PREFÁCIO: O principal motivo para se combater o aquecimento global NÃO é salvar a Terra, pois mesmo dizimando várias espécies, causando sofrimento a muitos animais, a Terra sobreviverá. O pano de fundo é salvar as gerações futuras da humanidade, mesmo que pareça que a maioria não esteja ligando para isso.
O aquecimento global é um tema que muitas vezes não parece ser um problema constante, ou seja, que ocorre em todo o planeta, todos os dias e grita por ações mais concretas, governamentais e pessoais, mas sem ser ouvido.
Com a mesma velocidade que as conferências e manifestações em pró do meio ambiente, notícias das catástrofes presentes e previsão de ainda maiores para o futuro, entram na mídia, com a mesma velocidade elas saem. Fica parecendo que o problema foi resolvido, ou que seja algo a ser tratado no futuro. Ou pior: “Que alguém faça alguma coisa por isso, pois eu não faço nada de errado”. Bem errado e certo é algo de se definir por uma régua viciada no senso comum.
Como esse é um blog sobre Oliveiras, vamos a elas.
Previsão oportunista
Mesmo que possa parecer estranho, entre meados da década de 2010 e até o final desta década, algumas publicações indicavam que o aumento de temperatura global seria benéfico a produção de azeitonas. Na verdade, alguns meios comentavam o assunto em tom de comemoração.
Em 27 e março de 2014 o site Cultura Científica[1] publicou um artigo sob o título “Aquecimento global e azeite” do autor César Tomé López, cujo texto abaixo, em tradução livre, relatava:
No entanto, para alívio e alegria de meus vizinhos na província de Jaén, uma Terra mais quente poderia ser benéfica para o retorno econômico do azeite, tanto em quantidades produzidas quanto em benefícios. Pelo menos é o que um estudo de Ponti, et al que apareceu no Proceedings da Academia Nacional de Ciências, no qual eles coletam os resultados da avaliação das mudanças climáticas na bacia do Mediterrâneo e, especificamente, na oliveira e em suas pragas.
Os pesquisadores usaram um modelo regional para verificar os efeitos que um aumento médio de temperatura de 1,8ºC (que deve existir entre 1960 e 2040) poderia ter sobre o crescimento de oliveiras (Olea europaea) e da mosca da oliveira (Bactrocera oleae ). Na bacia do Mediterrâneo, que produz 97% da produção mundial de azeitonas (a maioria para obter azeite), espera-se que o aquecimento global faça com que as produções, em média, cresçam 4,1% e as o lucro líquido é de 9,6%.
Mas, para aumentar a colheita de azeitonas como um todo, algumas áreas verão seus benefícios (expressos em euros por hectare no mapa) diminuírem significativamente. No norte da África, onde as colheitas são pequenas agora, os lucros crescerão 41%, mas no Oriente Médio, juntamente com o leste do Mediterrâneo em geral, os lucros cairão 7,2%.
O maior efeito sobre os benefícios do aumento da temperatura se deve à maneira como afeta a mosca da oliveira: como os andaluzes que vivem perto do Guadalquivir sabemos muito bem, a árvore suporta muito melhor o calor extremo do que a mosca, pois o que algumas áreas onde atualmente há muita mosca se tornarão inabitáveis para ela.
Apesar do tom otimista acima, complementa:
Mas o que é importante neste estudo não são tanto os dados concretos, que dependem de uma série de suposições que podem ou não ser feitas, mas o que ilustra: estamos no meio de uma crise, uma mudança global e fundamental, com letras maiúsculas, apesar de esteja difícil para nós percebermos.
