Seção exclusiva PATRONOS OLIVAPEDIA
Identidade da Grécia com as Oliveiras
Complementando o que já foi dito na publicação “aberta” sobre a olivicultura na Grécia, citamos um a frase de um escritor Inglês, nascido na Índia em 1912 e falecido na França em 1990.
“The whole Mediterranean, the sculpture, the palms, the gold beads ,the bearded heroes, the wine, the ideas, the ships, the moonlight, the winged gorgons, the bronze men, the philosophers – all of it seems to rise in the sour, pungent taste of these black olives between the teeth. A taste older than meat, older than wine. A taste as old as cold water.”
Lawrence George Durrell
Em uma tradução livre teríamos:
“Todo o Mediterrâneo, a escultura, as palmas, as contas de ouro, os heróis barbudos, o vinho, as ideias, os navios, o luar, as górgonas aladas, os homens de bronze, os filósofos – tudo parece surgir entre os dentes no gosto azedo e pungente dessas azeitonas pretas. Um gosto mais velho que a carne, mais velho que o vinho. Um gosto tão velho quanto água fria.”
Lawrence George Durrell
Curiosidade
Como no resto do mundo, na Grécia o azeite também é utilizado para temperar a salada. Contudo seu maior uso é na preparação dos alimentos, quer cozidos, assados ou fritos. A propósito o azeite é o melhor* óleo para frituras. Veja: Azeite – Parte III: Características físico-químicas – OLIVAPEDIA
* O óleo de abacate é a melhor “química” opção para fritura, contudo o sabor deixa muito a desejar.
A grande maioria dos países usa o azeite apenas para “molhar” a salada o pão… Porém na Grécia cozinham com o azeite como sendo a única opção de gordura. Dada a essa tradição, criou-se um termo: lathera (do azeite em grego lathi ou ladí – λάδι ) para designar os alimentos cozidos em azeite, especialmente vegetais.
Principais regiões de cultivares importantes
Abaixo a relação de cultivares para referência das áreas acima onde os cultivares de mais destacados estão mais concentrados.
Principais áreas produtoras (2019):
- Peloponeso: 35%
- Creta: 30%
- Mitilini: 5%
- Ilhas Jônicas: 5%
As mais conhecidas azeitonas Gregas
Apesar dos cultivares mais conhecidos no ocidente serem a Kalamata e a Koroneiki, ainda assim a segunda apenas por quem se interessa por olivicultura, a variedade de tamanhos, formas e o tempo ideal de colheita (cor), são enormes:
Kalamata
Quem aprecia azeitonas em conserva certamente apontara apenas em um direção: para as Kalamatas. São deliciosas azeitonas, também conhecidas como Kalamom, ou Calamon.
A maioria esmagadora dessas azeitonas são utilizadas como azeitona de mesa, mas localmente, na Grécia, também são utilizadas para produção de azeite.
Fora da Grécia a conhecemos na cor preta – totalmente madura. Contudo há outra forma, mais comum na região de produção. É a azeitona em “veraison”, ou seja: a meia maturação com uma cor rósea.
Koroneiki
Trata-se de um cultivar que produz um excelente azeite com alto teor de polifenóis e ácido oléico. Tão bom que é quase impossível achar quem o utilize para azeitona de mesa, mas o seu pequeno tamanho também não ajuda para que seja feita como conserva. Na ilha de Creta também são conhecidas como elitses, justamente: azeitona minúscula, normalmente abaixo de 2g. Em compensação, além de ótimo azeite, seu rendimento fica entre 20 e 25% de azeite por massa de azeitona.

É um cultivar que se adaptou bem ao Brasil, e na Grécia é responsável por 60% do azeite produzido.
Oliveiras da Grécia Antiga
Como já vimos na publicação sobre taxonomia – Variedade ou cultivar? Quando aplicar o nome corretamente? – OLIVAPEDIA – a oliveira que começou a ser cultivada na Anatólia (Ásia Menor) deu origem a uma variedade, que representa a maioria esmagadora das oliveiras cultivadas para produção de azeite e conserva:
Olea europaea L. ssp. Europaea, variedade Sativa
A Variedade tem a ver com um processo natural de evolução de uma espécie. Muitas vezes encontramos uma literatura que define, inclusive, variedade como sendo uma subespécie. São registras mais de 260 variedades da família “Olea“.
Olivapedia
Algumas variedades “primas” da nossa Olea europaea ssp sativa (maioria esmagadora atualmente):
- Africana: Olea europaea ssp cuspidata
- Marroquina: Olea europaea ssp. maroccana
- Laperrine: Olea europaea ssp. laperrinei
Dentro dessa pluraridade de variedades, são mais de 260, encontramos algumas Oliveiras na Grécia consideradas autóctones. São cultivares cujas variedades, ou sub-espécie, não foram identificadas.
