Resumo da publicação anterior.

Em nossa última publicação, “Visão olivicultura no Brasil até 2023 – 01 de 04”, informamos ano a ano os principais indicadores da olivicultura no Brasil até o ano de 2017. Abaixo apresentamos a evolução dos resultados do período de 2011 a 2017 sob os aspectos de produção de azeitonas em toneladas métricas, produtividade (Ton/Há) e área de colheita.

No primeiro gráfico observamos o aumento “aritmético” da produção até 2016, e um salto “geométrico” para o ano de 2017, criado pelo aumento de produção do estado do Rio grande do Sul.

No segundo gráfico a “queda” de produtividade ao longo dos anos. O que poderia ser um indicador negativo na verdade é justificado pelo terceiro gráfico, onde o aumento da área de colheita / novas oliveiras resultam em um primeiro momento uma queda de rendimento.

Olive production in metric tons from 2011 to 2017
Produção de azeitonas em toneladas metricas de 2011 a 2017
Productivity in tons per hectare
Produtividade em Ton por Hectare
Harvest area in Hectares
Área de colheita em Hectares

Observação: Não plotamos a produção de azeitonas do estado de Santa Catarina de 2016, pois não houve dados anteriores a esse ano nem posteriores. Em 2016 área colhida em Santa Cataria foi de 20 Ha e a produção de 35 toneladas de azeitonas.

Informações complementares do CENSO agropecuário de 2017 do IBGE

Observação: Até 2024, o único censo agropecuário realizado foi o de 2017.

Segunda publicação

Nessa segunda parte apresentaremos os dados de 2018 a 2022, bem como os dados que já são conhecidos, mas ainda não consolidados do ano de 2023 e 2024.

2018

Em 2018 o estado do Rio Grande do Sul confirma sua posição na vanguarda da produção de azeitonas. A produtividade sobe, mas não de forma estável nos anos seguintes devido a implantação de novos olivais.

Area - Production - Olive yield in 2018
Área – Produção – Produtividade azeitonas em 2018
Harvest area x Productivity in 2018
Área de colheita x Produtividade em 2018

Azeite 2018: No ano em que o Brasil comemorava 10 anos da primeira extração de azeite, as dúvidas, quanto a produção, perduravam. Segundo a EPAMIG, no ano a produção na região da Mantiqueira atingiu 80 toneladas. A EMBRAPA indica que no mesmo ano a produção nacional superou a 150 toneladas, sem maior precisão.

2019

Em 2019 a produção nacional da um salto de 54% na produção total de azeitonas. Esse número foi “puxado” principalmente para produção do Rio Grande do Sul que aumentou em 60%. O estado de São Paulo também teve uma relevante elevação de 260%, pois saltou de 56 Ha para 166 Ha de área colhida. Contudo o “carro chefe” foi o estado do RS que produziu mais de 6 vezes a quantidade de azeitonas que São Paulo.

Azeite 2019: Em contradição com as informações do IBGE, a EMBRAPA e Secretaria de Agricultura do estado indicaram que a produção de azeitonas no Brasil entre 2018 e 2019 foi de 1.700 toneladas, já o IBGE, 1.562. Essa informação põe em risco a credibilidade da produção de azeite de 198.664 litros de azeite, ou seja: aproximadamente: 187.737 quilogramas indicados pela EMBRAPA, que também indicou que foram utilizados 18 lagares para 35 marcas diferentes. Segundo o Canal Rural a produção de azeite no Sul do Brasil superou a marca de 160.000 litros.

2020

Foi um ano de grandes dificuldades para o setor devido aos eventos climáticos no ano de 2019, ano no qual ocorre a floração e brotação para a colheita de 2020. Em 2019 o inverno teve ondas de calor e a primavera, momento da floração e início de frutificação, excesso de chuvas no Rio Grande do Sul. Mesmo com o aumento da área colhida em mais de 44%, a redução de colheita no estado foi de quase 10% (produção de 1.416 toneladas), com rendimento médio de 1,08 toneladas por hectare, versus 1,73 do ano de 2019.

Apesar da queda de produção no estado do Rio Grande do Sul, a produção total Brasil foi compensada, com alta total de 6,2% em função do aumento de produção dos estados de Minas Gerais (+21,6%) e São Paulo (+48,5). Ou seja: aumento de 114 e 194 toneladas, respectivamente.

