Bandeira da Nova Zelândia

Um dos países mais isolados do mundo, dada a posição no hemisfério, com um relevo fantástico que atrai turistas e produtores de filmes.

Dado ao seu isolamento, a fauna e flora se desenvolveram de forma ímpar. A Nova Zelândia se separou da atual Austrália e do supercontinente Gondwana em torno de 80 milhões de anos atrás, justamente quando as angiospermas – plantas com flores – começavam a se desenvolver. Nesse momento os últimos dinossauros ainda dividiam espaço na Terra como mamíferos primitivos e primeiros pássaros.

Foto cedida por © In Oil Veritas: As longas estradas da Península de Bank. 

Significado da bandeira

O fundo azul representa o mar e o céu. As estrelas em formato de cruz lembram a sua localização que fica ao Sul do Oceano Pacífico. A bandeira pequena da Inglaterra relembra o domínio britânico no país.

História recente

A Nova Zelândia foi colonizada por povos da Polinésia aproximadamente no século X. O povo que ali se estabeleceu devorou todos os moas (família de aves com 6 espécies não voadoras), logo restou aos habitantes tornarem-se agricultores, e passaram a ser conhecidos como Maoris ou Maores, que significa “normal” no idioma local.

Movimentos migratórios de povoamento da Nova Zelândia

O primeiro contato registrado foi em 1642 pelo navegador holandês Abel Tasman, e posteriormente por James Cook, inglês que fez o primeiro mapeamento das ilhas, reclamando-as ao governo Britânico.

Primeiro mapa da Nova Zelândia

A Nova Zelândia permaneceu como colônia do Reino Unido até 1931. Contudo mesmo após a independência manteve a bandeira com o canto superior esquerdo preenchido por uma réplica da bandeira da Inglaterra. Mesmo após um referendo de 2016, quanto ao assunto foi posto em votação, ficou mantido o formato que vem desde 1902.

Uma das opções na época do pleito:

Bandeira finalista para substituição da bandeira nacional sem referência ao domínio Inglês

Curiosidade: A semelhança da bandeira australiana é enorme. As 2 bandeiras carregam o símbolo da época do colonialismo britânico. Essa semelhança, muitas vezes, causa incidentes diplomáticos por ignorância dos organizadores.

Bandeira nacional da Austrália

Bandeiras adicionais

Talvez devido a essa semelhança o país utiliza também outros dois modelos:

  1. Māori. A bandeira é tricolor e forma uma espécie de onda no meio que representa três reinos. Em cima, fica a parte preta e representa o ‘Te Korekore, o Ser potencial’. Abaixo tem a faixa vermelha, que significa ‘Te Whai Ao, o vir a Ser’. Ao meio, fica a parte branca que quer dizer ‘Te Ao Marama, o reino do Ser e Luz’.

2) ‘The Silver Fern Flag’ que possui uma folha de samambaia prata sobre um fundo preto. Essa representação é principalmente utilizada em competições desportivas e em eventos locais.

Onde está a Nova Zelândia

A Nova Zelândia se encontra aproximadamente a 1.700 Km do Continente Australiano separada pelo oceano Pacífico – Mar de Tasman – nome em homenagem ao navegador holandês que primeiro reportou a existência das ilhas ao mundo “civilizado”.

Observação: A maioria de nós quando olha um mapa “plano” da Terra vê uma distância imensa entre o Brasil e EUA da Nova Zelândia.

Acontece que a Terra é redonda. Não termine de ler essa seção se você for um Terraplanista. 😊. Um voo do Brasil para a Nova Zelândia pode ser mais rápido que um voo para a Europa. Dos EUA, em especial do Havaí, muito mais curto.

A Nova Zelândia é um dos primeiros países a mudar de data, pois fica próximo a longitude 0º ou 360º.

É um país composto por ilhas que estão entre as latitudes 29° e 53ºS e longitudes 165° e 176°E. O território da Nova Zelândia é longo (mais de 1 600 km ao longo de seu eixo norte-nordeste) e estreito (largura máxima de 400 km), com cerca de 15.134 km de costa e uma área total de 268.021 quilômetros quadrados.

A maior parte do seu território encontra-se na faixa de latitude “ideal” a olivicultura no hemisfério Sul. O problema são as horas de sol, umidade e frio…

A Nova Zelândia ainda reclama uma faixa de território no continente antártico, onde mantém uma estação de pesquisa: Scott Base.

Relevo e Clima da Nova Zelândia

O fato de todo o território estar, de certa forma, próximo ao mar e ocupar uma pequena faixa de latitude, garante ao país um clima ameno e estável a maior parte do ano. No entanto o território da Nova Zelândia é bastante acidentado, logo as grandes diferenças de temperatura ficam por conta da variedade de altitude. Seu ponto mais alto é o “Aoraki-Mount Cook” com 3.754 m.

Principais cidade, localização e clima

Observação: Os dados acima referem-se à observação por no mínimo 10 anos até 2016.

