
França oficialmente República Francesa, está localizada na localizado na Europa Ocidental e detém a possessão de diversas ilhas e territórios ultramarinos. O território da França continental, sede do governo, vai do Mediterrâneo ao Canal da Mancha ao Mar do Norte. Do rio Reno ao Oceano Atlântico. Possui um formato hexagonal. Faz fronteira com Bélgica e Luxemburgo a norte; Alemanha a nordeste; Suíça e Itália a leste. Ao sul com a Espanha e com as “cidades nações” de Mônaco e Andorra. Em área é o maior país da União Europeia e o terceiro maior da Europa, atrás apenas da Rússia e da Ucrânia (incluindo seus territórios ultramarinos, como a Guiana Francesa.
Um pouco sobre a França
Há mais de 500 anos país tem sido uma grande potência que influencia o mundo e, mais especificamente a Europa, os aspectos econômicos, culturais e políticos. Durante muito tempo a França liderou a Europa em força e influência cultural. Antes de o “Inglês” ser considerado por muitos como uma segunda língua obrigatória, era o Francês que era obrigatório, inclusive como língua estrangeira nas escolas do Brasil. Durante a transição dos séculos XVII e XVIII a França criou colônias por todo o mundo, e ainda hoje existem território ligados a ela, como por exemplo a Guiana Francesa, maior em território que a Ucrânia.

É conhecida como a terra natal da primeira grande enciclopédia do mundo, a chamada Encyclopédie, formada por 35 volumes e publicada entre 1751 e 1766, em pleno iluminismo do século XVIII.
A esquerda a primeira página da “Enciclopédia”

Terra de Auguste Comte que, através do “Positivismo” influenciou toda uma geração da Euro Ocidental no século XIX, inclusive no Brasil e a D. Pedro primeiro. É atribuída a filosofia de Comte o lema “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira. Depois de um período de turbulência gerado pela Revolução Francesa, movimento autofágico e sem rumo, que forçou a
França experimentar o regime de regime de Consulado, estabelecido por Napoleão Bonaparte, e até mesmo voltar a fletar com a Monarquia, apesar de ter cortado a cabeça de Luís XVI e Maria Antonieta. Hoje segue o semi-presidencialismo (um termo criado pelo cientista político francês Maurice Duverger). É uma mistura entre presidencialismo (Brasil) e o parlamentarismo (Itália).
A França hoje é a quinta maior economia do mundo e a segunda maior da Europa. O país goza de um alto padrão de vida, bem como um elevado nível de escolaridade pública, além de ter uma das mais altas expectativas de vida do mundo. A França foi classificada como o melhor provedor de saúde pública do mundo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É o país mais visitado no mundo, recebendo 82 milhões de turistas estrangeiros por ano.
Origem da Olivicultura na França
A história da introdução da cultura na França, assim como em vários países cuja cultura vem de muito longe, é polêmica. A questão da origem na França advém de duas teorias: A primeira, defendida por muitos europeus, é de que a origem é comum em todo o torno do Mediterrâneo. A segunda, e mais aceita, defende que o berço e domesticação das oliveiras foi a Ásia Menor.
Origem ao longo do Mediterrâneo
Tipicamente, devido o forte sentimento de nacionalismo francês, é defendido internamente: “(…)A oliveira está presente desde o Plioceno* e os restos situam a primeira fase de sua domesticação do Neolítico nas fronteiras do Mediterrâneo francês e espanhol(…)” – tradução livre de texto do site: https://fr.wikipedia.org/wiki/Oléiculture.
* Pilocênio: Período entre 5 e 2 milhões de anos atrás, aproximadamente.
Abaixo uma folha “fossilizada” datada de aproximadamente 8.000 antes de Cristo na Provença. Essa é uma das provas que daria embasamento a teoria do desenvolvimento da cultura em vários lugares ao longo do Mediterrâneo.

Origem Ásia Menor
Certa ou errada, a teoria mais aceita é outra

As informações em detalhes podem ser vistas na publicação “A Origem Da Cultura das Oliveiras”, mas resumidamente temos que as oliveiras chegaram a França aproximadamente no século 6 a.C. trazida pelos Fenícios – grandes comerciantes no Mediterrâneo, e/ou posteriormente pelos Gregos.