Almas (hipopartrenos), Dryepis (Ryssi), Ehinos, Favlia (Favlios), Gergerimos, Goggylis, Ishas, Kallistefanos, Kolymvas (Niktris oe Vomvia), Kotonis (Fylia), Moria, Nitris, Orhas (Orhemon), Rafanis, Estemfilite, Trampellos.
Curiosidade: Talvez a primeira formalização sobre a domesticação tenha ocorrido por Paulo, aposto de Cristo, em sua Carta aos Romanos de Paulo (Romanos 11:16-24):
A raiz sustenta a árvore — 16Se os primeiros frutos são santos, toda a massa também será santa; se a raiz é santa, os ramos também serão santos. 17Se alguns ramos foram cortados, e você, oliveira selvagem, foi enxertada no lugar deles e agora recebe a seiva das raízes, 18não se envaideça nem despreze os ramos. Se você se orgulha, saiba que não é você que sustenta a raiz, mas é a raiz quem sustenta você. 19Você poderá dizer: “Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertada”. 20Certo! Mas eles foram cortados por causa da falta de fé deles, ao passo que você permanece firme pela fé. Não fique cheia de soberba, mas de temor, 21porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você.
22Considere, portanto, a bondade e severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade de Deus para com você, sob a condição, porém, de que seja fiel a essa bondade. Do contrário, você também será cortada. 23Quanto a eles, se não permanecerem na falta de fé, serão enxertados, pois Deus é capaz de enxertá-los de novo. 24Pois, se você foi cortada de uma oliveira selvagem e contra a natureza foi enxertada na oliveira boa, tanto mais eles poderão ser enxertados na própria oliveira boa à qual pertencem. [16-24].
Paulo de Tarso – Romanos 11:16-24
Outra curiosidade: A Olea europaea ssp. sativa (a oliveira domesticada), sobrevivendo um longo período sem cuidados, começa a adquirir aspectos selvagens, semelhantes a Acebuche.
Acebuche
Não é grega, mas explica bem o processo de cultivo de uma oliveira silvestre. trata-se de oliveira que já foi alvo de publicação na Olivapedia, e que não é da variedade Sativa, mas sim “Olea europaea ssp. Sylvestris “ainda assim de grande importância na Espanha, é a Acebuche – Oliveiras no mundo – Acebuche – OLIVAPEDIA
Mitologia gregas das oliveiras
Existem várias lendas e histórias provavelmente verídicas em torno das oliveiras na Grécia. Falar sobre todas elas aqui tomaria um espaço enorme e um tempo de leitura que fugiria da razão desta publicação.
Talvez a lenda mais conhecida seja a da origem da oliveira, já publicada em A Origem Da Cultura das Oliveiras – OLIVAPEDIA. Fala sobre uma disputa entre Poseidon e Athena.
Ainda temos abaixo algumas histórias que detalharemos em uma publicação específica
- Aristaeus, herói cultural grego, considerando o pai da apicultura, teria sido o primeiro a espremer uma azeitona e verificar que dela saia um óleo;
- Odisseu (Ulísses) em sua Odisséia, após a guerra de Tróia, teria encontrado duas oliveiras inosculatas (inosculação) – uma selvagem fundindo-se a uma cultivada (sativa) e com frutos;
- Estudo de Theophrastus quanto ao cultivo das oliveiras selvagens;
- Nas cinco primeiras olimpíadas dos tempos antigos, os vencedores não foram agraciados com as famosas coroas de ramos de oliveira (Sobre as Oliveiras – Olea europaea – OLIVAPEDIA), mas a partir de uma “consulta a Apolo” em Delphos o costume foi firmado.
- Em Megara (cidade grega) uma antiga oliveira guardava uma previsão de uma oráculo quanto a tomada da cidade caso fosse aberta (seu tronco destruído). Isso ocorreu. No seu interior forma encontradas oferendas penduradas no passado.
- Há o relato de um combate de Hércules se valendo de uma clava (porrete) feito de uma oliveira selvagem teria derrotado um ser mítico: O Leão da Neméia.
Da antiguidade aos tempos atuais
Sobre essa seção
- As informações abaixo quanto a consumo, produção, exportação e importação de azeite e azeitona de mesa tem como base os relatórios do IOC, veja em IOC – Internacional Olive Council – OLIVAPEDIA.
- As informações quanto a área plantada, colheita de azeitonas (ainda sem tratamento) tem como base pesquisas realizadas na base da FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura) da ONU.