Conforme observamos acima, e verificando as condições básicas para o desenvolvimento da olivicultura, publicado em “Plantio – Parte I: Requisitos do Local” , os critérios ideias para cultivo de oliveiras são quase todos cumpridos, exceto pelo número de horas de insolação mínimo anual. O teórico mínimo é de 2.500 horas de sol direto por ano.

A menor isolação ocorre justamente durante o inverno, o que minimiza o efeito negativo da falta do sol, pois nessa época as oliveiras estão em “hibernação”.

Obs.: Como a N. Zelândia encontra-se no hemisfério sul, o Inverno ocorre do final de junho ao final de setembro.

Origem das Oliveiras na Nova Zelândia

As oliveiras foram levadas para a Austrália e Nova Zelândia por alguns dos primeiros migrantes europeus durante a década de 1830. Os bosques de oliveiras testemunhos dessa época, ainda existe de forma dispersa pelo território.

Em 1835, Charles Darwin citava oliveiras existentes em Waimate North, no extremo norte da Ilha Norte.

Da década de 1830 até 1986, a olivicultura permaneceu de forma espaça e muito voltada a atender as necessidades apenas dos responsáveis pelo seu cultivo. Entretanto, a partir de 1986 ocorreu a importação de mudas oriundas de Israel, tendo como destino Blenheim, na Ilha do Sul.

Curiosidade: De 1835 a 1980 o azeite era usado quase que exclusivamente como remédio para má digestão. A partir de 1980 foi que algumas pessoas começaram a utilizá-lo por suas características degustativas e benéficas a saúde, além da digestão.

Evolução dos olivais

Posteriormente ocorreram importações da Austrália em uma onde crescente de interesse pela cultura e que culminou com a plantação de 200.000 árvores por todo o país, somente na década de 1990.

Contudo o entusiasmo não foi muito além, pois a falta de um retorno financeiro mais rápido fez com que alguns olivais fossem derrubados dando lugar a culturas mais rentáveis.

No caminho da aprendizagem, várias árvores também foram derrubadas por seus cultivares não se adequarem às condições de ordem edafoclimática: algumas regiões, especialmente aquelas com maior índice pluviométrico e estações de curta duração, eram inadequadas para a produção de azeitonas.

A última por meio de um programa de grande investimento.

Novo olival em formação

Adaptação dos olivais

Uma adaptação importante foi a mudança para olivais de baixa densidade (tradicionais) para média e alta densidade (semi-intensivo e intensivo). A plantação de alta densidade, em sebe, exigiu maior profissionalismo e investimento em equipamentos adequados.

Hoje existem aproximadamente 400.000 oliveiras na Nova Zelândia.

Cultivares

Recentemente um aumento pelo interesse na olivicultura, especialmente no azeite, tal como ocorre em vários países pelo mundo, teve como consequência a importação de oliveiras principalmente do Mediterrâneo. Foram elas:

  • Frantoio, Leccino e Coratina (Itália – azeite)
  • Picual e Arbequina (Espanholas – azeite)
  • Manzanilla (Espanhola – mesa)
  • Hojiblanca (Espanhola – mesa e azeite)
  • Koroneiki (Grega – azeite)
  • Kalamata (Grega – mesa)
  • Barnea (Israelita – mesa e azeite)

Cultivares Autóctones

São 9 cultivares desenvolvidos ao longo de 150 anos de olivicultura na Nova Zelândia. São ele:

Observação: A baixa média em grau de importância refere-se justamente ao curto tempo do país dedicado a olivicultura, e ao desenvolvimento de cultivares que se adaptam às necessidades regionais.

Locais de plantio na Nova Zelândia

As regiões de olivicultura e vinicultura praticamente se misturam na Nova Zelândia.

Ilha-Waiheke—vinhas-e-olivais-. Foto: In-Oil-Veritas

Distribuição das oliveiras pelo território

Maiores olivais

No total são mais de 300 olivais produtivos, contudo a maioria de pequeno tamanho: de 500 a 1.000 árvores.

A exceção são os cinco grandes olivais, distribuídos por número de árvores da seguinte forma:

  • Auckland: 40.300
  • Marlborough: 5.117
  • Nelson 9.000
  • Hawke’s Bay: 17.198 e 27.541

Observação: A exemplo do que ocorre em muitos países, pequenos produtores vendem-se suas azeitonas a produtores maiores eu possuem lagares.

Produção de azeite

Como já comentado, o clima na Nova Zelândia não é ideal para as azeitonas. A estação de maturação é curta, os solos são ricos e a precipitação é alta.

Logo o rendimento na produção de azeitonas e azeite é baixo e ocorre de forma marginal, mas os azeites obtidos são semelhantes aos de clima frio: aromáticos, altamente complexos, saborosos e intensos.

