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Pesquisas indicam que os primeiros povoamentos da Eslovênia ocorreram a cerca de 250.000 anos. Um dos indícios foi o objeto encontrado por arqueológicos na região, e que provavelmente seja uma flauta. A mesma é indicada como o instrumento musical mais antigo do mundo.

A descoberta ocorreu na caverna de Divje Babe perto de Cerkno, e deve ter sido produzida pelos Neandertais durante a era glacial de Würm.

Vários povos Antiguidade passaram, se fixaram e invadiram o território, dentre eles os Celtas, Romanos e Eslavos (século VI d.C.).

O território já fez parte do Império Romano, Império Bizantino, República de Veneza, Ducado de Carantânia – no norte esloveno, Caríntia, Sacro Império Romano-Germânico, Monarquia de Habsburgo, Império Austríaco – a partir de 1866 e Império Austro-Húngaro.

Ao final da Primeira Guerra Mundial a Eslovênia foi agregada ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Logo após, em 1929, o ditador Aleksander Karađorđević, definiu que esses países seriam chamados de Reino da Iugoslávia. Essa situação foi confirmada após o término da Segunda Guerra Mundial, quando Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Sérvia e Montenegro formaram a República Socialista Federal da Iugoslávia, comandada pelo afamado Marechal Tito – Josip Broz Tito, que consegui durante sua vida manter a paz na região, a despeito das fortes diferenças das diversas etnias que lá viviam.

Em 1990 a Eslovênia optou por sua independência, o que foi reconhecido pela União Européia em 1991.

Onde fica a Eslovênia?

Eslovênia
Localização da Eslovênia – Entre a Itália e Croácia

Sua localização a colocou no eixo de grandes movimentos de conquistas e domínio de diversas civilizações antigas e mais recentes.

A Olivicultura na história da Eslovênia

A origem do cultivo das oliveiras na Eslovênia não possui registros seguros, contudo é sabido que data de antes da era cristã.

Durante o império Bizantino, e mais especificamente durante o domínio pela República de Veneza, (697 ou 810 d.C) a 1797, foi que a olivicultura sofreu o primeiro grande impulso. O interesse era suprir Veneza com azeite com o qual os Italianos já estavam tão acostumados*. Algo semelhante ao que ocorreu com a Espanha durante o império romano, contudo agora com um território limitado a “Sereníssima” o território Eslavaco tornou-se fundamental.

* Observação: A República de Veneza foi formada pelo Império Romano Oriental, pois após a queda de Roma, tomada pelos “povos bárbaros”, as mais de 100 ilhas do Mar Adriático foi o refúgio para o último suspiro do maior Império da história humana.

Curiosidade

A República de Veneza era conhecida como Sereníssima República de Veneza, ou simplesmente Sereníssima, e foi dissolvida com a invasão de Napolelão Bonaparte que a cedeu ao império Austríaco.

Serenìsima Repùblica Vèneta

Na sequência, com a dominação pelo Império Austríaco, uma lei impunha o cultivo de oliveiras de forma proporcional as propriedades rurais, o que elevou o plantio e o manteve proporcional ao número de habitantes do país (Razvoj, 1985).

Na metade do século XIX a atenção na Eslovênia voltou-se a Viticultura (plantação de uvas). Com isso ocorreu um declínio no interesse pela Olivicultura. Apesar das culturas serem “primas na história da humanidade” o consumo da uva e seus derivados, inclusive o vinho, ocorre de uma forma menos arriscada para o agricultor.

Duas grandes geadas no século XX atrapalharam ainda mais. Em 1929, quando o número estimado de árvores caiu de 300.000 para 120.000, e em 1956 quando a população agrária já se encontrava reduzida o número de árvores caiu para algo em torno de 50.000 unidades.

Durante as últimas décadas, especialmente depois de 1980, a olivicultura na Ístria eslovena sofreu um rápido progresso. Em 2007 os olivais cobriam quase 1.300 hectares, totalizando mais de 350.000 oliveiras.

A década de 1990 inaugurou a plantação intensiva da olivicultura na Eslovênia. Apesar de ser ainda uma parcela menor, a mesma ajudou a olivicultura a ser a quarta cultura mais difundida na Eslovênia, depois da maça, pêssego e pera, dentre os produtos produzidos em pomar.