História do desenvolvimento da cultura
Com o avanço das fronteiras do Império Romano, sobremaneira na França a partir do século II a.C., principalmente na região de Narbonne – Gália ocorreu a proibição do cultivo da oliveira e das uvas, pois a intenção era criar dependência da produção Romana, semelhante ao que ocorreu no Brasil com a colonização portuguesa. Com a retração e queda do Império Romano, paulatinamente a cultura foi retomada e durante muito tempo teve um papel importante na alimentação do país, a exemplo do que já ocorria a desde antes com a Espanha e a Itália. Finalmente em 1848 a região dos Pirineus voltou a produzir azeite. Então veio outra grande retração.
Vários fatores ocorridos no século XIX concorreram para redução da olivicultura. Ocorreu o forte aumento da demanda de alimentos causado pela revolução Industrial, especialmente em Languedoc, e o melhor rendimento de outras culturas (toneladas colhidas por hectare plantado), em especial o amendoim.
Vide nossa publicação “Evolução da área plantada com oliveiras X outras culturas”.
Ainda ocorreu a competição dos produtos das colônias com a produção local (França). Como havia sido estimulada a olivicultura em colônias no Norte da África, e as mesmas eram mais produtivas que no território francês, somado a crise da “FILOXERA) que devastou as vinhas Francesas em 1870, foram necessárias áreas “limpas”, sem risco de continuação do contágio para os novos vinhedos. Quem saiu perdendo foram as oliveiras…
Curiosidade: Curiosidade: Foi graças a infestação de 1870 que a variedade Camenère foi extinta do Território Francês, de onde era originária. Por mais 128 anos a variedade foi considerada extinta. Contudo um ampelógrafo Francês, Jean-Michel Boursiquot, descobril que em Valparaiso, no Chile, estavam calssificando um vinho de forma errada. Atribuiam ser de origem da variedade Merlot. Na verdade, era Camenère. Isso projetou os vinhos chilenos, que hoje possuem a exclusividade sobre essa uva.
A redução do interesse na olivicultura foi reforçada no século XX com a eclosão da primeira guerra mundial (1914-18) que levou a uma forte evasão do campo e as geadas que dissimaram muitos olivais, sendo a mais notória a de 1956.
Olivicultura hoje na França
O fator que tiraria a olivicultura do ostracismo foi o Turismo. A movimentação causada na Provença por turistas em busca de produtos locais justificou a resistência dos lagares que continuaram a operar ap´s tantos revesses. Esses mesmos moleiros, e alguns novos estabelecidos, modernizaram a técnica de produção, trazendo a viabilidade e competição ao azeite Francês para o mundo. A de se considerar também que doações e subsídios do governo francês, bem como o impacto da promoção da EU – União Européia – para aumentar o consumo de azeite graças as suas características em prol da saúde e valor na gastronomia. Inclusive existem programas de conscientização dos consumidores.

Na década de 1990 mais duas ações de divugação e proteção aos produtos/produtores aceleraram essa retomada: A “dieta cretense” e a criação do COA (denominações de origem controladas) dos azeitos mais característicos – vide nossa publicação “O que é DO, DOP, DOC, IGP…”.
Na França o principal organismo relacionado a olivicultura é a AFIDAL (Association Française Interprofessionnelle de l’Olive). Esta associação foi criada em 1999, sendo a organização, privada, mais importante na França que reúne membros ligados a produção de azeite na França.
ONDE ESTÁ FRANÇA E SUAS OLIVEIRAS
A França está dividida em 18 regiões. Destas 13 são continentais e 05 ultramarinas: Corsa, a ilha de Corsa. Essas regiões se dividem em 97 departamentos, ou distritos.

A França é cortada pelo paralelo 45ºN que deixa menos de 1/3 do seu território na zona teórica adequada a Olivicultura. Justamente nessa região é que se concentram os olivais: Nos 5 departamentos da região de Provence – Alpes -Costa Azul (Vaucluse, Var, Bocas do Ródano, Alpes da Alta Provença e Alpes Marítimos).
Em quase toda vila, dentro dessas regiões, possui oliveiras (sejam elas “ornamentais” ou usadas para produzir azeitonas).
Principais áreas
- Nos Alpilles: Les Baux, Maussane, Tarascon, Fontvieille e Mouries (maior produtor francês, com 75.000 oliveiras).
- Em Camargue: São Martinho de Crau.
Secundariamente
No interior de Nice
- Nice, Grasse, Levens, Castagniers, Tourette sur Loup e La Trinité.
No centro do departamento de Var
- Draguignan, Flayosc, Lorgues, Luc, Besse sur Issole, Carces e Le Val.
