A agricultura continua sendo o verdadeiro óleo da humanidade. Sem o petróleo poderíamos andar a pé, mas sem comida é impossível viver

Sossio Giametta

O Brasil é oitavo maior consumidor de azeite no mundo, entretanto praticamente todo azeite é importado.

A Posição de consumo vem mantendo há vários anos, contudo quando fala-se em importação, o país é o segundo colocado, mas muito distante dos Estados Unidos.

Em volume acumulado 2010-2020 (2020 é estimativa do IOC), a terceira colocação é da Itália e a quinta a Espanha. Citamos esses dois países, pois apesar de serem grandes produtores, a importação e destinada ao processamento e revenda, principalmente exportação.

O Japão, com 127 milhões de habitantes em 2019, é terceiro maior importador. O Japão já teve uma publicação exclusiva, pois também produz azeite. Ele é um exemplo da importância do azeite extra virgem na alimentação.

A forte queda nas importações de 2016 deveu-se a forte crise econômica do país em 2015. Em 2015 ocorreu uma queda de 45% no consumo comparado com 2013. Graças a redução da crise, novas marcas entrantes no Brasil e redução dos preços de fornecedores clássicos, o consumo volta a tendência de alta.

Entretanto não podemos desconsiderar o esforço que diversos canais tem feito para dar ciência ao consumidor da qualidade superior do azeite sobre qualquer outro óleo.

Antes de entrarmos em detalhes quanto a impostação Brasil, seria interessante uma visão geral quanto ao perfil de consumo dos principais país do mundo quando se fala de azeite.

O consumo dos Estados Unidos, bem abaixo do da Itália e da Espanha é uma “meta” sonhada pelos comerciantes, importadores e principalmente produtores do Brasil. Ou seja: atingir o consumo em torno de 1 litro por pessoa por ano nos colocaria em maior destaque no contexto mundial, mas significaria mais que dobrar a previsão de consumo para 2020.

Observação: A Grécia é o país que de longe se destaca como consumo per capita de azeite, chegando a uma vila em Corfu a ser de aproximadamente 50 litros por ano por pessoa, e apesar do volume vir caindo – crise econômica, ainda é país que mais consome azeite per capita no mundo. Vide: Curiosidades sobre o mundo das Oliveiras – I.

Consumo e produção no Brasil

Ainda que o consumo do Brasil seja pequeno: aproximadamente 400 ml por pessoa por ano (ou ainda uma estimativa de 90.000 toneladas em 2020), o crescimento constante da demanda e o aumento da produção nacional, principalmente na região Sul e na Região da Mantiqueira, chama atenção dos mercados exportadores.

A produção nacional já comprovou ser de ótima qualidade, inclusive com prêmios internacionais. Grandes investimentos tem sido realizados nas duas regiões citadas, bem como Espírito Santo e Bahia, mas trata-se de mais de 3 séculos de atraso conforme relatamos em na publicação Oliveiras pelo mundo: Brasil.

Desta forma o volume da produção no Brasil ainda é muito pequenos (em 2018 foi apenas 0,01% do total consumido no Brasil) e 100% é vendido a preços muito mais elevados que os importados – média de 50%. Esse ponto nos remete, mais uma vez a questão da qualidade do azeite importado para o Brasil. Um palestrante citou em uma reunião:

“O Brasil é o único país do mundo no qual todos azeites na prateleiras são extra virgens”.

Essa declaração foi em 2018. Mesmo sem sermos tão radicais, pois alguns azeites se apresentam apenas como virgens ou de “uso geral”, existe da fato no número dos azeites importados (todos os tipos) uma descrepância para o que encontramos nos mercados.

Talvez tão certo quanto a morte e os impostos, é o fato de que o azeite por muito tempo ainda será alvo de fraude. Existe hoje um volume de marcas de azeites que a fiscalização não consegue acompanhar, além dos fabricados no próprio país com misturas de óleos de sementes.

Em 2019 o MAPA divulgou somou-se a lista de 6 produtos já proibidos, mais 32. Inclusive um “azeite” produzido em um galpão em São Paulo – BR. O problema é que os fraudadores dificilmente são pegos, e criam tantas marcas quanto forem necessárias para continuarem no “mercado”.

As fraudes rende milhões aos fraudadores e tem uma história de centenas de anos, com a maioria dos esquemas organizados internacionalmente.

Sugestão de leitura, que dentre outros que explicam a estrutura do azeite (extra virgem), e as diferenças de uma fraude:

Países de origem do azeite brasileiro

Segundo “The Observatory of Economic Complexity” (OEC)

Segundo o OEC a quantidade total importada pelo Brasil em 2017 foi de 76,5 mil toneladas, ou seja: 82.702.702,70 litros de azeite. Logo a quantidade fornecida pela França foi de apenas 273 mil litros. A Suécia (não produtora) a metade disso. Portanto podemos entender que esses volumes não se trataram de uma demanda rotineira. Todos demais países, abaixo da Suécia podem ser enxergados desta forma: Demandas teste, evento, importação para revenda, etc..

Considerando azeites de qualquer tipo, inclusive refinados, mas não tratados quimicamente, temos

Fonte: OEC

Segundo o COI os números um pouco diferentes

O ranking permanece o mesmo, contudo países com menor importância foram agrupados.

