— História, cultivares, regiões e produção contemporânea —
Capa Olival sequeiro no Ajantejo – Foto: Rádio Campanário
Portugal é hoje o sexto maior produtor mundial de azeite e o terceiro maior exportador da União Europeia. Por trás destes números está uma história de mais de dois mil anos, dezenas de variedades de oliveira nascidas no próprio território, seis regiões com Denominação de Origem Protegida e uma transformação produtiva profunda que, em pouco mais de duas décadas, reposicionou o país no mapa mundial do azeite virgem extra de qualidade. Esta publicação percorre essa trajetória, do plantio das primeiras oliveiras nas terras lusitanas até aos prémios internacionais conquistados nas últimas safras.
Origens: antes de Portugal existir
A oliveira chegou à Península Ibérica muito antes da existência de Portugal como nação. As primeiras introduções da espécie Olea europaea na região atribuem-se aos fenícios, povo navegador do Mediterrâneo Oriental, ainda no segundo milénio antes de Cristo. Foram eles, juntamente com os gregos, que propagaram a árvore pelas costas do sul ibérico, levando consigo as técnicas básicas de cultivo e de extração do óleo da azeitona.
Colonização e comércio Grego e Fenício no Mediterrâneo e Mar Negro
A própria palavra “azeite” guarda essa herança: deriva do árabe az-zait, que significa “sumo de azeitona”. Já a designação científica Olea europaea resume a profunda ligação da árvore à bacia mediterrânica, onde encontrou clima e solo perfeitos para se naturalizar.
Foi com a chegada dos romanos, a partir do século III a.C., que o cultivo da oliveira ganhou escala industrial no território da atual Portugal. Mais do que expandir a área plantada, os romanos aperfeiçoaram as técnicas agrícolas — introduzindo a enxertia — e desenvolveram lagares mais eficientes, equipados com prensas de viga e contrapeso que se manteriam em uso, com pequenas adaptações, durante quase dois mil anos. O azeite deixava assim de ser um produto meramente local para integrar um sistema organizado de plantio, extração e armazenamento.
A qualidade do produto não passou despercebida aos cronistas da época. O geógrafo Estrabão e o naturalista Plínio, o Velho, deixaram registos elogiosos sobre o azeite produzido no sul da Lusitânia, em especial o do Alentejo Interior, exportado em ânforas cerâmicas para Roma. Ainda hoje, vestígios arqueológicos dessa atividade — lagares, pesos de prensas, estruturas de armazenamento e fornos de ânforas oleárias — espalham-se por todo o Alentejo e pela Beira Interior, testemunhando uma produção em larga escala.
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