Na área superior de Var
- Aups, Cotignac, Tourtour, Salernes, Tavernes, Varages, Barjols, a área de Fayence com Bargemon, Seillans, Callian e Montauroux.
No oeste Var
- Le Beausset, Farlède, La Cadière, Le Castellet.
No vale Durance, nos Alpes da Alta Provença
- Les Mées, Lurs, Manosque, Oraison.

Cultivares franceses
Apesar da França não possuir números expressivos na produção e consumo, principalmente per capita, é o terceiro país com mais variedades autóctones. São aproximadamente 129 cultivares registrados (2019).

Além nas nativas, são aproximadamente mais 270 cultivares presentes em solo Francês, contudo apenas 50 são cultivados, estando as demais em bosques ou em plantios sem exploração do fruto, podendo ser apenas ornamental.
São os cultivares nativos:

Principais cultivares por departamento / distrito

Características dos principais cultivares autóctones:
| CULTIVAR | CATEGORIA* | USO | ÁRVORE | RESISTÊNCIAS (1=Muito baixa 5=Muito alta | FLORAÇÃO | FOLHA | FRUTO | CAROÇO | AZEITE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| VIGOR | COPA | DENSIDADE | POLINIZAÇÃO** | PRODUTIVIDADE | REGULARIDADE | ENTRADA PRODUÇÃO | ENRAIZAMENTO | RÚSTICA | FRIO | REPILO | "NEGRILLA" (Fungo) | CONCHONILHA | TUBERCULOSE | VERTICILLUM | MOSCA | PRAYS | SECA | ÉPOCA DE FLORAÇÃO | COMPRIMENTO | NR de FLORES | FORMATO | COMPRIMENTO | LARGURA | CURVATURA LONGITUDINAL | COR | TAM/PESO | FORMATO | SIMETRIA | MAIOR DIÂMETRO | PARTE SUPERIOR | PARTE INFERIOR | QTDE LENTICELAS | TAMANHO LENTICELAS | ÉPOCA DE AMADURECIMENTO | DIFICULDADE DESPREENDIMENTO | SOLTURA POLPA | PESO | FORMATO | SIMETRIA | POSIÇÃO | PARTE SUPERIOR | PARTE INFERIOR | SUPERFÍCIE | NR SULCOS FIBROVASCULARES | RENDIMENTO AZEITE | |||
| Aglandau | 1 | Mesa e Azeite | Médio | Aberta | Alta | Média | Média | Média | Médio | 2 | 4 | 4 | 2 | 2 | 4 | 3 | 3 | Curto | Baixo | Lanceolado | Médio | Pequena | Hiponastica | Verde - Amarela | Médio (2,2g) | Elíptico | Semi simétrico | Central | Redondo | Truncada | Muitas | Pequenas | Média | Fácil | Médio | Elíptico | Semi simétrico | Central | Pontuda | Pontuda | Rugosa | Médio | 20,4% | |||||
| Amellau | 2 | Mesa | Médio | Verticalizada | Baixa | Baixa | Tardia | Bom | 2 | 4 | Cedo | Elíptica-laceolado | Médio | Média | Epinástica | Elevado (5,5g) | Média | Baixo, de 10,3% e 13,6% | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Boutellain | 1 | Azeite | Alto | Verticalizada | Alta | Alta | Boa | Cedo | Médio | 5 | 4 | 3 | 2 | 2 | 2 | 3 | Médio | Médio | Alto | Elíptica-laceolado | Médio | Média | Plana | Verde claro - Cinza | Elevado (3,03 g) | Elíptico | Assimétrico | Central | Redondo | Truncada | Muitas | Pequenas | Média | Fácil | Dfícil | Elevado | Elíptico | Assimétrico | Central | Pontuda | Truncada | Áspera | Médio | Alto - 19,7% | ||||
| Cailletier | 1 | Mesa e Azeite | Alto | Verticalizado | Alta | Média | Média-tardia | Bom | 3 | 2 | 2 | 2 | 2 | Médio | Baixo 1,33 g | Cedo - homegênea | Médio - 18,3 % | |||||||||||||||||||||||||||||||
| Cayanne | 2 | Azeite | Médio | Verticalizado | Alta | Boa | Cedo | Bom | Médio (2,93 g) | Média | Baixo - 13,6% | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Cayet roux | 2 | Azeite | Alto | Verticalizado | Média | Boa | Cedo | Médio | 2 | 2 | Cedo | Baixo (1,13) | Cedo | Fácil | Baixo - 14% | |||||||||||||||||||||||||||||||||
| Cayon | 2 | Azeite | Alto | Verticalizado | Média | Boa | Cedo | Médio | 3 | 2 | 2 | 2 | Cedo | Médio-baixo (1,91 g) | Média | Baixo - 17% | ||||||||||||||||||||||||||||||||
| Grossane | 1 | Mesa e Azeite | Alto | Verticalizada | Média | Média | Boa | Médio | Médio-baixo | 4 | 2 | 2 | 4 | 2 | 2 | 3 | Curto | Médio | Lanceolada | Médio | Médio | Plana | Médio | Médio | Ovóide | Semi-assimétrico | Apical | Redonda | Pontuda | Rugosa | Médio | Baixo - 13% | ||||||||||||||||
