O que é

É uma doença causada por uma bactéria (gram-negativa) cujo nome é “Pseudomonas savastanoi” que provoca aparecimento de tumores. A bactéria possui de um a quatro flagelos, que permitem o seu movimento e a produção nódulos secundários.

Por consequência as árvores atingidas reduzem seu vigor e o fruto (azeitona) passa a ter um sabor amargo fora do comum. Trata-se de uma bactéria aeróbica e apesar de raramente manifestar visualmente no fruto (azeitona), apenas estações muito úmidas, afeta negativamente a qualidade do mesmo, tanto para produção de azeitona de mesa, quanto para a produção de azeite.

Olive with tuberculosis
Azeitona com tuberculose

Alerta

Alguns sites utilizam uma taxonomia antiga, onde o Psedomonas savastanoi ainda era considerado uma bactéria. Favor considerar a informação de que o mesmo é um fungo.

Outros nomes e regiões de afetação

Também é conhecida, em Portugal, como ronha, lepra ou cancro bacteriano. Não localizamos referência a afetação de olivais no Brasil, apesar de que já deve estar presente, pois possui uma grande difusão:

A tuberculose da azeitona tem uma ampla distribuição em todos os continentes, nomeadamente na Argentina, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Índia, Inglaterra, Irão, Israel, Itália, França, México, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul, Turquia, Rússia e Uruguai, entre outros. Na Espanha, causa cada vez mais danos aos olivais, e em 1991, 1,3% da produção anual total foi danificada por esta doença.

(De Andres, 1991).

NOTA IMPORTANTE: Na publicação da EMBRAPA – Zonas Temperadas (“Sistemas  de Produção-16” de Dezembro/2009) há a seguinte informação:

A tuberculose, tumores ou galhas da oliveira é uma doença distribuída em toda área de cultivo. O termo mais utilizado é tuberculose, fazendo referência ao sintoma característico da doença. Sintomatologia: Os sintomas são claros e bastante conhecidos por olivicultores. O mais comum é o tumor ou galha de forma arredondada que chega a alcançar vários centímetros de diâmetro. Os tumores se formam em troncos, ramos, talos e brotos. As folhas e raízes podem ser afetadas, mas com menor frequência e intensidade. As infestações em frutos são infrequentes. Estas infecções podem ocorrer no verão com chuvas abundantes, causando manchas de 0,2 a 3mm de diâmetro que, inicialmente, são de coloração marrom e depois escurecem. Os tumores jovens são de coloração esverdeada ou marrom claro e de aspecto liso. Internamente apresentam uma aparência esponjosa de consistência aquosa. Os tumores antigos, são mais escuros, o tecido interno pode estar oco e o tecido externo apresenta-se rugoso e com rachaduras, sendo, frequentemente, aproveitado como moradia para os insetos. Os ramos severamente afetados crescem menos, desfolham e podem morrer.

Carlos  Reisser  Júnior, et al.

Observação: No Brasil encontramos a Pseudomonas savastanoi pv. Glycinea, comum no cultivo de soja e outras culturas. Refere-se a mesma espécie e subespécie, mas de um “PATOVAR” (“PV” ou “cepa”) distinta. Da mesma forma a Pseudomonas savastanoi pv. Phaseolicola afeta a cultura do feijão, etc..

História

A primeira descrição da tuberculose da oliveira foi feita pelo filósofo Teofrasco no século IV.

O nome savastanoi foi dado em referência a um trabalhador (Italiano), que entre 1887 e 1898 provou que o “nó da azeitona” era causado por uma bactéria.

Inicialmente foi considerado que seria um patovar (cepa) da Pseudomonas syringae*, mas após estudos de relação com o DNA, foi instalado como uma nova espécie.

  • O PatovarLachrymans” as culturas de Abóbora, Abobrinha, Chuchu, Maxixe, Melancia, Melão, Pepino.
  • O PatovarTomato” afeta principalmente as culturas de pimentão e da berinjela.

Um dos primeiros estudos a respeito dessa bactéria/cepa foi realizado pelo cientista Giuseppe Maria Giovene (1753-1837), que publicou suas conclusões em “Sulla rogna degli ulivi”, tradução livre: “Na casca das oliveiras”, (1789).

Aparência

Macroscópica

Nas Oliveiras a Pseudomonas savastanoi pv. Savastoi afeta principalmente o tronco, galhos, caules e brotos, mas, embora raro, também já foi observado nas folhas e frutos. Podem ocorrer grandes desfolhações, e em casos mais graves secar os ramos.

Via de regra causa a redução no tamanho do fruto.

O aspecto é de um “tumor” que pode atingir vários centímetros de diâmetro. Assemelha-se a doença da Galha em Coroa, causado pela bactéria Agrobacterium tumefaciens.

O tumores novos apresentam uma cor esverdeada e aspecto liso. Internamente são “esponjosos”.

Os tumores mais antigos são mais escuros com a aparência rugosa. O interior fica seco.

Microscópica

Abaixo o acompanhamento fotográfico (via microscópio) da evolução da tuberculose da Oliveira.