Azeite 2020: Acompanhando a tendência de baixa de produção de azeitonas no estado do Rio grande do Sul, a produção nesse estado foi, segundo a Secretaria de Agricultura do RS, de 48.000 litros de azeite, ou ainda 45.360 quilogramas. Considerando que toda a colheita tenha sido direcionada a produção de azeite, o percentual de rendimento na produção foi extremamente baixo (3,12%). Como não há registros adequados, podemos supor, confiando nos números obtidos, que além de baixa, a colheita teve problemas sérios de qualidade.

Segundo a IBRAOLIVE, em todo o Brasil a produção foi em torno de 240.000 litros, ou seja: 226.800 quilogramas.

2021

Em 2021 ocorreu um salto em produção e produtividade. Vários olivais entraram em produção, e os que já existiam melhoram a produção em função da idade. Como já explicado na Olivapedia, uma oliveira entra em sua maturidade produtiva entre o 8° e 10° ano, estendendo uma produção “ótima” até os 50 anos de idade. Não é uma regra e o mundo está cheio de oliveiras que mesmo com mais de 100 anos são muito produtivas. Mas isso é assunto para uma nova publicação.

Foi um aumento de quase 29% no Brasil, puxado pelo crescimento de 60% de estado de Rio Grande do Sul. Por outro lado, São Paulo produziu 22% a menos em 2021 que em 2020. Como maior justificativa encontramos o ciclo normal de bianualidade das oliveiras, que se não tratado acarreta uma forte redução na produção a cada dois ano.

Com uma área plantada de 5.986Ha, o estado do Rio Grande do Sul atingiu uma participação na produção do Brasil de 66,5%. Segundo a Secretaria de Agricultura do RS, esse número foi obtido com a colheita de apenas 25% da área plantada: olivais produtivos.

Azeite 2021: Segundo a Secretaria de Agricultura do estado do RS, a produção de azeite no estado foi de 202 mil litros, ou seja: 191 toneladas. Em Minas Grais forma produzidos 50 mil litros (fonte: EPAMIG) e São Paulo 45 mil litros (Secretaria de Agricultura – SP), ou seja: 47,25 toneladas e 42,52 toneladas respectivamente.

2022

Segundo a Secretaria de Agricultura do estado do Rio Grande do Sul, em 2022 havia 5.986 hectares plantados, mesmo número de 2021, mas nem todos ainda em produção. Em 2022 a área colhida passou a 40% do total plantado, com um salto de 36% na produção de azeitonas. Ou seja: mesmo com uma queda de 1,55 toneladas por Ha para 1,43 toneladas por ha, devido a entrada de olivais mais novos, ocorreu ao ganho de escala na produção.

As informações obtidas junto ao IBGE divergem das acima. Segundo o IBGE o estado do Rio Grande do Sul produziu 3.092 toneladas de azeitonas, em uma área de colheita de 2.334 ha, logo com uma produtividade de 1,32 ton por hectare, mantendo 67% da produção nacional, mas passando a 75% da área de colheita.

Na região Sudeste a produção foi de 1.444 toneladas, sendo Minas responsável por 853 Ton e São Paulo por 591 Ton.

O Brasil somou 4.588 toneladas, o maior número até então. Como os estado do Espírito Santo e Santa Catarina não têm sido considerados nos levantamentos da EMBRAPA / IBGE, podemos considerar que os resultados tenham sido ligeiramente maiores.

O avanço da Olivicultura no Rio Grande do Sul, e seu destaque no cenário nacional (Brasil), fica crasso no gráfico abaixo.

Azeite 2022: O Brasil produziu 503 toneladas de azeite em 2022. Segundo o IOC, o Brasil importou aproximadamente 100.500 toneladas de azeite, o que representa 106.350 mil litros. Ou seja: a produção nacional correspondeu apenas a 0,5% do consumo total.

Segundo o “Estadão”, somente no Rio Grande do Sul foram 448.500 litros, um recorde que representa 89,16% da produção de azeite no Brasil.

Apesar da crise de produção dos principais produtores mundiais, movida por pragas, mas principalmente a crise ambiental devido ao aquecimento global, vide a publicação Como as oliveiras são afetadas pelo aquecimento global? – OLIVAPEDIA, a produção no Brasil continuou a crescer. Principalmente no estado do Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul em 2023 havia 340 produtores que plantavam oliveiras em uma área de 6.200 hectares. Entretanto a área produtiva, ou seja: oliveiras com 4 anos ou mais, era de 4.300 hectares.

Os municípios com maior área plantada eram: Encruzilhada do Sul, Pinheiro Machado, Canguçu, Caçapava do Sul, São Sepé, Cachoeira do Sul, Santana do Livramento, Bagé, São Gabriel, Viamão e Sentinela do Sul.

Foto: Fernando Dias