Ainda no mesmo artigo de 2014 do site Cultura Científica, observamos comentários apoiando que o aquecimento será positivo para determinado segmento econômico, teve gente até especulando que choveria mais:
“Exceto por mim, não acho que sejam o aquecimento seja ruim para nós, nós que vivemos nesta parte do planeta, o Espanhóis. Com as mudanças climáticas (se não me engano) na Espanha vai chover mais que o normal, vai ser melhor para nossas lavouras, os bancos próximos de certas espécies de peixes consumidos em nossa cozinha, notamos ainda um aumento do turismo na época estival estimulado pelo “bom tempo” como eu entendo…”
“O IPCC acredita que as emissões atmosféricas de eq-CO2 causam o aquecimento global. Os modelos do IPCC estabelecem diferentes cenários de emissão de CO2-eq (cenários RCP) que projetam diferentes efeitos nas temperaturas globais da superfície. Mas, a metodologia utilizada: valores predefinidos arbitrariamente e pressupostos contraditórios; invalidam esses modelos, deixando-os sem capacidade preditiva. Se o autor desta entrada não entende a metodologia absurda do IPCC, eles deveriam fazer uma pequena pesquisa. Afinal, não é preciso fazer eco de nenhuma palhaçada que aparece nos Proceedings of the National Academy of Sciences.”
Em 24 de março de 2014 o Site EL Pais publicou um artigo da jornalista Alicia Rivera[2], sob o título:
El cultivo del olivo en España se beneficiará del cambio climático
El aumento de la temperatura de la Tierra en 1,8 grados centígrados tendrá un efecto positivo en la explotación del olivar en la cuenca Mediterránea, excepto en Oriente Próximo.
Chegaram a publicar um mapa, vide abaixo. As regiões em vermelho ocorreriam o aumento da colheita e as em azul a redução.
Essa publicação também foi baseada nos estudos da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) da Academia Nacional de Ciências estadunidense, contudo com indo mais longe nas especulações e estatísticas elucubradas, em tradução livre:
Os benefícios da exploração da cultura da oliveira aumentarão em zonas de Espanha e Itália devido ao aumento das colheitas, que mais do que compensarão os níveis de infecção da mosca, o custo mais elevado da sua prevenção e eliminação, bem como como uma qualidade inferior do óleo, concluem Luigi Ponti (Agência Nacional para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, em Roma) e seus colegas. No entanto, em algumas zonas do centro da Península Ibérica e Norte de Portugal os benefícios irão diminuir devido aos elevados níveis de infeção e aos custos associados.
No Norte de África, porém, os benefícios vão aumentar, ainda que os rendimentos sejam ligeiramente reduzidos, devido ao menor nível de infecção da mosca, à redução dos custos com o seu tratamento e à melhoria da qualidade do azeite. No Oriente Médio, as colheitas vão cair.
As variações que se podem esperar na produtividade em cada local devem-se, sobretudo, aos diferentes efeitos do aumento da temperatura na mosca e na oliveira. Assim, apesar do aumento médio total das colheitas na bacia do Mediterrâneo de 4,1%, os cientistas antecipam uma redução do nível de infecção de 8% e um aumento dos benefícios líquidos obtidos com a exploração da cultura de 9,6%. As populações de moscas diminuirão em áreas altas e com invernos frios, bem como em áreas onde as temperaturas de verão tocam ou excedem o máximo tolerável para esta espécie.
Ponti e seus colegas alertam que os olivais de baixo rendimento provavelmente serão abandonados em muitos lugares, com o potencial aumento do risco de incêndio, degradação do solo e perda de biodiversidade.
Em resumo: previa o aumento da produção em determinados locais, contudo para produção intensiva e semi-intensiva, pois essas são irrigadas na maioria dos olivais com esses regimes.
O que é? e onde o aquecimento mais afeta?
Ainda existem alguns negacionista quanto ao aquecimento global. Eles alegam que faz parte de um processo natural da Terra, ou seja: um ciclo pelo qual a Terra passa onde a influência das atividades humanas é depressível. Por “sorte” essa corrente encontra cada dia menos professadores e seguidores. Um exemplo é o físico Richard Muller que se revela como um “cético convertido” na frase:
“Nossos resultados mostram que a temperatura média da superfície terrestre aumentou 1,5o Celsius ao longo dos últimos 250 anos, incluindo um aumento de 0,9o Celsius ao longo dos últimos 50 anos. Além disso, parece provável que, essencialmente, todo esse aumento resulta da emissão humana de gases do efeito estufa”
Observação: O tipo de solo que a radiação solar encontra também afetará a taxa de irradiação. Por exemplo: uma floresta absorve muito mais essa energia que o solo de um deserto, o asfalto de uma estrada, ou ainda os prédios de uma cidade (efeito albedo). Outro ponto importante é que o durante o processo de crescimento de um vegetal, de uma árvore gigante a um pé de alface, ocorre a captura de CO2 da atmosfera. O inverso ocorre quando derrubamos uma mata (decomposição do material orgânico) ou a queimamos.

