Essa publicação é um complemento exclusivo a patronos da Olivapedia. A matéria inicial encontra-se em:
Olivicultura pelo mundo: Peru (Perú)
Olivais de Arequipa
Arequipa apresenta um clima ligeiramente mais ameno, contando com uma leve brisa marítima oriunda do Oceana Pacífico principalmente durante o verão. Ainda assim não é o paraíso das oliveiras pela falta de temperaturas mais baixas no inverno.
Graças a entrada de ar do Pacífico mais incidente na região durante o Verão (de novembro a dezembro a média de 20Km/h, chegando a 25Km/h) a temperatura mais alta ocorre no final do inverno com máxima em torno de 23º Celsius. Logo a maior variação de temperatura ocorre na mesma estação do ano sendo de 14º Celsius, e mínima de 9º Celsius.
Na média de 2011 a 2019 a região de Arequipa produziu 3.307 toneladas de azeitonas por ano.
Os principais distritos produtoras da região, por províncias:
- Caraveli: Bella Unión, Yauca, Jaqui, Chaparra, Atiquipa e Atico.
- Arequipa: Camaná.
- Islay: Tambo e Déan Valdivia.
Caraveli
A formação da província é de “deserto pré-montano”, que se caracteriza por apresentar um clima árido e semi quente. Baixo índice pluviométrico e temperaturas médias.
Arequipa
Em Arequipa, o verão é curto, agradável, árido e de céu parcialmente encoberto; o inverno é curto, ameno, seco e de céu encoberto. Ao longo do ano, em geral a temperatura varia de 9 °C a 23 °C e raramente é inferior a 7 °C ou superior a 25 °C.
Islay – Déan Valdivia
O governo de Arequipa mantém me Islay um centro de capacitação e treinamento para oliviculturas. No distrito de Déan Valdivia foi criado em 2018 um “corredor turístico das oliveiras”.
Oliveiras de Moquegua
Moquegua não é uma da principais regiões produtoras de azeitonas do Peru, contudo no vale do rio Osmore, Hacienda Glorieta Grande existe uma oliveira, provavelmente plantada em 1650 +/- 70 anos, que atingiu 11 metros e 66 centímetros de diâmetro. Trata-se de uma Olea europaea subespécie Oleaster.
A amplitude térmica entre o pico de verão e mais baixa do inverno é em torno de 14º Celsius, e a mínima de 10º C, o que já é uma condição melhor para olivicultura, mas ainda há falta de constância de baixas temperaturas para permitir que as oliveiras hibernem.
Olivais de Tacna
Tacna é a região mais produtiva em azeitonas do Peru. Não é por coincidência ser a região mais ao Sul do Peru. Contiguamente encontra-se, já no território do Chile, o Vale de Arica onde são produzidas as azeitonas Azapa. Veja: Oliveiras Pelo Mundo: CHILE – OLIVAPEDIA
A produção de azeitonas em Tacna ao longo dos anos de 2011 e 2019 foi em média 89.445 toneladas por ano, confirmando mais de 86% da produção nacional, chegando a impressionantes 6,4 toneladas de azeitona por hectare. Para comparação abaixo publicamos um resultado suscinto de cultivos superintensivos na Espanha, Portugal, França e Norte da África em 2019:
Observações.: Média de produção. O maior volume no “encharcado” não representa maior produção de azeite.
A variação de temperatura máxima de verão e mínima de inverno é o motivo de Tacna ser a região de maior sucesso na olivicultura do Peru.
Esse gráfico demonstra a maior variação entre as máximas e mínimas da região de Tacna. Entre a média máxima do verão a mínima do inverno são de 17º Celsius, versus apenas 10,5º Celsius de Trujillo – La Libertad.
Horas de sol
Reforçando a aptidão da região de Tacna sobre as demais regiões, observamos um maior número de horas de sol. São 398 horas (13,75%) a mais de sol que a região de La Libertad. A insolação é um dos fatores fundamentais de sucesso para a olivicultura, a pesar de número de horas em Trujillo seja mais que o suficiente, mínimo de 2.500 horas por ano (vide: Plantio – Parte I: Requisitos do Local – OLIVAPEDIA), Tacna leva vantagem.
