
O Marrocos é um país africano com fortes influencias no passado e atuais da Europa,mas sem comprometer suas origens.
O Marrocos é um país que fica na costa noroeste do continente africano, fazendo fronteira a oeste com o oceano Atlântico, a norte com o estreito de Gibraltar – Espanha, a leste com a Argélia e ao sul com a região conhecida como Saara Ocidental. Mais ao Sul está a Mauritânia.
A cultura marroquina é uma mistura de árabes, berberes nativos, africanos subsaarianos e influências europeias. O idioma oficial são o Árabel e Tamazight* (línguas berberes).
* Trata-se de um grupo linguístico de 26 idiomas e cerca de trezentos dialetos. Falados principalmente no norte da África, esses idiomas vem se perdendo ao longo do tempo, sendo substituídos pelo Árabe.
A principal religião á o Islã, mas o Francês e um dialeto marroquino são bastante presentes.
Possui a quinta maior economia do continente africano. Seu território é de 446.550 quilômetros quadrados, mas reivindica mais 266.000 quilômetros quadrados de um território conhecido como Saara Ocidental. Hoje essa área é parcialmente administrada pelo Marrocos, pois a Espanha e a Mauritânia, querelantes do passado, abriram mão do território. Contudo um povo que habita a região, os “Sahrawi”, controle uma menor parte da região apoiados pela Argélia. A ONU também reconhece o direito dos Sahrawi de uma autodenominação.


Área verde: controle do SADR (Sahrawi Arab Democratic Republic)
Área vermelha: Atual controle do Marrocos.

Em verde: Países que apoiam a independência do Saara Ocidental nas Nações Unidas.

A capital do Marrocos é a cidade de Rabate, contudo a maior é Casablanca. Para os cinéfilos: é a mesma Casablanca do filme estrelado por Humphrey Bogard e Ingrid Bergman.
A área “oficial” do país fica entre os paralelos 27 ° 56′ e 35 ° 46′ norte, logo estando a maioria de seu território na “zona ótima” para cultivo de oliveiras (30 a 45 graus norte ou sul).
POVOAMENTO E ORIGEM DA OLIVICULTURA NO MARROCOS
A localização super estratégica do Marrocos, antes mesmo de ser chamado de Marrocos, conduziu a uma confluência de povos e culturas intensa. Muitas invasões, definições de cultura de forma plural formou um estado no mínimo interessante.
O vestígio mais antigo de um hominídeo na região data de aproximadamente 300 mil anos. O fóssil foi encontrado em 1960 próximo a aldeia de Jebel Irhould.

A região conhecida como Magrebe, que engloba os atuais territórios do Marrocos, Saara ocidental, Mauritânia, Argélia, Líbia e Tunísia, há 22 mil anos possuía um bioma parecido com uma Savana, ou seja: muito mais fértil e receptiva a culturas vegetais diversas.
Demais registros arqueológicos dão conta do primeiro povo a habitar a região ter sido os Aterianos, ainda na idade da pedra. Posteriormente vieram os Ibero-maurisiana, ou Oraniano, ou Ouchtatiano. O primeiro nome é devido a teoria da origem desse povo ter ocorrido devido a “fusão” ou “dominação” local pelos Cro-Magnon oriundos da penísula Ibérica. Isso ocorreu entre 10.120 e 8.550 a.C.. A cultura Ibero-maurisiana se estendeu para leste a partir do Marrocos – não ultrapassando a “Cordilheira Atlas”, chegando a Tunísia. Para sul, já deserto do Saara ao sul de Niger.
O Norte da África e o Marrocos foram lentamente atraídos para o mundo mediterrâneo, e a partir de 1.200 a.C. começaram a receber “visitas” dos Fenícios, grandes comerciantes do Mediterrâneo até o século VI a.C.. Os Fenícios estabeleceram colônias comerciais e assentamentos, e dentre os produtos comercializados estava as oliveiras.

É nesse ponto da história que as oliveiras são introduzidas no território conhecido hoje como Marrocos e diversos outros locais como Tunísia, Líbia. Os europeus contestam ainda que as oliveiras tenham sido trazidas de fora, e não desenvolvida no próprio território. Mas a teoria ainda melhor aceita é a origem na Ásia Menor.
Outra teoria da conta que as primeiras oliveiras do Marrocos vieram através de colonizadores gregos na Sicília. Os colonizadores levaram a oliveira para a ilha e depois para o continente africano. Eventualmente, conforme as rotas comerciais se desenvolveram, a azeitona foi trazida para o oeste até o Marrocos.

Marrocos tornou-se mais tarde um reino da civilização cartaginesa, ou púnica, como parte de seu império. Cartago havia sido fundada pelos Fenícios e aos poucos foi ganhando identidade própria e autonomia. Antes da derrocada do Império cartaginense pelo Império Romano nas Guerras Púnicas já havia ocorrido um grande intercâmbio cultural e étnico entre o povo que habitava a região do Marrocos, os Berberes.
O primeiro Estado marroquino independente conhecido foi o Reino Berbere da Mauritânia sob o rei Baga. Importante: Esse reino não tem qualquer relação com o atual Estado da Mauritânia e tem registro aproximado no ano de 225 a.C. Esse reino manteve estreita ligação com o Império Romano a partir de 33 a.C., e anexado ao Império Romano em 44 d.C.. Durante a Crise do Terceiro Século, partes da Mauritânia foram reconquistadas por tribos berberes.
Em meados do século VII e até o século VIII, os muçulmanos conquistaram o Magrebe, trazendo ao mesmo o idioma árabe e o Islã, mantendo as leis Bérberes em suas aldeias. Os mulçumanos mantiveram o Marrocos como uma província “pagadora de impostos a Ifríquia. Contudo a partir do século XI uma série de poderosas dinastias berberes surgiram que acabaram conquistando não somente o Magrebe como também grande parte do que hoje é a atual Espanha e Portugal, além da região do Mediterrâneo Ocidental.
No século XV ocorreu a reconquista de diversos territórios ocupados pelos mulçumanos, acarretando uma forte migração de judeus e mulçumanos ao Marrocos.
Desse período aos dias de hoje, ocorreram invasões portuguesas, conflitos entre a Espanha e França devido a localização estratégia do território.
Ao final de todos esses movimentos os berberes são a marca mais antiga, provando sua resistência a todas tentativas de domínio. São muitos os descendentes do povo berbere, o mais antigo no Marrocos. Muitos imaginam que a maioria étnica do Marrocos seja de árabes, contudo esses representam apenas um terço da população. A grande maioria se define como descendentes de árabes e berberes. A fundamentação é que os árabes, desde as antigas conquistas forma muito mais bem aceitos que os demais povos invasores.
Finalmente em 2 de Março de 1956 foi comemorada a independência do país, concedida pacificamente pela França, que o controlava na época.