Alguns gases e o valor d’água impedem essa “fuga”. Eles sempre existiram, contudo a atividade humana tem produzido um verdadeiro cobertor na Terra. Quer seja com a produção de metano pela criação de animais para abate, quer seja na emissão de poluente como o gás carbônico CO² e outros gases.
Principais gases emitidos pela atividade humana
Vapor de água (H2O): A queima de madeira, combustíveis, e o próprio aquecimento acarretam o aumento da produção de vapor d’água, mas esse é o menor dos problemas.
Monóxido de Carbono (CO): Resultado da queima incompleta do carbono. Por ser incolor e inodoro e tóxico, aumenta o risco a sua exposição, pois é um “ladrão de oxigênio”. – Estimativa 330 milhões de toneladas métricas.
Dióxido de Carbono (CO2): Apontado como o principal elemento como causador do efeito estufa. Resulta da queima de madeira, combustíveis fósseis, carvão e outros. – Estimativa 40 bilhões de toneladas métricas por ano – Estimativa 700 milhões de toneladas métricas.
Clorofluorcarbonos (CFC): Apesar do esforço para que seja banido, ainda é presente em alguns locais. Formado por carbono, cloro e flúor, proveniente dos aerossóis e do sistema de refrigeração.
Óxido de Nitrogênio (NxOx): São vários os compostos onde encontramos o Nitrogênio e o Oxigênio como elementos de composição. Dentre eles o óxido nitroso, cuja fonte são principalmente as atividades agrícolas, como uso de fertilizantes nitrogenados. Outras fontes são: motores de combustão interna, fornos, estufas, caldeiras, incineradores, pela indústria química e pela indústria de explosivos. – Estimativa do principal (N2O) é de20 milhões de toneladas métricas.
Dióxido de Enxofre (SO2): Gás denso, incolor, não inflamável, altamente tóxico, formado por oxigênio e enxofre. É usado na indústria, principalmente na produção de ácido sulfúrico, mas também expelido pelos vulcões.
Metano (CH4): Gás incolor, inodoro e se inalado é tóxico. É expelido pelo gado e outros herbívoros durante o processo de digestão. Também na decomposição de lixo orgânico, extração de combustíveis, dentre outros. – Estimativo 540 milhões de toneladas por ano.
Detalhamento sobre o Metano (CH4)
Por que detalhar o metano?
As origens do principal ofensor de clima, o gás carbônico (CO2), é bastante conhecida, entretanto o segundo ofensor, com uma participação importante, é o gás metano (CH4). O terceiro ofensor, o monóxido de carbono, é na maioria das vezes um subproduto do primeiro, o CO2.
Há muito tempo o planeta produz gás metano, quer seja através de vulcões, falhas geológicas e decomposição de materiais orgânicos de pântanos, por exemplo. Eis o porquê muitas vezes é chamado de gás do pântano”. Contudo o início da criação animal, quer seja para alimentação ou para transporte, trouxe a necessidade da criação de animais em quantidades “não naturais”. Sobre maneira no século XX a criação para abate, principalmente gado bovino e suíno.
Por exemplo, a população bovina no Brasil é maior que a seres humanos. Em 2020 contabilizava 224.600.000 cabeças de bovinos versus 213.200.000 de pessoas.
Considerando que por ano cada boi produz de 80 a 150Kg de metano anualmente, e que cada vaca de 70 a 120Kg, uma média conservadora é de 115Kg metano por cabeça por ano. Logo são emitidos, apenas pelo gado brasileiro 25.829.000 toneladas de gás metano por ano. Isso em 2020.