Entre as azeitonas de mesa, a variedade Botija ou também chamada Criolla, representa 80% do total; Ascolana, Manzanilla, Calamata (Kalamata) e outras variedades de mesa são 10%, enquanto o óleo e cultivares com maior vocação para polinização representam 10%.
Observe a variação entre cultivares do Norte no Peru, que eram predominantemente Koroneiki e Arbequina.
Cultivares do Peru
São 4 os cultivares autóctones – nativos:
Cultivares produzidos no Peru
Os cultivares abaixo são os que possuem maior adoção no Peru, que foca mais a maioria da produção em azeitona de mesa.
No Peru, as variedades de azeitonas são principalmente de origem europeia e vêm principalmente da Espanha e Itália. As principais variedades cultivadas são Criolla, Ascolana e Liguria (Pignola). Em regiões mais adversas também são cultivadas a Koroneiki e a Arbequina.
- Criolla (Peru):
- Também chamada de Alfonso, Don Alfonso, Botija.
- O cultivo se estende desde o vale de Tacna e Yarada, maior produção do Peru, até o vale de Huaral – Lima. Em Yauca – Arequipa encontra-se um dos olivais mais antigos do Peru.
- Árvore grande, intensa cor escuro-escuro até a maturidade.
- Sua colheita é destinada a produção de azeitonas de mesa, ficando apenas 10% destinada ao azeite.
- É a melhor variedade para o preparo de azeitonas em conserva, trituradas e secas. Possui a maior demanda no mercado peruano.
- Ascolana (Itália)
- Também chamada de Ascolano, Noce, Nociu, Oliva da Indolcire. Erroneamente é confundida com Oliva Grossa,Oliva Dolce.
- Área predominante: Ensenada e Tacna.
- Variedade indicada para venda em lata. Produz frutos com boas características, mas com pele muito delicada e polpa branca, que amadurecem facilmente na colheita.
- Azeitonas usadas verdes na salmoura, com boa relação polpa / caroço e fácil separação.
- Gordal (Espanha)
- Também chamada de Gordal Sevillana, Bella de Espanha, Morcal de Limón. Erroneamente é confundida como Mollar, Sevillano, Cordobés, Injerta, del Agua.
- Árvore de porte médio, produz frutos grandes com polpa firme, maturação precoce, cor viva na maturação.
- É uma excelente variedade para a obtenção de conservas, principalmente azeitonas recheadas
- Azeitona de alto valor comercial pelo seu tamanho e boa relação polpa / caroço de 7,3.
- Manzanilla (Espanha)
- Também chamada de Carrasqueña, Manzanilla de Sevilla, Manzanilla Basta, Manzanilla Blanca, Manzanilla Comùn, Manzanilla de Carmona, Manzanilla de Dos Hermanas, Manzanillo, Manzanillo Fino, Manzanillo Temprano, Romerillo, Varetuda.
- Árvore de porte médio e copa aberta. É cultivada basicamente para produção de azeitonas de mesa que são extremamente bem valorizadas.
- Apesar da regularidade de produção ser baixa (bienalidade), produz precocemente e com alto volume.
- Ligúria (Itália)
- Também chamada de Arbequina Mendocina, Crova, Crovia, Floscetta, Grappolosa, Merletta, Merlina, Negretta, Olivo del Povero, Pigneua, Pigneux, Pignola, Pignola Doppia, Pinola, Pravesia, Premice, Riviera di Genova.
- Possui vigor médio, mais voltada a produção de azeite.
- Sua produção é média e com média susceptibilidade a bienalidade.
- Pendolino (Itália)
- Também chamada de Piangente, Maurino Fiorentino, Olivo Passerino. Erroneamente é confundida com Maschio.
- Usada principalmente como polinizador.
- Árvore de vigor médio, com frutificação boa e constante, usada na produção de azeite.
- Koroneiki (Grécia)
- Também chamada de Koroni, Kritikia, Ladolia, Psylolia, Elitses, Lianolia e Vaciki.
- Koroneiki é uma árvore robusta e pode suportar bem as condições de vento e adaptável a climas mais “quentes”.
- Plantada junto com a Arbequina, pois resulta em uma boa polinização e alternância no momento da colheita.
- Possui porte médio e copa aberta.
- É prioritariamente cultivada para produção de azeite, e apesar de ser menos produtiva que a Arbequina, seu azeite é mais valorizado.