| Lucques | 1 | Mesa e Azeite | Medio-alto | Vericalizada | Espesa | AE | Média | Baixa | Média | 3 | 3 | 2 | 2 | 2 | 2 | Cedo | Curto | Médio | Elíptico-lanceolado | Médio | Média | Plana | Medio-alto 3,9 grs. | Alongado | Assimétrico | Central | Pontuda | Truncada | Numerosa | Pequenas | Cedo | Elevado | Alongado | Assimétrico | Central | Pontuda | Pontuda | Lisa | Reduzido | Baixo: 14% | ||||||||
| Olivière | 2 | Azeite | Alto | Verticalizada | AS | Alta | Boa | Cedo | Médio | 5 | 2 | 2 | 2 | Média | Médio 2,6 grs | Cedo | Baixo 13,2 % | |||||||||||||||||||||||||||||||
| Picholine Languedoc | 1 | Mesa e Azeite | Médio | Aberta | Média | AP | Alta | Boa | Cedo | Médio | 4 | 3 | 3 | 3 | Grande | Médio | Elíptica | Média | Média | Plana | Verde escuro - Esbranquiçada | Médio 2,9 g. | Alongado | Assimétrico | Apice | Pontuda | Truncada | Numerosas | Pequenas | Tardio | Fácil | Fácil | Médio | Alongado | Assimétrico | Apical | Pontudo | Pontuda | Rugosa | Médio | Médio 17 % Difícil extração | |||||||
| Salonenque | 1 | Mesa e Azeite | Médio-baixo | Aberta | Média | AI | Alta | Boa | Médio | Baixo | 3 | 3 | 4 | 4 | 3 | 3 | Cedo | Grande | Alto | Elíptico-lanceolada | Pequeno | Pequena | Plana | Verde-Branca | Médio 2,7 g | Elíptico | Simétrico | Apical | Redondo | Pontudo | Numerosos | Pequenos | Tarde | Fácil | Fácil | Alto | Elíptico | Simétrico | Apical | Redondo | Pontuda | Lisa | Médio | Alto 20,6 % | ||||
| Tanche (Olive de Nyon ou Carpentras) | 1 | Mesa e Azeite | Alto | Aberto | Espesa | Média | Média | Tardia | Médio | 4 | 2 | 4 | 2 | 2 | 3 | Médio | Média. Ocorrem muitos abortos ovarianos. | Eliptico-Lanceolada | Médio | Média | Plana | Verde amarelado - Esbraquiçado | Médio 3,57 grs. pero muy irregulares en tamaño. | Esférico | Simétrico | Central | Redonda | Truncada | Numerosas | Pequenas | Fácil | Fácil | Elevado | Ovóide | Semi-assimétrico | Central | Redondo | Arredondado | Rugosa | Médio | Alto 24,7 % | |||||||
| Verdale de L'Hérault | 2 | Azeite | Médio | Verticalizada | Média | Parcial AI | Alta | Boa | Média | Médio | 4 | 2 | 1 | 2 | Precose | Médio | Lanceolado | Curto-médio | Estreita | com curvatura longitudinal levemente acentuada, plana, mas com calha transversal. F | Alto 3,1 g | Redonda | Semi- assimétrica | Truncada | Média | Alto | Ovóide | Semi-assimétrico | Arredondado | Pontuda | Rugosa | Poucos-médios | Baixo 14 % | |||||||||||||||
| * 1-Importante; 2-Importante, mas restrita ** AP: Auto polinizate; AE: Auto estéril; AI: Auto incompatível; AS: Andro estéril |
Características complementares
| CULTIVAR | OUTROS NOMES (SINONIMOS) NOMES ATRIBUIDOS ERRONEAMENTE(NAE) | PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO AZEITE E AZEITONA | INFORMAÇÕES ADICIONAIS |
|---|---|---|---|
| Aglandau | Berruguet, Béruguette, Verdale du Vaucluse, Verdale de Carpentras, Plant d´Aix, Plant de La Fare, Airane, Argental, Blancal, Blanquette, Blanquet, Blancane, Faren, Glandaou, Luzen, Verdaou, Olivier Commun, Olivier Ordinaire, Olive Blanche, Olive Vierge, Oliva a Ghianda, Olivier A’ Fruit Blanc. | Doce> Picante> Amargo Boa harmonia ao cheiro e boca. Boa conservação da fruta e do óleo. | Geografia de Cultivo: Todas as regiões de plantação de azeitonas da França, mas principalmente em Alpes-Maritimes e Var. Em alguns departamentos representam 95% das oliveiras. Na Espanha, Catalunha, mantém uma presença pequena. É a principal variedade de azeite para a França, dando fama às suas denominações de origem ou indicações de origem. Possuindo delíciosa polpa, resistente ao frio, mas frágil a seca, encontrou seus terroirs preferidos nos Alpes da Alta Provença, Bouches-du-Rhône, Gard,Var e Vaucluse. Dá um óleo conhecido por sua textura frutada e cremosa, mas cuja amargura e ardor são bastante marcados quando jovens. Após novembro e dezembro, no hemisfério Norte, libera aromas de alcachofra, frutas verdes e amêndoas. |