- Os valores relacionados ao ano de 2020 ainda são estimativas.
- Os valores relacionados ao ano de 2021 são previsões.
- Os dados relacionados a importação e exportação são relativos a transações realizadas fora do Mercado Comum Europeu, pois o IOC não computa as transações dentro da União Europeia.
Evolução da produção e consumo de azeite na Grécia – IOC
Os gregos eram de longe o povo que mais consumia azeite até o ano de 2008 quando a crise causada por exigências da Comunidade Europeia, bem como pela má administração da Grécia de suas contas, levou a uma recessão interna que obrigou aos Gregos uma mudança nos hábitos.
Em 2020 a Espanha superou o consumo percapita de azeite, sendo previsto o aumento da diferença para o ano de 2021.
Curiosidade: Fato é que existem locais na Grécia onde o consumo de azeite é muito superior ao indicado como média nacional, por exemplo: na ilha de Creta o consumo por habitante em 1996 foi de 31 L/ano, ao passo que a média nacional era de 23 L/ano.
Foi uma queda dramática no consumo grego, que a seguir mostramos “mais de perto”
Ou seja: Em apenas 13 anos o consumo de azeite caiu 54%. Hoje se consome menos da metade que no começo dos anos 2.000. O grande vilão foi a crise econômica e a competição de óleos de semente e de origem animal: menos saudáveis, menos saborosos, contudo, bem mais baratos.
Para onde foi o azeite não consumido?
Em parte, não foi a lugar algum. A produção caiu, pois com a redução da demanda interna, suprida por óleos menos saudáveis como os de sementes que apresentam valor de aquisição menor, ocorreu uma tentativa de enviar a demanda para o exterior, mas o mercado como um todo ainda não aceita os benefícios do azeite por apresentar um custo maior.
Ainda há um fator que não é mensurável: A venda de azeite para outros países dentro da União Europeia. Como explicado, esse dado não é disponibilizado de forma segura. Pior: a produção é revertida ao país realiza a última embalagem.
No período de 20 anos as exportações aumentaram 160%, o que representou apenas 16 mil toneladas. Por outro lado, a produção sofreu uma queda de 165 mil toneladas (38,4%).
Evolução da produção e consumo de azeitona na Grécia – IOC
Ocorreu no mesmo período um aumento na produção de azeitonas em conserva, mas da mesma forma que consumo de azeite, o consumo interno das azeitonas em conserva também baixou, o que também foi influenciado pela queda do poder aquisitivo.
Mais uma vez vamos “olhar de perto” o que ocorreu
A análise para a exportação de AZEITONAS DE MESA x PRODUÇÃO DE AZEITONAS é um pouco diferente da análise para o azeite. Veja o gráfico abaixo.
Mesmo tendo aumentado a exportação em 166%, ou seja 61,5 mil toneladas, a produção aumentou bem mais: 170%, ou ainda 199 mil toneladas. A explicação nesse caso está no escoamento para o mercado interno Europeu, pois como explicamos no início dessa seção, esses números não são computados pela IOC.
Uma análise mais aprofundada no gráfico a seguir pode nos levar a conclusões interessantes:
Conclusões para produção e consumo para o azeite e azeitona na Grécia
- Nunca houve crise para a azeitona em conserva grega devido a sua qualidade. Reconhecimento esse adquirido principalmente graças a azeitona Kalamata, descrita mais acima.
- Diferentemente do azeite que atravessa as fronteiras dos países europeus* sem o “registro de origem”, quer seja a como azeitona quer seja já o azeite extraído, a Azeitona de Mesa tem uma identidade de forma cor e sabor que não permite, por exemplo, dizer que um vidro de Kalamata foi produzida em Jaén, na Espanha. * A casos piores, até mesmo de fora da Europa. Para maiores informações sugerimos a leitura do livro “Extra Virginity: The Sublime and Scandalous World of Olive Oil” de Tom Miler.
- A Grécia facilitou a exportação de um dos seus produtos mais típicos, mas na Grécia ele se tornou ainda mais inacessível devido a procura externa. O mesmo ocorreu com o azeite, mas a produção ficou “disfarçada” e diluída entre outros países da Europa. Para entender melhor, veja: Oliveiras pelo Mundo: ITÁLIA (Italy) – OLIVAPEDIA.
Área cultivada e colheita – FAO
A área de colheita entre os anos de 1985 a 2017 cresceu aproximadamente 10%. Os anos de 2018 e 2019 não forma considerados, pois fora da “normalidade”. No mesmo período a produtividade por hectare (há) aumentou mais de 34%.