- Arbequina (Espanha)
- Também chamada de Arbequí, Arbequín, Blancal, Herbequín, Oliva de Arbela, Oliva de Borjas Blancas, del Manglot.
- É um dos cultivares mais bem sucedidos fora o seu país de origem, inclusive Brasil, graças não apenas a sua adaptação a climas mais variados, mas como também a sua produtividade e regularidade.
- Possui vigor médio-baixo e essencialmente utilizado para produção de azeite.
Destino das azeitonas
Diferentemente da maioria dos países produtores, a produção do Peru é focada na produção de azeitonas de mesa. Em média, nos grandes países produtores, 80% das azeitonas vão parar em lagares para produção de azeite.
No Peru, 75% se destina à produção da azeitona de mesa (35% preta natural, 20% azeitona curtida em soda e 20% verde no sal. Apenas 25% será utilizada para produção de azeite.
Uma das consequências disso, o Peru é o terceiro mais importante exportador de azeitonas de mesa para o Brasil.
Em 2019 a origem das azeitonas de mesa importadas pelo Brasil foram:
- Argentina: 58,7%
- Egito com 29,5%
- Peru com 7,4%
- Espanha com 6,1%
O Brasil é o segundo principal destino das azeitonas de mesa peruanas com 19% da produção. O Chile desponta com um total de 78%.
Associação ProOlivo
A ProOlivo representa os produtores de azeitona e azeite no Peru. O Objetivo é promover e desenvolver o setor olivícola peruano.
Sua atuação encontra-se em três linhas: gestão e advocacia junto de entidades públicas e privadas, assessoria técnica em I&D (produção e transformação) e promoção comercial.
Fábricas de Tacna associadas a ProOlivo
São 28 centros de beneficiamento, sendo 11 tanto para azeite como para azeitona de mesa, 4 apenas produzindo azeite e 13 apenas azeitona de mesa.
Para quem quiser conhecer mais sobre essas industrias: https://proolivo.com/asociados
Produção, consumo, importação e exportação de Azeite e Azeitonas de Mesa
Área de cultivo e colheita
O incremento da produção de azeitonas está alinhado com a política interna de desenvolvimento do setor. A propósito: Todo país com condições de desenvolvimento da olivicultura e produção de azeite, despertou a importância da olivicultura, mas não só pelos efeitos benéficos do azeite, mas muitas vezes também como ação ecológica, como por exemplo a contenção de áreas desertificadas.
Azeite
A produção de azeite, bem como importação, exportação e consumo, não está no radar do IOC (International Olive Council) – IOC – Internacional Olive Council – OLIVAPEDIA, que é nossa principal fonte de consulta em conjunto com a FAO – Food and Agriculture Organization (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e com órgão governamentais dos países pesquisados.
Processamento de azeite no Peru – Segundo a FAO
O Peru vem aumentando não apenas sua produção de azeitonas e azeite, mas também as demais culturas.
Isso em uma proporção mais rápida que o crescimento populacional.
Azeitona de Mesa
Conforme já visto anteriormente, a produção de azeitonas no Peru visa atender prioritariamente o mercado de Azeitonas de Mesa, não apenas internamente como para exportação.
E é justamente a exportação que tem forçado a aceleração da produção, pois o consumo interno encontra-se “estacionado”.
Ainda que sem um crescimento semelhante a exportação, o consumo interno é relativamente alto.
Observação: Existem países com consumo superior, mas que estão ligados diretamente a cultura e seu desenvolvimento, como por exemplo a Turquia com mais de 4 Kg percapita/ano e Síria com mais de 5,8 Kg percapita/ano.
Prêmios internacionais
Mantemos como referência o NYOOC (New York Olive Oil Competition) por entendermos possuir uma representatividade significativa de concorrentes.
Para acessar outras competições ao redor do mundo acesse:
- Competições de azeites – Introdução – OLIVAPEDIA
- Competições de azeites – Principais concursos do mundo de ‘A’ a ‘H’ – OLIVAPEDIA
- Competições de azeites – Principais concursos do mundo de ‘I’ a ‘O’ – OLIVAPEDIA
O Peru ainda não depontou como uma grande representatividade no NYOOC.
Do ano de 2018 a 2012 o Peru não enviou participantes.