| Amellau | Amandier, Amellenque, Amande, Amellat, Amellaude, Amellinco, Amellingue, Amellou, Amelon, Amenlaou, Amenlau, Amygdaline, Grosse Noire, Olivier Franc, Olivier Blanc, Olivo Amellingo, Olivo Mandorlino, Raymet. | Azeite: Doce >>> Picante > Amargo Muito aromático. Os frutos são tão doces que chegam a usar em confeitarias. A popa tem um gosto de rosa característico. | Geografía de Cultivo: L´Herault, L´Aude, le Gard e principalmente Ardèche em Auvérnia-Ródano-Alpes. Pouco usado como aceite. Muitas vezes utilizado como polinizadora da variedade Lucques. A fruta é grande, o que a torna particularmente interessante para confeitaria. Numa azeitona rotativa, a polpa tem um sabor típico de rosa ou violeta. É um óleo produzido em fruta madura ou preta. O que o caracteriza são todos os sabores da fruta lichia. Possui aromas frescos e herbáceos. Embora cremoso, ele permanece leve na boca com uma doçura levemente adocicada, sua amargura e seu ardor são fracos, a harmonia na boca é boa. O rendimento é médio, entre 10,3% e 11,9%. |
| Boutellain | Plant de Salernes, Redounan | Azeite Doce = Picante >>> Amargo Em função da época de colheita, o sabor pode variar com notas folhas verdes - início do amadurecimento. No final do amadureciemnto o sabor muda para mais frugal. | Presente na Austrália, Espanha e Estados Unidos, além de seu país de origem: França, principalmente na região de Bouches-du-Rhône. Considerada uma variedade rústica, e com certo cuidado se torna uma variedade interessante. Seu nome se refere à forma da fruta como uma garrafa. O tamanho dos frutos varia muito. |
| Cailletier | Olive de Nice, Olive de Grasse, Grassenc, Pendoulier, Caillet, Cailloun, Pendohuer. NAE: Cayon | Azeite Doce>Picante>Amargo. Importante azeitona preta, muito finas e apreciadas, assim como a pasta de azeitonas. | Geografía de Cultivo: Alpes-Maritimes (zona limítrofe con Italia) e Bouches-du-Rhône, chegando a ser majoritariamente a variedade dominante. Dá personalidade às Denominações de Origem de Nice: azeite, patê e azeitonas pretas. A cailletier fornece um óleo particularmente doce quando as azeitonas são colhidas tarde e pode fornecer óleos frutados muito intensos com uma dominante de amêndoas frescas durante o início da colheita. É a única variedade autorizada para o AOC (denominação de origem) de azeitona de Nice, que é consumido após ser colocada em salmoura, durando alguns meses. |
| Cayanne | Caillan | Equilibrado no amargor, doce e picância. Dá personalidade aos óleos da denominação Aix-en-Provence. | Geografía de Cultivo: Zona litoral de Bouches-du-Rhône y de Var. |
| Cayet roux | Cayet Rouge, Plant de Figanières, Figaneiren. | Azeite Doce>Picância>Amargor. Muitas vezes com alto teor de água. | Geografia de cultivo: Original e altamente cultivada em Var. O fruto tende a adquirir muito conteúdo de água alto se a estação do crescimento do fruto for chuvosa, diminuindo o rendimento e a qualidade do óleo obtido. |
| Cayon | Plant d´Entrecasteux, Entrecastelen, Race de Montfort. | Azeite Doce>>>Picância; Amargor muito baixo. As azeitonas já pretas possuem a pele muito sensível a produtos agrícolas. | Geografía de Cultivo: Original de la región de Var e difundida em outras regiões, como Corsa. Usado para polinizar Lucques y Tanche, dando mucho polen durante un periodo largo. Buena adaptación de cultivo en general. Apesar de ser boa polinizadora, precisa de uma polinizador para si. O cayon é usado principalmente para a produção de azeite. Dá um óleo doce e frutado, dominado por um sabor de tomate. Esta variedade é altamente valorizada por seu papel como polinizador para outras variedades de azeitonas. |