No total o número de cabeças de gado no mundo ultrapassa 1,5 bilhões. Outras criações em 2015: 980 milhões de porcos e 19,6 bilhões de galinhas.

Por que a poluição por metano fica mais grave? Digamos que o mundo acorde e começa e reduzir a emissão de carbono, e em conjunto ocorra grandes frentes de reflorestamento. Seriam necessários muitos anos para melhor significativamente a concentração de CO2, mas melhoria. Não é o caso do metano. Tecnlogias teriam de ser desenvolvidas com alguém pagando o custo de desenvolvimento implatação e operação. O agronegócio ´deveria ser taxado para pagar a conta, mas…
A quantas estamos?
Mal, muito mal.
Abaixo um gráfico criado por Ed Hawkins (professor de ciência climática na Universidade de Reading, principal cientista pesquisador do National Center for Atmospheric Science, editor do blog Climate Lab Book e cientista principal do projeto de ciência cidadã Weather Rescue).

O início da mecanização dos meios de produção e transporte foi a grande “virada” para o impacto do homem no meio ambiente. A melhoria nos meios de transporte possibilitou a concentração da produção de alimentos a maiores distâncias e a queima de madeira e combustíveis fósseis, inclusive carvão.
Abaixo um mapa também criado por Ed Hawkins onde observamos a evolução da temperatura no globo na mesma escala de cores.

Em 2020 observamos a sexta maior temperatura terrestre e marítima com uma elevação de 1,09ºC acima da média, segundo a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration).
Outros organismos não destoam entre si, nem tem melhores notícias, vide o gráfico abaixo.

Situação global atual
A primeira imagem mostra a variação para menos (quanto menor mais azul) e para mais (quanto maior mais vermelha) da temperatura terrestre no globo. A variação para menos ou para mais toma o mês de julho de 2023 comparando para comparar com a média da temperatura entre os anos de 1991 e 2020.

Abaixo, sob o mesmo critério da figura anterior, a variação de chuvas em “mm” e o percentual comparado no mesmo período.

Uma observação rápida mostra um aumento de chuvas no leste e sul da Ásia, quase extremo norte da Europa e leste do continente norte Americano.
Ou seja: o país que produziu mais da metade da produção global de azeite, a Espanha, sofre com o aumento da temperatura e falta de chuvas. A situação do segundo e terceiro maior produtor mundial de azeite, Itália e Grécia, não é diferente.
Em 2022 ainda havia alguma esperança quanto a produção de azeite em 2023. Mais a frente veremos que a realidade superou qualquer previsão pessimista.
As conferências quase inúteis e danosas ao meio ambiente
Infelizmente as ações previstas nas conferências para o clima não são o suficiente e sequer estas são cumpridas. Começaram em Estocolmo em 1972 e a última foi a COP27 que ocorreu no Japão em novembro de 2022.
Considerando o penúltimo encontro com esse propósito, a Rio +20 (20 anos após a Rio 92), os impasses entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento é a justificativa mais forte para grande fracasso das metas. Existe uma disputa mundial pelo comércio e crescimento econômico, e enquanto o espírito coletivo não mudar, nada de bom acontece.
Caso a taxa atual de poluição se mantiver, a previsão entre os anos de 2025 e 2050 é uma elevação média de 2,5 a 5,0ºC. O que representará um desastre a curto prazo e uma catástrofe a médio e longo prazo.
Há de se considerar se esses “encontros em prol de meio ambiente” não poluem mais do que são úteis… deslocamentos aéreos, terrestres, consumo de energia, comida industrializada, etc, etc.
Efeitos esperados, mas que já ocorrem em “pequena” escala
Derretimento de glaciares e gelo nas regiões polares. Ocasionando aumento do nível dos mares. Cidades poderão ser parcial ou totalmente evacuadas se não forem encontras medidas de contorno para o aumento do nível do mar.
