Taumalipa – México

O histórico mostra que não está nem perto do necessário em termos de temperatura mínima que é de 200 horas abaixo de 12º Celsius por ano. Vide nossa publicação: “Plantio – Parte I: Requisitos do Local”.

Fato é que o México não despertou como um todo para a olivicultura. Muitos são que alegam a falta de conhecimento da cultura, do plantio ao processamento dos frutos, passando pelo manejo.

Uma exceção a ser considerada é uma família da região central do México, a 1.800 metros de altitude, tendo como pano de fundo uma cadeia de vulcões extintos, começou o cultivo das oliveiras onde normalmente os cactos predominavam. Mesmo sem apoio do governo (talvez por esse motivo é que esteja dando certo) a cooperativa fundada por Marcelo Hernandez e sua família fundada vem crescendo.

Olival família Hernandez

Outro ponto cultural a ser vencido é a soberania da cultura do milho no México.

Comparação cultura Milho x Olivais

Vide nosso estudo sobre evolução das olivicultura versos outras culturas.

Ou seja: Mesmo em áreas os olivais no México não conseguiram evoluir. Mas o pior é que a importação pelos Estados Unidos não ocorreu, pelo menos não para o azeite e azeitonas mexicanas. Mesmo com o aumento da produção interna de azeite, os EUA aumentam constantemente suas importações, pois cada vez mais os americanos entendem a importância do azeite na alimentação. Vide nossa publicação Oliveiras pelo Mundo: Estados Unidos da América”.

PRODUÇÃO E CONSUMO DE AZEITE E AZEITONA NO MÉXICO

Não localizamos valores para produção de azeite nos anos de 2015 a 2017 e 2019.

NA CULINÁRIA

Dada a restrição ao cultivo imposto pela Coroa Espanhola no século XVIII, hoje a azeitona não é uma das protagonistas dos pratos mexicanos. É mais utilizada em pratos regionais, como por exemplo salada de batata (ensalada de papa) com azeitonas pretas ou verdes, ou ainda picadillo de res usado em pimentões recheados (chiles rellenos), enchiladas, empanadas, até tamales, ou por si só. Em regiões costeiras alguns colocam azeitonas fatiadas a alguns pratos de peixe.

RESULTADOS EM CONCURSOS – AZEITES

Mantemos com referência os resultados do New York International Olive Oil Competition (NYIOOC).

O México talvez seja o país mais parecido com o Brasil no que tange a história da olivicultura. Talvez a semelhança não pare por aí, mas ficando só na cultura das oliveiras, o governo parece totalmente despreparado para gerir adequadamente qualquer projeto: o discurso é megalomaníaco, mas é só discurso. O povo não entende a importância do azeite, ainda menos que no Brasil. Enquanto no vizinho EUA o consumo de azeite previsto para 2020 é superior a 1,1 litros de azeite por habitante em um ano, no México o volume é um décimo.