| Grossane | NAE: Verdale. | Azeite Doce>>>Picância> Amargor muito baixo. Cmo azeitonas de mesa, os frutos são colhidos já negros., bem doces. Azeite muito aromático, mas pouco estável. | Geografía de Cultivo: Principalmente en Bouches-du-Rhône. Sua polpa é deliciosa, e faz com que seja uma variedade mista (óleo e preto de mesa) 1. Originalmente de Bouches-du-Rhône, agora se estende a Vaucluse. Produz um óleo doce com frutado preto, dominado por amêndoas doces e uma nota muito amanteigada no paladar. Grossane é a única variedade autorizada para a produção em denominação de origem controlada de azeitonas pretas do vale de Baux-de-Provence. Para a mesa, é preparado picado com sal. Amadurece no exterior sob a ação combinada de sal e frio, que tira sua amargura em poucos dias. Cultivar rústico, capacidade rizogênica média-baixa.É cultivada apenas auto-enraizada devido às dificuldades de se enraizar nos enxertos. A entrada em produção é média. Em condições irrigadas, mostra-se anteriormente tanto no crescimento quanto na entrada em produção. Os tempos de floração e maturação são médios. Possui uma porcentagem do aborto ovariano médio, assim como a produção de pólen é média. A produtividade é média e constante.Os frutos são utilizados principalmente para a produção de azeitonas pretas, apreciadas pelo sabor doce. O óleo é muito aromático, mas difícil de preservar. O rendimento é baixo (16%).A separação da polpa do núcleo é fácil. É resistente ao frio, secura e verticilose. É sensível a cochonilhas, mariposas e moscas e, em média, é resistente aos olhos de pavão. |
| Lucques | Lucqueoise | Azeite Doce>>>Picância>Amargor muito baixo. Para azeitonas de mesa os frutos são colhidos verdes. São muito delicadas e o manejo requer cuidado. | O cultivar Lucca é muito presente no Languedoc. É vulnerável a certos parasitas, mas resistente ao frio e à seca. É usado principalmente como azeitona de mesa verde e também pode produzir um óleo de alta qualidade, que é bastante difícil de extrair. Geografía de Cultivo: Principalmente Languedoc-Roussillon. Possivelmente tem proximidade com a variedade Cornezuelo de Jaén, mas ainda não confirmada. É exigente com relação ao solo e disponibilidade de água. Variedade de baixa rusticidade, sensível ao frio.É muito exigente no que diz respeito às características da terra e às práticas culturais, especialmente para a irrigação. A entrada em produção é média. É muito cedo para florescer.Androsterile, com uma incidência média de aborto ovariano. A produtividade é média e alternada. A colheita chega cedo.Os frutos, de bom tamanho, são muito apreciados por suas características organolépticas. O rendimento do óleo é baixo. É utilizado exclusivamente para a produção de azeitonas verdes.A separação da polpa do núcleo é fácil. Os frutos mostram certa sensibilidade ao processo de elaboração e conservação. Sensível à cochonilha, mosca e verticilose, é em média tolerante ao olho do pavão. |
| Olivière | Angelon Sage, Becarude, Bouteyenque, Bécaru, Béchu de L´Ardèche, Bécu, Bécude, Columbale, Galinenque, Guza, Laurine, Michelenque, Olivier de Sant Michel ,Olivier Femelle,Olivier Galliningo, Olivo Laureolo, Ouana, Oulivieïra, Oulivière, Oullivière, Palma, Palmane, Pointue,Pounchude, Pounchudo Barralenco, Traouco Sac, Guimenque. | Azeite Doce>Picância>Amargo. Coloração dourada. | Geografia do cultivo: Pirineus Orientais (Hérault e Aude), um pouco dispersos em outras regiões próximas. A quantidade de sinônimos retratam bem essa dispersão. Presente na Espanha, possivelmente como sinônimo de Becarut, mas sem confirmação. Considerado rústico e muito resistente ao frio. Apesar de fornecer pouco óleo, compensa sua alta produção. O vigor e a produtividade da colheita contribuem para sua popularidade. É um cultivar