Fora da península de Istria são cultivados aproximadamente 15 hectares em Goriška Brda e na parte inferior do vale de Vipavska. Nessa última região uma geada em 1929 dizimou a oliviculta na região.

Tal como observado em outros países atualmente existe um movimento contrário de ocupação do solo. As novas gerações tem buscado atividade que exijam menos da sorte e do clima.

Fonte: SiStat – Sistema de estatística do Governo da Eslovênia

Olivais de hoje na Eslovênia?

Sua fixação e atual exploração no país ocorre a sudoeste onde as condições climáticas de inverno são menos rigorosas, mesmo que por vezes ameaçar a sobrevivência das árvores devido a intensas geadas. Apesar de fragilidade de plantações fora da península conhecida como Istria, algumas tentativas corajosas são realizadas.

Figura: Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=659284

Em Istria maioria do oliviais são privados e de pequenos produtores (0,2 a 3 hectares). Propriedades maiores, encontradas em menor quantidade, chegam a 14 hectares de extensão.

A principal variedade da Eslovênia é a autóctone (nativa) chamado Istrska Belica, mais conhecida no exterior como “Bianchera”, com 50% a 70% da área dos olivias. Ocupa esse lugar, pois além de ser resistente a geadas, possui um alto percentual de azeite, contudo necessita receber uma mistura de outras óleos para melhorar sua palatabilidade. A variedade mais utilizada para isso é a Leccino, italiana, com área plantada entre 20-30% dos olivais.

Colheita de azeitonas na Eslovênia

Durante todas as fases de ocupação da Eslovênia, outros cultivares foram trazidos e hoje continuam a produzir em plantações mais antigas, como por exemplo: Pendolino, Frantoio, Moraiolo, Štorta (Krivulja piranska – Nativa), buga, Črnica, Drobnica, Mata e outras.

Área de cultivo fica na Península de Istria, entre Trieste na Itália e o golfo de Kvarner. Logo a maior parte da península situa-se na Croácia, onde também é uma importante região de cultivo de oliveiras.

Mesmo na península de Istria, existem restrições quanto ao clima e tipo de solo. Normalmente as oliveiras são encontradas próximas a costa e em elevações até 300 metros de altitude. Existem alguns olivais ao longo dos rios Rižana, Osapska reka, Badaševica, Drnica, Dragonja e Rokava. Ainda assim nas encostas com incidência solar.

Imagem da Universidade de Liubliana. Departamento do Geografia.

Apesar das fortes geadas que ocorrem em intervalos de 20 a 25 anos e de limitações relacionadas a insolação, aclive do terreno, etc. Ainda existem mais de 8.000 hectares que podem ser utilizados para o cultivo na Eslovênia. Ainda que mantida a proporção de uso da terra com outras culturas, a olivicultura tem potencial para dobrar de tamanho.

Bianchera

Produção e consumo de azeite e azeitona de mesa

Observação: As importações são significativas, contudo não registradas por se tratarem em sua maioria esmagadora de transações dentro da comunidade europeia.

Observação: Não há registro quanto a produção de azeitona de mesa na Eslovênia, logo, tal como com o azeite, as importações devem ser relevantes, contudo não registradas devido a transparência do comércio dentro da comunidade européia.

Azeitonas colhidas na Eslovênia

O consumo de azeite e azeitona da Eslovênia beira aos dos Estados Unidos da América, sendo muito inferior ao países mediterrâneos tradicionais produtores, mas muito superior aos países latino americanos.

Área Plantada e Produtividade (azeitonas)

Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), Organização da Agricultura e Alimento da ONU, a área plantada nos dez anos que precederam a 2018 versus a colheita total de azeitonas é a que se segue abaixo. As questões climáticas estão relacionadas a redução da produção, mesmo com o aumento da área de colheita. Isso fica mais evidenciado com a redução da colheita por hectare de área.

Competições

A Eslovênia apresenta bons resultados em competições internacionais de azeites.

Usamos como referência o NYOOC (New York Olive Oil Competition) por acharmos ser uma competição abrangente e com dados disponíveis de maneira simples.

Apesar do último resultado “melhor na categoria ter ocorrido em 2014, nos anos em que a Eslovênia participa do concurso, a média dos azeites premiados é alta.

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