Chuvas muito mais intensas em algumas regiões, e aumento no número de furacões. Ou seja: destruição por chuva e vento.
Várias espécies, não apenas o Urso Polar, podem ser extintas.

Desertificação de áreas naturais.
Episódios mais frequentes de secas. Esse ponto já afeta diretamente as oliveiras.
Diversas culturas de produção de alimento na Europa já são afetadas, e a situação piorará. O risco de desabastecimentos locais é enorme, acompanhado de um grande risco para o mercado global.
Potencial de desertificação no globo terrestre
O departamento de agricultura dos EUA informa atraves de mapeamentos globais os possíveis rsiscos de desertificação. A análise se baseia na evolução e previsão de alteração do clima.

Algumas consequências da elevação da temperatura relatadas pelo site de notícia G1 em 2022 em forma de infográfico

Na matéria citada acima, link na descrição da imagem, uma imagem bastante ampla sobre a crise mundial climática. Vale a pena dar uma olhada.
A ações estão apenas nas mãos dos governos…NÃO!
O que chamamos de governo são apenas pessoas, na maioria mal preparadas, que enfrentam todo o dia a crítica e julgamento pelas suas ações. Os riscos que correm, habitualmente, são apenas em benefício próprio de do partido que as elegeram.

Não há governo sem pessoas como nós, contudo o concenso do bem comum nunca esteve na pauta do “Senso Comum”.
Ações simples que se adotadas poderiam mudar o rumo
- Realizar pequenos trajetos a pé ou de bicicleta. Quem sabe médios. Duas vezes aconselhável: meio ambiente e saúde.
- Dar preferência ao transporte coletivo, desde que possível e necessário. Uber e suas diversas variações não contam.
- Utilizar produtos recicláveis. Cuidado com propagandas falsas. Por exemplo: plástico reciclavel apenas se trona micro-plástico mais rápido.
- Economizar energia elétrica, pois mesmo o Brasil com tantos rios, utiliza usinas que queimam carvão ou óleo para gerar eletricidade.
- Realizar coleta seletiva, garantir a próxima etapa não destrua seu esforço;
- Reduzir ou zerar consumo de carne bovina e suína, outras espécies também, mas não tão importante como a bovina e suína. Vegetarianos e veganos vivem mais e melhor.
- Fazer compostagem do material orgânico, mesmo em um apartamento isso é possível, principalmente se tem-se um pequeno jardim com vegetais ou flores.
- Reduzir a taxa de natalidade. Apesar de ser um conceito criticado pela Igreja católica e outras instituições religiosas, a noção de aumentar o “rebanho” já passou da conta. O planeta deve ter suas zonas desabitadas de seres humanos.
Em resumo: Levar uma vida menos hedonista. Uma vida mais racional, lúcida, sem falsas certezas (“achismos”).
Esse ano (2023) o canal de notícias G1 publicou:
Seca na Europa em 2023 pode ser mais severa que em 2022; FOTOS mostram canais secando e pouca neve nos Alpes.
Reportagem completa em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/02/25/seca-na-europa-em-2023-pode-ser-mais-severa-que-em-2022-fotos-mostram-canais-secando-e-pouca-neve-nos-alpes.ghtml
Mecânica geral da industria do azeite
Há muito tempo os produtores vinham tentando reduzir o custo do azeite através de aquisições de azeitonas de diversos países e produção massiva localizada. Técnicas de produção intensivas e outras frentes vinham sendo implementadas.
Com o horizonte a frente de redução de produção e nenhuma previsão de estabilidade climática, muito pelo contrário, podemos acreditar na análise que diz que o azeite pode se tornar um objeto de luxo.
Mudança de eixo
Com a crise na Europa principal fonte produtora de azeite do mundo, bem como importante países mediterrâneos do Norte da África, como por exemplo a Tunísia, surge a expectativa de aumento de produção em regiões menos tradicionais, como por exemplo EUA (Califórnia), que também enfrenta uma crise em menores proporções, e América do Sul.