Os anos de 2018 e 2019 forma anos difíceis na olivicultura grega, pois variações climáticas, bem como uma infestação de “mosca da oliveira” reduziram a colheita nas áreas tradicionais. Por consequência ocorreu um aumento da área por busca de azeitonas. Saíram de pouco menos de 800 ha para uma média de 933 ha em 2018 e 2019.
Observação: A EUROSTAT apresenta números diferentes quanto a área de colheita. Em 2017 seriam 670.680 hectares contra os 792.643 indicados pela FAO. Consideramos os números da FAO, pois apresentam atualizações mais constantes e registros globais mais amplos.
Mesmo com o esforço de aumento de área colhida, a produção total de azeitonas colhidas (não é azeitona de mesa) não pode ser mantida.
Balanço entre colheita e produção de azeite e azeitonas de mesa – IOC x FAO
Vamos cruzar as informações do IOC com a base de dados da FAO, ou seja: subtrair da produção de azeitonas o total utilizado para produção de azeite e azeitona de mesa.
Como não é possível identificar dentro da colheita de azeitonas quanto foi de cada cultivar, consideraremos:
- Rendimento em azeite por massa de azeitonas: 20%, pois é o rendimento mais conservador para o cultivar que mais é colhido e cultivado para produção de azeite.
- Consideraremos que 1 Kg de azeitona colhida, quando em conserva, renderá 1 Kg de azeitona de mesa, o que na verdade não é exato, pois o rendimento é ligeiramente superior.
- Não consideraremos importação e exportação de azeitonas dentro da EU. Ao final tentaremos identificar o que ocorreu com a produção excedente de azeitonas.
Considerações:
- As contabilizações dos diversos eventos podem ocorrer em momentos distintos, mesmos sendo dependentes. Por exemplo: A colheita de azeitona pode ter ocorrido em um ano e a produção de azeite e azeitona de mesa contabilizada em um ano posterior.
- A média excedente de produção da colheita é crescente, ou seja: mesmo em alguns anos exista uma “falta virtual” de azeitonas para produção de azeite e azeitona de mesa, a média anual excedente total do período de 19 anos chega a 600 toneladas. Ou seja: em média há uma produção excedente de 34% de azeitonas colhidas.
- Em um período de 14 anos a frente, essa produção excedente chegaria a 1.000 toneladas em média.
- Não consideramos perdas após a colheita, pois são pequenas o suficiente para não entrarem no estudo.
- Não consideramos outros usos para as azeitonas / azeite, como por exemplo fabricação de sabonete e outros cosméticos, pois o consumo também é muito pequeno.
A conclusão é de que nos 19 anos analisados, a Grécia exportou uma média de 600 toneladas de azeitonas “cruas” por ano dentro da UE. Provavelmente a maioria para a Itália devido a proximidade geográfica, bem como pelos números de produção de azeite pela Itália que são muito maiores que possibilitaria a colheita dentro do próprio país (Oliveiras pelo Mundo: ITÁLIA (Italy) – OLIVAPEDIA.)
Importação e exportação de azeite e azeitona – Fora da UE
Fica claro que o forte da Grécia é a exportação, principalmente se olharmos a movimentação de azeite.
As demandas de importação de fora da Europa ocorreram com maior intensidade durante os anos de dificuldade na colheita internamente e com a introdução de produtos menos onerosos oriundos, como por exemplo do norte da África.
Importante: A princípio pode parecer estranho que um país onde a excedente de “azeitonas cruas” e “sobra” de produção de azeite e azeitonas de mesa tenha feito importação. A explicação fica em trono de oportunidade de custo, principalmente de locais com economia mais fraca e custo de vida mais baixo, bem como produtos específicos demandados por consumidores gregos.
Estimando a exportação para a EU de azeite e azeitonas de mesa
Vamos considerar o seguinte cálculo para apresentar os números ESTIMADOS de exportação.
(Volume produzido + Volume importado) – (Volume consumido + Volume exportado para fora da EU)*
* A fórmula foi utilizada de maneira idêntica para azeite e azeitona de mesa.
Provável movimentação de azeite junto ao mercado europeu
A movimentação “positiva” representa a exportação de azeite da Grécia a UE.
O valor negativo de 2014 poderia representar que o balanço entre a venda e compra de azeite junto à EU foi negativo para a Grécia, ou ainda ser simplesmente uma questão de datas de lançamento da movimentação. De qualquer forma criamos uma linha média que representa a média do ano vigente e do ano anterior.
A média de produção que de alguma forma foi escoada para a UE, sem considerar perdas, foi de 98,2 mil toneladas por ano.
Provável movimentação de azeitonas junto ao mercado europeu
A movimentação “positiva” representa a exportação de azeitona da Grécia a UE.
