Mais um efeito do aquecimento global se faz sentir esse na Europa e especial na Europa Ocidental. Chuvas com ventos onde em algumas regiões chegou a 150Km por hora devastando construções e vegetação.
Os efeitos, principalmente em Portugal e Espanha, são pessoas desabrigadas, comunidades evacuadas, falta de recursos coo energia e água potável, bem como mortos.
O que foi uma crise hídrica em 2022-2023 na Espanha, hoje se apresenta com o problema inverso.

Como nosso blog é focado em olivicultura, vamos analisar as consequências atuais e problemas futuros quanto a colheita de azeitonas e produção de azeite.
Chuvas intensas no inverno ibérico: o que realmente está em risco para a olivicultura em 2026
As chuvas intensas que atingiram a Península Ibérica entre janeiro e fevereiro geraram manchetes alarmistas sobre “perdas na colheita de azeitona” e “fruto no chão”. Parte dessas leituras, no entanto, mistura calendários agrícolas distintos e acaba por confundir o impacto real dos temporais. Esta publicação organiza os fatos com base no calendário correto da colheita, separa impactos pontuais da campanha tardia de riscos estruturais para a próxima safra e indica onde, de fato, está o principal ponto de atenção para 2026: as oliveiras, não o fruto da safra passada.
Safra 2024-2025
Antes de falarmos sobre a safra 2025-2026, é importante lembrar o que ocorreu no ano passado, quando diversos veículos de notícia alertavam para a possível quebra de produção na Espanha devido às chuvas do final e 2024, início de 2025.

Como vimos na publicação Produção de azeite 2025-2026. Fator Espanha. – OLIVAPEDIA isso não ocorreu. Essa publicação visa explicar as consequências das chuvas acima do normal na região Ibérica, e até que ponto os altos índices pluviométricos deste início de 2026 impactam a olivicultura.

Risco para safra 2026-2027
Esse ano (2026) o cenário é muito mais grave. Para dar uma ideia, coloco abaixo uma comparação das chuvas, em milímetros, das duas regiões que provavelmente terão suas produções mais afetadas.

Comparando com dados históricos – Precipitação acumulada Jan–Fev (mm) — Resumo regional

As previsões para as próximas semanas são otimistas após a sequência de tempestades que assolaram a península Ibérica.


Análise Portugal e Espanha
Antes de qualquer análise de impacto, é essencial fixar o calendário.
Espanha (especialmente Andaluzia)
- Período principal de colheita: novembro a janeiro
- Extensão possível: janeiro e, em campanhas atrasadas, fevereiro
- Em anos chuvosos ou com interrupções operacionais, parte da colheita pode avançar para fevereiro, sobretudo em:
- olivais tradicionais
- zonas de montanha
- áreas com colheita manual ou mecanização limitada
Portugal (especialmente Alentejo)
- Período principal de colheita: outubro a janeiro
- Extensão possível: até fevereiro em sistemas intensivos/superintensivos e grandes cadeias industriais, onde a colheita é escalonada conforme a capacidade dos lagares.
Importante – Fevereiro não é o mês típico de colheita, mas não é impossível haver colheita remanescente em determinadas regiões e campanhas específicas. É isso que explica parte dos relatos recentes que geram confusão e alguma especulação.
Impacto real das chuvas sobre a colheita tardia (campanha 2025/26)
Onde ainda havia azeitona por colher, as chuvas intensas causaram problemas reais, porém localizados:
- impossibilidade de entrada de máquinas em solos saturados
- atraso final da colheita
- queda de fruto por vento e chuva intensa
- aumento do risco de degradação do fruto remanescente
Esses impactos:
- não afetam a safra como um todo
- não representam a totalidade da olivicultura ibérica
- concentram-se sobretudo em olivais tradicionais e zonas específicas
Portanto, falar em “perda generalizada de colheita” por chuvas em janeiro–fevereiro é incorreto. O que existiu foi dano operacional em uma cauda tardia da campanha, não um colapso produtivo.
Onde está o verdadeiro risco
O efeito mais relevante das chuvas intensas de inverno não está no fruto que já foi colhido, mas na árvore que irá produzir no próximo ciclo.
Entre janeiro e março na Europa, e no Hemisfério Norte em geral, a oliveira atravessa fases fisiológicas decisivas:
- repouso vegetativo
- diferenciação floral
- preparação para a brotação da primavera
É nesse contexto que o excesso de chuva pode gerar impactos duradouros. Dentre eles:
Saturação do solo e asfixia radicular
A oliveira é tolerante à seca, mas sensível ao encharcamento prolongado.
- solos saturados reduzem oxigenação das raízes
- raízes finas podem morrer ou perder funcionalidade
- a árvore entra na primavera com vigor reduzido
O Impacto provável é a menor intensidade de floração e pior pegamento dos frutos em 2026.
Erosão e perda de estrutura do solo
Em olivais tradicionais, especialmente em encostas:
- chuvas intensas favorecem erosão superficial
- ocorre perda de matéria orgânica e solo fértil
- raízes podem ficar expostas ou instáveis
O Impacto provável é o efeito cumulativo negativo de empobrecimento do solo, com reflexo não apenas em 2026, mas também nos anos seguintes.
Doenças favorecidas por umidade
Invernos muito úmidos criam condições propícias para:
- doenças foliares
- desfolha parcial
- enfraquecimento fisiológico da árvore
O Impacto provável é a redução da capacidade fotossintética e menor carga produtiva na safra seguinte.
Danos mecânicos por vento
Tempestades podem provocar:
- quebra de ramos produtivos
- necessidade de poda corretiva
- desequilíbrio temporário da copa
O Impacto provável é pontual para a safra de 2026-2027, mas relevante em áreas mais expostas.
Como as chuvas afetam cada tipo de sistema produtivo
Olival tradicional
- Maior vulnerabilidade a:
- erosão
- encharcamento localizado
- dificuldade de intervenção mecânica
- Risco mais elevado, sobretudo em terrenos inclinados e solos pesados.
Olival intensivo e superintensivo
- Melhor controle estrutural e operacional
- Risco depende fortemente de:
- drenagem do solo
- compactação causada por máquinas
- Onde a drenagem é adequada, a resiliência tende a ser maior.
Quando haverá uma melhor previsão para colheita de 2026-2027?
As observações a serem realizadas na primavera de 2026 na Europa (fim de março a junho) será decisivo na confirmação das previsões de produção, bem como o quanto as mesmas terão de ser reduzidas. As observações serão sobre:
- intensidade e uniformidade da brotação
- número e qualidade das inflorescências
- sinais de stress hídrico inverso (amarelecimento, fraca resposta vegetativa)
- incidência de doenças foliares
Conclusão
As chuvas intensas do inverno não representam uma catástrofe generalizada para a olivicultura ibérica, mas não são neutras.
O impacto direto sobre a colheita foi pontual e tardio, enquanto o risco real está concentrado na fisiologia das oliveiras e na floração de 2026.
Mais do que o volume de chuva em si, o que definirá o resultado da próxima safra será:
- a capacidade de drenagem dos solos
- o estado estrutural dos olivais
- o manejo realizado nos próximos meses
A primavera, mais do que o inverno, dará a resposta definitiva.






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