Sem uma certeza oportunista como realizada em 2014 que premeditava a vantagem da Espanha com a crise climática, as indicações baseiam-se no aumento de temperatura atual e projeções futuras, bem como no possível regime de chuvas que se pode aguardar.
Na verdade, temos poucas certezas. Caso 100 cenários diferentes sejam previstos, é provável que um acerte. Muita água há de passar por baixo dessa ponte! Tomara!
Olivicultura atual
Vamos comparar a produção de azeite e azeitona dos principais mercados produtores, todos na bacia do Mediterrâneo, exceto Portugal, apesar de possuir clima mediterrâneo, e o Peru na produção de azeitonas de mesa.
IMPORTANTE: As informações quanto a produção de azeite e azeitona são IOC (International Olive Council), sendo que para o ano de 2023 os valores são estimativas.
Observação: A Europa possui um sistemas de chuvas mais parecido com o extremo sul do Brasil do que outras áreas produtoras, pois não está sujeita as Células de Hadley. Vide: Plantio – Parte I: Requisitos do Local – OLIVAPEDIA. Ou seja: durante o período de dormência e floração, naturalmente ocorre a disponibilidade de água a oliveira para formação da azeitona.
Espanha
A Espanha é um caso que deve ser analisado em separado devido a discrepância de sua produção histórica de azeite com relação aos outros países.
Com uma visão de médio prazo, a Espanha vem apresentando dificuldades em manter produção média de azeite e de azeitona de mesa. É sem dúvida o país mais afetado pela seca. São 41 meses (até agosto de 2023) com chuvas abaixo da média, e pelos estudos acima expostos, com tendência a piora, ou seja: desertificação.
Visões de uma Espanha seca

Direita: Igreja submersa na Espanha a 23m desde 1962 – Foto Emilio Morenatti – AP Photo
O que tem sido feito?
O governo iniciou esse ano (2023) um projeto de recuperação das Acéquias. As Acéquias formavam uma malha de distribuição de água criado pelo Mouros durante o período de ocupação na idade média. A partir da década de 1960 o governo resolveu alterar o modelo de abastecimento, criando grandes reservatórios que hoje estão quase vazios.
Existem várias fontes de água atendendo as acequias espanholas. As Acéquias capturam água de rios, córregos, nascentes e aquíferos subterrâneos.
A recuperação desses canais, basicamente limpeza e recuperação de trechos destruídos, aliviam a crise hídrica, mas não atendem a toda demanda das áreas urbanas e agrícolas.
Acreditamos que apenas os próximos anos poderão definir se os esforços para manutenção da produção dos olivais, bem como de outros campos agrícolas, serão bem-sucedidos. Só assim termos uma previsão mais consequente a curto e médio prazo.
Uma questão importante: excetuando-se linhas de tendência claras, solidificadas ao longo de vários anos, a climatologia é uma ciência com inúmeras variáveis. Apesar de modelos matemáticos e o apoio do uso de supercomputadores para melhorar a assertividade, ainda possui uma enorme taxa de incerteza.
Outros países
Azeite
A queda de produção da Itália, pelos fatores climáticos que vimos no início dessa publicação vem sendo ligeiramente compensada pela produção de países ainda menos afetados pelo clima, ou que por suas características “desérticas” possuem uma estratégia de agricultura mais adaptada.
Essa compensação é mais bem observada no gráfico abaixo.
A evolução da produção é ainda melhor observada quando retiramos a Itália da produção acumulada.
Em 2023 a produção espanhola de azeite participará com um percentual inferior da produção mundial total, se comparado a 2022 e anos anteriores.
Considerações sobre possíveis cenários do futuro na produção e preço do azeite
Mesmo com uma visão clara sobre o futuro, pois o clima e os resultados das ações em curso são pouco seguros, podemos considerar:
– A redução da oferta de produção da Espanha, mesmo que com lentidão devido a própria característica da cultura da oliveira, poderá ser compensada por países da Europa e pelo resto do mundo. Principalmente em locais onde a crise hídrica não seja tão forte. Países com sistema de irrigação menos dependente das chuvas também poderão melhor se posicionar no mercado.