Considerando a produção total de azeite e a produção total de azeitonas, as azeitonas de mesa representam um percentual de exportação mais significativo.
Na média, entre 2001 e 2019, possivelmente, forma exportados para países da UE um média de 84,5 mil toneladas de azeitonas de mesa por ano. O que representa 55,8% da produção total de azeitonas de mesa, enquanto a mesma comparação para azeite representa 30,8%.
Resumo de possível exportação a União Europeia
Os números abaixo representam apenas um esforço de identificar o quanto de azeitonas a Grécia exporta a UE de sua produção de azeitonas cruas, em toneladas, sem considerar perdas.
A média de colheita de azeitonas cruas por ano destinada ao mercado Europeu foi de 576.100 toneladas. De uma colheita média anual no período de 2.140.340 toneladas de azeitonas cruas, estimamos que 26,9% foi escoado para a Europa como azeite, azeitona de mesa ou ainda azeitona crua.
Destino principal das azeitonas
Podemos considerar com uma boa margem de segurança que essa produção escoada à Europa teve como destino a Itália, pois sua produção de azeite é muito superior a produção de azeitonas.
Um bom futuro previsto
A pesar da queda, desde 2016 o consumo tem se mantido estável, principalmente no consumo do azeite. Existe a previsão de crescimento do consumo na Europa de 3 a 5% até o ano de 2026.
Outra questão importante foi que com a crise econômica muitos jovens que haviam deixado o campo têm retornando por falta de opção nas cidades.
Um terceiro fator é aposta da Grécia na produção orgânica, que tem conquistado grande importância.
A Dieta Mediterrânea e a produção orgânica.
A Dieta Mediterrânea não é uma exclusividade da Grécia, mas faz muito sucesso no país. O uso extensivo de vegetais para alimentação combinado com o azeite extra virgem é a chave do sucesso e longevidade de diversos locais da Grécia.
Veja mais sobre a Dieta Mediterrânea em Qual gordura consumir além do AZEITE? – OLIVAPEDIA
Aliada a Dieta Mediterrânea, a produção orgânica é fundamental para quem deseja manter o corpo saudável ao longo dos anos, pois os agrotóxicos e fertilizantes a base de petróleo se acumulam no organismo por anos… décadas. A ponto de uma doença ser de “origem desconhecida”, ou atribuída ao stress e até fatores genéticos, por não ser possível associar a causa a mesma.
A produção orgânica no mundo avança a passos lentos, pois não há como negar que o custo de sua produção seja superior a convencional. Contudo é claro que os reflexos na saúde a longo prazo são incontestes.
Segundo uma publicação da Olive Oil Times de 31 de janeiro de 2019:
Em escala global, o mercado de alimentos orgânicos tem prosperado e não é mais um nicho de mercado. As vendas de alimentos orgânicos na União Europeia cresceram 47% entre 2012 e 2016. Seu valor agora é de € 30 bilhões (US $ 34.3 bilhões). Os mercados dos Estados Unidos e Canadá para alimentos orgânicos representam um valor total de cerca de € 42 bilhões ($ 48 bilhões), enquanto o da China ultrapassa os € 5 bilhões ($ 5.72 bilhões).
Ao mesmo tempo, a área de terras agrícolas orgânicas na UE aumentou 18.7 por cento entre 2012 e 2016, passando de 24.7 milhões para 29.4 milhões de acres.
Percebendo que tem um forte potencial, os olivicultores gregos estão mudando para a olivicultura orgânica. A produção orgânica de oliva da Grécia aumentou de 22,000 toneladas para 132,000 em cinco anos, representando uma média de 8.7 por cento da produção total de azeitonas do país no período de 2013 a 2017.
…
Orgânicos combinam com a Grécia
A Grécia tem vantagens importantes na produção de azeitonas orgânicas. A oliveira é perfeitamente ajustada ao ambiente grego e guarda poucas surpresas para o produtor.
Graças às condições climáticas e do solo adequadas, a oliveira produz, mesmo em anos pobres, e com os devidos cuidados, as colheitas são abundantes. Ao mesmo tempo, o modelo de produção orgânica está alinhado com a produção em pequena escala típico na Grécia.
As pequenas empresas familiares que constituem a espinha dorsal da produção olivícola grega estão em melhor posição para atender às necessidades do azeite orgânico em vez do convencional, que exige uma escala de operação muito maior.
Os produtores de azeite orgânico também podem explorar e capturar as vantagens oferecidas por uma grande variedade de terroirs, que trazem caráter e identidade que tornam um produto único e capaz de reivindicar um preço mais alto na prateleira.






