Como todo país com um grau de desenvolvimento acima da média, o que no caso do Marrocos é garantido por sua história e proximidade com a Europa, a população tende a envelhecer.
CULTIVARES AUTÓCTONES – NATIVOS

Com a história “intensa” da formação do Marrocos, tendo sofrido invasões e disputas de tantas nações onde a cultura da oliveira fazia e faz parte do dia a dia, é mais que natural que um grande número de variedades se desenvolvessem. São 40 cultivares diferentes, o que é bastante representativo diante dos demais países, inclusive pela sua extensão territorial.
São eles:

OLIVICULTURA HOJE NO MARROCOS
Em 2017 o Marrocos possuía uma área de 1.020.569 hectares (ha) dedicados a olivicultura. Ou seja: 10.205,69 Km² de olivais. Isso representava 0,22% de todo o território do país.
Em 2019 o governo do Marrocos informou que a área já era de 10.700,00 Km² (1.070.000 ha), sendo a principal árvore frutífera cultivada no Marrocos. Representa 65% de todas as árvores do país, sendo que 72% são de novos olivais, e apenas 22% representam olivias muito antigos.
A olivicultura contribui ativamente para a ocupação da população e garante mais de 51 milhões de dias de trabalho por ano, o equivalente a 380 mil empregos permanentes, em aproximadamente 480 mil propriedades. A força de trabalho é mista, com 20% de mulheres.
Ao lado das oliveiras também crescem as árvores de Argan, uma noz típica de regiões muito secas, cujas raízes se aprofundam até 70 metros em busca de água. Utilizada para combate a desertificação.
Bem… A Oliveiras e nozes de Argan não são as únicas espécies na região..


Além de possuir a quarta maior área plantada no mundo, ainda é o nono território com maior ocupação por oliveiras.

Em termos de crescimento, o Marrocos apresentou um crescimento significativo no período entre 2013 e 2019, com um percentual um pouco acima de 16%.

Mesmo com o mundo migrando para culturas intensivas e superintensivas a FAOSTAT ainda não conseguiu detectar uma redução dos olivais. Vide nossa publicação CRESCIMENTO DOS OLIVAIS PELO MUNDO .
Onde estão os Olivais do Marrocos

As principais regiões de exploração da olivicultura são Marraquexe, Casablanca, Meknes e Fez. Marraquexe é especialista em azeitonas de mesa, enquanto Meknes e Fez produzem mais azeite. A produção de azeite é caracterizada por processadores orientados para a exportação de alta qualidade.
Programa de combate a desertificação
Um dos motivos do aumento dos campos de oliveiras pelo Marrocos é, a semelhança do Egito (vide publicação Oliveiras pelo mundo: EGITO, as oliveiras são utilizadas para frear o processo de desertificação, bem como recuperar áreas já atingidas. Em especial na província de Al Haouz.
O programa gerenciado pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) tem como um dos pontos básicos a disponibilização de água para as árvores através da técnica de gotejamento. Isso já fez com que a colheita que rendia em média 20 quilogramas por árvore, passou a render 6 vezes mais.

Observação: NDVI é uma técnica de interpretação de imagem que mapeia a superfície do solo dando indicação de sua composição e estado dos vegetais presentes.
A Argan também auxilia nesse combate:

A observação acima foi só uma desculpa para mais uma foto com as cabras: Adorei!
Foto: Michael Chinnice
O projeto, iniciado no ano de 2015 em uma área de 20.234 hectares, teve também como efeito a fixação dos jovens no campo com a redução da pobreza. Um projeto de 9,1 milhões de dólares que abrange além da olivicultura o cultivo de maçãs e criação de cordeiros. Parte desses recursos são destinados a meios de produção mecanizados, visando, inclusive, o processamento das azeitonas em até 24 horas após a colheita.
PRODUÇÃO E CONSUMO DE AZEITE E AZEITONAS

A despeito da propaganda do governo que informa que o Marrocos é o quarto maior produtor de azeite do mundo, isso ainda não é uma realidade. Ocupa um honroso sexto lugar, atrás da Espanha, Itália, Grécia, Tunísia e Turquia.



O consumo de azeite pelos marroquinos é consideravelmente alto. Fica longe dos italianos, gregos, espanhóis e portugueses, mas muito acima da franceses, brasil, americanos…

O consumo de azeite pelos marroquinos é consideravelmente alto. Fica longe dos italianos, gregos, espanhóis e portugueses, mas muito acima da franceses, brasileiros, americanos…
AZEITE MARROQUINO EM COMPETIÇÃO
Mantendo como referência o NYOOC, o Marrocos atingiu os resultados:








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