PREFÁCIO: O principal motivo para se combater o aquecimento global NÃO é salvar a Terra, pois mesmo dizimando várias espécies, causando sofrimento a muitos animais, a Terra sobreviverá. O pano de fundo é salvar as gerações futuras da humanidade, mesmo que pareça que a maioria não esteja ligando para isso.

O aquecimento global é um tema que muitas vezes não parece ser um problema constante, ou seja, que ocorre em todo o planeta, todos os dias e grita por ações mais concretas, governamentais e pessoais, mas sem ser ouvido.

Com a mesma velocidade que as conferências e manifestações em pró do meio ambiente, notícias das catástrofes presentes e previsão de ainda maiores para o futuro, entram na mídia, com a mesma velocidade elas saem. Fica parecendo que o problema foi resolvido, ou que seja algo a ser tratado no futuro. Ou pior: “Que alguém faça alguma coisa por isso, pois eu não faço nada de errado”. Bem errado e certo é algo de se definir por uma régua viciada no senso comum.

Como esse é um blog sobre Oliveiras, vamos a elas.

Previsão oportunista

Mesmo que possa parecer estranho, entre meados da década de 2010 e até o final desta década, algumas publicações indicavam que o aumento de temperatura global seria benéfico a produção de azeitonas. Na verdade, alguns meios comentavam o assunto em tom de comemoração.

Em 27 e março de 2014 o site Cultura Científica[1] publicou um artigo sob o título “Aquecimento global e azeite” do autor César Tomé López, cujo texto abaixo, em tradução livre, relatava:

No entanto, para alívio e alegria de meus vizinhos na província de Jaén, uma Terra mais quente poderia ser benéfica para o retorno econômico do azeite, tanto em quantidades produzidas quanto em benefícios. Pelo menos é o que um estudo de Ponti, et al que apareceu no Proceedings da Academia Nacional de Ciências, no qual eles coletam os resultados da avaliação das mudanças climáticas na bacia do Mediterrâneo e, especificamente, na oliveira e em suas pragas.
Os pesquisadores usaram um modelo regional para verificar os efeitos que um aumento médio de temperatura de 1,8ºC (que deve existir entre 1960 e 2040) poderia ter sobre o crescimento de oliveiras (Olea europaea) e da mosca da oliveira (Bactrocera oleae ). Na bacia do Mediterrâneo, que produz 97% da produção mundial de azeitonas (a maioria para obter azeite), espera-se que o aquecimento global faça com que as produções, em média, cresçam 4,1% e as o lucro líquido é de 9,6%.
Mas, para aumentar a colheita de azeitonas como um todo, algumas áreas verão seus benefícios (expressos em euros por hectare no mapa) diminuírem significativamente. No norte da África, onde as colheitas são pequenas agora, os lucros crescerão 41%, mas no Oriente Médio, juntamente com o leste do Mediterrâneo em geral, os lucros cairão 7,2%.
O maior efeito sobre os benefícios do aumento da temperatura se deve à maneira como afeta a mosca da oliveira: como os andaluzes que vivem perto do Guadalquivir sabemos muito bem, a árvore suporta muito melhor o calor extremo do que a mosca, pois o que algumas áreas onde atualmente há muita mosca se tornarão inabitáveis para ela.

Apesar do tom otimista acima, complementa:

Mas o que é importante neste estudo não são tanto os dados concretos, que dependem de uma série de suposições que podem ou não ser feitas, mas o que ilustra: estamos no meio de uma crise, uma mudança global e fundamental, com letras maiúsculas, apesar de esteja difícil para nós percebermos.
Ainda no mesmo artigo de 2014 do site Cultura Científica, observamos comentários apoiando que o aquecimento será positivo para determinado segmento econômico, teve gente até especulando que choveria mais:
“Exceto por mim, não acho que sejam o aquecimento seja ruim para nós, nós que vivemos nesta parte do planeta, o Espanhóis. Com as mudanças climáticas (se não me engano) na Espanha vai chover mais que o normal, vai ser melhor para nossas lavouras, os bancos próximos de certas espécies de peixes consumidos em nossa cozinha, notamos ainda um aumento do turismo na época estival estimulado pelo “bom tempo” como eu entendo…”
“O IPCC acredita que as emissões atmosféricas de eq-CO2 causam o aquecimento global. Os modelos do IPCC estabelecem diferentes cenários de emissão de CO2-eq (cenários RCP) que projetam diferentes efeitos nas temperaturas globais da superfície. Mas, a metodologia utilizada: valores predefinidos arbitrariamente e pressupostos contraditórios; invalidam esses modelos, deixando-os sem capacidade preditiva. Se o autor desta entrada não entende a metodologia absurda do IPCC, eles deveriam fazer uma pequena pesquisa. Afinal, não é preciso fazer eco de nenhuma palhaçada que aparece nos Proceedings of the National Academy of Sciences.”

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