Photo: SFAM (Society for Applied Microbiology). Article: Endopathogenic lifestyle of Pseudomonas savastanoi pv. Savastanoi in olive knots. Authors: Luis Rodríguez-Moreno, Antonio J. Jiménez, Cayo Ramos. First published: June 15, 2009 - https://doi.org/10.1111/j.1751-7915.2009.00101.x
Foto: SFAM (Society for Applied microbiology). Artigo: Estilo de vida endopatogênico de Pseudomonas savastanoi pv. Savastanoi em nós de azeitona. Autores: Luis Rodríguez-Moreno, Antonio J. Jiménez, Cayo Ramos. Publicado pela primeira vez:15 de junho de 2009 – https://doi.org/10.1111/j.1751-7915.2009.00101.x

Legenda das imagens acima

  1. Um pequeno grupo de células bacterianas é visto ligado à parede celular de uma célula hospedeira plasmolisada (vide plasmólise).
  2. Células bacterianas em forma de bastonete ligadas umas às outras e às paredes celulares por uma matriz fibrilar.
  3. Microcolônia bacteriana ligada a uma célula hospedeira.
  4. Biofilme bacteriano colonizando a superfície de células hospedeiras plasmolisadas.
  5. Massa de células bacterianas colonizando o interior de uma célula hospedeira plasmolisada.

Como se propaga

Em áreas onde a bactéria encontra-se, a propagação ocorre de diversas formas. Pode ser através da água das chuvas levadas pelo vento, ou pelo chão, pelo vento, por ferramentas contaminadas durante a poda, transferência por insetos, colheita feita de forma mecânica ou manual e qualquer outro meio que transporte a bactéria a oliveira.

 A contaminação ocorre quando a bactéria encontra um ponto de entrada na Oliveira. Pode ser um corte, machucado devido a colheita, granizo, quebra natural de galhos, etc.. Uma condição climática favorável a propagação é um importante fator de sucesso a contaminação e desenvolvimento das bactérias.

Ambiente adequado para desenvolvimento da Tuberculose

A umidade alta é um fator preponderante no desenvolvimento da doença, pois quanto a temperatura a amplitude de contaminação é muito grande: de 4°C a 38°C.

A temperatura ótima para crescimento e desenvolvimento da bactéria fica entre 23°C e 25°C, mas o mesmo pode ocorrer entre 18°C e 28°C.

Mesmo sem se desenvolver em uma estação, devido a queda das temperaturas no inverno, por exemplo, a bactéria sobrevive para se desenvolver em um momento mais propício, logo é importante observar qualquer sintoma em rebentos e ramos novos.

Medidas preventivas

Uma árvore saudável, bem nutrida, dificulta a propagação da tuberculose.

Contudo principal medida é não deixar feridas abertas nos trocos, galhos ou ramos.

Toda incisão ocorrida por poda, acidente ou quebra natural deve ser tratada com um produto para desinfecção da ferida até cicatrização natural da árvore.

Produtos à base de cobre são normalmente muito eficazes contra a tuberculose e outra grande gama de doenças. Dentre eles: pasta de sulfato de cobre (8%) + cal virgem (8%) + 84% de água.

A Poda deve ser realizada em época de seca, e todos os equipamentos devem ser limpos entre uma e outra árvore. A lixivia (água sanitária) é bastante utilizada devido ao seu custo menor.

Observação: Em culturas intensivas e superintensivas, a pratica de higiene das ferramentas entre cada árvore é substituída pela habitual aplicação de defensivos agrícolas de amplo aspecto.

A pulverização do olival com Calda Bordalesa e Calda Sulfocálcica (ambas orgânicas) também apresenta um bom resultado em substituição aos produtos fitofarmacêuticos.

Outros produtos como: canela em pó, própolis e uma pasta de cal virgem com água, não tem eficacia comprovada.

Observação: A receita de Calda Bordalesa e Calda Sulfocálcica pode ser facilmente obtida na Internet, mas a Olivapedia também as disponibilizará.

Podar a oliveira de forma a deixar seu interior mais acessível a luz e a pulverização também é uma prática altamente recomentada.

Em regiões com uma incidência muito alta, sugere-se o cultivo de cultivares menos suceptíveis, ou mais resistentes.

Cultivares mais resistentes e os mais sucetíveis

Abaixo as duas relações referem-se aos cultivares que a Olivapedia já levantou, logo a lista não é uma lista exaustiva, mas na medida do possível podemos pesquisar algum cultivar não abortado para patronos do blog.

Mais resistentes

Cultivares mais resistentes a tuberculose da oliveira (3 a 5)

Mais suceptíveis

Cultivares mais suceptíveis a tuberculose da oliveira (1 a 2)

Combate à tuberculose das oliveiras

A melhor forma de combater é a prevenção, pois depois de observado um foco da doença a única solução é cortar a parte afetada e queimar.

Principalmente esses cortes devem ser tratados com produtos que evitem a continuação do foco, e devem ser observados com maior atenção.