Fonte: COI

Nesse levantamento do COI não foi detalhado qual tipo de azeite considerado. Em 2017, 87% de todo azeite importado era virgem ou extra virgem. O azeite “comum” respondia por 12% do total e apenas 1% foi de azeite lampante. A diferença entre eles você encontra em nossa publicação Azeite – ParteIV: Classificação.

Tipos de azeite importados pelo Brasil - série histórica
Azeite importado pleo Brasil por tipo

Sob qualquer angulo e tempo que se enxergue, Portugal continua a ser o maior fornecedor de azeite dos lares brasileiros. Em 2011 os lusitanos comemoravam a virada com superavit, em parte graças a boa situação econômica do Brasil.

Já em 2018 Portugal se posicionava em terceiro lugar como maior exportador de azeite da União Européia com 10%, atrás da Espanha com 52% e da Itália com 33%. Apesar da cifra de 10% poder parecer pequena, mas representa 257,1 milhões de euros vendidos para fora da UE.

E mais ainda, um crescimento a uma taxa próxima de 20% ao ano desde 2009, quando o faturamento foi de “apenas” 100 milhões de euros provenientes da exportação do azeite para fora da UE. Mas a ideia dos portugueses é aumentar ainda mais a participação no mercado, lançando novas etiquetas a azeites já conhecidos, e aumentar as vendas para o Brasil.

Participação no mercado brasileiro em 2018:

  • Portugal: 59,0%
  • Espanha 16,0%
  • Argentina 10,0%
  • Chile 7,0%
  • Itália 6,000%
  • Grécia 1,0%
  • Tunísia 0,72%
  • Líbano 0,039%
  • Síria 0,002%

O levantamento foi feito pelo COI, onde mostrou que o Brasil importou 61,9 mil toneladas de azeite entre outubro de 2018 e maio de 2019 (total estimado em 2019: 90 mil Ton), 14% a mais que na temporada anterior. Apenas Japão (23%) e China (15%) registraram maior crescimento.

Ainda de acordo com o COI, a importação de azeitona também está em alta no Brasil. Entre setembro de 2018 e maio de 2019, entraram no país 89,1 mil toneladas de azeitona, um aumento de 11%.

Segundo o Conselho Internacional do Azeite, 82% do azeite importado no Brasil vem da Europa. Portugal é o principal exportador, responsável por 59% das importações brasileiras. Espanha (16 por cento), Itália (seis por cento) e Grécia (um por cento) são os outros principais exportadores europeus. Argentina 10% e do Chile 7%.

Visão de fornecedores do Oriente e África

2017: Tunísia, Líbano, Síria e Marrocos exportaram 485,7 toneladas combinadas do produto para o Brasil de janeiro a outubro. Isso representou 0,92% do total das importações, que totalizaram aproximadamente 52.700 toneladas.

2017: A Tunísia enviou 459,3 toneladas de azeite para o Brasil nos primeiros dez meses deste ano; O Líbano embarcou 25 toneladas, a Síria embarcou 1,3 tonelada e o Marrocos embarcou 130 kg. Esses quatro países estão em sexto, nono, 13 e 15, na lista de fornecedores de azeite do Brasil. Os três primeiros são, nessa ordem, Portugal, Espanha e Argentina. Somente Portugal vendeu aproximadamente 31.500 toneladas de produto.

Futuro

O Brasil é um importante importador de azeite e foco de oferta de produtos estrangeiros.

Segundo o COI, entre outubro de 2018 e maio de 2019 o país importou 61,9 mil toneladas de azeite, ou seja: 14% a mais que no mesmo período de 2017.

Apenas o Japão e a China apresentaram uma aceleração maior que a do Brasil. A China possui um programa de produção de azeite próprio e condições climáticas e de solo para tanto. Em breve de despontar no mercado internacional. O Japão possui dificuldades relacionadas a clima e território disponível a agricultura, que no caso da oliveira retorno uma “baixa” produção por hectare cultivado, comparado a outras culturas, logo deverá continuar produzindo azeite de forma mais artesanal.

O Brasil vem aumentando constantemente sua produção, mas o problema é ser competitivo com os valores dos produtos dos principais fornecedores. A maioria dos nossos olivais ainda são jovens, e novos continuam a ser implantados, com cada vez mais técnica e conhecimento. Logo nada impede de daqui a 15 ou 20 anos estejamos produzindo mais do que importamos.

Olival novo em Maria da Fé (dez-2019) – Mantiqueira – MG
Foto: MauroJFM

O Rio Grande do sul deve despontar como o grande produtor de azeite no Brasil, seguido pela Mantiqueira (SP e MG) onde cada vez mais surgem olivais de grande e pequeno porte. Entretanto o Rio Grande do Sul tem a vantagem de não depender de terreno tão acidentado para o cultivo – na Mantiqueira os olivais estão todos em morros-, bem como possuem instabilidades climáticas menores. Por exemplo, a colheita da Mantiqueira em 2019 foi extensamente prejudicada por chuvas durante a floração.

Vejamos onde isso tudo vai dar…