– Caso as expectativas mais pessimistas quanto ao clima (temperatura e regime de chuvas) ocorram, haverá escassez, não apenas de azeitonas para produção de azeite e azeitona de mesa, mas também de outros diversos alimentos.
– Muitos engarrafadores de azeite não contam apenas com a produção do próprio país para colocarem seu produto no mercado. Países com menor tradição vende seu azeite a engarrafadores para que estes produzam seu blend. Esse mecanismo foi contado na publicação Oliveiras pelo Mundo: ITÁLIA (Italy) – OLIVAPEDIA. – Mesmo com as ações de cobertura da baixa produção da Espanha, os preços, que já sofreram uma expressiva alta nos principais mercados, devem continuar aquecidos.
É muito provável que os aumentos tenham sido exagerados, contudo somente ao final desse ano (2023) isso poderá ser avaliado, pois a demanda poderá forçar a queda dos preços.
Azeitona de mesa
Algumas características do cultivo e comercialização da azeitona de mesa dessensibilizam a afetação da clise climática.
Tipo de azeitona
A azeitona para produção de azeite até pode ser a mesma para a produção de azeitona de mesa, contudo na maioria dos casos não. Isso se deve ao percentual de óleo em cada cultivar (“variedade”) – maior para produção de azeite – e da polpa da azeitona. Ou seja: As maiores, com mais “carne” são destinadas a produção de azeitona de mesa, sem desconsiderar o fator sabor.
Tratamento Após Colheita
Toda azeitona deve iniciar seu tratamento para se transformar no produto final o mais brevemente possível, pois isso garante a menor taxa de oxidação (acidez) e formação de peróxidos. Após a colheita e lavagem os processos, entre azeite e azeitona de mesa, são muito distintos.
Para produção de azeite, as azeitonas iniciam seu processo de industrialização em complexos e caros equipamentos para extração. Posteriormente, na maioria dos grandes lagares, o azeite é armazenado aguardando análises e outros processos para posterior engarrafamento. Usualmente a conservação do azeite se faz em tanques de aço inoxidável especiais onde ocorre a substituição do ar do espaço superior por nitrogênio. O nitrogênio funciona como um gás inerte que não reage como azeite e evita sua oxidação.
A produção da azeitona de mesa é basicamente o início do tratamento químico para a quebra do amargor e aumento da maciez. Esse tratamento químico pode ser precedido pela ruptura da azeitona para facilitar o tratamento, principalmente em azeitonas maiores. A opção a quebra da azeitona é a utilização produtos químico que não são, geralmente, saudáveis.
O período de tratamento das azeitonas, antes da embalagem final que possui validade de 24 meses, pode chegar a 3 meses. Logo a flexibilidade de produção é muito maior.
Observação: Mesmo que alguns produtores indiquem que a validade do azeite é de 24 meses, ao final desse período o produto já estará muito longe de suas características iniciais. O mesmo ocorre com a azeitona, contudo de forma mais branda.
Nesse ponto fica uma dica: caso encontre no mercado azeitonas de mesa “quebradas”, prefira essas às “inteiras, pois não são indicação de má qualidade, mas sim mais saudáveis. Esteticamente o prato pode não ficar muito atraente…
Distribuição do mercado produtor
Dada as características de produção a fatores históricos concernentes a história da ampliação dos olivais na Espanha na época da ocupação do Império Romano, bem como a cultura de diversos países, a produção de azeitona de mesa é muito mais bem distribuída entre os países produtores.

Uma análise rápida da imagem acima indica uma redução na participação da Espanha em 7% do mercado mundial, compensada com um aumento máximo de 3% sobre a produção da Turquia, substancialmente maior que os 3% da produção grega.
Diferente da queda de produção do azeite na Espanha cuja estimativa é de 48% para o ano de 2023 comparado a 2022, no mesmo período a queda de produção na produção de azeitona na Espanha no mesmo período é de 21%. Uma queda menor em uma participação que já é reduzida.