auto-estéril, por isso precisa da presença de polinizadores. Entre as cultivares de azeitona usadas para polinização estão Cayon, Picholine, Verdale e Arbequina.Uma desvantagem importante desta cultivar é sua vulnerabilidade a determinadas pragas biológicas, como Bactrocera oleae, Pseudomonas syringae, Saleaelea oleae e fumagina. Por outro lado, possui excepcional resistência ao frio; Após a devastadora força do inverno de 1956, quando a maioria dos olivais franceses foi destruída, muitas árvores Oliviere sobreviveram. Isso significa que algumas das árvores dessa variedade têm mais de 400 anos. |
| Picholine Languedoc | Collias, Coyas, Olive de Nîmes, Picholine du Gard, Piquette NAE: Picholine | Azeite: Doce=Amargor>Picância. Azeitona de mesa verde mais utilizada na França. Azeite :Muito frutado e verde, seu amargor é pungente leve é caracterizado por aromas de frutas de semente (assim chamadas a maçã e pera) com notas herbáceas de feno. | Principal região de cultivo: Hérault, Aude, Pirineus orientais. Durante o século XVII, os dois irmãos picholini de ascendência italiana se estabeleceram em Saint-Chamas. Eles popularizaram uma receita para tornar as azeitonas consumidas sem perder sua cor verde. Tudo o que você tinha que fazer era misturá-los, em volume igual, com cinzas, cobri-los com água, e depois colocá-los em uma salmoura saborizada. Eram chamadas azeitonas com picholina. Esta receita foi praticada pela primeira vez em uma variedade da área de Saint-Chamas, Saurine. Então, uma variedade de Gard provou ser superior para esta receita. Esta é uma variedade da região de Collias,entre Uzès e Remoulins1, que então se tornou Picholine. Picholina é uma variedade para dupla finalidade, mais conhecida como azeitona de mesa verde ou azeitona de coquetel, também é usada para fazer azeite. Picholina é duplamente acabada, mais conhecida como azeitona de mesa verde ou azeitona de coquetel, também é usada para fazer azeite. Muito frutado e verde, este óleo com amargura e pungentem leve é caracterizado por aromas de frutas de semente (assim chamadas a maçã e pera) com notas herbáceas de feno. Geografia do cultivo: Origem em Gard, Hérault, Aude - Pirineus orientais. Contudo está difundida em menor escala em todas as regiões com olivais na França, sendo a principal variedade da França. A variedade Pocaína Marocaína é considerada um clone ou ecótipo.Sua importância se deve ao fato de ser a variedade mais plantada para reconstruir os olivais franceses devastados pela famosa geada de 1956. Exige que a irrigação seja agronomicamente interessante. |
| Salonenque | Plant de Salon, Salonen, Sauren e Varagen | Azeite: Doce>>>Picância>Amargor. Azeite preparado com frutos verdes. Também fornece um óleo frutado verde bastante doce, dominado por notas de plantas de alcachofra, avelã e maçã verde. | Geografía de Cultivo: Especialmente en Bouches-du-Rhône, onde representa cerca de 66% da área dos olivais, e Var Continua a ser cultivado principalmente nos Bocas do Ródano. É um dos componentes das azeitonas quebradas do vale de Baux-de-Provence, as azeitonas de mesa verde. Cultivar de alta rusticidade, adapta-se aos solos mais pobres, respondendo, no entanto, positivamente às práticas de cultivo.Baixa capacidade rizogênica. Floração precoce e amadurecimento tardio. Baixa porcentagem de aborto do ovário. A colheita ocorre no período intermediário, quando o fruto ainda não terminou de madurar. É resistente à verticilose e moderadamente resistente ao frio e à seca. É bastante sensível ao vento Mistral no hemisfério Norte. Tolerante ao olho do pavão, não é muito sensível a ataques de mosca. |