Os principais produtos produzidos na Nova Zelândia

  • Abóboras, abóboras e cabaças
  • Aveia
  • Batatas
  • Cebolas, chalotas, verdes
  • Cevada
  • Ervilhas secas
  • Ervilhas verdes
  • Fruta kiwi
  • Maçãs
  • Milho
  • Milho verde
  • Trigo
  • Uvas

Capacidade X Produção de azeite

Embora a Nova Zelândia tenha lagares prontos para produzirem 1,8 milhões de litros de azeite, a produção gira em torno de 450 mil litros (2019), com a bianualidade esse valor pode cair abaixo da metade.

O consumo anual de azeite é de 4 milhões de litros, logo, na média, a Nova Zelândia produz menos de 10% de seu consumo. Com uma população em 2019 de quase 4,8 milhões de pessoas, o consumo per capita é de 830ml/ano.

Muitos pomares da Nova Zelândia estão bem colocados em regiões turísticas, como esta perto de Blenheim em Marlborough, uma região conhecida mundialmente por sua produção de vinhos sauvignon blanc

Mercado na Nova Zelândia

Como a produção de azeite é muito pequena diante da demanda do mercado, a importação corresponde a 90% da demanda. O maior mercado exportador de azeite para a Nova Zelândia é a Espanha, mas também recebem azeite da Itália e da vizinha Austrália, dentre outros.

Competição

A competição é díspar. AO passo que um litro de azeite importado da Austrália custa NZD 3,00, o valor de produção do EVOO na Nova Zelândia custa NZD 12,00. Logo a produção é praticamente toda vendida em garrafas de 250 ml como presente ou consumida como “artigo nacional” por turistas.

Praticamente todo azeite produzido na Nova Zelândia é Extra Virgem, pois apenas menos de 1% apresentado para certificação não cumpre o padrão exigido para Extra Virgem.

Muitos olivais operam com marca própria, vendendo seus produtos diretamente ao consumidor através de empórios, porta a porta, etc.. Ou ainda a restaurantes e lojas especializadas. Eventualmente encontra-se um rótulo ou outro em supermercados, competindo com produtos importados.

Em paralelo são produzidas aproximadamente 4 toneladas de azeitonas de mesa.

Dificuldade no desenvolvimento da Olivicultura na Nova Zelândia.

Os principais problemas são a bianualidade da cultura, controle de doenças e condições de ordem edafoclimática (principalmente umidade em excesso), por exemplo: a Itália tem um índice pluviométrico de aproximadamente 800 mm, a Espanha 300, mas a Nova Zelândia recebe em média 2.000 mm de chuva por ano que podem causar o aparecimento de fungos como a antracnose e o olhão de pavão.

Regime de chuvas até 2017, por pelo menos dez anos cada região

Outro problema são as geadas que podem ocorrer próximo da época de colheita, entre abril e junho. Existem relatos de produtores que tentaram processar as azeitonas congeladas, o que foi um desastre finalizado no lixo. A solução tentada até então foi a instalação de grandes ventiladores para forçar o deslocamento do ar e evitar a geada.

Mount Grey – Ventilador anti congelamento (custo: 25.000 dólares neozelandês cada um – Foto cedida por: © In Olio Veritas

Focus Grove

Esses problemas vêm sendo enfrentados por um programa chamado “A focus grove” ou “focus farm” que é um projeto para identificar, testar e medir as melhores práticas a serem adotadas para melhorar os resultados dos olivais. A informação resultante é então disseminada para os produtores para que todos possam se beneficiar e melhorar sua produtividade.

Os indicadores de performance de cultivo é o principal termômetro do projeto. Atualmente são aproximadamente 300 olivais estendendo-se por mais de 1.000 hectares. Esses olivais produzem em média 4 toneladas de azeitonas por hectare, o que para o modelo de plantio intensivo e super intensivo é muito baixo.

Abaixo uma média da produção na Europa e Norte da África em cultivos super intensivos no ano de 2017.

A despeito de todos os esforços, o futuro da olivicultura é incerto na Nova Zelândia. Além dos desafios de ordem edafoclimático, outras culturas geram um retorno mais interessante e imediato, como por exemplo a criação de gado, ovelhas e outros. Soma-se a isso o alto valor das terras agricultáveis no País e culturas mais rápidas e de menor risco. Ainda assim a um grupo de pessoas que não perdem o entusiasmo que continuam pesquisando a fim de melhorar a produtividade e retorno financeiro dos olivais.

Ovelhas e gado à sombra das oliveiras – © In Olio Veritas

Competições internacionais

Os esforços pelo desenvolviento da olivicultura na Nova Zelândia vem sendo reconhecidos através de premiações internacionais, e bem retratado na afirmação:

A indústria da Nova Zelândia é boutique por natureza e, embora possa não ter o volume de produção, isso é mais do que compensado pela excelente qualidade.

Gaule Shedidan

Mantemos como foco para resultados o NYIOOC (New York Olive Oil Competition) devido a abrangência da competição.

Evolução resultados na competição NYIOOC dos azeites da Nova Zelândia

Ganhadores de 2020

Azeites da Nova Zelândia – NYIOOC 2020

Liked it? Take a second to support MAURO JOSE DE MENEZES on Patreon!
Become a patron at Patreon!