Acima uma visão da produção de azeitonas de mesa ao longo dos dez últimos anos.
Abaixo como esses mesmos produtores conseguiram superar a queda da produção espanhola.
Resumo
A situação climática é preocupante e seus desdobramentos são inevitavelmente ruins. O quão ruins serão dependerão de fatores comportamentais individuais, ações governamentais e avanço da tecnologia. Consideramos a inevitabilidade de maiores consequências negativas, pois a inércia com a qual vimos destruindo o planeta é muito alto.
Por exemplo: Hoje o governo brasileiro divulga índice de redução do desmatamento da Amazônia. Ou seja: A destruição continua em ritmo maior ou menor, mas não há expectativa de redução. O mesmo se aplica aos números relacionados a poluição dos mares, rios, e diversos biomas.
Azeite
O quadro atual pronuncia uma escassez do produto principalmente na Europa. Países produtores da América do Sul (AMS) vem aumentando sua produção, o que com a disparidade do câmbio entre AMS e Europa, não é garantia de manutenção do mesmo nível de abastecimento do mercado local nos próximos anos, principalmente se for agravada a crise na Europa.
Observação: Não foi considerada a produção de azeite no Brasil do Brasil, pois em 2023, apesar do franco crescimento, ainda não atingiu sequer 1 mil toneladas. Outro ponto é que apesar do investimento em unidades fabris (europeias e brasileira – Atlas), a produção ainda é muito focada em um produto gourmet.
Outro produtor com crescimento potencial é os Estados Unidos, contudo o mesmo é uma incógnita para o futuro, pois a principal região produtora, a Califórnia, está no mapa dos principais locais a serem afetados pela crise climática / desertificação.
Desconsideramos para geração de uma linha de tendência o ano de 2014, pois mesmo representa um desvio na curva de produção, por motivos já relatados nesse blog. Vide a série de 33 anos:
Azeitona de mesa
Pelas questões acima mencionadas e acima, esse mercado parece que ainda está equilibrado, com a produção global apresentado crescimento em todos os continentes produtores.
Assim como todos os produtos agrícolas, não é imune as variações climáticas, contudo os cultivares mais utilizados para conserva tem maior resistência ao cultivo em locais secos, só resta saber qual o nível que terão de suportar.
Para os que gostam de uma previsão profética e com possíveis correções em um futuro breve: Vai faltar mais azeite e uma boa azeitona em conserva continuará cara.
[2] El cultivo del olivo en España se beneficiará del cambio climático | Sociedad | EL PAÍS (elpais.com), Acessado em 10/08/2023.
[1] url: El calentamiento global y el aceite de oliva — Cuaderno de Cultura Científica (culturacientifica.com), acessado em 30 de julho de 2023.






















Herbert silva sales
02/12/2023 17:57Qual o olival mais alto do mundo? Ou o do Brasil?
MAURO JOSE DE MENEZES
18/12/2023 18:37Olá. Tudo bem? Entendo que esteja perguntando qual a oliviera mais alta. Certo: Se for isso, lá vai:
Uma árvore depende de alguns fatores para crescer, mas as Chelalis são bastante altas, contudo é indicado que as maiores são: Arabanier, Blavet, Corberana, Blanquetier, Cayet Rouge e a Germaine.
No Brasil temos poucos cultivares “tropicalizados”, e a maioria é destinada a produção de azeite, que junto a facilidade de cata, possuem uma altura menor. Mesmo as oliveiras que têm a vocação de crescer, acabam sendo podadas para privilegiar a produção de azeitonas e facilidade da colheita.
No nosso sítio temos oliveiras que deixamos crescer como a Koroneiki e a Mazanilha que são classificadas como de média altura. Algumas já estão com quase 6 metros, longe dos cultivares mais altos que podem, depois de MUITOS anos, atingir 20 metros.
Sugestão: Assine o Patreon, e tenha essas informações de forma mais detalhada e muito mais.