| Tanche (Olive de Nyon ou Carpentras) | Olive de Nyons, Olive Noire de Nyons, Noire de Nyons, Olive de Carpentras | Azeite: Doce>>>Picância>Amargor. A azeitona preta mais apreciada da França. | Geografía de Cultivo: Límite Norte de la olivicultura de Francia, Vaucluse e Sur de Drôme - Var - onde é a maior cultivar. Cultivar com baixa rusticidade. Requer cuidados de cultivo adequados e prefere solos soltos. Seus frutos caem com o vento. Alta taxa de abortos ovarianos, sendo utilizadas as "Cayon" e "Rougeon" para polinização. Esta variedade possui um COA - denominação de origem - desde 1994. Seu uso é misto (mesa preta e óleo) também é conhecida como azeitona Nyons. Seu terroir é, portanto, encontrado em Drôme Provençale, mas também no norte de Vaucluse, onde se estabeleceu em torno das Dentelles de Montmirail. Dá um óleo doce à fruta madura. Na prova, é caracterizado por aromas derretidos de avelã e maçã2.A bacia de Nyons inclui mais de 125.000 oliveiras espalhadas por sete comunas em Nyonsais e Baronnies. É a única variedade que pode ser usada para a produção de azeite Nyons devido a COA. Oferece resistência média a climas frios e secos. Não é muito tolerante à verticilose.É sensível ao olho do pavão e voar. Não é adequado para áreas com vento. |
| Verdale de L'Hérault | Pourridale, Cul Blanc, Gangeole, Grosse Ronde, Groussaldo, Olive de Ganges, Olive Verte, Pourridale, Redounale, Redonale,Verdaou, Verdau, Verdava, Verdeau, Vereau. NAE: Verdale. | Azeite: Doce>>>Picância>Amargor muito baixo Aroma de frutos secos. Para azeitona de mesa é usual ser verde. | Na região de L'Herault, principalmente Vaucluse e Drôme é muito difundida. A presença de verticilium no solo precisa ser monitorada. Deve ser moído rapidamente pela delicadeza da fruta.O termo "verdale" designa várias variedades de azeitonas que se distinguem de outras por seus eventos cromáticos tardios. Essas variedades com mais frutas verdes não são a relação mais importante ou particular entre elas. Existe um "verdale" na maioria das regiões para o cultivo de azeitonas francesas. Além disso, para evitar qualquer ambiguidade, é necessário acompanhar o uso da garrafa térmica "verdale" da sua fonte local. A azeitona possui uma pela fina que a torna frágil. Multiplicação: é realizada por estacas com uma boa porcentagem de sucesso, pois a enxertia não é bem sucedida. Sensibilidades: as solas dos pés são sensíveis à verticilose e as folhas são sensíveis aos olhos do Pavão (Cycloconium oleagineum). O fruto é sensível à mosca da oliveira (Bactrocera oleae).Seus polinizadores são Picholine, Grossane, Corniale, Arbéquine. Verdale poliniza Picholine, Amellau, Corniale e Arbéquine. Os antigos introduziram a variedade em seus pomares de Picholine. Produção: a árvore pode ter uma produção rápida a tardia (5º ano ou mais), dependendo da poda. Para produção de azeitonas de mesa, são utilizados frutos verdes. |
Produção e consumo de azeite e azeitona na França



PARA OS 3 GRÁFICOS ACIMA: As quantidades de 2019 são estimadas e as de 2020 são previsões / Fonte IOC (Internacional Olive Council)
AZEITES FRANCESES EM CONCURSOS
Como são muitos os concursos pelo mundo, vide nossa publicação em “Competições de azeites – Introdução”, mantemos como referência a competição anual realizada em Nova York, por entendermos ser uma das mais eclético.

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Os franceses possuem uma forma única de ver a vida. Sua culinária é única e por consequência a preferência pelos azeites também. Talvez pelo desenvolvimento da cultura de forma única e mantida isolada do mundo em certas ocasiões. Via de regra os azeites franceses são mais maduros, menos pungentes. De cor amarela e mais amanteigados. Com o passar dos anos alguns lagares começaram a esmagar as azeitonas mais verdes, talvez esse seja o principal fator da evolução do sucesso em competições internacionais.






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